Saturday, January 17, 2009

3 Anos Sem Sentido

Faz hoje três anos desde a criação deste pequeno canto da blogosfera. Ao fim de todo este tempo ficou ainda por explicar o verdadeiro sentido do seu título, mas também não será hoje que esse segredo milenar será revelado.

Tal como os Coelhos Amarelos, cuja revolução ainda está para breve, por mais esquecida que esteja no pensamento dos comuns mortais que ignoram a existência da real maior conspiração que este planeta alguma vez viu, o não sentido da razão deste blogue manter-se-á fechado no seu cofre por tempo indeterminado.

O No Sense of Reason é feito de momentos, de inspiração, de introspecção, de raiva, de felicidade, de eloquência ou de mera idiotice, mas enfim, momentos. De todos eles apenas lamento a falta de mais palavras, de mais comentários, de mais dissertações, às quais inicialmente me apeguei, mas que nos últimos anos, por circunstâncias que me ultrapassam, vi-me forçado a deixar.

Prometo apenas tentar regressar às velhas tradições e procurar a musa literária que há já dois anos se mantém escondida da minha inspiração. Nada posso agourar para o futuro deste espaço, como também não o posso fazer quanto ao meu próprio futuro. Apenas mantenho a esperança que temas como amor e felicidade, principalmente o primeiro, surjam com maior frequência, e sem o seu uso habitual como antónimos do verdadeiro sentimento que assola a minha existência.

Foram muitos anos, que ainda assim passaram depressa. Rápido demais, mas à velocidade que lhes era suposto fazer esta demanda. Agora não é altura para balanço, nem para recordações. Bom... Cederei uma pequena recordação da pequena música que inspirou este pequeno universo.

Thursday, January 31, 2008

A loser in this game of love

Uma Cadeira Vazia, Foto: Adriano Cerqueira
Já passou tanto tempo. Não me lembro de datas, não tenho noção do tempo. Lembro-me das faces. Lembro-me dos momentos. Lembro-me da dor. Mas não me lembro de mais nada.

Não me lembro da felicidade. Não me lembro dos bons momentos. Não me lembro de sentir. Não me lembro de amar. Não me lembro, pois não há nada para relembrar.

De que vale o apelo de alguém capaz de trocar todas as suas memórias pela amnésia de algo que nunca teve? Vejo esse alguém, como a mim próprio, e não percebo o porquê dele continuar a participar num jogo em que nunca conheceu o sabor da vitória, ou qualquer outro sabor, se formos realistas.

Agora que o vejo novamente a arriscar, continuo sem perceber o que o move. Por que pensa ele que será diferente desta vez? Como consegue uma pessoa não se fartar das mesmas respostas? Das mesmas frases? Das mesmas desculpas?

Vale a pena ser continuamente trespassado e remetido para um ressentimento intenso? Ressentimento esse, que o transfere para um mundo demasiado obscuro e vil, repleto de indiferença, e dor.

O que é esse pote dourado que este sujeito tão tristemente procura, deixando-se levar pelas ondas e intrigas de um destino cruel, que irrisoriamente tenta transformar a sua vida numa cósmica anedota?

Será essa miragem tão valiosa que o faça continuamente insistir, e continuar a levantar-se por mais vezes que seja ferido, independentemente da gravidade dos seus ferimentos?

Duvido que consigas aguentar mais um golpe profundo, por mais que digas a ti próprio que és capaz. Já imaginaste o que vais perder? Não te lembras de tudo aquilo que passaste? De como te encontras agora? Queres mesmo voltar a passar por tudo isto outra vez?

E se desta vez não te conseguires levantar? Se for este o último aviso antes do fim? Por que jogas vezes sem conta com a tua própria vida? Não tens amor próprio? Julgas-te tão insensível à dor? Não chega? Não estás farto? Porquê?

Porque vale a pena. Porque ela vale a pena.

Tuesday, January 17, 2006

The Other Two

Capa do álbum Superhighways de The Other Two
Morre Dantas, morre! Pim!

Para comemorar a estreia do meu novo blogue, renascido das cinzas do velhinho Blue Dove, decidi falar daqueles que não precisam de muitas palavras para demonstrar a sua enormidade e talento. Estou claramente a falar dos New Order. Mas, como em outras situações, vou desviar-me deles para trazer às luzes da ribalta um dos seus projectos alternativos que se tem mantido na obscuridade por esse Mundo fora. Excepção feita talvez, às terras de sua Majestade.

Após a separação da banda no início dos anos 90, dois dos membros, o casal Stephen Morris e Gillian Guilbert, criaram um projecto curiosamente intitulado de The Other Two (Os Outros Dois).

A baixa popularidade deste projecto deveu-se em muito, a falhas no primeiro álbum, The Other Two and You. Embora figurem neste álbum músicas que merecem ser salientadas, como a Selfish – que dá o nome a este blogue – e a Tasty Fish, o álbum está muito aquém das verdadeiras capacidades destes dois membros dos New Order. Contudo, confesso que este continua a ser um bom álbum para todos os amantes de House.

Sim, The Other Two é na sua essência um projecto de House. Ou não fossem os New Order quem contribuiu mais para a expansão deste estilo nos anos 80. Actualmente demarcados deste movimento, e com algumas tentativas experimentais ao longo do seu percurso, os New Order sempre mantiveram aspectos desta corrente na sua música.

Não me posso afirmar como um apreciador de House, mas quando ligamos House aos New Order e a DJs relativamente decentes, vejo-me forçado a mudar completamente de opinião. Não se trata de um qualquer conflito de interesses, já que eu não afirmo não apreciar House, apenas digo que passo muito bem sem ouvir a maioria das músicas intituladas de House que andam por aí.

Pondo agora de lado o meu egocentrismo – numa tentativa desesperada de regressar ao tema original – os The Other Two lançaram em 1999 o álbum Superhighways. Este álbum afasta-se um pouco da vertente House, sendo caracterizado por algumas músicas electrónicas com um ritmo mais lento, e mais à "New Order".

Os The Other Two são mais um dos grupos paralelos aos New Order, frutos de uma paragem criativa, que tinha tudo para ter sucesso. Mas, infelizmente, neste mundo os filhos ilegítimos não têm lugar para superarem os seus progenitores.

The Other Two, tal como Monaco e Electronic, tinham tudo para serem muito maiores, mas algo falhou. Talvez suportar a sombra de New Order seja um fardo demasiado pesado para carregar. O que lhes vale é que de vez em quando lá surgem almas bravas como eu que os tentam ajudar a ganhar algum conhecimento mediático. Mas esta é uma tarefa árdua, e o homem é pequeno.

The Other Two, não só para os apreciadores de House, é definitivamente uma banda a ter em conta.