Sunday, May 28, 2006

Aquele sentimento estranho chamado Amor

Sabes como é amar alguém? Eu não. Nunca disse a ninguém que a amava, nem tão pouco senti tal coisa. Para mim, o Amor tem que ser correspondido para ser o que é. Por mais que o grite dentro de mim, e que o seu eco faça o meu coração parar, a verdade é que não pode ser verdade, não quando não sentes o mesmo.

Por ti, faria qualquer coisa. Por ti, sacrifiquei-me tanto, e, por ti, saí sempre magoado. Por que continuo a perdoar-te? Por que não te consigo esquecer? Por que nada muda apesar de tu teres mudado? Por que tiveste de mudar? Por que é tão importante para ti ignorares-me? Que mais queres que eu faça?

Nada mais há para eu fazer.

Há muito percebi que aquele olhar em que nada precisa de ser dito, nunca irá acontecer. Apesar disso o meu sentimento não mudou. Continuo a sentir o mesmo por ti desde a primeira vez que te vi. Mas de que vale tanto esforço? De que vale tal sentimento, se nunca será correspondido?

Só de pensar que o teu sorriso, o teu olhar, a possibilidade de um "nós", foi o que me manteve vivo durante este tempo todo... E ver que, para ti, não passo de mais um que descartas com tanta facilidade. Mas nada muda. Não consigo parar de sentir o mesmo por ti. Aconteça o que acontecer. Isto não devia ser assim, mas é assim que é, e não há nada a fazer.

Foi por nunca ter tido coragem para te dizer aquilo que sinto? Foi por ter sempre tentado escapar ao assunto mesmo quando o queria dizer? Talvez. Talvez não adiantasse de nada. Mesmo o teu não, por mais frio que fosse, não mudaria aquilo que sinto.

O pior é que apesar de tudo o que me fizeste, de tudo o que passei por ti, continuo a sentir a mesma coisa. Mantenho a esperança de que um dia vejas em mim aquilo que precisas. Mas de nada vale ter esperança, pois tu nunca me irás amar.

Friday, April 14, 2006

Que aconteceu?

Imagem DR
Sim, que aconteceu? Alguém me sabe responder? O que fez o ontem desvanecer e dar lugar a este amanhã tão diferente e cinzento? Bem sabem o quanto gosto de dias nublados, mas algures por aí deve haver um limite, não? Nada, não se passou nada de nada, ou o tudo refugiou-se atrás de um nada que tudo era?

Ninguém responde? Medo? Ignorância? Seja lá o que for, que aconteceu? E se aconteceu, porquê? Porquê? É assim tão difícil responder a uma questão de “sim ou não” e justificar essa resposta? Talvez, mas não é por isso que ninguém responde. Ninguém responde pois não passam de sombras numa parede que há muito foi abaixo.

Sofro de uma incapacidade tremenda quando tento compreender o porquê de tudo estar tão diferente daquilo que era há um minuto atrás. Talvez seja mera impressão. Talvez nada tenha mudado, além do dia que clareou.

É uma tarefa complicada perceber o porquê dos actos dos outros, pois não há nada para perceber. Não é necessário compreender, e é frustrante que assim seja, mas é assim que tem que ser.

Mas, apesar de tudo, porquê? O que há de diferente? Por que é preciso mudar? Nada vos espera no amanhã. Ainda não conseguem distinguir os tijolos no muro? Porquê ser-se tão cego? Porquê? Porquê? Porquê?

Ninguém me responde. Que monólogo mais decadente. Que tédio de existência. Rodeado de desespero, indecência, indolência, seja o que for, algo impede aqueles que têm as respostas de as deitar cá para fora. Será que não me ouvem? Que mal têm estas questões? Por que continuam a não tomar consciência das vossas decisões? Mas que raio se passa com vocês? Respondam!

O silêncio continua, cada vez mais massificado. Nada há a fazer, nada há para dizer. Porquê? Receio de quê? Da verdade? Da mentira? Do ódio? Do amor? Mas não há nada que vos satisfaça? Não. Continuam sem responder...

Que justificação é ter medo da mudança? Talvez nenhuma. Talvez não seja necessário. Mas as regras não são estas quando ela acontece, sem se aperceber, sem ser precisa, sem pedir. Quando a mudança é um hóspede que não foi convidado, uma devida justificação é necessária.

Que mudaria? Ela continua aí, não irá mudar, e agora já não pode ir embora. Nada a fará voltar atrás. E assim nos encontramos presos numa cela sem grades, à qual não podemos voltar as costas. Não a podemos esconder de nós, ou da nossa memória. Ficará assim, para sempre marcada. E porquê? Por nada. Sem razão de ser, assim existe. Assim nasceu, e assim não morrerá.

Que resposta dareis vós a isto? O vosso contínuo e impiedoso silêncio sem valor, nem motivo de ser? Mas assim continuam a viver, incapazes de me responder. Obrigam-me a abraçar outro tipo de mudança.

Que pena, logo quando tudo parecia ser algo, e esse algo parecia ser tão diferente.