Friday, February 26, 2021

As Melhores Compras de 2020

Imagem DR

Fechados em casa e com demasiado tempo livre entre mãos não seria de estranhar que, à semelhança de 2013, tivesse já preparada uma longa lista de objectos inúteis comprados por impulso na ânsia de satisfazer alguma espécie de vazio provocado por simples aborrecimento.

Acreditem, 2020 esteve longe de ser um ano perfeito no que diz respeito ao controlo das minhas finanças pessoais. No entanto, com a excepção de um ou outro erro de cálculo, confesso que não me posso verdadeiramente queixar.

Decidi assim abordar este tema através de um ângulo mais positivo. Escolhi três objectos que, apesar de banais e pouco dispendiosos, contribuíram para melhorar o meu dia-a-dia.



1. Comando Universal LG (Amazon ES – €7,44)

Desde 2013, quando saí de casa dos meus pais, que perdi o hábito de ver televisão. Continuei a seguir as minhas séries e a acompanhar as notícias através do meu portátil e, mais tarde, do meu telemóvel. Mas nunca senti a necessidade de comprar uma televisão.

Em 2018, já depois de me ter mudado para a Amadora, herdei um televisor LG de 32 polegadas de 2009. Não é um televisor inteligente, mas a qualidade de imagem e de som é bastante razoável. No entanto, o comando que veio com esta TV não funcionava.

Não. O problema não eram as pilhas.

Nada de grave. Se precisasse de mudar de canal simplesmente recorria ao comando da box. Contudo, sempre que o tivesse de ligar ou de mudar de porta HDMI, tinha que o fazer através dos botões do próprio televisor. Uma tarefa morosa e que nem sempre corria bem.

Se já experimentaram usar os botões da vossa TV sabem do que estou a falar.

Após uns meses a procurar por comandos universais enfim encontrei um que tinha comentários bastante positivos, apesar de em lado algum dizer ser compatível com o modelo da minha TV.

Decidi arriscar, motivado por um comentário de um utilizador que se dizia agradado com o facto deste comando funcionar numa TV de 2007.

O preço era baixo e como já ia fazer uma compra naquele site – a Amazon Espanha oferece portes de envio gratuitos para compras superiores a €29 – adicionei-o ao carrinho.

Cinco dias depois recebi-o em casa. Desde então não mais tive problemas em ligar a TV, e o tempo que demorava a trocar de entrada HDMI reduziu de alguns minutos para poucos segundos.



2. Xiaomi Mi Stick TV (Worten – €29,99)

Sabem quando alguém nos alerta para uma promoção de algo sobre o qual nunca ouvimos falar e no minuto seguinte já estamos a colocar no carrinho com receio de perder a oportunidade? Tem tudo para correr bem, certo?

Desta vez, posso dizer que sim.

Normalmente ignoro as promoções realizadas pelas lojas de electrónica, especialmente quando estas acontecem durante a época natalícia. Os descontos nem sempre são tão bons como parecem e, se não estivermos atentos, somos facilmente ludibriados.

Já tinha ouvido falar na existência de dispositivos Android que transformavam televisores comuns em televisores inteligentes, mas nunca perdi tempo a pesquisar sobre isso. Mas naquele dia esta promoção em particular chamou-me a atenção.

A Xiaomi Mi Stick TV estava com um desconto a rondar os €20 na Worten. Este dispositivo pode ser ligado à TV através de uma porta HDMI e funciona como uma box Android. É pequena, passa despercebida e consome pouca energia.

Esta versão apenas permite qualidade de imagem HD. Existem outros dispositivos semelhantes, um pouco mais caros, que conseguem funcionar em monitores com qualidade 4K. Mas, visto que o meu televisor não tem pixéis suficientes para essas andanças, não justificava o investimento.

Até então tinha que ligar o meu portátil à TV sempre que quisesse usar um serviço de streaming. Desde que comprei a Xiaomi Mi Stick que deixei de o fazer.

É, aliás, raro o dia que não a uso. 



3. Sandwicheira Qilive 3 em 1 (Auchan – €18,99)

Nem todas as escolhas desta lista nasceram de um recém-descoberto interesse pela minha televisão. Este nasceu por um recém, bom, não é assim tão recente. Digamos, por um antigo interesse por panquecas, waffles e simples tostas.

Esta sandwicheira não tem ligação wifi mas vem com três pares de grelhas substituíveis que permitem grelhar, torrar e fazer waffles. E, apesar do preço, os waffles saem com um aspecto bastante profissional.

Infelizmente, só descobri depois de a comprar que o ponto três do ‘3 em 1’ não significa ‘panquecas’ mas sim ‘grelhador’. Mas, se formos sinceros, a única diferença entre uma panqueca e um waffle é a forma (sim, eu uso a mesma receita).

Wednesday, March 16, 2016

Et tu, Ucal?

Ucal Zero Lactose, Imagem DR
Não há pior sensação que a de sermos traídos pelo nosso próprio corpo. Há seis anos descobri que era intolerante à lactose. De um dia para o outro vi-me forçado a atirar para o lixo uma considerável fatia dos meus alimentos preferidos. Disse adeus aos iogurtes, ao queijo, às pizzas, à lasanha, ao leite-creme, à aletria, a uma série de bolos e doces. Cada despedida mais dolorosa que a anterior. Mas aquela que teve maior impacto foi o Ucal.

Este leite achocolatado nunca fez parte do meu regime habitual. Era uma rara recompensa que oferecia a mim próprio depois de uma noite longa, no regresso de um festival, ou pelo acaso de um passageiro desejo. Um precioso ritual que enfim terminava, sem direito a uma derradeira despedida.

Durante dias olhei para trás, para cada oportunidade falhada de consumir um Ucal, mas nada podia fazer. Esta bebida estava, agora, riscada para toda a eternidade da minha ementa. Assim foi, e assim segui em frente.

Deixei de comer iogurtes depois de almoçar, tirei o queijo da minha sandes da tarde, o leite de soja substituiu o de vaca nos meus cereais, as minhas pizzas, lasanhas, e até as minhas francesinhas, passaram a vir sem queijo. Mas nada procurei para substituir o Ucal. Até hoje, ainda não provei leite de soja com chocolate. Por mais que já mo tenham recomendado, simplesmente não seria a mesma coisa.

Há semanas atrás, passeava pelo Continente quando encontrei um solitário Ucal sem lactose. Isolado numa vazia prateleira, estava ali, sozinho e desacompanhado. Como se estivesse à minha espera, sob o desígnio de alguma entidade divina, condenado a aguardar eternamente pela minha chegada. Não hesitei em comprá-lo.

Por graça de um comentário neste mesmo blogue, já tinha conhecimento da existência deste novo Ucal, mas nunca o tinha visto à venda até àquele dia. Para ser sincero, nunca me dei ao exercício de o procurar, embora a minha natural curiosidade alimentasse o apetite pela sua descoberta.

Na verdade nunca fui grande fã de produtos lácteos sem lactose. São espécies contra-natura, privadas de uma das suas propriedades originais. Mas a forma como encontrei aquele Ucal, aliada à aleatoriedade estocástica do comentário que recentemente tinha lido, fez-me pôr de lado, por momentos, esta minha convicção, e persuadiu-me a dar-lhe uma nova oportunidade.

Aguardei alguns dias antes de o provar. Precisava de sentir o apetite. Aquele desejo. Aquela vontade de beber um Ucal que apenas sentia de tempos a tempos. Esse dia, ou melhor, essa noite, enfim chegou. Desci até à cozinha, peguei na garrafa e preparei-me para o provar.

Esta foi uma das piores experiências gastronómicas que tive desde aquela tarde em 2011 em que provei marmite pela primeira vez. Nunca tinha bebido algo tão enjoativamente doce. Não sei se esta é uma consequência natural da remoção da lactose, mas nunca tinha provado uma bebida tão doce ao ponto de a achar enjoativa. E eu sou um tipo que prefere o Pão-de-ló de Arouca ao de Ovar por o primeiro ser ainda mais húmido e ter uma cobertura de açúcar à volta.

A mística que guardava em torno do Ucal tinha sido desfeita. O horrível sabor desta abominação quase que destruiu todas as boas recordações que, até aquele momento, mantinha das minhas prévias experiências com este leite achocolatado, há tantos anos atrás.

Não havia nada a fazer. Ucal sem lactose não é Ucal. É uma abominação. Uma criação do demo. Um anátema. Ainda não consegui esquecer o traumatizante sabor dessa aberrante manobra publicitária.

Apenas me resta aceitar que não mais voltarei a provar um verdadeiro Ucal. Esse desejo é agora enterrado num profundo e longínquo recanto da minha memória, reservado para tarefas impossíveis e impraticáveis.

Até sempre, Ucal. Não mais irei sentir o teu agradável sabor. Triste fado este que hoje sou forçado a aceitar. Pois assim é viver sem o teu leite achocolatado.

Monday, February 03, 2014

Os Gastos Possíveis de 2013

Imagem DR
Embora útil, uma das piores decisões que alguém com tendências de controlo obsessivo e compulsivo pode alguma vez tomar, é criar uma folha de Excel para registar os seus gastos ao longo do ano.

2013 foi para mim, o pior ano, no que diz respeito à minha capacidade de poupar. São vários os motivos que me levaram a este ponto, todos eles, ou melhor, quase todos, fora do meu controlo. Ter passado os três primeiros meses do ano desempregado, e sem qualquer fonte de rendimento, contribuíram em muito para um resultado menos positivo no fim.

A necessidade de migrar para outro distrito. A renda, e o custo elevado dos transportes, também não ajudaram. Se aliar a isto multas, gastos administrativos, e as avarias inesperadas do meu computador e do meu velho telemóvel, que ditaram a reparação de um e a substituição do outro, encontro em 2013, um ano pintado por momentos de pouca sorte.

Uma avalanche de inevitabilidades aleatórias que, inesperadamente, agravaram uma balança que, à partida, adivinhava ser algo desnivelada em relação àquilo que estava habituado.

Podia também argumentar que não fui propriamente comedido com os meus gastos. Mas esta afirmação não é inteiramente verdadeira. Viajei mais do que em outros anos, é certo, mas também comprei menos livros, filmes e álbuns. Fui menos vezes ao cinema. Não gastei mais saldo no telemóvel que aquele necessário para pagar a mensalidade. Posso ter exagerado numa ou outra prenda, mas também comprei menos roupa para mim. Enfim, fui estratégico nas minhas aquisições. Aquilo em que investi, investi por necessidade, e não por simples ócio.

Não posso assim escrever sobre as minhas compras inúteis, ou menos certas de 2013, pois estas simplesmente não existiram. Tive alguns gastos inesperados. Houve um ou outra pedaço de comida que foi desperdiçado. Mas nenhum caso que se assemelhe ao desastre da Marmite em 2011.

Não posso enfim dizer que tive gastos desnecessários, ou que estes fossem capazes de significativamente alterar o meu saldo final, que, apesar deste meu desabafo, não deixou de ser positivo. Não. Não tive gastos inúteis. Tive aqueles que quis, e aqueles que precisei.

A minha lógica para 2014 não vai ser muito diferente. Talvez até chegue a gastar um pouco mais, visto que os meus planos não passam por perder o meu tempo em casa a olhar para as paredes. Mas, se por mero acaso, ou simples impulso, me deixe tentar por uma compra menos certa, cá estarei de regresso para presentear todos aqueles que estiverem dispostos a ler, com os mais básicos exemplos da minha falta de engenho, no que a gastar dinheiro diz respeito.

Como diz o sábio povo, grão a grão...

Wednesday, January 09, 2013

As Compras Menos Certas de 2012

Imagem DR
Buyer’s Guilt. Já todos sentimos aquele incómodo remorso de comprador que nos atormenta sempre que fazemos um investimento arriscado ou quando compramos algo por impulso. Aquele livro que vimos em promoção na Fnac mas que apesar disso estava dois euros mais barato na Bertrand. A peça de roupa que deixámos para os saldos e que agora se encontra esgotada. O portátil que fomos obrigados a comprar uma semana antes de saírem os novos processadores. Ou até mesmo aquela Televisão 3D que nos faz pensar se terá valido a pena o investimento.

Há um ano atrás, poucas horas antes de 2011 dar lugar ao novo ano, escrevia sobre as compras inúteis que tinha feito ao longo desse ano. Objectos de pouco valor que juntos não chegavam sequer a fazer quarenta euros.

Ao longo de 2012 consegui dar alguma utilidade a esses objectos. Vendi o meu casaco Letterman Jacket. A mochila da Eastpak acabou por ser muito útil quer para uso profissional, quer para carregar os meus cadernos para as aulas de Russo. Ao fim de algum tempo as alças acabaram por ir ao sítio e hoje em dia é raro sair de casa sem ela. Quanto à Marmite, sinceramente não faço ideia o que aconteceu. Ao regressar do Algarve deixei-a na cozinha e não mais a vi. O mais provável é que tenha ido para o lixo visto que ninguém gostou daquilo.

Dois em três não é mau. Consegui recuperar um investimento, outro teve sucesso à segunda tentativa e o terceiro, bom, o frasco custou pouco mais de 4 euros, mas embora não possa recuperar essa quantia, pelo menos posso dizer que já provei Marmite.

Em 2012, procurei ser um pouco mais sensato nas minhas compras e evitei fazer alguma da qual me pudesse arrepender. Não posso assim dizer que tenha feito alguma compra inútil, contudo, existem pelo menos duas que aterraram a alguma distância do alvo.

Foto: Adriano Cerqueira
1.º Lugar) Jurassic Park Ultimate Trilogy em Blu-ray (Amazon.co.uk – £ 12.28)

Como grande fã de Jurassic Park não podia deixar de ter toda a trilogia em versão Blu-ray (sim, já tinha a versão em DVD, mas estava na hora de dar o salto para o HD). Depois de alguns meses de altos e baixos no preço, mal vi que o pack tinha atingido o mínimo histórico de 12 libras, não hesitei. Fiz a encomenda no dia 31 de Maio e poucos dias depois já o tinha em casa embrulhado e pronto para disfrutar de seis horas de dinossauros em HD.

Ainda hoje esta pode ser vista como uma boa compra visto que no Amazon.co.uk este pack encontra-se neste momento a £ 16.49. Contudo, no final do verão um amigo meu informou-me que uma caixa especial, que além dos Blu-rays também trazia alguma memorabilia da trilogia, estava a 15 euros! Na altura em que encomendei o meu pack essa caixa custava mais de 40 euros e na altura achei que não valia a pena o investimento. Mas a 15 euros não teria pensado duas vezes. Ainda ponderei compra-la na mesma e depois vender o meu pack, mas quando finalmente tomei a decisão o preço dela já tinha subido para cerca de 30 euros.

Se tivesse esperado alguns meses tinha conseguido a caixa especial por uma pechincha. Contudo, encontro algum reconforto no facto de que muitas das pessoas que a compraram acabaram por receber a caixa danificada e cheia de amolgadelas. Quem sabe se eu não teria a mesma sorte?

Foto: Adriano Cerqueira
2.º Lugar) Motorola Rokr U9 (OLX – € 35)

No início do verão de 2012 comecei a usar um número da Vodafone. Felizmente o meu smartphone já veio desbloqueado de origem, contudo visto que ele não é um Dual SIM, vi-me forçado a arranjar um segundo telemóvel para alocar o meu cartão da TMN.

Queria um telemóvel barato, pequeno e com uma bateria duradoura. Procurei nas marcas e vi alguns modelos interessantes por cerca de 25 euros. Com os pontos que tinha da TMN até era capaz de tirar alguns euros a esse preço. Quando estava prestes a efectuar a compra, tive uma ideia: Porque não aproveitar esta oportunidade para comprar o telemóvel que sempre quis? “Por esta altura deve estar muito mais barato”, pensava eu.

Há uns anos atrás, vi um anúncio ao Motorola PEBL e apaixonei-me pelo design desse telemóvel. Na altura tinha comprado um telemóvel novo há poucos meses e por isso não o comprei. Mas agora podia finalmente tê-lo.

Após uma rápida pesquisa descobri que havia uma versão mais recente deste mesmo telemóvel, o Rokr, que até tinha algumas características interessantes, como a capacidade para ler e armazenar mp3, uma câmara de 2 megapixéis e um ecrã externo com touchscreen. Contudo, o preço rondava os 70 euros. Demasiado caro para aquilo que eu queria. No OLX encontrei alguém a vender esse mesmo telemóvel, usado, por apenas 35 euros. Combinei com o vendedor e comprei-o.

O telemóvel tem servido o seu propósito mas acabou por me desapontar em alguns aspectos. O ecrã externo touchscreen não funciona – deve ter perdido a sensibilidade ao toque após alguns anos de uso – e a capa da bateria volta e meia solta-se. Tendo em conta que ficou por metade do preço e tratando-se de um telemóvel usado, não me posso queixar. Contudo, agora vejo que mais valia ter comprado um dos telemóveis de baixo custo da TMN. Para o uso que lhe dou, sinto que paguei mais 10 euros apenas para satisfazer um desejo antigo.

Embora não sinta que tenha feito alguma compra inútil em 2012, acho que tenho que estar mais atento aos pormenores para que daqui a um ano possa estar de consciência tranquila de que todas as compras que fiz foram as certas.

Para 2013, apesar de prever uma maior contenção, vou tentar fazer investimentos estratégicos, aproveitando apenas promoções e eventuais oportunidades que possam surgir. Se daqui a um ano voltar a fazer uma lista deste género, é porque ainda não foi desta que aprendi a lição. 

Saturday, December 31, 2011

As Compras Inúteis de 2011

Curiosidade, desejos antigos, ou simples impulsos do momento, forçam-nos a comprar coisas que não precisamos. Embora estes casos sejam muito pontuais acabam por ficar na memória mesmo depois de nos livrarmos deles, nem que seja pelo dinheiro que foi desperdiçado de forma tão casual.

2011 não foi dos anos com maior número de desastres orçamentais, mas aqueles que aconteceram merecem algum destaque.


Frasco de Marmite
1.º Lugar) Marmite (Continente de Lagos - € 4,34)

Há já vários anos que tenho ouvido falar desta fantástica “compota” vitamínica muito popular nas terras de Sua Majestade. Famosa entre a comunidade vegetariana (e não só), marmite é feita através de extracto de levedura e muito rica em B12. A sabedoria popular diz que é daquelas coisas que não têm meio-termo, ou se adora ou se detesta.

Apesar dos diversos avisos a alertar que apenas as pessoas que comiam marmite desde uma tenra idade são capazes de verdadeiramente gostar disto, sempre tive curiosidade em provar.

Descobri que se vendia no Continente através da loja online, mas nunca a tinha visto à venda. Enquanto passava férias no Algarve, fui ao Continente de Lagos fazer algumas compras e no meio dos molhos de culinária lá estavam uns quantos frascos de marmite. Senti alguma relutância em trazê-la dado o preço elevado, mas como só se vive uma vês, quando seria a próxima oportunidade para comprar um frasco destes?

Guardei-o no apartamento durante alguns dias, ganhando coragem para descobrir se o investimento tinha valido a pena. A Internet dizia-me que a melhor forma de comer marmite era em tostas com queijo. Assim fiz. Foi de longe a pior experiência gastronómica da minha vida. Só de pensar no sabor daquilo dá-me vómitos. É tão enjoativo e sabe a cerveja morta. Experimentei novamente com queijo para ver se cortava o sabor, mas não, por incrível que pareça ainda soube pior.

Parece-me que faço parte da percentagem da população que odeia marmite. Paciência, terei sempre Nutella, Manteiga de Amendoim ou Geleia para barrar no pão ou nas tostas e sou feliz assim. Já agora deixo-vos com uma pequena dica culinária: Tostas com Atum e Geleia é muito bom, eu sei que a ideia vos repugna, mas acreditem é a das melhores combinações que alguma vez comi em tostas.

Letterman Jacket
2.º Lugar) Imitação de Letterman Jacket (€ 22,5)

Talvez por influência dos filmes de adolescentes norte-americanos sempre quis ter um Letterman Jacket. Por diversas vezes pesquisei online por um, mas sempre que encontrava o preço andava à volta de 200 dólares, demasiado caro para um simples casaco. Recentemente descobri que na Zara vendiam alguns modelos, mas eram vermelhos e o preço rondava os € 45 o que também considero caro visto que seria um casaco para usar apenas algumas vezes.

Um dia passeava por Ovar e vi na montra de um pronto-a-vestir que tinham desses casacos à venda por apenas € 22,5. Decidi aproveitar a oportunidade, contudo, a loja estava sempre fechada aos fins-de-semana e durante a semana fechava às 19h. Um dia saí mais cedo do trabalho e pedi à minha mãe para me encontrar lá na loja. Quando cheguei a senhora estava a fechar e apenas restava a minha mãe que lhe tinha pedido para esperar por mim. Cheguei, experimentei o casaco, ficava-me bem mas reparei que tinha algumas coisas escritas que não faziam sentido nenhum e que além disso ficavam horríveis. Por culpa de ver a senhora ali a adiar o fecho por minha causa acabei por o comprar, pensando que os dotes de costureira da minha mãe seriam suficientes para retirar esses escritos. Infelizmente quando cheguei a casa ela disse-me que não dava para tirar. Como os restantes artigos da loja eram, bom, maus, optei por não trocar.

Apenas o usei uma vês no sábado de Carnaval. Actualmente estou a tentar vendê-lo através de um site de leilões online para tentar recuperar o dinheiro. Não é que o casaco tenha algum defeito, simplesmente é demasiado piroso e não tem nada a ver comigo.

Enfim, devia ter tido mais coragem para chegar à beira da senhora e dizer: “Desculpe lá, mas afinal não o quero levar”. Uma frase tão simples que me teria poupado € 22,5 e que me daria mais algum espaço no meu armário.

Mochila Eastpak
3.º Lugar) Mochila Eastpak (Amazon.co.uk - £ 9,99)

Não comprava uma mochila nova desde 2001. Como a minha já estava bastante deteriorada e com o regresso das aulas de Russo decidi comprar uma mochila nova. Vi que as mochilas da Eastpak estavam em promoção no Amazon.co.uk e com o preço de 10 libras não foi difícil aproveitar a promoção. Sempre quis ter uma mochila da Eastpak, não por toda a gente ter uma, mas pelo seu design simples e prático. Duas semanas depois ela chegou a casa mas para meu descontentamento as alças estavam rígidas. É impossível usá-la sem que as alças fiquem espetadas para a frente em forma de triângulo. Já tentei andar em casa com ela para ver se as alças ganhavam a forma dos meus ombros e até tentei pôr alguns livros pesados para a moldar, mas sem efeito. Não me admira que estivesse tão barata, tem defeito!

Embora as compras online sejam muito úteis, sendo que até hoje tive muitas poucas razões de queixa, no que toca a roupa e acessórios o melhor é limitar-me a comprar nacional e em loja.

Vejo-me assim preso com uma mochila da Eastpak nova, sem uso, mas inútil pois não a posso usar sem parecer muito ridículo. Se a usar apenas num ombro não se nota, mas aí perde completamente o propósito para o qual a comprei.

Em 2012 vou tentar conter os meus impulsos consumistas e aprender a dizer não, por pior que isso pareça. Espero que daqui a um ano não sinta necessidade de repetir uma lista deste género, mas se o fizer, que esta seja mais curta ou pelo menos, menos dispendiosa.   

Monday, April 04, 2011

Dívidas

Descobrir a origem da crise pode parecer complexo, mas a sua explicação é relativamente simples: dívida. Hoje em dia não parece ser suficiente viver com aquilo que temos ao alcance da nossa remuneração. Queremos coisas, e para as ter recorremos ao crédito. Porquê contentarmo-nos com aquilo que podemos ter, quando é tão fácil ter aquilo que não podemos comprar?

Pedimos crédito para comprar uma casa. Pedimos crédito para comprar um carro. Se parássemos por aqui o desastre seria evitável, afinal não é qualquer um que tem 100 mil euros guardados para gastar de uma só vês, mas isto não é suficiente. Queremos coisas, outras coisas dispensáveis que não precisamos no imediato, e que para as ter bastaria poupar mais um pouco. Pedimos crédito para um computador. Pedimos crédito para as férias. Pedimos crédito para o próximo iPhone, iPad, ou para outro gadget qualquer, excessivamente sobrevalorizado. Pedimos crédito para tudo e mais alguma coisa, e quando começamos a pedir crédito para comer já é tarde demais.

As famílias endividaram-se, tentaram viver acima das suas possibilidades. Enquanto tiveram empregos fixos com salários regulares, de uma maneira ou de outra, lá conseguiam devolver o dinheiro da dívida aos bancos, e estes continuavam a respirar de alívio com o retorno do seu investimento acrescido de juros. Mas, de repente, os empregos deixaram de ser fixos, os salários deixaram de ser regulares, e o desemprego passou a ser o Pão Nosso de Cada dia.

Sem emprego, e sem dinheiro, os bancos levaram as casas, os carros e os iPhones. Quando tentaram vender as casas para recuperar o seu investimento, ninguém tinha dinheiro para as comprar, e aqueles que optaram por o fazer pagaram através de empréstimos e a preços mais baixos, pois assim ditava o mercado. Dívida atrás de dívida, com dinheiro a esvanecer que nem grãos de areia no vento, os bancos entraram em colapso e deixaram de emprestar dinheiro, vendo-se forçados a recorrer aos seus depósitos para pagar o seu próprio endividamento.

Aqueles que tinham contas no banco, aqueles que pouparam, viram o seu dinheiro desaparecer por causa dos outros que decidiram viver na ilusão de um mundo que nunca lhes pertenceu, em vez de aceitarem a dura realidade. O Mundo todo levou com uma lição de humildade, mas em vez de aprender com os erros do passado, continuou a agir da mesma forma.

Hoje, poupa-se em alimentação e em bens básicos para se mostrar aquelas coisas que não são precisas, nem tão pouco servem para nada. Um desempregado de longa-duração que arranja um emprego de três meses compra logo um carro de 30 mil euros, ou mais, apenas para o devolver quando passados os três meses regressa ao desemprego. Podia ter usado o dinheiro para alimentar a família, mas assim não o fez.

Trabalho há sete meses. Durante esses sete meses poupei e continuo a poupar. Ainda conduzo o meu carro que daqui a alguns meses fará 17 anos, não comprei outro, não pedi crédito, e tão cedo não o farei. Comprei um computador pois o meu já ia fazer cinco anos e não tinha as características necessárias para aquilo que eu preciso que ele faça. Juntei durante cinco meses e aguardei por uma promoção de uma loja de electrónica. Consegui poupar cerca de 200 euros. Também comprei outras coisas que embora úteis, não eram tão necessárias. Mas para o fazer pus dinheiro de lado, não gastei aquilo que não tinha.

O problema é puramente uma questão de mentalidade, de sensibilização para a atitude correcta. Não gastem aquilo que não têm, e tudo voltará à normalidade. Não se queixem da crise, façam algo para que ela termine. Não vivam das aparências pois, sinceramente, ninguém quer saber de vocês. Se querem mesmo algo, e se sentem que vale a pena fazerem um sacrifício para o ter, ponham algum de lado, poupem, e tudo tornar-se-á mais simples.

Há dias, no programa Quem Quer Ser Milionário, uma das participantes disse que 20 mil euros só davam para um carro usado. É este tipo de mentalidade que é necessário mudar. Com 20 mil euros não apenas se compra um carro novo bom, como se quiserem poupar mais um pouco podem ainda comprar um usado de gama alta por um preço ainda mais baixo. Nem tudo precisa de ser o melhor, ou o mais caro, e barato não é sempre sinónimo de baixa qualidade.

Se me permites ser directo, a crise é culpa tua, e de mais ninguém. A boa notícia é que ainda vais a tempo de mudar.

Thursday, September 16, 2010

À Margem da Tecnologia

Por vezes pareço ter um dom especial para tomar as decisões erradas nos piores momentos. Pelo menos no que toca ao investimento tecnológico, esse dom tem sido bastante evidente. Cépticos? Bom, nesse caso resta-me apenas enumerar os argumentos que fazem disto regra, e nada melhor do que começar pelo início.

Em meados da década de 90 – diria 1996, mas não tenho a certeza do ano exacto – comprei o meu primeiro computador, um Pentium 100. Na altura optei por não apostar na internet, por ainda ser pouco usada e não ter uma distribuição significativa em Portugal. Talvez esta decisão não tivesse sido assim tão disparatada, apesar de hoje em dia ser impensável adquirir um computador sem ligação à net, na altura a realidade era bem diferente. Contudo, passei ao lado de um bom investimento que me colocaria à frente do meu tempo e acabei por optar pela escolha mais segura.

Poucos anos passaram até que o meu velho Pentium 100 ficasse obsoleto. Ter um computador incapaz de ligar à afamada auto-estrada da informação era a mesma coisa que ter um enorme pisa-papéis que nem sequer era bonito o suficiente para servir de adorno. É em meados de 2000 que passo ao lado de mais um grande investimento. O meu segundo computador, um Pentium 4 com 10 gigabytes de Memória e 128 Mb de RAM, já veio equipado com um modem e portas USB, também elas novidade na altura, mas quando questionado se queria incluir um leitor de DVD, decidi que não valia o esforço extra, visto que os DVDs ainda não eram muito usados e “apenas serviam para ver filmes”. Sim, foram estas as palavras exactas do rapaz que me atendeu na loja onde fui encomendar o meu PC.

Os anos passaram, no entretanto investi num gravador de CDs, num modem externo de banda larga – na verdade foram dois, mas isso agora também não interessa –, aumentei a RAM para 256 Mb e instalei um segundo disco interno de 20 Gb. Ainda comprei uma placa de rede mas nunca fui a tempo de a pôr a funcionar visto que o sistema de alimentação avariou e um familiar que se dispôs a repará-lo, limitou-se a deitá-lo para o lixo, tornando o CPU completamente inútil. Não fosse por isso e ainda hoje estaria a funcionar.

Na altura já tinha comprado o meu terceiro computador, que ainda hoje uso. Setembro de 2006 foi o mês em que ele chegou. Tinha acabado de entrar na Universidade e como acontece com a grande maioria dos estudantes os meus pais ofereceram-me um portátil. Um Asus com 120 Gb de memória, 1024 Mb de RAM e um processador Intel Centrino Duo com 1,73 GHz. Veio equipado com placa Wireless, placa de vídeo com ligações Firewire e S-Video que até hoje não tive necessidade de utilizar – ou melhor, quando tive necessidade, acabaram por se mostrar inúteis para a tarefa em questão – , até veio com um microfone incorporado que também nunca usei por ser perfeitamente inútil visto que só capta bem a voz se falarmos directamente para ele.

“Mas então onde está o problema? Parece-me bem equipado mesmo para os requisitos de hoje”, dizem vós. De certa forma o vosso raciocínio não está errado, mas o meu portátil falha em dois aspectos que são hoje tomados como garantidos, não possui ligação por bluetooth, o que me forçou a comprar uma drive de bluetooth de forma a poder transferir as fotografias do meu telemóvel para o portátil, e veio sem uma webcam incorporada, não que eu tivesse grande interesse em usá-la, até porque o portátil já veio com uma webcam externa que serviu bem nas situações em que a tive de usar, mas é uma componente presente em praticamente todos os portáteis vendidos hoje em dia.

Desta vez a culpa recai totalmente sobre a minha simples ignorância. Na altura ainda não compreendia o que o bluetooth realmente significava e pensava veemente que o meu portátil já vinha com ele incorporado na altura em que o comprei. Para a próxima é melhor prestar mais atenção às especificações.

É mesmo esse o motivo que dá hoje origem a este artigo. Após quatro anos de desempenho razoável, em que posso apenas apontar dois momentos de falha épica – a primeira no ano passado quando me vi forçado a formatar o portátil após um ataque de vírus massivo, e a segunda no início deste ano em que o ecrã deixou de funcionar e optei por o trocar por um novo, investimento esse que me custou quase 350 euros –, está na altura de trocar de computador. Até porque a minha formação académica e profissional implicam a necessidade de uma máquina bem mais actual e potente.

Mais uma vez vejo-me com um dilema. Apostar num bom computador um pouco acima da média daqueles hoje disponíveis para venda, ou então fazer um esforço extra para adquirir um portátil com leitor de Blu-ray e um ecrã 3D – de salientar que a tecnologia 3D em portáteis ainda está numa fase experimental e as opiniões que encontro online dizem que por enquanto não vale a pena o investimento (talvez um dia me venha a rir disto).

A questão é simples, estarei novamente a investir num computador no momento precisamente anterior a uma nova evolução das tecnologias informáticas, ou será que à quarta é que é de vez e este acabe por ser o timing exacto para esta aquisição.

Até Janeiro manter-me-ei atento ao mercado e daqui a quatro ou cinco anos, quando voltar a trocar de equipamento, serei então capaz de confirmar ou de desmentir aquilo que até hoje tem sido regra.