Thursday, July 28, 2016
Monday, December 21, 2015
Thursday, January 22, 2015
Boyhood
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| Boyhood |
You know how everyone's always saying seize the moment? I don't know, I'm kind of thinking it's the other way around, you know, like the moment seizes us.
Nicole, Boyhood
Boyhood é uma história simples, mas assim é a vida. Assim é crescer. Boyhood não é apenas um filme. É uma experiência. Um retrato de uma geração. São doze anos de investimento. É o trabalho de uma vida. É o sonho de Richard Linklater.
Filmado ao longo de doze anos, Boyhood segue a vida do jovem Mason, protagonizado por Ellar Coltrane, uma criança de seis anos, um adolescente de catorze anos, um jovem adulto acabado de entrar na universidade. A infância e a adolescência de Mason confundem-se com a de Ellar, pois também ele cresce, também ele vive com este projecto, com este filme, sempre guardado nos momentos especiais de cada ano de produção. De cada ano de crescimento.
Foi uma aposta de risco de Linklater, uma tarefa com tudo para correr mal. Um desafio que, mesmo que não tivesse chegado ao fim, seria honrado pela tentativa de criar algo único, algo histórico. Felizmente, o filme foi um sucesso, a experiência foi um sucesso. Ellar não comprometeu, assim como Lorelei Linklater, a filha do próprio realizador, que fez de irmã de Mason, também ela seguindo de perto o crescimento desta história, desta personagem, e deste actor.
Boyhood conta uma história simples. Uma história comum, já muitas vezes partilhada. Mas agora sobre uma perspectiva única, através dos olhos de uma criança. De uma criança que cresce. De um país que se desenvolve, que lida com as desavenças de um futuro incerto, e de uma economia descontrolada e imprevisível.
Mason, e a sua irmã Samantha são filhos de pais divorciados. Dois pais que se casaram demasiado novos. Dois pais com um rumo ainda por descobrir. Em Ethan Hawke e Patricia Arquette vemos dois caminhos paralelos, dois caminhos inversos. Um músico sem qualquer plano que viaja para se encontrar. Uma mãe divorciada com aspirações e com um doutoramento em psicologia no seu horizonte.
Ambos encontram-se algures pelo meio, sempre com Mason como pretexto para uma breve partilha de novidades e pontos de situação. Os maridos alcoólicos e possessivos de Patricia, a mulher que finalmente faz Ethan assentar e tentar novamente construir uma família. Um novo começo para Ele. Um destino ainda por descobrir para Ela.
Mason vive tudo aquilo que um qualquer rapaz experiencia nos breves e curtos momentos que a vida nos permite crescer. Apaixona-se. Testa os seus limites. Cria e destrói amizades. Recria momentos. Fortalece laços. Expressa-se. Viaja. Segue em frente. Percorre todos os caminhos possíveis. Todos os caminhos que o levam até à sua arte.
Mason não é uma criança especial. Não é um jovem especial. Mason é como nós. Apenas mais um rapaz americano do Texas que acompanha os incidentes de uma sociedade que se transforma, que cresce, que se diferencia. Um rapaz que gosta do Dragon Ball. Que bebe com os amigos. Que faz planos com a sua namorada. Que se dedica à sua paixão pela fotografia. Um rapaz talentoso, culto e preguiçoso. Não é o típico adolescente americano, mas também não é alguém que se destaque numa multidão. Mason é apenas igual a si próprio.
Alguém que cresceu. Alguém que vimos crescer. Alguém que aprendemos a compreender ao longo de doze anos, reduzidos a pouco mais de duas horas. Doze anos que passaram rápido. Um piscar de olhos para alguns de nós. Uma vida inteira para Mason.
Boyhood é uma história breve, mas assim é a vida. Assim é crescer.
Tuesday, July 08, 2014
Máscaras Virtuais
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| Imagem DR |
Máscaras, todos as usamos.
Faces feridas encobertas,
Desgostos, disfarçados de sorrisos.
Mentiras, perdidas em desenhos.
Carnavais das nossas vidas,
Dias extras que não vivemos,
Tudo escondido por detrás,
De todo um emaranhado que se desfaz.
XIV, Adriano Cerqueira
Todos usamos máscaras. Escudos que nos protegem das adversidades do dia-a-dia. Do chefe inconsequente que não valoriza a nossa opinião, do cliente mal educado que pensa ter sempre razão. Do empregado que se engana no nosso pedido, da vizinha pronta a encontrar o mínimo motivo de coscuvilhice. Daqueles que nos magoam, que nos irritam, ou que nos maltratam. Todos usamos máscaras.
Mecanismos de defesa que, com alguma astúcia podem jogar a nosso favor. Usamos máscaras para esconder a dor, a indignação, o ódio, o irracional. Mas também as usamos para reconstruir quem somos para os outros. Para conquistar a confiança de alguém, para esconder os nossos defeitos, para ganhar respeito entre os nossos pares, para seduzir quem desejamos. Todos usamos máscaras.
A ascensão das redes sociais, a ténue linha dúbia que mistura o público com o privado, veio acentuar esta necessidade de alimentação das diversas máscaras que possuímos. Recentemente encontrei o vídeo What’s on your mind?, realizado por Shaun Higton. Durante dois minutos e meio somos transportados para a dicotomia real/virtual de Scott Thomson, alguém não muito diferente de cada um de nós. Neste vídeo vemos o contraste da sua vida real, com a máscara de positivismo que ele alimenta no seu perfil do facebook.
Da comida pré-congelada, a uma relação fria condenada ao fracasso, ao emprego cinzento que o faz ser despedido. Da depressão que o assola, até à sua profunda solidão. Scott usa as redes sociais para transmitir a imagem oposta, em busca da aprovação dos seus amigos virtuais. Contudo, por mais likes que as suas publicações recebam, a realidade mantém-se inalterada, ele está, e assim continua, só.
Os últimos tempos têm sido férteis em campanhas com um simples objectivo: desligar. Desliguem o telemóvel. Desliguem o facebook. Olhem à vossa volta. Falem com um estranho. Não percam as oportunidades que desvanecem sempre que o nosso olhar fica colocado a um pequeno, ou a um grande ecrã. Mensagens fortes. Mensagens úteis. Mensagens necessárias. Ignoradas tão rapidamente como qualquer outro vídeo viral.
A cada dia que passa cresce o culto da aprovação virtual. Tudo o que fazemos é exposto, partilhado, identificado, visto e gostado. Procuramos chegar ao máximo de pessoas possíveis, com o prato acabado de cozinhar, a tarde passada na praia, a festa que visitámos, a viagem que fizemos. Fazemo-lo para nós, para os outros, para registo, para reconhecimento. Fazemo-lo porque sim. Porque o botão “finalizar”, confunde-se com o botão “partilhar”. Fazemo-lo porque já não sabemos ter experiências que não possamos partilhar com a nossa rede de contactos. Contactos que muitas vezes não passam de desconhecidos com quem nunca trocámos uma única palavra. E mesmo assim continuamos a fazê-lo. Não porque nos satisfaz, mas sim por não querermos ser ignorados, por não querermos ser apenas mais um numa longa linha do tempo repleta de futilidade.
Queremos ser a excepção. Queremos ser o destaque. Queremos a popularidade, a fama. Queremos ser diferentes. Mas também não queremos ficar para trás. Queremos visitar, fazer, e ter tudo aquilo que é cool, tudo aquilo que é moda, tudo aquilo que é partilhável. Tudo aquilo que os outros partilham virtualmente.
Queremos viver nesse Universo, onde todas as pessoas estão a sorrir nas fotos, onde todas as refeições parecem pratos gourmet, onde a vida de todos é alegre, sem discussões, sem dificuldades, e onde todos os seus sonhos lhes são oferecidos de bandeja. Queremos viver nesse mundo de ilusões e de máscaras. Construímos a nossa própria máscara para nos sentirmos integrados, para fazermos parte do grupo. Para que “gostem” de nós.
Contudo, nós não somos essa máscara. Nós somos o Scott. Temos momentos altos, e baixos. Dias alegres, e tristes. Somos felizes, discutimos. Sofremos de depressão, e euforia. Temos amigos, estamos sós. Somos únicos, temos defeitos. Somos iguais a nós próprios, e não às máscaras que nos tentam impingir.
Desliguem. Encerrem a sessão. Desliguem. Bloqueiem a vossa conta. Desliguem. Sejam livres. Desliguem. Sejam únicos. Desliguem. Não há foto mais bela, que aquela tirada sem intenção. Não há momento mais belo, que aquele que não precisamos de partilhar. Não há pessoa mais bela, que aquela que não tem medo de ser igual a si mesma.
Não há máscara mais bela, que aquela que não precisamos usar.
Tuesday, June 24, 2014
True Faith
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| True Faith, Foto: Adriano Cerqueira |
I used to think that the day would never come,
I'd see delight in the shade of the morning sun.
My morning sun is the drug that brings me near,
To the childhood I lost, replaced by fear.
True Faith, New Order
Cada objecto conta uma estória. Do fabrico, à aquisição, do seu passado, e das pessoas que o tornaram possível, ao seu presente, e àqueles que perpetuam as suas qualidades. Hoje trago-vos a história de algo que transita do plano do etéreo e do abstracto, para a realidade física apenas através de suportes analógicos ou digitais. Estou a falar de música. Estou a falar de New Order. Estou a falar da True Faith.
Produzida por Stephen Hague em 1987, True Faith é um dos singles mais populares dos New Order. Reeditada em 1994 e 2001, esta música chegou a estar em quarto lugar nos Tops do Reino Unido no seu ano de lançamento. Popularizada em filmes como American Psycho, ou Bright Lights, Big City, esta faixa foi ainda alvo de covers por bandas como The Wombats ou Anberlin.
Esta foi das primeiras músicas dos New Order com as quais tive contacto. Embora ela nunca tenha sido editada num dos álbuns regulares de New Order, apareceu em algumas compilações como o Substance, The Best of, International, Singles e Total.
Com uma letra tão abstracta como o seu vídeo, é difícil encontrar um sentido real para os versos que a compõem. Como era hábito na altura, o título não surge em qualquer momento da música, e parece de certa forma, desligado do conteúdo e da mensagem que esta transmite.
A interpretação mais comum da letra, retrata a história de um toxicodependente, viciado em heroína, arrependido pela infância que perdeu, e pelas pessoas que a sua dependência afastou. Pessoalmente, prefiro vê-la como um grito à esperança de um futuro livre. Limpo das amarras de um passado repleto de arrependimentos.
Fascinado pela música, pelos seus ritmos positivos, pela ambiguidade da letra, e pela aleatória originalidade por detrás da arte que compõe as suas diversas encarnações, ainda antes de adquirir qualquer álbum dos New Order, procurei efusivamente por este single.
Foi apenas em Setembro de 2004 que desisti de procurar no mercado nacional. Em menos de cinco minutos encontrei o single que há tanto procurava na loja britânica da Amazon. Nunca tinha feito uma compra online, e tinha algum receio que algo pudesse correr mal. Contudo, tal não aconteceu e tive apenas que esperar algumas semanas para o ter. Ao longo dos anos, coleccionei várias versões desta música, quer em Single 7”, Maxi Single 12” e mesmo uma colectânea de remixes, da qual confesso não ser grande fã.
À excepção do single em CD, todas os restantes elementos da minha curta colecção foram comprados em segunda mão. Pela qualidade dos mesmos, quer da capa, quer do próprio disco, presumo que estes pertenciam a pessoas que tinham cuidado com os seus vinis. Se o faziam por gosto, por lhes darem pouco uso, ou por serem donos de lojas com stock para liquidar, não o sei dizer ao certo. Contudo, por vezes encontro-me a pensar sobre as histórias que estes discos escondem. Por quantas mãos passaram. Quem os ouviu e em que situações. Terão assistido ao nascimento de romances? A festas de arromba? Será que foram partilhados entre amigos, ansiosos por descobrir uma música nova? Quantos se sentiram desiludidos? Quantos se apaixonaram?
A True Faith é uma peça estruturante da minha colecção de música, quer em vinil, quer em CD. A sua arte de capa é icónica, e uma das minhas preferidas. Durante anos usei-a como avatar do MSN Messenger, assim como em outras redes sociais. A música em si é parte de mim. Da mesma forma que as diversas versões que hoje possuo são parte integrante da minha memorabilia de New Order.
Cada objecto conta a sua estória. As que viveu e aquelas que o futuro ainda lhe reserva. Esta não é a história de um CD, de um vinil, ou de um mp3. Esta não é a história de uma música, de uma banda, ou de um fã. Esta é a história da True Faith. Esta é a minha história.
Sunday, February 17, 2013
Moon Prism Power, Make-up!
Ao contrário da maioria dos desenhos-animados mais populares da minha infância, como Dragon Ball, Pokémon, Widget, The World Watcher ou Denver, The Last Dinosaur, Sailor Moon sempre ocupou um papel secundário. Talvez por ser um anime mais direccionado para o público feminino, contudo, sempre que possível não perdia um único episódio. Como todos os rapazes do meu tempo, dizia que via Sailor Moon por causa das transformações onde as navegantes (a partir deste ponto vou referir-me a elas por Sailor Senshi) apareciam completamente despidas.
Por causa da sua posição secundária na minha programação de TV, nunca segui de forma aprofundada a sua história, nem tão pouco, prestei muita atenção às diferenças entre as temporadas. Era, na altura, mais um anime a seguir o formato dos Power Rangers, em que um monstro atacava uma cidade, elas transformavam-se para o derrotar e tudo acabava bem.
Os anos foram-se passando, volta e meia apanhava um episódio no Canal Panda e perdia uma boa meia-hora a levar com a dobragem irritante da versão portuguesa. Inúmeros erros e falas sem sentido perdidas na tradução faziam-me desistir ao fim de um ou dois episódios. Decidi então pesquisar mais sobre esta série. Encontrei diversos blogues dedicados a este anime, e algumas wikis. Em quase todos, os seus autores queixavam-se da censura inquisitória imposta pela versão norte-americana de Sailor Moon. Estes retractavam uma visão muito mais negra e emocionalmente bem-desenvolvida presente na versão original que simplesmente tinha sido removida ou obscurecida da versão traduzida. Ao longo do tempo intriguei-me sobre como seria a versão original em japonês. Seria assim tão bem construída? Teria Sailor Moon sofrido de uma opressão ao estilo do Estado Novo tão grande que a sua mensagem tinha sido distorcida ao ponto de perder tudo aquilo que fazia deste anime uma obra que merecia a adoração de milhões de fãs a nível mundial? A única forma de responder a esta questão seria ver a versão original.
Os 200 episódios que compunham as cinco temporadas de Sailor Moon foram, para mim, o principal obstáculo para sentar-me em frente da televisão e rever esta série. Mas um dia, há cerca de dois meses, decidi, finalmente, arranjar os episódios, incluindo a temporada que nunca foi transmitida nos E.U.A., e comecei a vê-los sempre que tinha algum tempo livre. Ontem acabei de ver o último episódio e posso afirmar que as minhas suspeitas se confirmaram. Sailor Moon sofreu tanto com a censura e erros de tradução que o Mundo perdeu uma das melhores histórias de amor e, até mesmo, um dos melhores animes dos últimos vinte anos.
Serenity e Endymion: Um amor que atravessa os milénios
A primeira temporada apresenta-nos duas faces. Dividida em três momentos, repartidos por 46 episódios, a temporada inaugural começa por apresentar Usagi Tsukino, a protagonista da série. Uma jovem de 14 anos, que odeia estudar, passa a vida a comer doces e a chegar atrasada às aulas. Além de ser desastrada e de estar constantemente a chorar. Um dia uma gata, chamada Luna, aparece e transforma-a em Sailor Moon. Sim, um dos principais erros da versão portuguesa da série é tratar a Luna como um gato, em vez de uma gata, mas isto até é o menos. De seguida são apresentadas as restantes Sailor Senshi, numa primeira fase apenas a Sailor Mercury e a Sailor Mars, com uma misteriosa Sailor V a surgir constantemente no background da história. Após o primeiro inimigo ser derrotado, é apresentada a Sailor Jupiter e a Sailor V aparece para revelar a sua verdadeira identidade como Sailor Venus, trazendo consigo o gato (sim, gato e não gata como na versão portuguesa), Artemis. Pelo meio presenciamos um dos inimigos ter uma mudança de coração e apaixonar-se por uma amiga de Usagi, passando para o lado do bem, apenas para ser morto pelos seus antigos colegas. Sim, morto. Ao contrário da imagem que a versão traduzida tentava passar, há um lado realista e obscuro de Sailor Moon na versão original que nos foi negado pela censura.
Uma das situações que achei mais bem-feita durante a primeira temporada é a relação entre Usagi e Mamoru Chiba (a identidade do Mascarado, ou Tuxedo Kamen na versão original). Uma relação de amor/ódio entre as suas personas reais e um profundo apreço e paixão entre os seus alter-egos. Durante a maior parte da primeira temporada a própria lealdade do Tuxedo Kamen é posta em causa, com a Luna a questionar constantemente se ele não seria apenas mais um inimigo.
A primeira temporada também nos apresenta uma justificação para tudo aquilo que se estava a passar. Desde o surgimento dos inimigos, até ao facto de serem estas pessoas a terem o fardo de carregar com estes poderes. Tudo isto se deveu a uma guerra milenar entre o Reino da Lua e o Dark Kingdom que resultou no sacrifício da Rainha Serenity, mãe de Sailor Moon, para pôr fim ao conflito e dar uma nova vida no futuro à sua filha, Sailor Moon, e aos restantes intervenientes, nomeadamente as Sailor Senshi, e o Príncipe do Reino Dourado da Terra, Endymion (incarnação de Mamoru Chiba).
Lost in Translation
Um dos grandes problemas que a série sofreu através da censura foi a ambiguidade sexual de alguns personagens e a própria orientação sexual dos mesmos. Desde raparigas transformadas em rapazes, e vice-versa, para evitar que as crianças ocidentais tivessem que lidar com relações entre lésbicas e homossexuais, a erros de tradução que confundiram profundamente os fãs que ao serem apresentados com as transformações e com certas afirmações por parte de outros personagens, simplesmente ficavam com o cérebro a andar às voltas quanto à natureza de determinados personagens.
O primeiro contacto com este nível de censura acontece no final da primeira temporada. A relação homossexual entre dois inimigos é ocultada ao simplesmente cortarem as cenas em que estes falavam mais intimamente. Numa cena, um desses inimigos sacrifica-se para estar junto do seu parceiro já morto, jurando o seu eterno amor pelo camarada caído. Contudo, tal deve ter surpreendido os espectadores ocidentais visto terem-lhes sido negados os principais momentos da relação entre estes dois.
Neste aspecto, Sailor Moon, apesar de ter estreado em 1992, mantém-se bastante actual. São retratadas todo o tipo de relações. Somos presenteados com personagens heterossexuais, homossexuais, bissexuais e transsexuais. E todos eles são aceites pela sociedade onde vivem. Contudo, a censura dos anos 90 achou que o mundo ocidental não estava preparado para lidar com isto e optou por ocultar a verdadeira natureza de alguns personagens. Natureza essa que deu uma muito maior profundidade à série e que infelizmente, mais uma vez, ficou perdida na tradução.
A morte das Sailor Senshi
No final desta primeira temporada, o Príncipe Endymion é manipulado de forma a passar-se para o lado do mal, mas mesmo assim continua a proteger a Sailor Moon e as restantes Sailor Senshi. Esta nunca deixa de acreditar nele e luta até ao fim para o fazer reverter à sua identidade original.
Mesmo no final, que para mim está ao nível dos melhores momentos de Dragon Ball ou Naruto, quer no nível de acção, quer na profundidade emocional e moral apresentada, somos vítimas da censura. Na versão original, Usagi tem que lidar com a morte das suas amigas, uma por uma, todas as Sailor Senshi morrem para a proteger e para fazer com que ela chegue à base dos inimigos para os derrotar e repor a paz. Sozinha, magoada e psicologicamente abatida, Usagi consegue na mesma chegar à fortaleza do Dark Kingdom e enfrentar a Rainha Beryl. Pelo meio, o Príncipe Endymion tenta impedi-la, mas através do seu amor e de uma caixinha de música em formato de estrela que ela lhe tinha oferecido noutra vida, Usagi consegue reavivar a memória de Mamoru. Este vira-se contra a rainha e ele próprio acaba morto.
No momento mais baixo de sempre para este personagem, Sailor Moon reúne todas as suas energias e com a ajuda das almas das suas amigas, consegue, por fim, derrotar a Rainha Beryl e trazer a paz para a Terra. No processo, Usagi Tsukino pede um desejo para que todos possam viver uma vida normal como se nada disto tivesse acontecido. Aqui, sinto que os fãs são de certa forma traídos, visto que toda a história regressa ao início como se nada se tivesse passado. As Sailor Senshi e Mamoru Chiba estão novamente vivos e apenas a Luna e o Artemis mantêm as memórias das verdadeiras identidades destes personagens.
Imagino que isto tenha acontecido para assegurar qualquer eventualidade da série ser ou não renovada para uma segunda temporada. O que acabou por acontecer pelo menos mais quatro vezes.
Neo Queen Serenity e o Século XXX
Uma das coisas que mais gostei no início da segunda temporada foi como lidaram com a recuperação da memória da Sailor Moon. Usagi, depois de derrotar o novo inimigo, desespera e lamenta o facto de não poder continuar a ser uma rapariga normal. Evitando, durante o máximo de tempo possível recorrer às restantes Sailor Senshi para que pelo menos estas pudessem ter a vida que lhe foi negada. Infelizmente, nenhuma delas teve essa sorte, acabando todas por aceitar o seu destino e abraçarem o fardo de defender a Terra.
Na segunda temporada somos apresentados com o início da relação entre Usagi Tsukino e Mamoru Chiba. Início e repentina separação, após o aparecimento de Chibiusa, uma rapariga do futuro que mais tarde se descobre ser a filha de Usagi e Mamoru no futuro. Futuro esse que estranhamente apenas se passa no século XXX. Pelos vistos estas personagens vão conseguir viver durante mais de mil anos mantendo a sua juventude. Chibiusa regressa ao passado para recuperar o Silver Crystal para salvar a sua mãe, Neo Queen Serenity, e a futura cidade de Crystal Tokyo dos inimigos, Black Moon. Estes acompanham-na até ao passado com o mesmo objectivo. No fim, com muito sacrifício e com Chibiusa a ser manipulada para o lado do mal, o bem acaba por prevalecer e quer a Tokyo do presente, quer a Crystal Tokyo do futuro são salvas.
Usagi e Mamoru reatam a sua relação e Chibiusa regressa ao futuro. Nesta temporada a primeira Outer Senshi é apresentada, Sailor Pluto (hoje em dia provavelmente teriam muita dificuldade em explicar porque é que Plutão, que já não é considerado um planeta, teve direito a uma Sailor Senshi, enquanto Ceres e outros planetas-anões foram ignorados, enfim, sinais dos tempos). Sailor Pluto é a responsável por guardar as portas do espaço e do tempo e, juntamente com os restantes navegantes dos planetas do Sistema Solar exterior, compõe as Outer Senshi, responsáveis por proteger a Terra contra ameaças extraterrestres.
Monty Python, I mean, Sailor Moon and the Senshi of the Holy Grail
Na terceira temporada, as Sailor Senshi vão em busca do Santo Graal. Sim, até Sailor Moon cai neste cliché. As Sailor Uranus e Sailor Neptune são apresentadas. Inicialmente como inimigas, no fim, como aliados. As duas apresentam a primeira profunda relação lésbica da série que é mais uma vez posta de lado na tradução, visto que a Sailor Uranus é transformada em rapaz na versão ocidental. Algo muito mal feito, visto que quando “ele” se transforma apresenta corpo de mulher e veste-se com o uniforme colegial típico das Sailor Senshi.
Do sacrifício pessoal das Sailors Uranus e Neptune, dispostas a dar a sua vida para completar a sua missão, à exclusão da Sailor Saturn por esta representar o planeta do desespero e da destruição, esta temporada é de longe a melhor e aquela mais repleta de acção. Os últimos episódios são impossíveis de largar com toda a acção envolta na descoberta do Messias e da ameaça do Pharaoh 90, força maligna e destrutiva que tenta conquistar a Terra. Apenas o sacrifício da Sailor Saturn, que assume o lado do bem depois da Sailor Moon a convencer de que o seu coração estava a ser controlado por uma força maligna, consegue impedir que o nosso mundo seja destruído.
Sailor Moon salva a Sailor Saturn, mas esta reverte para a sua infância e transforma-se numa bebé, visto que toda a sua energia vital foi usada para destruir o Pharaoh 90. Sailor Uranus e Sailor Neptune juram proteger a nova vida da Sailor Saturn e abandonam as restantes Sailor Senshi com o sentido de dever cumprido.
Pegasus e o Dead Circus
Já a quarta temporada apresenta-nos novos inimigos e um novo aliado. Pegasus. O cavalo alado surge para dar novos poderes às Sailor Senshi, escondendo-se dentro do coração de Chibiusa. Pegasus era na verdade Helios, um sacerdote do antigo Reino Dourado da Terra responsável por proteger o Golden Crystal dos novos inimigos, Dead Circus, liderados pela rainha Nehellenia, antiga rival da Rainha Serenity, que invejava a felicidade do Reino da Lua.
Esta temporada serviu de certa forma como uma temporada de transição, onde as Sailor Senshi ganharam novos poderes e a relação entre Usagi, Mamoru e Chibiusa foi-se solidificando. Sendo, provavelmente, a temporada com mais fillers, não deixou muitas saudades, mas vale pela acção dos últimos episódios, por alguns momentos chave ao longo do seu story arc e pelos momentos de descontracção de que esta série, ao fim de quatro anos, bem precisava. Para aqueles que quiserem ver esta temporada com maior pormenor, basta ligarem o Canal Panda a partir da meia-noite.
Sailor Galaxia, Three Lights e a batalha final
A quinta e última temporada é a malfadada temporada que nunca foi transmitida nos E.U.A. É de longe uma das melhores temporadas desta série, pecando apenas pelos cerca de 15 episódios de fillers que ocupam quase metade dos 34 episódios que compõem o quinto e último capítulo deste anime.
O início é simplesmente fantástico. Pegando no final da quarta temporada, Nehellenia regressa e desperta a Sailor Saturn. As nove Sailor Senshi, mais a Sailor Chibi Moon (transformação de Chibiusa), unem forças para a derrotar após esta capturar Mamoru Chiba e ameaçar matá-lo se a Sailor Moon não se render. Pelo caminho, as Sailor Senshi sofrem mas conseguem vencer. A própria Sailor Moon descobre um novo poder e uma nova transformação, surgindo assim a Eternal Sailor Moon.
Derrotada Nehellenia, um novo inimigo surge, Sailor Galaxia. Uma antiga Sailor Senshi controlada por uma força maligna chamada Chaos que ambiciona coleccionar todas as Star Seeds da Via Láctea. Três novos aliados surgem, as Sailor Starlights, que estranhamente são rapazes antes de se transformarem. Vivendo sob a identidade de Three Lights, uma banda pop, e com o objectivo de encontrarem a sua princesa que fugiu para a Terra. As Starlights rapidamente fazem amizade com Usagi Tsukino, sendo que uma delas chega mesmo a apaixonar-se por ela. Seiya, identidade da Sailor Star Fighter, apaixona-se por Usagi que nesta temporada tem que lidar com a ida de Mamoru para os E.U.A., que nunca chega a ir, desaparecendo sem deixar rasto.
A relação entre Seiya e Usagi intensifica-se, sem nunca vermos o amor de Seiya ser correspondido. Embora a maioria dos fillers me terem custado bastante a ver, ontem à noite cometi o erro de ver o primeiro episódio do último acto. Sailor Moon tem destas coisas, por mais irritantes ou desinteressantes que os fillers possam parecer, chega a um ponto, quando a história começa a andar para a frente em que não conseguimos mais deixar de ver. Apenas me deitei já passava das três da manhã, quando finalmente acabei de ver o último episódio.
Neste arco final da série, Usagi descobre que Mamoru Chiba não a tinha abandonado, mas que na verdade tinha sido morto logo no início pela Sailor Galaxia para que esta pudesse roubar a sua Star Seed. Todas as Sailor Senshi, à excepção das Sailor Starlights, sacrificam-se e no final e apenas a perseverança e a vontade de Sailor Moon em acreditar que existe bem dentro do coração de todas as pessoas, conseguiu libertar a Sailor Galaxia do controlo de Chaos. Acabando assim por limpar todo o mal causado por este inimigo.
As Sailor Senshi e Mamoru Chiba regressam à vida, repostas as suas Star Seeds e Usagi volta a reunir-se com os seus amigos. A princesa das Sailor Starlights também regressa e estas decidem voltar ao seu planeta. No fim, somos presenteados com um momento romântico entre Usagi e Mamoru, sob o luar prateado da Lua Cheia a cobrir quase na totalidade o céu de Tokyo. Um final feliz, sem loose ends e com todas as histórias concluídas, deixando a possibilidade de uma continuação num futuro próximo.
Adeus Sailor Moon, até ao teu regresso!
Continuação essa que foi confirmada no ano passado. Este verão, vamos ser presenteados com uma nova temporada de Sailor Moon. Existem vários rumores sobre se esta nova temporada vai ser uma continuação da quinta, – o que em princípio tornaria difícil comercializá-la no ocidente, visto que a quinta temporada nunca foi transmitida em vários países – ou se vai ser um novo recomeço para a série, como fizeram com o Dragon Ball Kai. Existe ainda a possibilidade da nova série ser completamente diferente de Sailor Moon, pegando em novos personagens. É esperar para ver.
Podem estar a pensar sobre o porquê da quinta temporada de Sailor Moon nunca ter sido transmitida nos E.U.A. Não existe nenhuma versão oficial que justifique o sucedido. Apenas o rumor de que a autora da série, Naoko Takeushi, simplesmente “passou-se” com a censura e decidiu proibir que a série continuasse a ser transmitida internacionalmente. Já o facto de o sexo das Sailor Starlights ter sido alterado da Manga para o Anime, enfureceu-a ao ponto de praticamente desistir da série. Se bem que, a meu ver, esta alteração foi benéfica pois permitiu fortalecer a relação entre Usagi e Seiya.
Embora Sailor Moon tenha um número excessivo de fillers, os finais e os momentos chave de cada uma das temporadas fazem deste anime um dos melhores que alguma vez vi. Uma profunda história de amor, repleta de acção e de sacrifício pessoal com uma boa dose de comédia e entretenimento pelo meio. Aconselho a todos aqueles que gostam do género Magical Girl ou que acompanharam minimamente a série durante a sua infância, a reverem-na na sua versão original e a voltarem-se a apaixonar pelo mundo fantástico de Sailor Moon.
Deixo-vos com a cena final da quinta temporada de Sailor Moon:
Wednesday, July 14, 2010
Everything's Gone Green
Confusion sprung up from devotion, a halo that covers my eyes, it sprung from this first estrangement, no one have I ever despised.
Everything’s Gone Green, New Order
Até ao início deste ano não acreditava que alguma vez pudesse vir a ser vegetariano, contudo a vida é cheia de surpresas e aquilo que tomamos como certo nem sempre acaba por se confirmar. Um cliché, eu sei, mas por mais que procure, estas são as únicas palavras que encontro capazes de explicar o que me aconteceu.
Gosto de acreditar que sou alguém consciencializado para com os problemas sociais, económicos e ambientais que Portugal e o resto do mundo atravessam. Pelo menos, creio estar bem informado sobre as causas das alterações climáticas e sobre os benefícios que o corte de uma alimentação baseada em produtos animais pode trazer não só para a saúde, como para o próprio planeta e para a Humanidade em geral. Contudo, mesmo tais argumentos por vezes não são suficientes para fazer alguém mudar os seus hábitos. Por mais racional que uma pessoa seja, somos controlados pelos desejos que governam o nosso subconsciente.
Foi necessário queimar-me para aprender que não devo brincar com o fogo. No início deste ano estive doente, tal forçou-me a mudar os meus hábitos de alimentação de uma forma quase radical. Além de deixar o leite e seus derivados, tive que cortar nas carnes vermelhas, fritos, bebidas gaseificadas, álcool, ovos, feijões, azeitonas, etc. Além destas restrições tive que me resignar a um autêntico cocktail de comprimidos que apenas deixei de tomar há algumas semanas. Aliado a isto subjuguei-me perante alguns conselhos de boa alimentação: beber muita água, comer sopa a todas as refeições, preferencialmente daquelas com pouca batata ou arroz, e comer pelo menos um kiwi ou uma laranja por dia. Como não gosto de laranjas, experimentei tangerinas durante uns tempos, mas cedo enjoei A solução encontrada foi então o exótico kiwi que apesar da sua acidez, é mais tolerável do que qualquer laranja.
De lá para cá tenho adequado a minha alimentação de forma aos poucos transitar para uma existência vegan, ou pelo menos próxima. Embora ainda não tenha deixado as carnes brancas, incluí algumas refeições vegetarianas no meu menu semanal e sempre que tal não é possível procuro trocar a carne pelo peixe. Ainda me sinto longe de completamente adoptar esse estilo de vida, mas como qualquer viagem começa com um pequeno passo, acredito estar num bom caminho para uma alimentação mais saudável, e para uma considerável melhoria da minha qualidade de vida.
Ao contrário do que pensava, não tenho saudades dos alimentos que deixei, já não os desejo, fazem agora apenas parte do passado. Sinto-me melhor do que alguma vez estive, sinto-me com mais energia, mais leve, mais livre. Sinto uma melhoria no meu rendimento físico e profissional. Sinto o meu mundo a ganhar um tom esverdeado, e um crescente sentimento de calma e claridade. Talvez um mero resquício das drogas que durante meses me controlaram, ou talvez seja esta a sensação de uma existência saudável.
O meu testemunho é igual ao de tantos outros e embora não deseje a ninguém as terríveis semanas de dor e agonia pelas quais passei, nem tão pouco, os meses de dormência narcótica que se seguiram, talvez não fizesse mal ao mundo passar por isto pelo menos uma vez na vida.
Quando o Universo nos dá um aviso o melhor que temos a fazer é ouvi-lo.
Sunday, May 30, 2010
Pão-de-Ló Flôr de Liz
Sinopse: Um olhar sobre o processo de produção do Pão-de-Ló de Ovar.
Edição: Adriano Cerqueira
Som & Imagem: Adriano Cerqueira
Música: Luis Pereira
Tuesday, May 18, 2010
Keep Walking in Silence
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| Ian Curtis, Foto DR |
Foi há 30 anos que o mundo da música viu partir uma das suas mais talentosas e inspiradoras influências do século XX. Líder do movimento post punk do final da década de 70, Ian Curtis marcou o universo da "Madchester", impulsionada por Tony Wilson e pela editora Factory Records.
Contemporâneo de nomes como The Buzzcocks, Sex Pistols e Happy Mondays, sem esquecer o lendário Martin Hannett, Ian Curtis ao lado de Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris, imortalizou a lírica melancólica da sua música sob o mito criado em volta da banda Joy Division.
A 18 de Maio de 1980, por motivos que ainda hoje não são claros, Ian Curtis pôs fim à sua vida dias antes dos Joy Division partirem para uma digressão nos E.U.A., que serviria de rampa de lançamento para a ribalta mundial. Após a morte do vocalista, os três membros sobreviventes mudaram o nome da banda para New Order e, durante duas décadas, prosseguiram a sua carreira, com a memória de Ian sempre presente.
Ian deixou a ex-mulher e a filha, Natalie, que na altura tinha apenas um ano de idade. É inegável a influência de Ian Curtis e dos Joy Division na música actual, em bandas que vão desde os U2, a Interpol ou The National. Para sempre irá prevalecer a dúvida sobre o legado que Ian deixou por partilhar. O eterno "e se?" de um génio assolado por epilepsia, que um dia apenas disse: basta.
A tua música permanece como uma eterna inspiração na vida de todos os teus fãs.
Continua a caminhar em silêncio Ian.
Friday, February 26, 2010
Your World, Your Imagination: Simulação
Your World, Your Imagination é uma narrativa interactiva que combina imagens reais com machinima de forma a retratar, sob duas perspectivas diferentes, a dicotomia entre um dia normal de trabalho e os desejos ocultos na mente do indivíduo.
Edição: Adriano Cerqueira e Eliana Ribeiro
Imagem: João Guimarães e Eliana Ribeiro
Música: João Guimarães (Your World), It's My Life, Bon Jovi (Your Imagination)
Software de captura: ScreenVidShot
Tuesday, February 16, 2010
Symmetry: The Experience
Sinopse: Vídeo da Instalação Symmetry exibida a 6 de Fevereiro na FEUP.
Edição: Adriano Cerqueira
Imagem: Diana Marques
Música: Luis Pereira
Ver Também: Symmetry, em reportagem
Monday, February 01, 2010
Negative Symmetry
Sinopse: "É este o futuro que imaginava?" Vídeo exibido na instalação interactiva Symmetry, desenvolvida no âmbito do Mestrado em Multimédia da FEUP.
Edição: Adriano Cerqueira
Som & Imagem: Adriano Cerqueira, Diana Marques e Leandro Gomes
Música: Luis Pereira
Positive Symmetry
Sinopse: "Que futuro imaginas?" Vídeo exibido na instalação interactiva Symmetry, desenvolvida no âmbito do Mestrado em Multimédia da FEUP.
Edição: Adriano Cerqueira
Som & Imagem: Adriano Cerqueira, Diana Marques e Leandro Gomes
Música: First Breath After Coma, Explosions in the Sky
Wednesday, November 11, 2009
Over the Eyes de Maile Colbert
Over the Eyes
Autor: Maile Colbert
Exibição: Maus Hábitos, futureplaces 2009
Edição: Adriano Cerqueira
Imagem: Eliana Ribeiro
Interestrelar de André Sier
Interestrelar
Autor: André Sier
Exibição: Maus Hábitos, futureplaces 2009
Edição: Adriano Cerqueira
Imagem: Eliana Ribeiro
Sunday, October 18, 2009
A Nova Ordem de um Mau Tenente
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| Bad Lieutenant |
Os primeiros meses de 2007 ditaram mais uma separação por tempo indefinido dos New Order. Os já habituais desentendimentos entre Peter Hook e Bernard Sumner levaram Hooky a deixar a banda para embarcar num novo projecto, um super grupo composto apenas por baixistas. Bernard Sumner, Stephen Morris e Phil Cunningham queriam continuar como New Order, mas a oposição de Peter Hook, e o mal-estar que tal iria criar junto dos fãs, levaram os restantes membros a criar um projecto paralelo, e a convidar outros artistas para os acompanhar. Nasce assim Bad Lieutenant.
Era 13 de Outubro de 2009 e o sol brilhou no lançamento de Never Cry Another Tear, álbum de estreia da nova banda. Segundo Sumner, o nome da banda surgiu durante uma visita a casa de Johnny Marr (guitarrista dos The Smith que colaborou com Sumner nos Electronic): “Entrei e ele estava a ver uma cena do filme Bad Lieutenant onde o Harvey Kietel estava a disparar contra um rádio”. “Eu disse, ‘Que merda é este filme?’ Era tão nojento e ao mesmo tempo excelente”, conta Sumner.
Never Cry Another Tear é um álbum mais emocional do que aquilo que os New Order nos habituaram ao longo de quase 30 anos de carreira. Bad Lieutenant assenta assim num nicho diferente, revela uma identidade própria e uma personalidade única, diferenciada de New Order e a anos-luz do obscurantismo de Joy Division. Bernard Sumner e Stephen Morris continuam lá, a voz é a mesma, a bateria é a mesma, a guitarra é a mesma, mas a música e a sonoridade pertencem a algo novo.
Para aqueles que esperavam mais do mesmo, Never Cry Another Tear veio provar o contrário. Mensagens positivas e acordes suaves caracterizam as 12 faixas de um disco que marca o nascimento de uma nova banda.
Sink or Swim, o primeiro, e até agora único single do novo álbum, justifica a sua escolha como ponto de partida para o universo de Bad Lieutenant. Embora peque pela falta do baixo de Peter Hook, a faixa número um não difere muito da sonoridade presente nas restantes músicas, destacando-se como um óptimo ponto de partida para aqueles ainda indecisos entre dar uma oportunidade a Never Cry Another Tear.
O álbum de estreia de Bad Lieutenant conta ainda com as participações de Jake Evans (voz e guitarra), Matt Evans (backup e bateria), Jack Mitchell (baterista dos Heaven), Tom Chapman (baixo), Carl Jackson (bateria) e o nome mais sonante a seguir aos ex-New Order, Alex James (baixista dos Blur).
Bad Lieutenant têm já marcados para Novembro, concertos em Nova Iorque que abrem as portas à tour de promoção de Never Cry Another Tear, nos EUA.
Bernard Sumner, Stephen Morris e Phil Cunningham iniciam assim um novo projecto com bases sólidas. Uma nova ordem para três maus tenentes.
Bad Lieutenant (Sítio Oficial): http://badlieutenant.net/
Bad Lieutenant (MySpace): http://www.myspace.com/badlieutenantmusic
Bad Lieutenant (Twitter): http://twitter.com/badltmusic
Thursday, September 24, 2009
Where do you find love? Sometimes all you need is a sign
Signs de Patrick Hughes, Vencedor do Festival de Cannes 2009
Labels:
Amor,
Cinema,
Curta-Metragem,
Signs,
Vídeo
Friday, August 07, 2009
Good Night, Sleep Tight, Young Lovers
| Eureka Seven: Pocketful of Rainbows |
O cenário é de novo a Terra num futuro pós-apocalíptico, onde os humanos sobreviventes procuram eliminar de uma vez por todas os Image, espécie alienígena responsável pela remodelação da superfície do nosso planeta. A história tem início com a separação de Renton e Eureka, quando esta é raptada pelo exército quando apenas tinha oito anos. Renton, também ele uma criança, nada consegue fazer para o impedir. Anos mais tarde o nosso herói junta-se a um grupo rebelde para tentar salvar Eureka.
Os rebeldes liderados por Holland Novak e Talho Yuuki, fazem parte de um grupo de crianças sobreviventes de uma má experiência científica que os fez envelhecer mais depressa que o normal. Aqui o argumento segue a mitologia do conto infantil Peter Pan, com o grupo de rebeldes a lutar contra o exército para encontrarem um caminho para a Neverland.
A principal arma dos rebeldes é a sua nave, o Gekko-Go, que comporta dentro de si um conjunto de mechas, entra os quais Nirvash, pilotado por Renton, que aqui assume a forma de uma fada.
Aproveitando um súbito ataque dos Image, Renton consegue recuperar Eureka. Após os longos anos de separação, o jovem casal vê-se envolvido numa guerra tripartida onde ocupam a posição central como as crianças proféticas que vão guiar os rebeldes à Neverland. Renton e Eureka recusam-se a assumir o papel de Peter e Wendy e tentam procurar uma forma de viverem em paz e desfrutarem do amor que sentem um pelo outro.
Pocketful of Rainbows traz uma nova perspectiva sobre a relação entre Renton e Eureka e um novo olhar sobre os sonhos e vontades dos restantes personagens. Contudo, o filme peca por um excesso de flashbacks e por um argumento confuso que deixa de fora detalhes apenas acessíveis a fãs da série animada. Embora a nova abordagem sobre o casal protagonista possa aliciar os assíduos acompanhantes de Eureka Seven, a nova história e mitologia recaem sobre um realismo excessivo que força, por vezes, algumas personagens a agir de forma distinta da imagem que apresentaram na série original.
Embora esteja longe da perfeição cinematográfica, o filme vale pelo regresso das aventuras de Renton e Eureka. Eureka Seven: Pocketful of Rainbows, um filme que qualquer fã da série animada não pode deixar de ver.
Tuesday, June 16, 2009
Monday, May 18, 2009
100th: Love Tore Him Apart
Ian Curtis (15th July 1956 - 18th May 1980)
Good-bye Ian! You'll forever keep on walking in silence in the hearts of your fans.
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