Sunday, January 17, 2016

Dez Anos de No Sense of Reason

Design: Adriano Cerqueira
É difícil imaginar que já passaram dez anos. É difícil contabilizar trezentas e dez publicações. Entre crónicas, contos, poemas, vídeos, fotos, imagens, estórias sem sentido, episódios do dia-a-dia, momentos de introspecção, sentimentos, enfim, incontáveis palavras espalhadas por cento e vinte meses de dedicação, esforço e devoção a um espaço. A um blogue. A um diário. A uma eterna constante inspirada nas letras de uma música desconhecida.

Foram anos de inspiração e de desespero. Dez anos a olhar para uma página em branco. A correr para o teclado sempre que aquela ideia surgia. A gatafunhar no meu bloco, ou numa nota do telemóvel, cada pensamento solto que pontualmente me assolava. Foram meses de revisão. De parágrafos apagados. De ideias deitadas fora. De projectos por concretizar. De artigos por escrever.

Dez anos cumpridos com falhas, sob um auto-imposto ritmo de trinta publicações por ano, e pelo menos uma por mês. Incontáveis Dezembros passados a espremer cada letra até à exaustão, esperando pelo confortável descanso de sentido e razão que aguarda o eterno 23.

Foram noites perdidas a editar o podcast d’A Rádio da Rádio. E a escrever. Sempre a escrever. É impossível olhar para trás e não ver tudo aquilo que mudou nos últimos dez anos. Pois tudo mudou. Mas este espaço, este blogue, sempre se manteve constante. Com novos layouts, diferentes designs, novos estilos e nova imagem. Mas sempre único. Sempre aberto. Sempre presente. Sempre meu.

Dez anos volvidos desde a criação deste blogue, e há doze anos como blogger, continuo sem um propósito, sem um motivo, sem um público e sem um tema. Escrevo porque sim. Apenas porque sim. Escrevo como um exercício. Escrevo porque tenho algo para dizer. Escrevo para que me leiam. Escrevo para mim. Para todos. Para alguém e para ninguém. Escrevo porque gosto. Porque o preciso de fazer. Porque o tenho que fazer. Escrevo porque sim. Apenas porque sim.

Viajo entre linhas de mundos e opiniões. Atravesso caracteres ilimitados. Exploro a lírica da minha língua. Vou além dos limites da minha criatividade. Descanso nos confins da minha imaginação. Luto pelas ínfimas ideias de uma musa eternamente adormecida. Escrevo. Falo. Filmo. Desenho. Fotografo. Viajo. Faço algo acontecer e guardo-o aqui. Uma pequena oferta para aqueles capazes de me oferecer algum do seu tempo.

Obrigado a cada pessoa que por aqui passou. A cada leitor, seja ele anónimo ou conhecido. A cada visualização. A cada subscritor. A cada seguidor. A cada amigo. A cada ligação. Obrigado por cada comentário. Por cada crítica. Pelo vosso apoio. Pela vossa presença. Pela vossa perseverança. Obrigado a todos aqueles que ajudaram a manter-me motivado. A todos aqueles que acompanharam este blogue ao longo dos últimos dez anos. Obrigado.

Nesta aventura o importante foi partir, pois o destino deste espaço constrói-se a cada nova publicação. Em cada frase. Em cada imagem. Em cada comentário. Online desde a distante tarde de 17 de Janeiro de 2006. São já dez anos de No Sense of Reason. Os primeiros dez anos do meu projecto mais antigo. Do meu projecto mais fiel. Da principal constante da última década que hoje celebro.

Os primeiros dez anos de No Sense of Reason.

Wednesday, October 21, 2015

October 21st 2015

Imagem DR
Of course it's erased! (…) It means your future hasn't been written yet. No one's has. Your future is whatever you make it, so make it a good one.

Dr. Emmett "Doc" Brown, Back to the Future III

Trinta anos após a estreia do primeiro filme, enfim chegou a icónica data do Regresso ao Futuro II, que marca a chegada de Marty McFly ao futuro. Esse longínquo futuro de 1985, imaginado com carros voadores, fusão a frio movida a lixo doméstico, filmes 3D, hoverboards, roupa ajustável ao corpo e faxes. Uma mescla de ficção científica ainda distante da realidade da versão actual de 2015, com algum saudosismo típico da década de 1980.

Olhando à distância de uma das mais aclamadas trilogias da História do Cinema, por vezes pensamos que pouco, ou quase nada, mudou nos últimos trinta, vinte e seis, ou vinte e cinco anos. Não temos carros voadores, ainda não somos capazes de viajar no tempo, existem filmes 3D e nunca foram tão populares, os videojogos são cada vez mais imersivos, têm melhores gráficos, mas ainda nos “obrigam” a usar as mãos. Não temos hoverboards, pelo menos, não como as do filme, e quanto a roupa ajustável, espero que não a tardem a inventar. Ser uma daquelas pessoas que está sempre algures perdida entre um M e um L, não é nada agradável, especialmente quando a disparidade entre tamanhos é tão vincada de loja para loja.

Back to the Future é uma das minhas trilogias preferidas. Daria prioridade a uma maratona de Back to the Future contra uma de Star Wars, Lord of the Rings, e até mesmo de Jurassic Park. Talvez apenas o Em Busca do Vale Encantado, mesmo com as suas doze, e em breve, treze sequelas, fosse capaz de tirar o lugar às aventuras de Doc e Marty McFly na minha lista de preferência para umas boas horas passadas em frente à TV.

Sou um fã incondicional de Regresso ao Futuro. Lembro-me de o ver na televisão quando era pequeno, de sonhar com carros voadores e com viagens no tempo. Não cheguei a apanhar muitos episódios da série de animação, e tenho apenas uma vaga ideia de como era. Desenhada ao estilo de Denver, the Last Dinosaur, Widget, the World Watcher e Captain Planet and the Planeteers, a série animada de Back to the Future também se centrava em temas que ainda hoje são actuais. Era uma série com um profundo aspecto vocacional e educativo, ao ensinar as crianças sobre Ciência e História, e ao preocupar-se com assuntos que ainda hoje preocupam a humanidade, como a poluição, as alterações climáticas e a protecção do planeta, assim como o nosso futuro como espécie e como habitantes da Terra.

Contudo, precisei ainda de esperar mais alguns anos para voltar a entrar em contacto com esta trilogia. Já estava na faculdade quando a TVI começou a passar os filmes ao sábado. Durante três semanas acompanhei-os como se os visse pela primeira vez. Nesse mesmo mês encontrei a caixa em DVD da trilogia na Fnac e comprei-a. Na altura custou-me cerca de 30 euros, um pequeno investimento para um incontável número de tardes passadas a ver cada pormenor e cada especial que esta colecção trazia.

Além da edição em DVD, possuo também o set da Lego Ideas com o famoso DeLorean, e as minifiguras de Doc Brown e Marty McFly, e as edições especiais Funko POP! de ambas as personagens, com o Marty acompanhado pela máquina do tempo, e a sua inesquecível matrícula “Out of Time”.

Talvez hoje numa linha do tempo alternativa, Marty já esteja em Hill Valley a tentar salvar o seu filho, mas, este 2015, não é o mesmo 2015 que a mente de Robert Zemeckis nos deu a conhecer. Para os verdadeiros fãs é uma data que merece ser celebrada, para os restantes é um dia como qualquer outro com uma pequena curiosidade partilhada nas redes sociais e na comunicação social. Para mim, é o dia que marca a publicação número 300, dos quase 10 anos de vida deste blogue.

E que melhor tema para a celebrar que a chegada de Marty McFly ao futuro?

Foram trezentos artigos entre crónicas, contos, poemas, citações, fotos, vídeos, e uma boa dose de nonsense constante. Quando comecei a escrever para este blogue, pouco mais de um ano depois de me aventurar pela blogosfera, não tinha nenhum plano em mente. Apenas queria escrever e ter um espaço onde pudesse publicar aquilo que tinha para dizer.

Quase dez anos depois, salvo raras excepções, continuo a escrever apenas para mim próprio. Este é um espaço onde a minha voz é ouvida, onde os meus pensamentos são livres para correr sem restrições, onde o mais íntimo dos meus momentos de introspecção tem o seu tempo de antena.

O No Sense of Reason é o projecto ao qual mais tempo dediquei em toda a minha vida. Sempre tentei publicar pelo menos um artigo por mês e escrever cerca de trinta artigos por ano. É pouco para um blogue que queira ser popular e lido por milhares de pessoas. Mas não escrevo para que me leiam, ou para fazer algum dinheiro com isto. Escrevo apenas porque sim. Porque tenho uma voz, e porque quero que ela seja ouvida. Mesmo que o único ouvinte seja um futuro Eu em busca de respostas nas entrelinhas dos seus pensamentos passados.

Estes foram apenas os primeiros trezentos capítulos de uma longa história ainda por escrever. Pois tal como Doc Brown diz na conclusão da saga de Back to the Future, o futuro ainda não foi escrito. Está apenas ao alcance da nossa imaginação, do nosso esforço, e da nossa ambição.

“Where we’re going, we don’t need roads.”

Monday, December 15, 2014

Dez Anos de Bloguer

Coelho Amarelo
Como uma Fénix que não renasce das cinzas

Azul, cor da água, do céu, do calmo e da esperança. Água de onde a vida se proliferou, vinda do azul celestial depois de uma viagem longa, mais longa que qualquer viagem alguma vez feita. Vida que das chamas se ergueu para nelas voltar como uma Fénix que não renasce das cinzas. Não, não é aí que chegámos, nem iremos chegar. A Pomba Azul, a esperança, o futuro, a paz. Aquela luz que brilha no horizonte, tal como a estrela Polar guiou as velhas Naus dos descobrimentos, como coelhos na toca, nós agora ascendemos a uma nova realidade de um azul vivo e pacífico que nos guia eternamente, até á ultima chama se apagar, e a Fénix voar o seu último voo.
Manifesto Blue Dove

Dez anos. Faz hoje dez anos que publiquei o meu primeiro artigo na blogosfera. Era 15 de Dezembro de 2004, uma noite de quarta-feira não muito diferente de uma outra qualquer. A minha presença online resumia-se a dois sites, o Coelho Amarelo e o Paleo World, o primeiro criado como página pessoal dedicada à minha turma do Secundário, e o segundo como um projecto de uma base de dados sobre as diversas espécies de Therizinosaurus até então descobertas.

Dias antes tinha criado o Blue Dove na plataforma de blogues do Sapo. A ideia, e o nome, surgiram de uma breve prosa incoerente que escrevi para o Coelho Amarelo. Por entre essas linhas nasceu a ideia de criar um blogue, um conceito que na altura ainda não compreendia por inteiro. Dei-lhe o nome de Blue Dove, procurei online por um logótipo que se adequasse a ele, e escolhi um layout azul com aspectos marítimos, entre os templates do Sapo.

O Blue Dove durou pouco mais de um ano, com mais de cinquenta artigos publicados. Este blogue foi, ao longo de 2005, o meu diário pessoal, o meu porto de abrigo onde escrevia sobre tudo e mais alguma coisa. Foi lá que escrevi os meus primeiros contos, as minhas primeiras histórias, os meus primeiros poemas. Foi lá que nasceram rubricas como O 23 e Querido Diário, que ainda hoje se mantêm vivas neste espaço.

Foram dez anos e Quatrocentos e Quarenta e Quatro posts, divididos por sete blogues. O Blue Dove, o Story Writer, a Antologia do Eu, e o 25 de Julho, há muito já extintos, sobrevivem hoje no arquivo do A Flock of Blue Doves. O único, além deste, e do Mercúrio do Porto, que ainda mantenho activo, embora sem a periodicidade que, apesar de errática, o No Sense of Reason continua a praticar.

O meu primeiro artigo na blogosfera não foi um extenso ensaio filosófico, nem tão pouco uma crónica do dia-a-dia. Não foi um poema, ou um conto. Não foi uma entrada de diário, nem tão pouco possuía algo de intimamente pessoal. Não. O primeiro texto que alguma vez publiquei era sim, sobre o Sporting CP. Um breve esclarecimento sobre como funcionava a classificação da Liga que, à data, não estava a ser respeitada pelos jornais desportivos.

Na altura não havia facebook, nem twitter, não havia outra forma de publicar um pensamento maior que uma simples frase. E o IRC ou o MSN Messenger não eram os locais ideais para o fazer. Entrei na blogosfera por sentir falta de espaço. Pela necessidade de dizer algo mais, de projectar uma ideia e concretizá-la. Sem qualquer limite de caracteres ou espaço, e eventualmente, com a possibilidade de a alimentar com imagens, som e até mesmo vídeo.

O Blue Dove nasceu de uma necessidade, mas mantém-se ainda hoje vivo por algo bem mais profundo. Não é um simples blogue extinto, é uma Fénix renascida. Com uma nova vida, um novo design, um novo conceito. Hoje não é uma Dove solitária, mas sim uma Flock of Blue Doves.

Dez anos passaram e continuo a escrever. Para mim, para outros. Para quem quiser e gostar de me ler. Escrevo porque sim. Porque gosto. Porque não há sentido, ou razão. Apenas porque escrevo.

Quatrocentos e Quarenta e Quatro posts, entre Crónicas, Introspecção, Contos, Poemas, Momentos, Notícias, Reportagens, Vídeos e Imagens. Foram projectos que ficaram pelo caminho. Foram textos que ficaram por escrever. Foram datas que ficaram por assinalar. Foram dez anos. Vão ser muitos mais.

Hoje é dia 15 de Dezembro de 2014. Há dez anos publiquei o meu primeiro artigo no meu primeiro blogue. Hoje, escrevo mais uma página num livro sem sentido. Perpétuo, infinito, eterno. Tão contínuo e constante como qualquer linha sem senso, nem razão. Pois faço hoje dez anos, mas serão ainda muitos mais.

Believe in me, and I’ll believe in you!

Thursday, September 19, 2013

Intervalo. Pausa. Revisão.

Cartoon
Ao longo dos últimos meses aceitei o desafio de rever e reeditar todos os artigos que foram publicados no meu primeiro blogue, o Blue Dove. Quarenta e nove publicações, ao longo de pouco mais de dois meses, deram uma nova vida a crónicas, contos, poemas, artigos de opinião e curiosidades, escritas há mais de oito anos, mas ainda bastante actuais. 

Mas estes textos precisavam de um novo espaço. Não bastava serem revistos. Como o meu velho blogue já não existia, decidi criar um novo. A Flock of Blue Doves. Um novo espaço. Um novo design. Um novo blogue que não ia apenas limitar-se a ser um arquivo para algumas palavras há muito esquecidas nos recantos da minha memória, mas sim um espaço que ambicionava aglomerar todos os contos, poemas e notícias escritas nos blogues Story Writer, Antologia do Eu e 25 de Julho

Precisei de mais dois meses para recuperar as publicações dos últimos seis anos de vida destes blogues. Essa tarefa terminou no passado dia 15 de Setembro com a reedição do conto “L’Heure Bleue”, o último a ser publicado no Story Writer. Nos últimos dias, o novo Blue Dove já teve as suas primeiras actualizações inteiramente originais. Um poema, e o primeiro capítulo de uma crónica de viagem em formato ficcional que retrata os diversos episódios da Eurotrip que fiz no Verão de 2010

O renascimento deste novo blogue, motivou também uma reorganização dos blogues No Sense of Reason e Mercúrio do Porto. De cara lavada, com novas secções, e um novo design, atraente e uniformizado para os três representantes da minha blogosfera. Contudo, esta mudança não pode ser apenas estética.

Com sete anos de existência, e 243 artigos publicados, o No Sense of Reason é um blogue visitado diariamente por dezenas de utilizadores. Não são apenas os textos mais recentes que os atraem, mas sim a vasta gama de temáticas, histórias, e crónicas publicadas ao longo destes anos. Algumas delas, retratos de um tempo caracterizado por uma menor qualidade de escrita, e algumas falhas na revisão, e na própria formatação dos artigos. 

Finalizada a reedição do Blue Dove, e dos restantes blogues, que nos últimos dias fecharam portas, resta-me agora fazer uma merecida pausa de duas semanas na reestruturação da minha blogosfera. Quando regressar, o novo desafio passa pela revisão de cada um dos artigos publicados no No Sense of Reason e anteriores a Janeiro de 2012. 

Esta nova fase vai consistir na revisão e reedição de textos, na devida creditação das imagens e fotografias publicadas, na substituição de links e vídeos desactivados, e no upload de alguns vídeos para o meu canal do Youtube. Tal como acontecia com A Flock of Blue Doves, vou reeditar um artigo por dia, de domingo a quinta-feira. 

O blogue vai continuar a funcionar de forma normal, com a regular publicação das minhas crónicas editadas na revista Her Ideal, das colunas tradicionais como o Regresso do 23, ou As Terras do Meu Verão, assim como um ou outro artigo de opinião, ou de reflexão, que poderei vir a escrever, à medida que as ideias me forem surgindo.

A Flock of Blue Doves entra agora numa nova fase. A partir de hoje passa a ser um blogue dedicado exclusivamente à minha escrita criativa, nomeadamente, contos e poemas. Semanalmente, vou tentar publicar um novo capítulo das crónicas da minha Eurotrip.

Estejam atentos à minha blogosfera para não perderem as próximas novidades, e preparem-se para embarcar numa viagem nostálgica sob a bandeira de No Sense of Reason

Believe in me, and I’ll believe in you!

Saturday, November 17, 2012

200


Foram precisos quase sete anos para chegar a este ponto. 82 meses, ou 2496 dias se preferirem, após a criação deste blogue, finalmente atingi a marca de 200 artigos publicados. Entre artigos de opinião, críticas, crónicas, o pontual poema ou conto, vídeos, pensamentos, momentos de introspecção, entradas de diário, projectos e artigos académicos, sem esquecer as já habituais ruminações desprovidas de sentido que tão bem expressam o caos organizado do meu pensamento.

Foram horas passadas em frente de uma página em branco. Revisões, frustrações, artigos inacabados, pensamentos apagados. Escrever, reescrever, registar, catalogar. Momentos, lembranças, ideias, gritos e chamadas de atenção. Sintomas de um perpétuo processo criativo, por vezes impulsionado a forçosamente derramar algo, por mais insignificante que seja, apenas com o simples objectivo de cumprir a promessa que fiz a mim próprio: Pelo menos um artigo por mês e, se possível, tentar manter a média em 30 publicações por ano.  

Esta é a décima oitava publicação que faço este ano. Nunca estive tão longe de atingir a marca que prometi a mim próprio com o ano de 2012 tão próximo de terminar. Por mais que defenda a qualidade em detrimento da quantidade, não me deixo de culpabilizar a mim próprio pela incapacidade que encontrei este ano em dar mais atenção a este espaço. Podia argumentar a falta de tempo, mas estaria a mentir a mim próprio. Podia recuperar a eterna acusação de falta de inspiração, mas essa, encontro-a todos os dias no mais simples dos pormenores. Cansaço, falta de vontade, ou simples inércia. A minha preguiça de execução e o desvio das minhas atenções são os principais culpados desta vez. Os restantes blogues temáticos que o digam, já passou mais de um ano desde a última vez que actualizei algum deles. 

O desenvolvimento do meu portfólio e a necessidade de o manter actualizado também retiraram algum do tempo que podia ter dedicado a este espaço, mas agora, não vale a pena fazer luto pelas acções tomadas. Esta é uma hora para celebrar. Foram 200 artigos, 200 momentos, 200 histórias. Foram quase sete anos da minha vida imortalizados nas minhas palavras, nas músicas que ouvi, nas fotografias que tirei, nos projectos que desenvolvi. Toda a minha história desde então, o meu passado e o meu futuro, passaram por aqui. Para me conhecer basta abrir esta página e começar a ler. Atentar às entrelinhas, às subtilezas da minha escrita, ao gritante descaramento das observações directas. Este blogue é mais que um diário, é uma parte de mim. A ponta do icebergue, à deriva por uma água de clareza, que por vezes deixa vislumbrar um pouco mais que aquilo que inicialmente pretendia demonstrar.

Oitenta e dois meses depois, deixo-me afogar num mar de histórias que ficaram por contar, de rúbricas que não saíram da gaveta, de tradições esquecidas. Agarro-me àquelas que mantive, às Terras do meu Verão, aos Regressos da Véspera da Véspera de Natal, aos No Comment e aos QueridosDiários. Estendo a mão aos Confessionários, às Rádios da Rádio e às histórias da Eurotrip, com o desejo de um dia os trazer ao de cima. 

Não esqueço a Revolução dos Coelhos Amarelos, ou o belo voo da Blue Dove. Guardo-os eternamente num local especial das minhas memórias. Já não ouço a música que deu nome a este blogue com tanta frequência como em outros tempos, mas assinalo cada momento em que ela surge na lista aleatória do meu leitor de mp3, ou no álbum de viagem que mantenho de forma permanente no meu carro, como se a ouvisse pela primeira vez. Ela está ali, sempre presente para me relembrar deste espaço e daquilo que ele significa.

Nas noites mais frias, foi este o meu companheiro. O meu consolo, o meu confidente. Um local só meu onde a minha voz podia ser ouvida. Mais de treze mil passaram por aqui, muitos talvez incapazes de compreender uma única palavra daquilo que escrevi, mas para mim, podia ter sido apenas um, ou mais ninguém além de mim próprio. Sim, por vezes escrevi para que outros me ouvissem, para que outros me compreendessem, para que outros me ajudassem, para que outros aprendessem, ou apenas para que outros me conhecessem. Mas no fundo, apenas procurei a aprovação de mim próprio. A aceitação das minhas próprias ideias e o registo das minhas recordações e pensamentos. O meu ponto de vista. A minha opinião. A minha visão. Eu.

Não prometo nada de novo para os próximos duzentos artigos. Apenas prometo continuar a cumprir a promessa que há 2496 dias fiz a mim próprio. Manter este local vivo. Um espelho do meu ser. Das minhas paixões. Das minhas desilusões. Dos meus sonhos. Dos meus pesadelos. Da minha história. Dos meus “e se”. Dos meus desejos. Das minhas recordações.

Como referi em Janeiro de 2010, este continuará a ser o meu blogue principal, sempre dedicado a artigos de opinião e à divulgação dos meus projectos, se bem que dado o desenvolvimento do meu novo portfólio, ao longo dos próximos anos irei recorrer cada vez menos a esta segunda faceta. Sempre que sentir a necessidade de expor o meu pensamento ou de divulgar algo em português, esta será a plataforma escolhida.

Comecei a minha aventura no universo da blogosfera em 2003, ainda a bordo do velhinho Blue Dove. No dia 17 de Janeiro de 2006 dei o salto para o blogger e o No Sense of Reason foi criado. Este é provavelmente o projecto ao qual mais fui fiel. Nunca dediquei tanto tempo ou tanta devoção a mais nada que não este blogue, e assim pretendo que ele continue a prosperar para que daqui a sete anos possa acordar e dizer que ainda mantive viva esta promessa sem sentido de razão.

Believe in me and I'll believe in you!

Tuesday, July 17, 2012

Doze mil visitas


Desde o dia 24 de Janeiro de 2007, o meu blogue foi visto doze mil vezes por um total de oito mil e duzentas e vinte e sete pessoas. Embora este blogue tenha sido criado a 17 de Janeiro de 2006, foi apenas um ano mais tarde que instalei o contador de visitas que optei por manter operacional até hoje de forma a preservar o registo dos mais antigos visitantes do meu blogue, pois embora o próprio Blogger trate de os contabilizar, apenas começou a contá-los em Junho de 2008.

Admito que doze mil visitas em cinco anos e meio é muito pouco, mesmo se compararmos com alguns blogues de âmbito regional ou universitário. O facto de que dessas doze mil visitas apenas 31 % foram repetidas, demonstra que a maioria das pessoas que visita o meu blogue o faz por mera coincidência, não voltando a visitá-lo.

Estatísticas de Utilizadores Únicos desde 24 de Janeiro de 2007

Isto demonstra uma tremenda dificuldade na fidelização de leitores. E porque acontece isto? A meu ver o principal problema prende-se no facto do meu blogue se tratar de um blogue pessoal sem uma temática central e que nunca ou raramente aborda temas da actualidade.

Isto não significa que os blogues de autores não sejam lidos e que não hajam pessoas interessadas em os ler, contudo, esse formato de blogues na maioria das vezes apenas ganha popularidade quando os próprios autores são relativamente conhecidos e considerados líderes de opinião, seja a nível nacional ou mesmo apenas dentro das suas comunidades.

Ser-se conhecido, ter muitos seguidores no twitter e no facebook, ou manter uma temática actual e susceptível de gerar polémica são os principais elementos para garantir a fama, mesmo que momentânea, no universo da blogosfera. Ao analisar as estatísticas do meu blogue vejo que os dois artigos com maior número de visitas são a íntegra publicação do meu relatório de estágio final da licenciatura e uma crónica sobre a transferência de João Moutinho para o FC Porto.

O primeiro, com 1022 visitas até à data de publicação deste artigo, ganha a sua fama provavelmente por causa dos diversos alunos de Ciências da Comunicação, quer do meu curso quer dos vários cursos espalhados pelo país, que ao pesquisarem no Google por relatório de estágio, vêm ter directamente ao meu blogue. Também creio que alguns dos meus colegas o usem como referência sempre que algum caloiro lhes peça um exemplar. Não me importo de ser visto como um exemplo para as futuras gerações de estagiários, contudo, os artigos dedicados à minha vida académica quer na licenciatura, quer no mestrado, representam apenas uma ínfima parte do meu blogue e não é por essa vertente que quero ser referenciado.

Já o segundo artigo mais popular, quase que não precisa de explicação. Afinal de contas os blogues sobre futebol são em Portugal dos mais comuns e dos mais lidos de todos, ao ponto de “João Moutinho” ser o termo pesquisado no Google que mais pessoas usaram para aceder ao meu blogue.

Curiosamente, se tenho alguma popularidade na blogosfera devo essa fama, não a este blogue mas ao meu blogue de contos, o Story Writer. Com 3834 do total de 5116 visitas desse blogue, o artigo O Êxtase de Santa Teresa, uma interpretação de natureza sexual da fábula religiosa com o mesmo nome, é o campeão de vendas de todos os artigos que alguma vez publiquei. Tudo isto porque pelos vistos Santa Teresa é muito venerada no Brasil e o meu artigo suscitou a indignação de muitos dos seus fiéis devotos que chegaram mesmo a publicar comentários gravemente críticos à minha interpretação do êxtase desta freira austríaca.

Futebol e sexo, se quero vender o meu blogue, já sei a receita para o sucesso. Mas se é este o segredo, porque é que o artigo Os Jovens gostam de f*der? apenas teve 56 visitas e nenhum comentário?

Outro dos motivos que apontaram para a minha falta de popularidade foi o facto de eu ser demasiado consensual. Se estivesse agora a falar sobre isto no meu podcast d’A Rádio da Rádio, limitava-me a permanecer em silêncio durante alguns segundos. Infelizmente não posso discordar desta afirmação, eu cometo o “erro” de apresentar sempre os dois lados da moeda e embora defenda a minha perspectiva, na maioria das vezes defendo também os pontos positivos da opinião inversa. Isto não vende. Quando alguém lê um artigo de opinião, fá-lo por dois motivos, ou porque está à procura de alguém que concorda com aquilo em que ele acredita e que seja capaz de o fundamentar com bons argumentos, ou então porque quer ver o que o outro lado diz de forma a poder criticá-lo e incitar uma discussão. Ao ser consensual, não desperto emoções, mantenho as pessoas numa zona cinzenta, numa permanente ambiguidade sentimental e faço-as pensar. Ninguém quer fazer isso. Os leitores querem se apaixonar, revoltar, odiar, apregoar, discutir. Querem tudo, menos consensualidade.

O facto de a maioria dos meus artigos terem mais de três mil caracteres também não ajuda. Ninguém tem paciência para ler um artigo longo online. Mesmo que este seja muito interessante, a maioria dos visitantes recusa-se sequer a ler uma linha se não conseguirem ver o final dentro do comprimento do ecrã.

No Sense of Reason não é propriamente um nome apelativo. Mesmo ao fim de seis anos e meio de existência, ainda há idiotas que olham para o meu blogue e dizem nonsense. Um erro compreensível, visto ser uma palavra mais comum. Também não ajuda que eu seja possivelmente o único fã português de The Other Two.

Talvez ajudasse se o meu blogue se chamasse O Blogue do Zé. Até mesmo Blue Dove, como em tempos se chamou, seria mais apelativo que No Sense of Reason.

Publicar uma média de trinta artigos por ano, chegando a passar mais de um mês sem um artigo novo também não ajuda a manter a fidelidade de um leitor. Contudo, isto é algo que a preguiça e a falta de tempo me tornam incapaz de ultrapassar.

Então perguntam vocês: Se estás consciente disto tudo, porque continuas a fazer o mesmo? Porque para mim o importante não é o reconhecimento ou a fidelidade. Eu escrevo isto para mim. Este blogue existe por mim e para mim. Porque não escreves um diário e guardas apenas para ti? Porque quero que este blogue também seja uma montra para me dar a conhecer aos outros, a quem me é próximo, a quem quero que me conheça. Não faço isto para ser famoso ou para que alguma editora me leia e queira propor um contrato para escrever um livro. Faço isto para que o meu universo saiba aquilo que me acontece e que é importante para mim. Para que sejam capazes de facilmente ver qual a minha opinião sobre certos e determinados assuntos. Para ajudar aqueles que passem por problemas semelhantes aos meus e para os informar e esclarecer dúvidas sobre assuntos que eu domine.

Sou um blogger por mim e por aqueles que me quiserem ler. Sem sentido de existência, organizado no meu próprio caos e ao ritmo que a minha vida permitir.

Believe in me and I’ll believe in you!

Tuesday, April 12, 2011

“Ó Luís, vê lá se fico bem a esta distância do teclado”

Está bom assim, ou devo tocar mais suavemente nas teclas? E que tal assim? Devo escrever esta frase sem olhar para o ecrã, e sem paragens para verificar a pontuação, ou preferes que coloque uma vírgula ou outra não fosse isto começar a parecer um parágrafo à la Saramago. O itálico fica bem naquela expressão francesa ou será um pouco exagerado?

Preferes que insira para aqui um hyperlink, aliás se calhar ficava melhor dizer hiperligação, não achas? Já agora, sabes como se escreve hyperlink? É com ‘i’ ou com ‘y’? No Google aparece das duas formas, mas com ‘y’ parece-me mais correcto, enfim, vou arriscar.

Estes primeiros dois parágrafos já servem como introdução ou é necessária mais alguma coisa? Parece-te que o herói já foi apresentado e que o primeiro Acto está concluído? Apetece-me divagar um pouco mais, há sempre tanta coisa que quero dizer e que acaba por se perder no discurso. Às vezes só me lembro mais tarde já depois de publicar, e aí não há nada a fazer. Preguiça, é isso mesmo, preguiça para reescrever o artigo ou para escrever outro sobre o mesmo tema. De facto, na maioria das vezes são simples pormenores que pouco ou nada acrescentam à história no seu todo. Then again, a vida é feita de pequenas coisas. Raios, como se traduz ‘then again’? ‘Contudo’ não me parece ser o mais correcto. Já sei, ‘porém’. Porém, a vida é feita de pequenas coisas.

Clichés e provérbios, é isso que faz o mundo andar à volta. Ou, pelo menos, o universo deste meu blogue. Espera aí, esqueci-me de uma vírgula na primeira frase deste parágrafo. Pronto, já está. Agora o Word está a dizer que a vírgula está a mais? Vou retirar e ver o que diz. Bom, parece-me que é um problema de concordância, daqueles que a inteligência artificial do Office ainda não é capaz de compreender. Parece-me melhor com a vírgula, vou mantê-la. Voltei a escrever ‘parece-me’, tenho que prestar mais atenção para evitar as repetições, já bastam as pequenas tentações de fonética que por vezes deixo escapar. Enfim, desta vez deixo ficar assim, não me apetece estar a pensar noutra alternativa.

Achas que uso e abuso de provérbios? Talvez devesse procurar algumas citações interessantes sempre dá um ar mais culto e elaborado a este artigo, ou pelo menos, transforma este texto num artigo menos preguiçoso, dado que tive de recorrer a alguma pesquisa para a sua execução. Não imaginas o quão difícil foi encontrar aquela palavra. Bom, vamos lá ver o que o Google tem a dizer.

“Na verdade, ninguém vê uma flor – é tão pequena – nós não temos tempo, e a contemplação requer muito tempo…” de Georgia O'Keeffe. Procurava algo de Cesário Verde, mas isto encontrei. Fica bem a analogia de uma pequena flor como ilustração de um dos pormenores da vida? Sim, a segunda parte também encaixa no tema global, ora não estivesse eu a ponderar sobre a demora e a paciência que uma leitura requer, principalmente quando esta é mais longa que o que se espera.

No outro dia vi-me a desistir de ler um texto simplesmente pela sua dimensão. Seria este o seu problema? Talvez, mas o mais provável é que o tema em si não me cativasse o suficiente. Afinal, a curiosidade matou o gato que tendo a mim como dono chamar-se-ia “Paciência”.

Introdução, tese, antítese, síntese, conclusão. Já o pensava Aristóteles antes de escrever e assim me ensinou aquela professora de Português que hoje não me recordo quem foi, nem tão pouco como se chama. Terei incluído estes elementos correctamente e de forma a serem facilmente identificáveis? Ó eterna questão que volta e meia me atormenta. Fiquei na dúvida se foi de facto Aristóteles quem disse isto. O Google parece-me algo dúbio, mas a Wikipédia já o confirmou.

Como terminar, como terminar, como terminar. É sempre o fim a parte mais difícil de executar. Em qualquer viagem o mais importante é partir, não chegar, já dizia Miguel Torga. Partir pode ser o mais importante, mas chegar é igualmente complexo. Deve ser a terceira vez que uso esta citação neste blogue, é melhor conter-me ou começo a dar a ideia que é a única frase de um autor que alguma vez decorei. É verdade, há pouco queria dizer o quão estranho é escrever blogue, em vez de blog, mas é assim que está no dicionário, tal como twittar e outros que tantos. Pormenores, pequenos pormenores – como adoro este pleonasmo de redundância.

É tão difícil fechar um artigo. Vou pelo caminho mais fácil e recorrer-me da técnica em espiral ora não fosse a rádio também um forte elemento neste pequeno universo sem sentido. Diz-me só uma coisa Luís, fico bem a esta distância do teclado?

Sunday, January 17, 2010

Quatro Anos Sem Sentido

Como uma Fénix que não renasce das cinzas
Azul, cor da água, do céu, do calmo e da esperança. Água de onde a vida se proliferou, vinda do azul celestial depois de uma viagem longa, mais longa que qualquer viagem alguma vez feita. Vida que das chamas se ergueu para nelas voltar como uma Fénix que não renasce das cinzas. Não, não é aí que chegámos, nem iremos chegar. A Pomba Azul, a esperança, o futuro, a paz. Aquela luz que brilha no horizonte, tal como a estrela Polar guiou as velhas Naus dos descobrimentos, como coelhos na toca, nós agora ascendemos a uma nova realidade de um azul vivo e pacífico que nos guia eternamente, até á ultima chama se apagar, e a Fénix voar o seu último voo.
Manifesto Blue Dove

Faz hoje quatro anos desde o último voo de Blue Dove. A revolução dos Coelhos Amarelos, há muito esquecida nos teares do tempo, permanece nas sombras a preparar discretamente o dia que todos nós ansiamos. Mas hoje não é esse dia.

Há precisamente quatro anos dei início a este novo projecto. Um simples blogue com um propósito não muito diferente do velhinho Blue Dove, mas que ao contrário do seu antecessor sobreviveu aos testes do tempo e permaneceu até hoje como a principal montra da minha criatividade, das minhas emoções, e das pequenas coisas que gosto de partilhar com o resto do mundo.

O projecto No Sense of Reason viu nascer mais quatro blogues. De uma simples plataforma onde tudo e mais alguma coisa podia ser divulgada, nasceu um novo universo. Uma pequena blogosfera temática que trouxe alguma ordem, e um novo propósito ao extenuante caos sem sentido, tão característico deste espaço.

Rubricas como Querido Diário transitaram inalteradas desde o blogue anterior, mas outras como No Comment, ou Confessionário, foram criadas para aos poucos ocuparem um vazio criativo que de tempos a tempos afecta qualquer Fénix demasiado conformada com a sua inevitável mortalidade. Algumas tradições como a apologia do esquecido 23 de Dezembro, já são hoje pequenos marcos deste blogue, momentos que ano após ano são ansiosamente aguardados pelos seus poucos seguidores.

Finalmente, sem nunca descurar a ténue relação iconológica entre a mitologia dos New Order e a existência deste blogue, deixo-vos com uma música cujo simples título transmite a mensagem que melhor identifica o universo No Sense: We’re Here to Stay.

Saturday, January 17, 2009

3 Anos Sem Sentido

Faz hoje três anos desde a criação deste pequeno canto da blogosfera. Ao fim de todo este tempo ficou ainda por explicar o verdadeiro sentido do seu título, mas também não será hoje que esse segredo milenar será revelado.

Tal como os Coelhos Amarelos, cuja revolução ainda está para breve, por mais esquecida que esteja no pensamento dos comuns mortais que ignoram a existência da real maior conspiração que este planeta alguma vez viu, o não sentido da razão deste blogue manter-se-á fechado no seu cofre por tempo indeterminado.

O No Sense of Reason é feito de momentos, de inspiração, de introspecção, de raiva, de felicidade, de eloquência ou de mera idiotice, mas enfim, momentos. De todos eles apenas lamento a falta de mais palavras, de mais comentários, de mais dissertações, às quais inicialmente me apeguei, mas que nos últimos anos, por circunstâncias que me ultrapassam, vi-me forçado a deixar.

Prometo apenas tentar regressar às velhas tradições e procurar a musa literária que há já dois anos se mantém escondida da minha inspiração. Nada posso agourar para o futuro deste espaço, como também não o posso fazer quanto ao meu próprio futuro. Apenas mantenho a esperança que temas como amor e felicidade, principalmente o primeiro, surjam com maior frequência, e sem o seu uso habitual como antónimos do verdadeiro sentimento que assola a minha existência.

Foram muitos anos, que ainda assim passaram depressa. Rápido demais, mas à velocidade que lhes era suposto fazer esta demanda. Agora não é altura para balanço, nem para recordações. Bom... Cederei uma pequena recordação da pequena música que inspirou este pequeno universo.

Sunday, January 11, 2009

Renovação do Universo No Sense

Prestes a completar três anos de existência, é altura de renovar o modelo dos blogues do Universo No Sense. Renascido das cinzas do velhinho Blue Dove, somam-se já 88 artigos publicados neste blogue, com a regularidade de pelo menos um por mês – excepções feitas a Setembro de 2006 e a Novembro de 2008. Com o passar dos anos, o No Sense viu surgir três blogues associados, e mais recentemente presenciou a estreia do Mercúrio do Porto, o primeiro blogue noticioso e desligado da rede No Sense.

O início deste novo ano mostrou-se como a altura perfeita para reorganizar, e renovar, a estrutura dos blogues que nos últimos anos têm servido de espaço para a publicação de pensamentos, opiniões, notícias, trabalhos e ficção.

Mas vamos lá ao que interessa. Todos os blogues vão sofrer alterações a nível de design, nomeadamente, o menu lateral direito será reformulado de forma a que todos possuam os mesmos widgets, fora aqueles particulares a cada blogue.

As alterações a nível editorial são as seguintes:

  • Será reforçada a componente de opinião, funcionando como blogue de apoio e de promoção dos restantes blogues, sendo que, fora artigos publicados antes de Janeiro de 2009, não haverá repetição de artigos entre nenhum dos blogues do Universo No Sense.
  • Este blogue servirá ainda para a exposição de trabalhos académicos, desde que não sejam de natureza noticiosa.

  • Este espaço vai manter a função inicial de blogue para exposição de prosas e demais obras de ficção.

  • Continuará a ser um blogue lírico.

  • Ao contrário do que seria de esperar não cairá em desuso sendo-lhe agora atribuída a denominação de blogue noticioso, onde serão colocadas todas as notícias referentes a Ovar.

  • Mantém o propósito inicial de blogue noticioso.
  • A possibilidade de uma segunda edição impressa ainda continua em aberto, contudo mostra-se pouco provável.

Sunday, December 07, 2008

You'll always be my November

Voltei a perder um mês. Desde a criação deste espaço, que muitas histórias ainda reserva para um dia serem contadas, apenas falhei a publicação de um texto em Setembro de 2007. Depois do sucedido, prometi a mim mesmo não mais voltar a deixar passar um mês inteiro sem uma única publicação, fosse ela uma frase, um poema, um vídeo, ou uma música. Não importaria o que fosse, desde que fosse algo.

Mas voltou a acontecer. Voltei a falhar a minha promessa. Voltei a deixar o tempo passar e voltei a não dar a devida atenção a este espaço. Na verdade, publiquei um texto ao longo do mês todo, mas não foi aqui, não aqui.

Novembro foi um mês de aceitação. Um mês de promessas falhadas – talvez aí encontre alguma explicação. Um mês como qualquer outro, e como qualquer outro diferente à sua própria maneira. De certa forma este foi o mês do "do Porto", d'O Comércio do Porto, do Mercúrio do Porto, das cinzas de tempos idos, às sementes de algo que ainda luta por se afirmar e emergir.

Foi um mês de reconciliação. De más notícias, mas também de boas. Não, este Novembro não sou eu, se calhar por o Keanu o já ter reclamado para si há tempos atrás. "Que todos os meses sejam Novembro", dizia ele. Se tiver que reclamar um mês, não sei por qual pegar. Espero que seja Dezembro, ou talvez Janeiro, ou mesmo Maio se os motivos prevalecerem.

Dezembro. Amanhã é dia oito, o ponto de viragem, o cruzamento que ditou o caminho que hoje percorro. Números da sorte, se os há, o oito não é o meu. Já Novembro é o onze, o malfadado número, que ainda hoje sofre por decisões tomadas sobre assuntos que com ele nada têm a ver.

Novembro perdido. Apagado, mas não esquecido. Deixo hoje a promessa que não voltarás a ser posto de lado. Serás sempre o meu Novembro.

Até sempre, velho amigo.