Tuesday, December 23, 2025

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XIX

365 dias, 231 episódios, 90 Segundos de Ciência, 26 Bilharacos, 25% de tarifas, um Prémio Ciência Viva, um apagão, e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, a tradição anual mais aguardada pelos fiéis seguidores da Igreja Universal do Sagrado Chinelo, e por todos aqueles cujo ódio a pencas nos une neste santo dia.

Anteriormente em A Véspera da Véspera de Natal:

“Estamos no ano 33. O Ramalhate. Não. Pior. As queijadas ainda não foram feitas e o pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto ainda não foi plantado”, suspira, Doc, o Brown.

“Isso é subjectivo”, diz Mindo.

“Ano trinte e três? Conheço um tipo que é capaz de nos ajudar”, diz Jesus, o Jorge,

“Esqueçeram-se-me as queijadas”, responde o Capitão Iglo.

“Como combinado transformei este vinho em azeite”, responde Jesus, o Cristo.

Doc, o Brown, regressa ao volante do Punto GT e introduz as coordenadas para o presente. Mindo, o Capitão Iglo, a Menina do Gás, a toalha de Eusébio, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, e Jesus, o Cristo, entram no carro, enquanto Fernando Pessoa e os seus heterónimos aconchegam-se na mala.

“Para onde vamos, não precisamos de estradas”, diz Doc, o Brown, sem que ninguém lhe fizesse o set up para usar essa frase.

O Punto GT começa a levitar graças ao vinho transformado em azeite.

De regresso ao presente, a figura imponente com um casaco de cabedal e óculos de sol aparece junto ao pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto. Uma mala estranha que parece abandonada encontra-se junto à base do tronco.

A figura imponente abre-a e um contador com números vermelhos começa a andar para trás. Restam 59 minutos e 59 segundos.

“Isso é menos de oitchench…”, dizia Jesus, o Cristo, antes de ser interrompido por Jesus, o Jorge, por violação de direitos de autor.

“Se não desactivarmos esta bomba, todo o trabalho que fizemos para salvar o pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto, de nada serviu”, grita a Menina do Gás em desespero.

“Podemos atirá-la para o mar e aproveitar a explosão para apanhar umas postas de pescada. Já tenho os outros ingredientes e a AirFryer em pré-aquecimento”, propõe o Capitão Iglo.

“Se a tentarem mover ela explode. Esta bomba está programada para apenas responder ao DNA do Mindo. O toque de qualquer outra pessoa, toalha, ou garrafa de uísque, terá consequências desastrosas”, diz a figura imponente sem tirar os óculos de sol.

“Isso não é subjectivo”, gritam todos em uníssono.

Mindo aproxima-se da bomba apreensivo. Parece que ainda ontem estava num asteroide preparado para se sacrificar em nome do pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto, e agora, depois de visitar o Ramalhete e a Galileia no ano 33, uma nova explosão volta a separá-lo do seu descanso e dos ímanes que tanto o fascinam.

Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, Jesus, o Cristo, a Menina do Gás, a toalha de Eusébio, Fernando Pessoa e os seus Heterónimos, a garrafa de uísque, e o Capitão Iglo correm para a Nau Espacial do Vasco da Gama.

Apenas Mindo, a figura imponente, Doc, o Brown, e Álvaro de Campos que se despediu dos restantes heterónimos, por ali ficam junto ao pessegueiro.

“Grande Scott Pilgrim, esta situação está demasiado pesada”, desespera Doc, o Brown, que se esqueceu de fechar o seu Punto GT e está com receio que alguém lhe leve o seu autorrádio.

Mindo continua imóvel. Olhando em desespero para a bomba enquanto o cronómetro continua a andar para trás.

Álvaro de Campos, que se tinha deixado seduzir pela beleza do mecanismo, desperta de repente e diz para o Mindo tentar levantar o visor da bomba.

Mindo, relutante, aceita a sugestão e com cuidado levanta o visor. Por trás estão três fios, os três vermelhos.   

“Isto não é como nos filmes”, afirma Doc, o Brown. “Quem fez esta bomba não nos queria facilitar a vida”.

Álvaro de Campos vira-se para a figura imponente e questiona: “Tu não vieste do futuro? Se sabes tanto sobre esta bomba como a desactivamos?”

“A minha única missão é salvar o Mindo, o resto é subjectivo. Nada que possa dizer vos irá ajudar”.

Por trás dos fios, Mindo encontra um interruptor. Sem hesitar, Mindo carrega nele e o visor desliga-se.

Mas antes que este grupo improvável começasse a festejar, a figura imponente alerta: “Isso apenas desliga o visor, a bomba continua activa e o tempo está a contar.”

“Não a podemos mover, os três fios são vermelhos, e só o Mindo é que pode tocar nela…”, pensa alto Álvaro de Campos.

Como que por efeito de telepatia, Alberto Caeiro junta 1+1 e chama a Menina do Gás e a toalha de Eusébio.

“Rápido, vai buscar papel higiénico”, grita a Menina do Gás para o Capitão Iglo.

A toalha do Eusébio corre para junto do pessegueiro.

“A solução é simples. Só um íman a pode desactivar”, afirma.

“Íman?” Esta mera palavra desperta Mindo e fá-lo começar a bater palmas.

“Claro! Usamos a Nau Espacial para criar um impulso electromagnético e desactivar a bomba”, calcula Álvaro de Campos.

“A bomba e toda a rede eléctrica da Península Ibérica”, responde Doc, o Brown.

“Vamos precisar de mais papel higiénico”, afirma a toalha do Eusébio.

Doc, o Brown e Álvaro de Campos correm para a Nau Espacial para preparar o impulso. Apenas Mindo, a toalha de Eusébio, e a figura imponente permanecem ao lado da bomba. Faltam 46 minutos e 31 segundos.

Vasco da Gama aceita com relutância sacrificar a sua Nau Espacial, desde que o Capitão Iglo consiga comprar papel higiénico suficiente.

“Com a fila que está para chegar ao centro comercial, vai ficar apertado”, diz Jorge, o Palma, ora nas palhas estendido, ora nas palhas deitado, com a garrafa de uísque ao seu lado.

A figura imponente oferece-se para transportar o Capitão Iglo ao Intermarché de Odemira com a sua bola de raios, coriscos, e carne de porco à alentejana.

Chegados ao Intermarché, o Capitão Iglo pára para comprar uma raspadinha enquanto a figura imponente vai buscar todo o papel higiénico que consegue encontrar.

“Ainda não foi desta que me saiu o pé-de-meia”, diz o Capitão Iglo após deitar a raspadinha no lixo.

Na caixa está apenas uma velha peixeira, mas ela prepara-se para pagar um carrinho cheio com moedas de um e dois cêntimos.

42 minutos depois, quando a funcionária enfim terminou de contar as moedas, chega finalmente a vez do Capitão Iglo.

Após o pagamento, ambos regressam sem hesitar para junto da Nau Espacial.

“O impulso já estava pronto há mais de meia hora”, grita Doc, o Brown.

“Havia uma velha peixeira…”, tenta responder o Capitão Iglo, mas é rapidamente interrompido por Vasco da Gama que lhe diz que não há tempo para fazer douradinhos.

Mindo permanece junto da bomba. Resta agora menos de um minuto.

“Segurem os vossos rabos”, diz Samuel, o Jackson, que por ali passava a fumar um charuto.

Doc, o Brown, activa o impulso electromagnético que envolve o pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto, e grande parte da Península Ibérica.

A bomba, juntamente com toda a rede eléctrica, é desligada a um segundo do fim.

“Acabou de ser revogada”, diz Álvaro de Campos, embora ninguém lhe tenha feito o set up para o dizer.

Mindo suspira de alívio, finalmente pode ir descansar e entreter-se com os seus ímanes.

Ou assim pensa ele. Um pequeno avião aterra de emergência ao largo do pessegueiro.

Peyroteo e D. Marcelo, o Afecto saem e correm para perto de Mindo.

“Vem connosco se queres viver”, diz D. Marcelo, o Afecto, esticando a mão na direcção de Mindo.

“Isso é subjectivo”, é a única coisa que lhe ocorre dizer.

Depois de salvar o pessegueiro não uma, mas duas vezes, de visitar o Ramalhete e a Galileia no ano 33, que nova aventura está reservada para o Mindo?

Será que ele finalmente vai encontrar os seus ímanes?

Irá o Capitão Iglo lembrar-se das queijadas?

Não percam o próximo episódio, porque nós também não!

Esta épica história regressa na próxima Véspera da Véspera de Natal.

Até lá continuem a celebrar o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir, não se esqueçam de fazer o vosso kit de sobrevivência, e lembrem-se que se tiverem um bidé não precisam de ir a correr para o supermercado comprar papel higiénico.

Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal, dêem as mãos e cantem todos comigo:

Morram pencas, morram! Pim!

Monday, December 23, 2024

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XVIII

366 dias, 237 entrevistas, 90 Segundos de Ciência, 26 Bilharacos, mais de três mil anos de “Eureka! As Descobertas Que Mudaram o Mundo”, quatro cortes nas taxas de juro, um litro de azeite no joelho, e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, a tradição anual mais aguardada pelos fiéis seguidores da Igreja Universal do Sagrado Chinelo, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une neste santo dia.

Anteriormente em A Véspera da Véspera de Natal:

“É o Mindo! Ele está vivo. Está a comer queijadas com o Eça de Queiroz, mas está vivo!”

“Grande Scott Pilgrim, esqueci-me de calcular para o peso destes passageiros. Estamos no sítio certo mas o carro perdeu óleo.”

Depois:

Mindo, o Capitão Iglo e a Menina do Gás entram no Punto GT e juntam-se aos restantes. Doc, o Brown, coloca as coordenadas para o presente, desta vez sem se esquecer de calcular o peso do Mindo e da toalha de Eusébio.

O alfa arranca e começa a empurrar o Punto GT. Jesus, o Cristo, que por ali descansava já fora das suas palhas, vê o Punto GT desaparecer numa bola de raios, coriscos, e secretos de porco preto.

Ao seu lado, a figura imponente com um casaco de cabedal e óculos de sol aparece por entre as sombras da floresta e toca no seu ombro.

“O Mindo foi sinalizado como alvo para exterminação, vem comigo se quiseres que ele viva”.

Entretanto, no Punto GT, o Capitão Iglo, a Menina do Gás, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, Mindo, Doc, o Brown, e a toalha de Eusébio estão a ser empurrados pelo alfa.

“Quando é que chagamos aos oitochentcha e oitcho?”, grita Jesus, o Jorge, abalado pelas vibrações do Punto GT.

Raios, coriscos, e secretos de porco preto começam a envolver o veículo à medida que o ponteiro se aproxima dos 90. Um curto-circuito – daqueles eléctricos, não o que dá na SIC Radical (sim, ainda dá, não o cancelaram depois do Alvim e do Unas saírem de lá) – como estava a dizer, um curto-circuito atinge o capacitador de fluxo.

“Grande Sco…” mas antes de terminar a palavra Doc, o Brown, Mindo, a Menina do Gás, os restantes passageiros, e o Punto GT desaparecem de vista.

Horas mais tarde Mindo desperta no colo de Jorge, o Palma, envolto na toalha de Eusébio. Estão ainda dentro do Punto GT mas algo parece diferente.

“Isto é subjectivo”, diz Mindo com o arraste de voz de alguém que acabou de acordar com uma enorme dor de cabeça.

À sua volta está uma floresta não muito diferente daquela que existia em torno do Ramalhete mas nem o alfa, nem a linha de comboio, nem as queijadas, nem as soirées, por ali se encontravam.

“Um curto-circuito abalou o capacitador de fluxo e viemos parar ao destino errado. É o que dá usares óleo de mistura em vez de girassol, Doc”, explica o Capitão Iglo olhando para Doc, o Brown, com ar de quem não vai partilhar o último douradinho com ele.

“Destino, não. Data errada. E se queres vai tu comprar o óleo que nem com os descontos de Natal do Continente eu tenho dinheiro para pagar isso”, responde Doc, o Brown.

“Onde… Quando viemos parar?”, questiona a Menina do Gás.

Jorge, o Palma, procura por uma garrafa de uísque para com quem ter uma conversa já que Jesus, o Jorge, ainda não decidiu que pronúncia de portunhol melhor se adequa à sua situação.

“33”, responde Doc, o Brown.

“Há 33 anos? Estamos em 1991? Mais um pouco e podíamos ir visitar a Expo 97”, diz a Menina do Gás.

“Sempre quis ir ao Tripanário”, responde o Capitão Iglo.

“Antes fosse, mas não. Estamos no ano 33. O Ramalhate. Não. Pior. As queijadas ainda não foram feitas e o pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto ainda não foi plantado”, suspira Doc, o Brown, levando as mãos à cabeça em desespero.

Jorge, o Palma, desiste de procurar um uísque para com quem ter uma conversa e pergunta a Doc, o Brown, se não podiam simplesmente usar o Punto GT para regressar para o presente.

“Consigo reparar o capacitador de fluxo mas o Punto GT continua sem óleo e o próximo alfa só volta a passar daqui a dois mil anos”

“Ano trinte e três? Conheço um tipo que é capaz de nos ajudar”, diz Jesus, o Jorge, que perante o desespero da situação decide ser eloquente. “Temos só um problema”, acrescenta.

“Qual?”, pergunta Doc, o Brown.

“Ele vive na Galileia e segundo me lembro é por esta altura que o vão tirar das suas palhas”.

Uma esfera de raios, coriscos, e cebolada de moelas, aparece de repente próxima do Punto GT. Dentro dela está a figura imponente com um casaco de cabedal e óculos de sol.

“Não devias estar nu?”, pergunta a toalha de Eusébio.

“Isso é subjectivo”, exclama Mindo ainda zonzo e triste por não encontrar nenhum íman por ali perto.

“Venham comigo se quiserem regressar ao presente”, exclama a figura imponente esticando a mão.

A esfera de raios, coriscos, e cebolada de moelas, expande. Mindo, Jesus, o Jorge, a Menina do Gás, e o Capitão Iglo, aceitam o convite, deixando Doc, o Brown, Jorge, o Palma, e a tolha de Eusébio para trás para finalizarem as reparações no Punto GT.

A esfera envolve o grupo e transporta-os para a Galileia onde um jovem Jesus, o Cristo, estava a acabar de montar uma mesa do Ikea para um cliente.

“Trouxeste-me as queijadas?”, pergunta Jesus, o Cristo, ao aperceber-se da presença da figura imponente com um casaco de cabedal e óculos de sol.

“Esqueçeram-se-mas”, responde o Capitão Iglo, piscando o olho a Mindo.

“Eu pedi-te para relembrares o Eça antes de voltares”, diz uma voz do interior da casa. Na porta está Jesus, o Cristo, o actual, não o jovem, Fernando Pessoa e os seus heterónimos.

“Isto é demasiado ai Jesus para a minha cabeça”, suspira a Menina do Gás confusa com a presença dos heterónimos e com os dois Jesuses à sua frente.

Uma carrinha dos Pregos Garcia passa por ali sem parar e a fazer sinais de luzes.

“Está quase na hora de ires para o jardim”, diz Jesus, o Cristo, o actual, a Jesus, o Cristo, o jovem.

“Porque é que a carrinha diz que tem dois mil anos de garantia se estamos no ano 33?”, pergunta Jesus, o Jorge.

“Quando encontras um slogan que funciona não vale a pena mudar”, responde Fernando Pessoa e os heterónimos.

“Estamos a ficar sem tempo”, reforça a figura imponente.

“Ok, ok. Já percebi que não me trouxeram as queijadas mas como combinado transformei este vinho em azeite”, responde Jesus, o Cristo.

“Não era suposto ser água?”, pergunta a Menina do Gás.

“Não, Doc, o Brown, pediu azeite. Era mais fácil transformar em vinagre, mas enfim, eu gosto de desafios.”

A figura imponente segura no garrafão de azeite e reactiva a esfera de raios, coriscos, e cebolada de moelas. Jesus, o Cristo, Mindo, a Menina do Gás, o Capitão Iglo, Jesus, o Jorge, Fernando Pessoa e os seus heterónimos entram na bolha.

Na estrada Virgílio e Dante passeiam em direcção a Jerusalém para perguntar sobre a situação política em Florença.

“Isso é subjectivo” grita Mindo, antes que qualquer um possa abrir a boca. E tão rápido como chegou, Mindo e o seu grupo desaparecem de vista.

De regresso ao Punto GT, Doc, o Brown, finaliza as reparações no capacitador de fluxo.

A esfera reaparece e dentro dela regressa Mindo e o seu grupo, agora com Jesus, o Cristo, Fernando Pessoa e os seus heterónimos.

A figura imponente despede-se deles e reinicia a esfera.

“Espera. Não tinhas dito que o Mindo foi sinalizado como alvo para exterminação?”, pergunta Jesus, o Cristo, ora nas palhas estendido, ora nas palhas deitado.

“Quando regressarem ao presente perguntem a Vasco da Gama para vos levar ao pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto na sua nau espacial. Explicarei tudo lá”.

“Como é que vamos meter toda esta gente no carro?”, pergunta Jorge, o Palma.

“Fernando Pessoa e os heterónimos vão na mala, os restantes vão ter que ir ao colo uns dos outros”, responde Doc, o Brown, finalizando as reparações do capacitador de fluxo.

“Não é óleo de girassol mas deve chegar”, diz o Capitão Iglo depois de despejar o garrafão de azeite no depósito do carro.

“Usaste o cupão de 10%?”, pergunta Jesus, o Jorge, a Jesus, o Cristo, enquanto este abre a app do Continente para fazer recuperar cupões.

Doc, o Brown, regressa ao volante do Punto GT e introduz as coordenadas para o presente. Mindo, o Capitão Iglo, a Menina do Gás, a toalha de Eusébio, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, e Jesus, o Cristo, entram no carro, enquanto Fernando Pessoa e os seus heterónimos aconchegam-se na mala.

“Para onde vamos, não precisamos de estradas”, diz Doc, o Brown, sem que ninguém lhe fizesse o set up para usar essa frase.

O Punto GT começa a levitar graças ao azeite transformado em vinho.

“Não era o vinho que tinha sido transformado em azeite?”, pergunta a Menina do Gás.

Isso. Devido ao vinho transformado em azeite. E desaparece do ano 33.

De regresso ao presente, a figura imponente com um casaco de cabedal e óculos de sol aparece junto ao pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto. Uma mala estranha que parece abandonada encontra-se junto à base do tronco.

A figura imponente abre-a e um contador com números vermelhos começa a andar para trás. Restam 59 minutos e 59 segundos.

É uma bomba? Um aviso? Será que o Mindo vai finalmente encontrar um íman?

Não percam o próximo episódio, porque nós também não!

Esta épica história regressa na próxima Véspera da Véspera de Natal.

Até lá continuem a celebrar o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir, não se esqueçam de pagar o condomínio, e lembrem-se que os vossos amigos que nasceram a 29 de Fevereiro só voltam a fazer anos em 2028.

Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal, dêem as mãos e cantem todos comigo:

Morram pencas, morram! Pim!

Saturday, December 23, 2023

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XVII

365 dias, 248 entrevistas, 90 Segundos de Ciência, 26 Bilharacos, mil “Porque Flutuam os Meus Cereais” vendidos, cinco apresentações de “Eureka! As Descobertas Que Mudaram o Mundo”, uma Euribor no joelho, e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, a tradição anual mais aguardada pelos fiéis seguidores da Igreja Universal do Sagrado Chinelo, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une neste santo dia.

Anteriormente em A Véspera da Véspera de Natal:

“Temos esta carta há uns bons anos no nosso escritório com instruções para ser entregue hoje.”

Perplexo, o Capitão Iglo abre a carta e começa a ler.

“Caro Capitão Iglo, Se os meus cálculos estiverem correctos essa carta deve chegar momentos depois de vocês regressarem do asteróide. Isso é subjectivo mas eu tenho estado a viver no ano de 1885…”

“O que se passa?”, questiona Vasco, o da Gama.

“É o Mindo! Ele está vivo. Está a comer queijadas com o Eça de Queiroz mas está vivo!”

“Rápido, precisamos de encontrar um Sado com um capacitador de fluxo!”

Doc, o Brown, aparece na pista com um Punto GT: “Acho que consigo fazer melhor!”

Sem hesitar o Capitão Iglo, a Menina do Gás, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, e a toalha de Eusébio entram no Punto GT de Doc, o Brown.

“Tens que ir mais para trás Doc, esta estrada não tem espaço suficiente para chegarmos aos oitochentcha e oitcho”, diz Jesus, o Jorge, enquanto abre uma nova caixa de Trident com sabor a papas de sarrabulho.

“Estrada? Para onde vamos não precisamos de estradas”, diz Doc, o Brown enquanto coloca no capacitador de fluxo as coordenadas para o Ramalhete.

Sem hesitar, o Punto GT de Doc, o Brown começa a levitar e envolve-se numa bolha de raios, coriscos, e secretos de porco preto.

Em terra, Jesus, o Cristo, Bernardo, o Soares, Peyroteo, Fernando Pessoa e os seus heterónimos, e D. Marcelo, o Afecto despedem-se uma vez mais dos seus companheiros, nesta nova missão para salvar o Mindo do Ramalhete.

Entretanto, em 1885, no meio de um caminho de cabras Eça de Queiroz ponderava o que trazer para a sobremesa. Quando de repente, e sem aviso, um Punto GT aparece no meio do céu e aterra atabalhoadamente à sua frente.

“Rais’ parta esta malta do tuning”, diz Eça de Queiroz enquanto corre para observar o aparato ao pormenor. A sua atenção é necessária para que mais tarde possa escrever duzentas páginas sobre a forma como a luz reflecte das jantes deste Punto GT.

A Menina do Gás, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, e a toalha de Eusébio saem do veículo visivelmente abalados.

“Não me lembro de viajar no tempo ter tanta turbulência. Falhámos o alvo?”, pergunta o Capitão Iglo.

“Grande Scott Pilgrim, esqueci-me de calcular para o peso destes passageiros. Estamos no sítio certo mas o carro perdeu óleo”, diz Doc, o Brown, em tom alarmante.

“Não podemos simplesmente pôr óleo vegetal ou azeite?”

“Estás doido, a €10 o litro? Não ganho para isso.”

Doc, o Brown, sai do seu Punto GT e encontra Eça de Queiroz a oferecer uma queijada à Menina do Gás.

“Eça, a que horas passa o Alfa Pendular?”

Eça, olha para o seu relógio e confere a tabela que tinha colada atrás do passe. “Pelas 17h, porquê?”

“Porque é que estas coisas ficam sempre tão apertadas?!”, murmura Doc, o Brown, para si próprio.

“Capitão Iglo e Menina do Gás, acompanhem o Eça de Queiroz até ao Ramalhete e tragam o Mindo. Tentem não se distrair com os soirées. Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma e toalha de Eusébio, ajudem-me a levar o Punto GT para a estação, temos um comboio para apanhar!”

“O alfa tem um capacitador de fluxo?”, pergunta Jesus, o Cristo que por ali passava ora nas palhas deitado, ora nas palhas estendido.

“Não”, responde Doc, o Brown. “Mas pode empurrar-nos até à velocidade que precisamos para regressar ao futuro!”

“Não queres dizer o presente?”, pergunta Eça de Queiroz, mas a sua questão fica sem resposta enquanto o Capitão Iglo e a Menina do Gás se apressam para chegar ao Ramalhete.

No Ramalhete, Mindo estava a comer queijadas, triste por não ter encontrado nenhum íman em 1885, e a pensar se Gruber, o Hans, conseguiu fazer um mortal ou dois antes de aterrar na piscina.

A campainha toca e Mindo levanta-se para ver se Eça estava de regresso com mais queijadas para a sobremesa. Ao abrir a porta Eça, o Capitão Iglo e a Menina do Gás aguardam-no no exterior.

“Mindo, estás vivo! Recebemos a tua carta e viemos buscar-te. Não temos tempo para explicar, tens que vir connosco agora se não perdemos o comboio!”, diz o Capitão Iglo feliz por reencontrar o seu amigo e o herói que salvou o Pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto.

“Isso é subjectivo”, diz Mindo, com lágrimas de felicidade a correr-lhe pelos olhos.

Mindo abraça os seus companheiros e despede-se de Eça de Queiroz.

Eça regressa para o ramalhete e vê na mesa um tupperware com queijadas.

“Mindo, esqueceram-se-te as queijadas!”, gritou Eça, mas o trio já ia demasiado longe para o ouvir.

Chegados à estação Doc, o Brown, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, e a tolha de Eusébio estavam a montar o DeLorean, quer dizer, o Punto GT, na linha à espera da chegada do alfa.

Mindo correu para os abraçar, mas as emoções do reencontro teriam que ficar para mais tarde. O alfa tinha acabado de chegar e o tempo estava a esgotar-se.

Mindo, o Capitão Iglo e a Menina do Gás entram no Punto GT e juntam-se aos restantes. Doc, o Brown, coloca as coordenadas para o presente, desta vez sem se esquecer de calcular o peso do Mindo e da toalha de Eusébio.

O alfa arranca e começa a empurrar o Punto GT. Jesus, o Cristo, que por ali descansava já fora das suas palhas, vê o Punto GT desaparecer numa bola de raios, coriscos, e secretos de porco preto.

Ao seu lado, a figura imponente com um casaco de cabedal e óculos de sol aparece por entre as sombras da floresta e toca no seu ombro.

“O Mindo foi sinalizado como alvo para exterminação, vem comigo se quiseres que ele viva”.

Jesus, o Cristo levanta-se e acompanha a figura.

Chegarão a tempo de salvar o Mindo? Quem o quer exterminar? Será que Eça irá comer todas as queijadas?

Não percam o próximo episódio, porque nós também não!

Esta épica história regressa na próxima Véspera da Véspera de Natal.

Até lá continuem a celebrar o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir, e não se esqueçam que só têm até dia 31 para reforçar o vosso PPR se quiserem beneficiar dos descontos no IRS.

Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal, dêem as mãos e cantem todos comigo:

Morram pencas, morram! Pim!

Friday, December 23, 2022

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XVI

365 dias, 232 entrevistas, 90 Segundos de Ciência, 26 Bilharacos, 6500 trabalhadores migrantes mortos na construção de um Mundial, novecentos “Porque Flutuam os Meus Cereais” vendidos, 10% de inflação, 3 sequelas de Jurassic World, 2 canelés, um twitter caótico, e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, a tradição anual mais aguardada pelos fiéis seguidores da Igreja Universal do Sagrado Chinelo, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une neste santo dia.

Anteriormente em A Véspera da Véspera de Natal:

“Um asteróide do tamanho de Odemira está em rota de colisão com a Terra!”, alerta Fernão, o de Magalhães.

“Isto parece estranhamente familiar”, murmura Bruce Willis.

Mindo: “Agora é a hora para eu brilhar!”

“Mas Mindo, precisamos de ti para descobrir a terra desconhecida chamada Brasil”, suplica Vasca, o da Gama.

“Isso é subjectivo!”

Dois minutos depois da Nau Espacial decolar do asteróide levando consigo o Capitão Iglo, Vasco, o da Gama, Pedro, o Álvares Cabral, Peyroteo, Eusébio, Jesus, o Cristo, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, Bruce Willis, e Bernardo Soares:

Mindo agarrava no comando. Com os olhos cerrados recordava todos os ímanes que viu colarem-se entre as suas mãos. Mas, no momento em que estava prestes a carregar no botão uma figura imponente com um casaco de cabedal e óculos de sol toca no seu ombro e diz apenas:

“Vem comigo se queres viver.”

“Isso é sub…”, mas Mindo não tem sequer tempo para terminar a sua frase. A figura imponente arrasta-o para dentro de uma bolha envolta em raios, coriscos, e migas de coentrada.

Mindo perde a consciência. A bolha emite um flash de luz e desaparece daquele local como se nunca ali tivesse estado. A figura olha para a bomba levanta o pulso com o polegar para cima e com a outra mão carrega no botão.

Na Nau Espacial Jesus, o Cristo, Jorge, o Palma, Peyroteo, Eusébio, sem a sua toalha, e o Capitão Iglo partilham um olhar agridoce enquanto o asteróide é reduzido a pedaços, conscientes da perda daquele companheiro que um dia iria ajudar Vasco, o da Gama, a encontrar a terra desconhecida chamada Brasil.

Mal sabiam eles que Mindo estava a salvo. Pelo menos por agora.

Lentamente Mindo recupera a consciência e abre os olhos. Ao seu lado estava Jesus, o Jorge, ora nas palhas deitado, ora nas palhas estendido. Sangue escorria pela sua testa. Alguém o deve ter atacado antes de Mindo chegar.

À sua frente estava um monitor. A Menina do Gás, Fernão, o de Magalhães, Sócrates, o filósofo, e Jesus, o Cristo estavam rodeados por figuras encapuçadas que as detinham como reféns. Mindo reconheceu o local, era o Nakatomi Bom Sucesso, aquele que tem um Froiz na cave.

Isto não era uma transmissão televisiva mas sim uma emissão de câmaras de segurança. Mindo estava no interior do edifício e só ele os podia salvar.

Mindo procura imediatamente por uns ímanes mas apenas encontra uma arma, um comunicador, e fita-cola. Mindo liga o comunicador para pedir ajuda. Uma voz estranha responde.

“Ah, McClane, o Jorge. Finalmente te apanhámos”, diz Gruber, o Hans.

“Rende-te ou os teus amigos vão fazer companhia ao Mindo que morreu por nós e pelo Pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto”.

“O Mindo sou eu? Eh Eh”, questiona Mindo confuso 

Jesus, o Jorge acorda e agarra no braço de Mindo.

“Vai procurar ajuda. Eles estão no andar… Oitochentcha e oitcho, ouvistes?!”, diz com dificuldade antes de perder novamente a consciência.

Confuso pela situação Mindo pega na fita-cola e na arma e decide ir procurar uma saída.

À sua direita uma porta leva-o a um corredor escuro. Dois guardas estão inconscientes em frente à porta do elevador.

“Jesus Cristo”, diz o Mindo.

“Eu não tive nada a ver com isto, foi Jesus, o Jorge”, afirma Jesus, o Cristo, que por ali passava ora nas palhas estendido, ora nas palhas deitado.

“Desce até ao andar 88. É lá onde estão os reféns”, completa.

“Como escapou? Cê não vem comigo?”, questiona Mindo.

“Não, eu estou bem obrigado. Leva esta lata de Barbasol, vais precisar dela mais tarde. E se passares por uma vending machine traz-me uma Cola Zero”, diz Jesus, o Cristo, seguindo o seu caminho para se reencontrar com Jesus, o Jorge e oferecer-lhe o dicionário de português que o Pai Natal por engano lhe deixou no sapatinho.

Mindo desce pelo elevador. Olha para a fita-cola e para a arma e sabe o que tem a fazer.

Quando o elevador chega ao andar 88 as portas abrem-se. À frente de Mindo está a Menina do Gás, Fernão, o de Magalhães, Sócrates, o filósofo, e Gruber, o Hans a comer uma maçã.

Os dois guardas próximos do elevador tentam agarrar no Mindo mas ele atira com a fita-cola à testa de um, enquanto o outro tropeça na toalha do Eusébio que por ali passava à procura de um estendal.

Ambos caem de frente batendo na cabeça um do outro e ficando inconscientes.

Gruber, o Hans agarra na Menina do Gás e aponta-lhe uma arma.

“Rende-te ou ela morre”, diz Gruber, o Hans em tom ameaçador.

“Eu vou querer o que ela está comendo”, diz Mindo.

“Hun?”, responde Gruber, o Hans, em tom confuso. “Isto não é When Harry Met Sally!”

“Acabou de ser revogada!”, diz Mindo disparando contra Gruber, o Hans, enquanto este tenta se compor após a estupidez que acabou de presenciar.

O disparo acerta no colete que Gruber, o Hans tinha vestido mas empurra-o para trás. Gruber, o Hans tropeça numa janela que por acaso estava aberta e fica apenas agarrado ao parapeito.

Mindo corre para o agarrar.

“O que é que pensas que estás a fazer?! É suposto deixares-me cair”

“Isso é subjectivo!”, diz Mindo puxando Gruber, o Hans com força.

Naquele momento a figura imponente com um casaco de cabedal e óculos de sol que o salvou do asteróide regressa. Uma bolha de raios, coriscos, e coentros de cebolada envolve-o novamente e Mindo desaparece.

Gruber, o Hans cai do octogésimo oitavo andar do Nakatomi Bom Sucesso e cai na secção de frescos do Froiz.

“He’ll be back”, diz a figura de casaco de cabedal e óculos de sol antes de ela também desaparecer numa bolha de raios, coriscos, e coentros de cebolada.

O dia parece estar salvo mas a história não acaba por aqui.

Entretanto, na base aérea de Tortosendo D. Marcelo, o Afecto, primeiro de seu nome, recebe o Capitão Iglo, Vasco, o da Gama, Pedro, o Álvares Cabral, Peyroteo, Eusébio, Jesus, o Cristo, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, Bruce Willis, e Bernardo Soares, para celebrar com eles a destruição do asteróide que ameaçou a humanidade, e o seu pessegueiro.

Mas antes da cerimónia poder começar uma carrinha da DHL entra na base. O estafeta traz consigo uma carta dirigida ao Capitão Iglo.

“Temos esta carta há uns bons anos no nosso escritório com instruções para ser entregue hoje a esta hora neste local ao Capitão Iglo. Inicialmente esteve nos CTT, mas eles passaram-na para nós para ter a certeza que chegava mesmo a tempo e não com três meses de atraso. Tínhamos até uma aposta entre o pessoal se o Capitão Iglo estaria mesmo aqui, parece que perdi a aposta”.

Perplexo com este conto, o Capitão Iglo abre a carta e começa a ler.

“Caro Capitão Iglo, Se os meus cálculos estiverem correctos essa carta deve chegar momentos depois de vocês regressarem do asteróide. Isso é subjectivo mas eu tenho estado a viver no ano de 1885…”

“O que se passa?”, questiona Vasco, o da Gama.

“É o Mindo! Ele está vivo. Está a comer queijadas com o Eça de Queiroz mas está vivo!”

“Rápido, precisamos de encontrar um Sado com um capacitador de fluxo!”

Doc, o Brown, aparece na pista com um Punto GT: “Acho que consigo fazer melhor!”

O que está o Mindo a fazer em 1885? Conseguirão os seus companheiros salvá-lo? Será que Eça voltou-se a esquecer das queijadas?

Não percam o próximo episódio, porque nós também não!

Esta épica história regressa na próxima Véspera da Véspera de Natal.

Até lá continuem a celebrar o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir, e não se esqueçam de gastar os €125 do vosso apoio excepcional de rendimentos.

Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal, dêem as mãos e cantem todos comigo:

Morram pencas, morram! Pim!

Thursday, December 23, 2021

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XV

365 dias, 252 entrevistas, 90 Segundos de Ciência, 26 Bilharacos, COVID-19, 3 meses de confinamento, setecentos “Porque Flutuam os Meus Cereais” vendidos, um título de campeão nacional e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, a tradição anual mais aguardada pelos fiéis seguidores da Igreja Universal do Sagrado Chinelo, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une neste santo dia, preferencialmente após teste PCR ou antigénio negativo.

Fernão, o de Magalhães, estava com a Menina do Gás, a Toalha de Eusébio, e Fernando Pessoa e os seus Heterónimos, a circum-navegar a terra desconhecida chamada Brasil. Numa noite de céu aberto, já depois de Jesus, o Cristo ter adormecido, ora nas palhas deitado, ora nas palhas estendido, Fernão subiu ao convés da sua nau para observar o céu com o seu telescópio.

Por entre as estrelas e os planetas um objecto estranho parecia aproximar-se a uma velocidade estonteante. Dando uso ao seu ábaco, já que a bateria do seu Xiaomi Note 10 há muito se tinha esgotado, “Raisparta o Mindo que se esqueceu do power bank”, pensou.

“Isso é subjectivo”, ouviu-se ao fundo como um suspiro na noite.

Como estava a dizer. Dando uso ao seu ábaco, e depois de fazer a prova dos nove pelo menos três vezes, Fernão correu para a cabine, sacou do seu Nokia 3310 e ligou para D. Marcelo, o Afecto, primeiro de seu nome.

“Boa noite Fernão, estava mesmo agora a beber o meu iogurte das 3 da manhã enquanto terminava um livro sobre a plantação de chícharo em Alvaiázere”, atendeu.

“Desculpe interromper o seu Actimel mas isto é urgente. Um asteróide do tamanho de Odemira está em rota de colisão com a Terra!”, alerta Fernão.

“Da vila ou do concelho?”

“Ambos!”

“O meu Pessegueiro!”, grita Marcelo de sobressalto.

Alertado para o perigo iminente, D. Marcelo, o Afecto chama por Vasco, o da Gama para reunir toda a gente de urgência na base secreta do Tortosendo.

“Toda a gente?”

“Sim, especialmente alguém que saiba perfurar pedra e que não esteja de qualquer forma preparado para uma viagem espacial!”

Vasco, o da Gama, consegue encontrar Pedro, o Álvares Cabral, Peyroteo, Eusébio, – sem a sua toalha ainda em viagem com Fernão, o de Magalhães, a Menina do Gás e Fernando Pessoa e os seus Heterónimos – Jesus, o Cristo, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, o Bruce Willis por algum motivo, e sim, até o Mindo.

Chegados à base secreta de Tortosendo a comitiva de heróis é recebida por Capitão Iglo, o primeiro tugonauta português.

“O que se passa? Encontraram bacalhau em Neptuno?”, pergunta Pedro, o Álvares Cabral.

Depois de D. Marcelo com Fernão, o de Magalhães, em telechamada, explicarem o que se estava a passar, caiu um ar de desespero no resto da comitiva.

“Não desanimem, temos um plano para resolver esta situação”.

D. Marcelo, o Afecto, carrega num botão e nas suas costas as paredes começam a mexer-se, revelando aquilo que apenas podia ser descrito como uma Nau em cima de três foguetões.

“Apresento-vos a nossa Nau espacial”

“Não quer dizer nave espacial?”, questiona o Capitão Iglo.

“Não! É uma Nau espacial, construída com a melhor madeira do pinhal de Leiria”, assegura D. Marcelo, o Afecto.

“Não há tempo para discussões de semântica, temos apenas dois dias para travar este asteróide”, alerta Fernão, o de Magalhães em videochamada a partir do seu Nokia 3310.

O Capitão Iglo junta a equipa numa sala para explicar a missão.

“Vamos juntar-nos aos Ena Pá 2000, que já estão na Lua, para reabastecer, e depois vamos aterrar directamente no asteróide. Teremos quatro horas para fazer um furo de 200 metros e depositar esta bomba nuclear. Se o sistema falhar um de nós terá que ficar lá para detonar a bomba, entendido?”

“Isto parece estranhamente familiar”, murmura Bruce Willis.

O Capitão Iglo, Vasco, o da Gama, Pedro, o Álvares Cabral, Peyroteo, Eusébio, ainda sem a sua toalha, Jesus, o Cristo, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, Bruce Willis, Mindo e Bernardo Soares que entretanto apanhou um voo da TAP da terra desconhecida chamada Brasil e ainda chegou a tempo de apanhar a Nau espacial, embarcaram naquela que podia ser a sua última viagem.

A Nau descolou a toda a velocidade ao som de Aerosmith.

Depois de reabastecerem com os Ena Pá 2000 e se passearem pela Lua, todos nus só com um véu, a Nau aterrou de sobressalto na superfície do asteróide.

Cada um saca de uma pá e começa a escavar enquanto o Mindo aparenta brincar com uns ímanes.

As horas vão passando e o buraco não está sequer perto dos 200 metros necessários para salvar o Pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto.

Mindo aparece com uma broca mecânica feita com metais que os ímanes dele encontraram por ali.

A 10 minutos da hora limite finalmente conseguem atingir a profundidade necessária.

Depois de colocarem a bomba, Peyroteo verificou que se esqueceram de trazer o comando para a activar. Bruce Willis voluntaria-se para ficar para trás mas é interrompido por Mindo.

“Não. Agora é a hora para eu brilhar!”

“Mas Mindo, precisamos de ti para descobrir a terra desconhecida chamada Brasil”, suplica Vasca, o da Gama.

“Isso é subjectivo”, diz Mindo, pedindo aos outros para entrarem na Nau e regressarem para a Terra.

Após a Nau levantar voo, Mindo suspira por uma última vez, recordando todos os ímanes que viu colarem-se entre as suas mãos e carregou no botão.

À distância, Capitão Iglo, Vasco, o da Gama, Pedro, o Álvares Cabral, Peyroteo, Eusébio, Jesus, o Cristo, Jesus, o Jorge, Jorge, o Palma, Bruce Willis e Bernardo Soares, observam com um sentimento agridoce o asteróide a dividir-se em dois.

O dia estava salvo, mas não sem um grande custo para estes heróis.

A Nau regressou à Terra mais uma vez ao som de Aerosmith e foi recebida por D. Marcelo, o Afecto, Fernão, o de Magalhães, a Menina do Gás, a Toalha de Eusébio e Fernando Pessoa, e os seus heterónimos, à excepção de Bernardo Soares que se encontrava na Nau.

A multidão celebrava efusivamente o regresso daqueles que conseguiram salvar o Pessegueiro de D. Marcelo, o Afecto.

“Em Odemira será erguida uma estátua em honra de Mindo, que se sacrificou por nós e pelo meu Pessegueiro. Na placa estará escrito ‘isso é subjectivo’, e a mesma será colada por ímanes”, promete D. Marcelo, sob uma onda de aplausos.

E assim chega ao fim mais uma épica história que celebra o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir, e relembrem o sacrifício que Mindo fez por todos nós e pelo Pessegueiro de D. Marcelo.

Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal, dêem as mãos e cantem todos comigo:

Morram pencas, morram! Pim!

Wednesday, December 23, 2020

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XIV

366 dias, 252 entrevistas, 90 Segundos de Ciência, 26 Bilharacos, COVID-19, 7 estados de emergência, 3 apresentações de “Porque Flutuam os Meus Cereais”, uma eternidade em confinamento e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, a tradição anual mais aguardada pelos fiéis seguidores da Igreja Universal do Sagrado Chinelo, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une por teleconferência garantindo o distanciamento físico neste santo dia.

São sete da tarde no ano 33, também conhecido como 1987 AC (antes de COVID). Jesus, o Cristo, está em casa a tentar ligar o Zoom. Devido ao estado de emergência declarado por Pilatos, o Pôncio, Jesus, o Cristo, decidiu marcar a última ceia por videoconferência com os apóstolos, Vasco da Gama, a toalha do Eusébio, e a Menina do Gás.

O Mindo também ali iria aparecer para apoio técnico à chamada. Uma decisão da qual todos se iriam arrepender. “Isso é subjectivo”, gritou Mindo após ler esta frase enquanto brincava com um íman que encontrou no seu frigorífico.

Sem conseguir ligar o Zoom, Jesus, o Cristo liga para Sócrates, o filósofo, para o ajudar a instalar o Zoom no seu Magalhães.

“Já experimentaste ExpressVPN, tens três meses grátis se usares o código…”, dizia Sócrates, o filósofo, antes de Jesus, o Cristo, lhe desligar a chamada por estar farto de ouvir estes anúncios no Youtube.

“Daqui a nada está a oferecer-me uma mensalidade do Squarespace ou a sugerir que eu vá ensinar carpintaria para o SkillShare”, queixou-se Jesus, o Cristo, ora nas palhas estendido, ora nas palhas deitado, ainda sem sucesso em ligar o Zoom.

Entretanto chega Peyroteo, a toalha do Eusébio, e Magalhães, o Fernão. Jesus, o Cristo, fica à porta de máscara a mostrar o ecrã do seu Magalhães, o portátil. Magalhães, o Fernão, pergunta a Jesus se este já tinha recebido o link que a Menina do Gás partilhou no grupo de Whatsapp hoje de manhã.

“Ainda não, é difícil apanhar rede móvel em Jerusalém no ano de 1987 AC (antes de COVID)”, explica, Jesus, o Cristo, enquanto Peyroteo tenta instalar o Zoom no portátil de Magalhães, o Fernão.

Pessoa, o Fernando e os seus Heterónimos, fazem uma videochamada para o smartphone da toalha de Eusébio e pedem a Jesus para que este lhes mostre Magalhães, o portátil.

Pessoa, o Fernando vai tomar café, enquanto Caeiro, o Alberto regressa para a sua horta, e Reis, o Ricardo parte em viagem para a terra desconhecida chamada Brasil. Entretanto Soares, o Bernardo, entra em desassossego, e de Campos, o Álvaro pede à toalha do Eusébio para aproximar a sua câmara de Magalhães, o portátil.

“Tens o controlo parental activo. Experimenta agora”, diz de Campos, o Álvaro.

Com o problema enfim resolvido, Peyroteo envia a Jesus, o Cristo, o link para a sala de zoom que a Menina do Gás partilhou naquela manhã.

Mindo é o primeiro a chegar, seguido de Pessoa e os seus Heterónimos, à excepção de Reis, o Ricardo que ainda se encontra em viagem com Pedro, o Álvares Cabral em busca da terra desconhecida chamada Brasil.

Segue-se a Menina do Gás, Vasco da Gama, a toalha de Eusébio, Sócrates, o José, Magalhães, o Fernão, e os apóstolos.

“Convidei-vos todos aqui hoje para despacharmos a ceia de Natal a tempo de vermos o live do Bruno Nogueira no instagram”, começa Jesus, o Cristo, enquanto multiplica o vinho e transforma o pão em bacalhau com natas sem natas.

Peyroteo pede a Sócrates, o José para ir ao VAR analisar a ausência de pencas na refeição transformada de Jesus, o Cristo.

Aguardamos a decisão.

Confusão na videochamada entre a Menina do Gás e Vasco da Gama por este não a ter convidado para viajar na sua nau em busca da terra desconhecida chamada Brasil. Enquanto Pessoa, o Fernando e os seus Heterónimos, com a excepção de Reis, o Ricardo, que continua algures no meio do Atlântico sem rede, lhe explicam que foi Pedro, o Álvares Cabral quem marcou a viagem para aquela noite.

Entretanto Sócrates, o José, e a toalha de Eusébio regressam com a decisão.

“Não há pencas no bacalhau com natas sem natas”, clamam de alívio.

“Isso é subjectivo”, grita Mindo exaltado ainda a brincar com o íman que encontrou no seu frigorífico.

Jesus, o Cristo, levanta os braços e anuncia: “Em verdade vos digo, nesta quadra atípica do ano 1987 AC (antes de COVID), há uma mensagem que a todos nos une. Juntai as mãos e dizei a uma só voz”:

“Morram pencas, morram! Pim!”

E assim chega ao fim o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir.

Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal. E como diz um provérbio da terra do nosso querido-líder todo-poderoso, Putin, o Vladimir, a repetição é a mãe da aprendizagem, dêem as mãos e cantem todos comigo:

Morram pencas, morram! Pim!

Monday, December 23, 2019

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XIII

365 dias, 215 entrevistas, 90 Segundos de Ciência, 85 temas esmiuçados, 37 casas visitadas, 26 bilharacos, 7 títulos europeus, 4 coletes amarelos, 3 bairros gentrificados, 2 concertos de New Order, uma única nova publicação neste blogue e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, a tradição anual mais aguardada pelos fiéis seguidores da Igreja Universal do Sagrado Chinelo, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une neste santo dia.

Começamos a nossa história na terra desconhecida chamada Brasil, onde o Mindo é rei e senhor e também treinador do Flamengo.

"Esse não é Jesus, o Jorge?", questiona a Menina do Gás, enquanto segura num bule consciente que em tempos escreveu músicas sobre astronautas perdidos no espaço.

"Isso é subjectivo", grita o Mindo enquanto brinca com dois ímanes, rindo-se de algo cuja graça é desconhecida a todos menos a ele.

De regresso à terra desconhecida chamada Brasil, Jesus, o Cristo, ora nas palhas deitado, ora nas palhas estendido, festeja a conquista da Libertadores após oitocentos e oito minutos de tentativas falhadas de falar espanhol.

Cansado de se deitar e estender nas palhas, Jesus, o Cristo, pede a Jesus, o Jorge, a Gama, o Vasco, a Gás, a Menina, a do Eusébio, a Tolha, a de Carvalho, o Bruno, a Sebastião, o rei, e a Mindo, o subjectivo, para irem comprar cabaças para fazer bilharacos.

"Tão perto do Natal já todas devem estar esgotadas", alerta Henrique, o Infante, que por ali passava para abastecer a sua nau eléctrica com baterias de lítio e jerricãs de gasóleo, não fossem os camionistas lembrar-se de entrar novamente em greve.

"É por isso que devemos garantir que os meios de produção jamais saiam do poder do proletariado", afirma Cunhal, o Álvaro, enquanto tuítava um extenso manifesto alertando para o perigo da normalização do discurso liberal.

A Menina do Gás, Vasco da Gama, Eusébio e a sua toalha, partilharam efusivamente este manifesto acrescentando a ele episódios testemunhados na circunavegação do Mundo que estes fizeram acompanhados por Dave, o Casado à Primeira Vista, também conhecido como David.

Acesa que estava a discussão sobre o preço da cabaça miúda, discussão essa que se agravou quando de Carvalho, o Bruno a chamou de abóbora, sem qualquer justa causa, num canto afastado do horizonte, era possível avistar o Mindo, ainda a rir-se dos dois ímanes que por ali se encontravam.

Caía a noite na terra desconhecida chamada Brasil, quando a Marta da Teleseguro mandou vir um Glovo da Telepizza para poupar nos portes, com uma dose extra de cabaça miúda.

A noite estava salva, faltando apenas que todos confirmassem que leram os termos e condições.

"Isso são peanurs", afirmou Jesus, o Cristo, ora nas palhas estendido, ora nas palhas deitado.

Em uníssono todos se prepararam para a confecção dos bilharacos, enquanto o rapaz da Glovo esperava pela sua gorjeta.   

Pessoa, o Fernando, Moisés, e os seus Heterónimos, – os de Pessoa, o Fernando, não os de Moisés, que, até à data, se tinha Heterónimos, todos eles nos são ainda desconhecidos – pediram a Pedro Álvares Cabral se este tinha trocos para pagar ao rapaz da Glovo.

"Fazia por MBWay mas agora cobram taxas e comissões”, lamenta Soares, o Bernardo, enquanto acrescenta ao seu livro mais este desassossego.

"Já pensaram em criar uma conta no Revolut?", questiona o rapaz da Glovo que traz consigo um panfleto e uma história da viagem que fez à terra conhecida chamada Islândia, onde usou esse cartão sem qualquer gasto adicional.

Já na terra desconhecida chamada Brasil os bilharacos estavam prontos para serem servidos.

À mesa sentava-se Jesus, o Jorge, a Menina do Gás, o rapaz da Glovo, Fernando Pessoa e os seus Heterónimos, Vasco da Gama, a Marta da Teleseguro, de Carvalho, o Bruno, a toalha do Eusébio, Álvaro Cunhal e os meios de produção, Moisés, Sebastião, o rei, e Dave, o Casado à Primeira Vista, também conhecido como David.

"Falta o Mindo!", alerta Jesus, o Cristo, ora nas palhas estendido, ora nas palhas deitado.

Pela porta uma voz carregando uma travessa de bilharacos afirmou, "Isso, isso é subjectivo!"

Após a refeição, Mindo e a turma do papagaio amarelo embarcaram na nau eléctrica de Henrique, o Infante patrocinada pela Tesla. Para o horizonte seguiram em busca de uma terra onde as pencas ainda não sejam conhecidas.

E assim regressa o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir.

Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal. Dêem as mãos e cantem todos comigo:


Morram Pencas, morram! Pim!

Sunday, December 23, 2018

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XII


365 dias, 236 conferências de imprensa de Bruno de Carvalho, 90 Segundos de Ciência, 50 arranhadelas do Dalí, 28 toupeiras, 17 bilharacos, 5 títulos europeus, 4 sequelas de Jurassic Park, um Morabed e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, a tradição anual mais aguardada pelos fiéis seguidores da Igreja Universal do Sagrado Chinelo, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une nesta santa data.

Comecemos assim a nossa viagem num rooftop com vista para o Douro. A Menina do Gás, munida do seu telemóvel alimentado por uma Pluma da Galp, aproveita o pôr-do-sol para encontrar o seu ângulo mais instagramável. O seu sonho é um dia conseguir seguidores suficientes para ser convidada a participar num videoclipe do David Carreira. Para já contenta-se com algumas amostras de maquilhagem, e a habitual oferta de sushi para ilustrar momentos especiais como incêndios, terramotos ou outra tragédia similar.

Indecisa sobre que foto escolher, começam a cair mensagens no seu whatsapp. Dentro do grupo do pica-pau amarelo, Mindo, o subjectivo, partilha mensagens de apoio à candidatura de Bolsonaro, e umas notícias falsas sobre o estado de manutenção do viaduto Duarte Pacheco. Emigrado na terra conhecida chamada Fossa, Mindo congratula-se pelo voto secreto que deixou em branco a favor do regresso do fascismo à terra desconhecida chamada Brasil.

“Isso é subjectivo”, diz o Mindo em mensagem de voz, imediatamente bloqueado por Vasco da Gama, Jesus, o Cristo, Pedro Álvares Cabral e a Menina do Gás.

Entre citações de Pedro Chagas Freitas e de uma pita, – as minhas desculpas pela redundância – a linha do tempo do twitter português é pontoada por uma conta emergente conhecida pelo seu bom humor, pela sua assertividade de análise à diplomacia internacional, e pelo seu profundo conhecimento filosófico e literário. Em directo do Panteão, a Toalha do Eusébio protagoniza esta conta sem medo de pôr o dedo na ferida sobre os temas fracturantes da nossa sociedade.

Proibido de consumir os seus vídeos de intimidade caseira no Tumblr, Vasco da Gama, Fernando Pessoa e os seus Heterónimos, Jesus, o Jorge, e Moisés, embarcam numa Nau em busca da terra desconhecida chamada Brasil.

Pelo caminho entretêm-se a fazer scroll pelo facebook onde Jesus, o Cristo, partilha algumas fotos da sua viagem pelo Dubai. Ora na palha estendido, ora na palha deitado. Ora em cima de um camelo, ora com a verde-e-branca vestida acompanhada pelas hashtags #OndaVerde e #OMundoSabeQue.

Já no Youtube, Peyroteo publica um vídeo sobre o fim da internet como a conhecemos que faz com que os jovens percam as estribeiras e comecem a pesquisar por tutoriais sobre como votar, o que é essa coisa de União Europeia, se se come, e como ficar viral sem mostrar demasiado decote.

Os media espantam-se por Peyroteo, conhecido pelo seu podcast “Tu não entendes o Hip-hop”, onde se debatem os mais profundos sentidos da literatura de Nietzsche em comparação com as iluminadas dissertações de Kanye West, ter dedicado algum do seu tempo a um tema que, de forma continuada, tem caído nas catacumbas da agenda mediática.

Fernando, o Pessa, Álvaro de Campos, Jesus, o Jorge, a Menina do Gás e Vasco da Gama, perdem-se pelo Mediterrâneo em busca da terra desconhecida chamada Brasil. Pelo caminho salvam alguns migrantes do Norte de África e dirigem-se para Itália na esperança de serem bem recebidos.

“Excusi, bapidi, bopidi”, diz Jesus, o Jorge, oitochentos e ocho minutos depois de atracar em Nápoles.

“Que cosa?! Tu sei un pazzo! Va via di qui!”, responde um oficial italiano que recambia a Nau de regresso a Portugal.

Chegados a Lisboa, duas pessoas com coletes amarelos rodeadas por uma centena de polícias dão as boas vindas a Ricardo Reis, Jesus, o Jorge, Peyroteo e Vasco da Gama que enfim regressam da sua viagem.

A Menina do Gás dirige-se para o aeroporto para apanhar um avião para Bali com stop over no Dubai onde se irá encontrar com Jesus, o Cristo, ora nas palhas estendido, ora nas palhas deitado, para, em conjunto, criarem o milionésimo blogue de viagens com base nos seus seguidores do Instagram.

Já no twitter um longo debate começa a fervilhar por motivo do tema do próximo Prós e Contras. Este programa questiona quais os limites do cozido à portuguesa. Um tema fracturante que divide grandes facções da nossa sociedade, desde os ambientalistas, ao deputado do PAN, passando pelo senhor Vítor do Café Gidelos em São Bento da Porta Aberta.

Entre ameaças de porrada de um tipo em constante crise de meia-idade, e piadas sem qualquer nexo de outro tipo com baixa auto-estima, a comunidade divide-se entre aqueles que gostam de cozido, e os que acham que a linha da Lousã devia ser reconstruída como uma ferrovia normal.

A Toalha do Eusébio é a única conta que procura trazer alguma sanidade ao tema, sugerindo aos seus seguidores para trocarem o cozido por polvo à lagareiro ou por bacalhau com todos. Com todos, menos com pencas.

“E o bolo-rei sem glúten? E as rabanadas sem açúcar?”, questiona a Menina do Gás, imediatamente bloqueada por Peyroteo, Jesus, o Jorge, Alberto Caeiro, Eça de Queirós, Fernando, o Pessa, e por Sócrates, o José.

Em gesto de despedida, a Toalha do Eusébio deu um salto a Ervedal, onde por entre as silvas, e as heras, largou umas amoras em homenagem ao local de nascimento do Sagrada Chinelo, nosso Deus e Salvador, que nos mostra sempre o caminho.

E assim regressa o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir.

Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal. Dêem as mãos e cantem todos comigo:

Morram Pencas, morram! Pim!

Saturday, December 23, 2017

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte XI

365 dias, 284 podcasts, 90 Segundos de Ciência, 26 bilharacos, 19 meses de pouca ou nenhuma escrita, 17 dias de maratona de episódios de Power Rangers, 6 móveis do IKEA, uma viagem até ao meio do Atlântico e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, o momento mais aguardado pelos dois fiéis leitores deste blogue que este ano viveram esfomeados por novas publicações, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une nesta santa data.

O silêncio deste espaço ao longo do último ano e meio pode ter sido consideravelmente ruidoso, contudo, a vontade em regressar nunca foi tão forte. Enquanto aguardamos pelo tempo que as tréguas da contínua guerra contra as pencas nos oferece, regressemos então à companhia dos nossos heróis.

Peyroteo, a sua toalha, o Mindo e a Menina do Gás estavam na terra desconhecida chamada Brasil a tentar montar uma cómoda do IKEA. “Isso é subjectivo”, enunciava o Mindo, enquanto Jesus, o Cristo, tentava martelar uma prega de madeira num buraco claramente destinado para um parafuso.

“Não era suposto seres um carpinteiro?!”, questionava Vasco da Gama que por ali passava à procura do restaurante desconhecido chamado Burger King, está tudo lá!

“Isso é a Worten”, argumentou a Menina do Gás enquanto saía para entregar uma botija na casa do Salvador Malheiro que, ocupado a fazer campanha pelo Rui dos Rios, esqueceu-se de reabastecer a sua reserva pessoal, e agora a sua família não tem como cozinhar os bilharacos para a ceia da consoada.

“No Continente há música nova todos os dias”, falou o Mindo, rapidamente ignorado pelo grupo que estava demasiado ocupado a tentar retirar as pregas de madeira dos buracos que claramente estavam destinados para receber um parafuso.

Enquanto Pêro da Covilhã comia uma maçã, Vasco da Gama descascava uma pêra e debatia com Jesus, o Jorge, a escalada da tensão geopolítica no Médio Oriente após o anúncio da passagem da Embaixada Norte-Americana de Tel Aviv para Jerusalém.

“Aos oitchentcha e oitcho minutos temos que tomar conta do meio campo e procurar incursões pelo flanco esquerdo para atacar a área adversária”, respondeu Jesus, o Cristo, enquanto mascava uma chicla e recebia olhares de frustração por parte dos seus colegas ainda ocupadas com as pregas de madeira que claramente não estavam destinadas a ocupar aqueles buracos.

“Dedica-te à carpintaria”, respondeu Jesus, o Jorge, interrompido por Pêro da Covilhã a perguntar pela loja de queijos da Serra mais próxima da terra desconhecida chamada Brasil.

Do nada, Son Goku, a Menina do Gás, Eusébio, a sua toalha, e o João das Neves apareceram através da afamada técnica de transmissão instântanea que o João das Neves usou para salvar o Matt Damon e o Major Tom dos White Walkers em Marte.

“I’m gonna science the shit out of this”, disse o João das Neves.

“Ah! Íman, íman!” gritou o Mindo em claro regozijo, sem contexto para qualquer das pessoas ali presentes.

Ao longe, por entre os trovões, advinhava-se o regresso da tempestade que assolava aquele espaço há milénios. Por um momento o céu abriu-se e, entre as nuvens, desceu uma Nau, daquelas em madeira com a Cruz de Cristo, o Jesus, em vermelho a dançar ao sabor do vento.

Pedro Álvares Cabral, desceu da sua Nau e, logo após pousar os seus pés na praia, declamou: “Enfim descobri a terra desconhecida chamada Brasil. A partir de hoje chamar-se-á Coentros, pois avisto ali ao longe uma planta de Coentros selvagens”.

'tá engraçade”, interrompeu Jesus, o Jorge, que de seguida questionou Pedro, o Álvares Cabral, sobre como funcionava a questão de ter sido ele a descobrir a terra desconhecida chamada Brasil quando já ali se encontrava um conjunto de pessoas a tentar montar uma cómoda do IKEA.

“Isso é subjectivo”, respondeu Pedro, o Álvares Cabral.

Son Goku pediu a todos para que entrassem na Nau, enquanto este se transformava em Super Guerreiro para ter desconto nas chamadas internacionais. Jorge, o Jesus, Pedro, o Álvares Cabral, Vasco da Gama, Peyroteo, Eusébio, a sua tolha, a Menina do Gás, Jesus, o Cristo e o Mindo, subiram relutantemente para a nau enquanto Son Goku ligava para o apoio ao cliente da Galp para os questionar sobre como retirar uma prega de madeira de um buraco claramente destinado para receber um parafuso.

A Nau partiu assim em direcção a Gondomar, com o grupo a despedir-se da terra desconhecida chamada Brasil, agora Coentros, com a cómoda ainda por montar, mas com a certeza que mais umas vez, as pencas ali não voltariam a reinar.

Em gesto de despedida Jesus, o Cristo, ora nas palhas estendido, ora nas palhas deitado, colocou o seu chinelo na praia em honra do Sagrado Chinelo, nosso Deus e Salvador, que morreu pelos nossos pecados.

E assim regressa o dia mais aguardado ao longo de todo o ano. Dediquem estas horas a espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir. Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal. Dêem as mãos e cantem todos comigo: 

Morram Pencas, morram! Pim!