Tuesday, December 23, 2008

Querido Pai Natal

Este ano decidi inverter a tendência e voltar a pedir-te um bem material, algo que já não fazia há bastantes anos. Este ano quero o Magalhães. A sério, não estou a brincar. Não é por ser o primeiro computador ibero-americano, por ser resistente à fúria – entenda-se estupidez – de ditadores, ou por todos os assessores do Sócrates terem um. Não. Quero o Magalhães, simplesmente porque sim.

Como bom português, mantive-me fiel à tradição e apenas no domingo dia 21 de Dezembro fui tratar das compras de Natal. No meio de um Gaiashopping a abarrotar pelas costuras, após longas filas para fazer aquele pequeno quilómetro que separa o fim da A44, da zona industrial repleta de centros comerciais. E de longas horas dentro de Zaras, C&As e afins, dei por mim dentro da Fnac, à procura do Brisingr, e de algo mais.

Por entre essa busca, deparei-me com um pequeno computador. "Mais um daqueles mini portáteis que toda a gente adora, mas que para os quais não vejo qualquer utilidade", pensei. Mas não, não era mais um desses, era o Magalhães. Estava aberto e nada denunciaria a verdadeira natureza do PC que se encontrava à minha frente.

O meu primeiro instinto foi fechá-lo para ter a certeza que era de facto o aclamado messias do Sócrates. A princípio achei que era cinzento, uma nova estilização, afinal nem todas as crianças gostam de azul claro e os assessores do Primeiro-Ministro precisam de algo mais sóbrio para levar aos congressos. Mas não, era tal e qual tem vindo a ser anunciado nos órgãos de comunicação social, azul claro, leve, e com o ar de malinha do lanche.

Quando era criança, das poucas memórias que ainda reservo dessa altura, lembro-me de um pequeno brinquedo, ao qual chamava computador, mas que de computador tinha ele muito pouco. Quanto mais não fosse apenas pelo aspecto que imitava o design de um portátil. Era pequeno e azul com aspecto de lancheira. Abria-o e ligava-se uma luz. Colocava um cartão na ranhura da luz, e surgia a imagem de um objecto com o respectivo nome iluminado.

Não deixo de pensar nas semelhanças desse brinquedo de plástico com o infame Magalhães. Se calhar, é por isso que este ano apenas te peço o Magalhães. De certa forma, a coqueluche do Engenheiro Sócrates simboliza um passado que não consigo evitar de relembrar numa época como esta.

Aguardo assim pela tua vinda, como sempre aguardei, e espero que desta vez, pela mera simplicidade do pedido, consigas realizar a pequena vontade do teu eterno crente.

Feliz Natal.

Thursday, December 21, 2006

Querido Pai Natal

Já devias pensar que ia esquecer-me de te escrever. Deixei isto um pouco para a última, mas espero ainda ir a tempo.

Há já muitos anos que não te peço nada, pelo menos nada que possas fazer, ou ir a uma loja comprar. Este ano não será diferente. E perguntas-me tu, como foi este teu ano? Hesito em responder. Esse assunto talvez seja mais apropriado a um artigo de Ano Novo, mas quem sabe, talvez despache logo isto, como aquelas mensagens de Feliz Natal que tenho recebido nestes dias.

Muito se passou este ano. Alguns momentos interessantes, de decisões difíceis e importantes. Mas, como sempre, chego a esta altura a sentir a mesma coisa, como se nada se tivesse passado. A verdade é que aconteceu tanta coisa este ano que vi-me forçado a regressar à estaca zero.

Poucos são aqueles que se vêem de um momento para o outro no mesmo sítio onde estavam há três anos atrás. Contudo, não vejo isto como um privilégio, embora também não o veja como uma maldição. Talvez não passe do curso natural das coisas, visto que o último caminho que percorri não me estava a levar a lado algum.

Nos últimos dias tenho recebido algumas pistas que apontam para há dois anos atrás. Não sei o que aconteceu de tão importante nessa altura, talvez tenha atingido alguma bifurcação e escolhido o caminho errado, mas se essa bifurcação existiu não me consigo lembrar onde foi.

Tentando racionalizar a coisa, como costumo muitas vezes fazer, se recuei para um ponto tão atrás, eventualmente chegarei a essa bifurcação. E aí pergunto-me a mim próprio, “Como sabes que caminho escolher quando lá chegares?” Se lá chegar. Pois essa bifurcação pode nem existir, ou posso enfim escolher, desde logo, outro caminho – se é que cabe a mim tal decisão.

Não sei como me podes ajudar. Talvez se puseres no meu sapatinho uma bússola que me oriente no caminho certo... Mas, de que vale saber onde se encontra o Norte, se não sei que passo dar a seguir?

Vi-me de tantas maneiras, em tantos sítios, mas acabo por chegar sempre a este. A este eu, e pouco ou nada tenho a ver com quem um dia imaginei ser. De que vale isto? Estarei a exagerar quanto ao estado das coisas? Provavelmente.

Apesar das coisas más persistirem, elas mantém-se longe. Existindo ou não, nunca fizeram grande diferença. Nunca tiveram a importância que por vezes lhes dou.

Procurei escapatórias a problemas que apenas tenho a mim como único culpado. Se me pudesses dizer o que fazer... Mas de nada adianta, pois só eu o posso descobrir.

Não é assim tão mau voltar à casa "partida". Consegui sair de lá, não foi? Apenas me enganei na saída.

Enfim, não te maço mais com os meus problemas, que não podes resolver. Este ano só te peço alguma orientação, para além da habitual boa sorte que o destino, Deus, ou qualquer outra entidade superior, me têm negado.

Fico à espera da tua resposta.

Feliz Natal.