Thursday, February 12, 2015

O Apego da Solidão

Imagem DR
O tempo passa e com ele passa a dor. Pois tudo passa, até o amor. Na companhia de um bom livro e um violão, vou vivendo com a minha solidão.

Tudo Passa, Marjorie Estiano

Abres os olhos e acabaste de acordar. O sol não acaricia a tua face. O despertador ainda não tocou. Pela janela apenas vês nuvens. Mais um dia cinzento. Mais um dia, como outro qualquer. Por que acordaste tão cedo? Nem mesmo a preguiça te mantém desperto. Estás preso à cama. Sem vontade. Sem cansaço. Sem frio. Sem nada.

São mais os dias que acordamos assim. Sós. Isolados apenas entre os nossos botões. Os nossos pensamentos como única companhia. Sem um corpo quente ao nosso lado. Sem entusiasmo. Sem um motivo. São dias normais. Dias como outro qualquer. São estes os dias que precisas de começar a mudar. Os dias que precisas de começar a viver.

Aprender a viver com nós próprios. A gostar de nós. A ouvir o silêncio. A calar as vozes. Lições importantes e tão fáceis de negligenciar. É fácil depender de alguém. De nos agarrarmos ao apego, à rotina, aos lugares comuns, às nossas redes de segurança. É fácil, sim. Mas é também desprovido de qualquer sentido. É a apologia da preguiça intelectual. Do desafio do crescimento. O adiar do inevitável.

Lidar com a solidão começa por uma reviravolta de conceitos. Não devemos lidar ou combatê-la, mas sim refletir, compreender, aceitar e não deixar que esta nos consuma. O segredo está em sermos felizes connosco próprios. Em encontrar algo agradável nos pequenos pormenores do dia-a-dia. Nos momentos isolados. Nas horas apagadas que devemos ocupar.

Começa por refletir. Um caderno, uma caneta, um chá, ou um café. Um jardim, uma praia, ou um quarto. Um espaço confortável. Escreve se sentires essa necessidade. Desenha. Expressa-te. Pensa naquilo que gostas de fazer. Naquilo que queres fazer. Aquilo que queres melhorar em ti. Quem tu és. Quem podes ser.

Faz esse exercício as vezes que precisares. Interioriza esses desejos. Projecta o teu desafio. E age. Inscreve-te no ginásio. Nas aulas que tens andado a adiar. Cria a tua arte. Expressa-te. Investe em ti. Substitui algumas rotinas por algo mais imprevisível. Se trazes o teu almoço, experimenta comer noutro local. Sai do refeitório e procura um banco de jardim. Faz o caminho mais longo em vez de correres para casa. Desliga a televisão e lê. Levanta-te do sofá e vai conhecer a tua cidade. Troca aquela noite passada online por uma peça de teatro, uma ida ao cinema, ou um concerto. Torna os teus fins-de-semana especiais com aquilo que o Universo deixa ao teu dispor.

Em tempos disseram-me para ir aos locais que mais amo. Aos espaços com que mais me identifico. É lá que te irás encontrar. É lá onde se encontra a resposta.

É fácil confundir amor com apego. Mas são duas coisas bem diferentes. Recentemente vi uma entrevista de Jetsunma Tenzin Palmo, uma monja budista, e um ser-humano extraordinário, em todos os sentidos desta palavra. Nela Jetsunma expõe a sua visão sobre a vida. Mas o vídeo que mais me chamou à atenção foi aquele que diferencia o amor romântico, o apego, do amor genuíno.

Deixarmo-nos consumir pelo apego é um passo na direcção errada. É a negação da individualidade. O forçar de um sentimento que não é real. Um sentimento que não é genuíno. Jetsunma, apesar do seu impronunciável nome, é bastante clara na distinção entre amor e apego. Apego exige a presença constante de alguém. É intenso. E desaparece com a velocidade com que surge. Já o Amor aceita a individualidade de alguém. Admira a sua pessoa. A beleza do seu ser, e do sentimento que ambos partilham. Amar é compreender. Amar é ser feliz com a felicidade do outro. Amar é deixá-la partir. Amar é deixá-la voar.

Para aprendermos a viver com a solidão, devemos amar-nos a nós próprios. Um velho cliché. Uma frase feita. Uma afirmação verdadeira. Uma necessidade primordial. Para amar, devemos desligar-nos do simples apego, compreendê-lo e saber distinguir um sentimento do outro. Para amar, devemos estar dispostos a libertar. Não apenas aquela a quem nos entregamos, mas também as amarras que prendem o nosso coração. Que bloqueiam a nossa felicidade. Que nos impedem de agir.

Não é fácil estar só. Não é fácil viver apenas das conversas que partilhamos entre o silêncio da nossa mente. Não é fácil. Mas é necessário. É necessário aprendermos a viver connosco próprios. A gostar de nós. A combater a inércia. A perturbar a rotina. Só assim podemos crescer. Só assim nos podemos conhecer. Só assim podemos ser alguém que não nos desilude. Alguém capaz de amar. Alguém capaz de ser amado.

A confiança, a vontade, o desejo de nos expressarmos, esconde-se por entre os degraus de um longo caminho de autodescoberta. De crescimento constante. De amor por aquilo que faz de ti quem tu és. Quem tu podes ser. Aquilo que te torna único. A beleza do silêncio interrompido pela tua própria determinação.

Abres os olhos e acabaste de acordar. O sol não acaricia a tua face. O despertador ainda não tocou. Pela janela apenas vês nuvens. Mais um dia cinzento. Já estás a pé. Pronto para agarrar os inesperados encantos que este dia tem para oferecer.

Thursday, December 11, 2014

Adeus, Meu Doce Novembro

Sweet November, Imagem DR
November is all I know, and all I ever wanna know.
Nelson Moss

Novembro guarda em si algo de mágico. Uma doce energia que transcende qualquer poder de descrição. Novembro é, para mim, um mês especial, um mês diferente. Não há quintas-feiras em Novembro. Apenas felicidade. O potencial de sonhar. A promessa de um novo dia. Esperança. Paz. Uma recordação. Um recomeço.

Todos os meses são Novembro. Recordo-me da primeira vez que vi o Sweet November. Era mais uma noite de Verão, como outra qualquer. A falta de sono, ou de vontade para adormecer, impedia-me de contemplar o infinito pelos interstícios da janela do meu quarto. O zapping habitual tomou lugar. Talvez procurasse um episódio perdido de Everwood, ou uma retransmissão do The Good, the Bad and the Ugly. Em vez disso encontrei o Sweet November.

Uma história de amor. Um romance trágico entre um empresário preso ao seu sucesso, sem espaço para algo que não fosse previsível ou palpável, e sem um rumo para a sua vida, e uma rapariga excêntrica que passeava cães. Uma espécie de Dharma e Greg, tivesse esta sido escrito ainda no crepúsculo do século XIX.

Nelson e Sara, protagonizados por Keanu Reeves e Charlize Theron, conhecem-se numa aula para renovarem a carta de condução. Depois de uma troca de palavras atribulada, que faz com que Sara falhe a sua possibilidade de renovar a carta, esta procura Nelson para lhe fazer uma proposta que vai mudar a vida de ambos.

Ao longo de duas horas acompanhamos o romance entre duas pessoas, opostos aparentes, mas complementares. Assistimos à história de um amor em perpétuo crescimento. À evolução de Nelson, que deixa de viver para a sua carreira para se concentrar no agora. E a Novembro. O mês que os une e cujos dias limitam a sua relação.

Um mês, apenas um mês. Eram estes os termos de Sara. Regras incompreensíveis que Nelson procurou contornar. A beleza do agora. O momento imprevisível. Derrubado pela frieza da vida, e pela incerteza de um futuro planeado por outras mãos que não as deles.

Sempre serás o meu Novembro. Uma história simples, mas profunda. Um mês partilhado por duas pessoas que nos desafiam a reavaliar o nosso próprio caminho. A mensagem é simples, dar valor ao agora, ser feliz com as pequenas coisas, amar o dia, a simplicidade do dia-a-dia, a quebrável rotina, a memória de um amor, eterno na felicidade do último instante de incrível beleza, de uma inevitável despedida.

Sweet November é o amor entre Nelson e Sara. É a história de uma cidade. É a história de um momento. É a história de um mês.

Questionado sobre qual o meu filme romântico preferido, sinto-me tentado em responder Sweet November. Uma decisão sempre difícil entre este e o Before Sunrise, mas que mantenho constante, não seja por um qualquer lapso de memória. Pois, para mim, Sweet November, não é apenas um filme, ou uma breve história. É um hino, a homenagem a um mês que me é tão próximo. Um mês que recordo com felicidade. Um mês que, se pudesse, não mais teria um fim.

Não há quintas-feiras em Novembro. O meu aniversário não é em Novembro. Por mais que goste das cores do Outono, a minha estação é a Primavera. Mas há algo em Novembro. Algo mágico que talvez apenas eu consiga ver. Se alguma vez fizesse a lista dos meus melhores dias, aqueles em que fui mais feliz, este seria o mês mais representado. Em Novembro brilho. Em Novembro volto a ser Eu. Em Novembro sei ser feliz.

De Novembro nada peço. De Novembro nada espero. Guardo apenas recordações. Deixo-me envolver pelas energias positivas com que este mês me alimenta. São trinta dias como quaisquer outros. São trinta dias especiais, diferentes, intocáveis. São trinta dias de felicidade em potencial.

Despeço-me mais uma vez de ti velho amigo. Serás sempre o meu Novembro, o meu Doce Novembro.

Wednesday, May 14, 2014

O Amor não é um jogo, apenas é

Design: Adriano Cerqueira
O Amor não é um jogo, apenas é. Se querem fazer do amor um jogo, então atiro as minhas cartas para cima da mesa, e dou-me como vencido. A minha baliza está aberta, o caminho para o cesto está livre, a minha raquete está no chão. 

Numa relação não existe um vencedor e um vencido. Não existe um resultado em constante renovação. Ou ganham os dois, ou são ambos perdedores. Apenas, e só. 

Se o Amor é um jogo, assumo-me como perdedor. Deito a toalha ao chão, e continuo a jogar. Para sempre perder. Pois este é o único jogo que vale a pena. O único de que nada vale sair como único vencedor. 

Amar é um risco. Um risco que nada me trouxe além de dor, desilusões, e longas noites de reflexão. Um risco que continua a valer a pena. Por mais dúvidas que tenha. Por mais vezes que veja as minhas esperanças serem abaladas. Por mais que a minha fé seja testada. O Amor é a única constante pela qual vale a pena viver. O objectivo mais nobre. O propósito que nos move. A esperança que nos faz levantar todas as manhãs. 

Quando uma relação termina é simples seguir o caminho mais fácil. Atirar as culpas à outra pessoa. Ignorar. Apagar todas as memórias e recordações. Fazermo-nos de fortes. Passar a imagem de que seguimos em frente e de que somos felizes. Mentiras que contamos a nós próprios, para vencer. Para envergonhar a outra pessoa. Para a magoarmos. Para nos vingarmos. Mas este é o caminho errado. 

O caminho certo é bem mais longo e coberto de obstáculos. É dar espaço. Chorar. Guardar as recordações e relembrar os bons momentos. É saber perdoar. Manter o contacto. Valorizar aquilo que ambos partilharam. Aceitar. Seguir em frente, e construir algo novo. 

Pois, quando uma relação termina não há um vencedor e um vencido. Ambos perdem. Perdem as futuras viagens que ficaram por planear. Cada beijo que ficou por roubar. Cada momento para sempre perdido. Cada abraço. Cada história. Cada riso. Cada consolo. Cada dia rotineiro. Quando uma relação termina ambos perdem o futuro que ainda não eram capazes de sonhar. 

O Amor não é um jogo, apenas é. Não dá para fazer pausa. Não dá para desligar. Para guardar, ou para começar de novo. Mas o Amor tem vários obstáculos. A bagagem emocional que todos carregamos. As barreiras que levantamos. O orgulho e a vergonha, com que muitos não sabem lidar. 

O Amor não precisa de uma tabela classificativa. Nem tão pouco de um mercado de transferências, onde a experiência, o prestígio, ou qualquer outro valor arbitrário, dita a viabilidade de uma pessoa. O Amor apenas é. 

E nada me vai fazer deixar de acreditar. Por mais que me sinta a remar contra a maré. Por mais feridas que tenha de sofrer. Por maior que seja o obstáculo. Vou sempre lutar contra a frieza e o cinismo da indiferença. Vou sempre acreditar. 

Quando paramos de lutar. Quando desistimos na primeira curva. Quando não nos damos ao trabalho de sequer abrir a nossa mente à possibilidade de amar abertamente. O Amor deixa de o ser, e passa a ser mais um sentimento descartável que não merece qualquer tipo de atenção. 

Eu sou um perdedor. Dou-me como vencido. Vou cair e levantar-me as vezes que forem necessárias. Mas não vou parar. Não vou hesitar. Vou continuar a perder. Pois o dia em que ambos seremos vencedores, está algures no horizonte. E por mais longo e doloroso que seja o caminho, eu nunca o vou deixar de percorrer. 

Porque Amar é um risco. O único que vale a pena tomar.

Thursday, April 03, 2014

Valor da Amizade

Carnaval de Ovar, 2011
Vivo acompanhado por todas as memórias que vivi. Cada momento tão presente como o agora. Cada superfície tão real como este teclado. Cada sabor, cada cheiro, cada som. Múltiplos Eus, envoltos numa conversa constante. Em silêncio observam. Vivem o Hoje comigo, sonham com o Amanhã, e sorriem com o Ontem de cada um. Um talento, uma maldição. Enfim, o contexto. Apenas o contexto pode responder.

Tem as suas vantagens, não o nego. Neste momento enquanto escrevo, não estou aqui. Transporto-me para aquela tarde de Agosto em 2011. Estou em Roma, no Coliseu, a olhar para as ruínas do Fórum Romano em frente. O Luís está ao meu lado de câmara na mão. Sinto o sol a acariciar o meu rosto. Sorrio e deixo-me envolver pelo calor.

De todas as viagens que já fiz, esta é aquela que mais vezes procuro relembrar. Aquelas noites quentes a beber Bacardi no jardim do Hostel em San Giovanni. As viagens de autocarro sem pagar, sempre atentos aos míticos revisores que pareciam não existir. Sentir o peso de séculos de História a cada passo que dávamos. Guardo essa viagem com um profundo sentimento de saudade, e com uma igual vontade de um dia lá regressar.

Esta foi também a última grande viagem que fiz com os meus amigos. Tínhamos a ambição de fazer uma todos os anos. Por diversas vezes reunimo-nos para tentar marcar a próxima, mas sem efeito até hoje.

É raro encontrar um grupo de pessoas com quem partilhamos um vasto leque de interesses, mas que além de concordarem entre si, também são capazes de debater os seus pontos de vista, de se complementarem, e de gozarem uns com os outros. Um grupo capaz de estar lá para partilhar os bons momentos, mas que também seja capaz de se apoiar nos piores.

Todos temos os nossos defeitos, e as nossas virtudes. Evoluímos a cada dia que passa, a cada conversa que temos, a cada ideia que partilhamos. Construímo-nos introspectiva e socialmente, através da cultura que consumimos, e das experiências que partilhamos uns com os outros.

Não é necessário definir a amizade, tal como o amor, é algo que se sente, que começa num instante indefinido, e que se propaga através do tempo. Sem nos apercebermos que está a acontecer.

Tal como o romancismo, também a amizade é hoje vítima de uma perpétua desvalorização. Chamas amigos aos contactos do facebook com quem nunca falaste, ou conviveste. Sais com desconhecidos sem nunca debateres uma única ideia, por mais básica que seja. Perpetuam um silêncio amorfo e incomodativo, sem qualquer ambição por algo mais. Fala-se em códigos, ignoram-se relações. Estás lá por conveniência. Aborreces-te, e continuas sozinho por entre uma multidão. E quando chega aquele momento em que precisas muito de alguém, vais estar só. Pois, isto não é amizade.

A chamada friendzone apenas perturba esta equação. Pois se não pode haver amor sem amizade, porque continuamos a acreditar que o oposto é impossível? Talvez funcione melhor se nos deixarmos envolver pela paixão, e formos construindo a amizade pelo caminho. Mas sem amizade, nenhum amor sobrevive. Quando uma ligação é real, não importam os anos, ou os momentos que partilharam. Há algum risco, talvez, se a vossa amizade não for construída numa base de comunicação aberta e de confiança. Um risco que vale a pena. Por mais longa que seja a passagem das águas sob a ponte da mágoa, chega enfim o dia em que estas cessam, e a amizade pode ser reconstruída.

Em tempos disseram-me que não se luta por uma amizade. “Se não se luta por uma amizade, que mais há pelo qual lutar?” Foi esta a minha resposta, e ainda hoje a mantenho.

Não usem este termo em vão. Sejam bons amigos. Não tenham medo de entregar um pouco de vós. Não o façam ao desbarato. E não se fechem por entre quatro paredes. Por mais ocupada, ou complexa que seja a vossa vida, há sempre tempo para um café. Por mais anos que passem, quando a amizade é real, o sentimento mantém-se.

O valor da amizade é algo que vale a pena ser defendido. É algo pelo qual devemos sempre lutar. Não pensem em demasia. Não deixem para amanhã. Regressem comigo àquela tarde em Roma. Explorem. Cresçam. E não se esqueçam de se divertir.

Anoiteceu. Estou sentado naquele jardim a beber Bacardi e a contemplar a beleza da noite romana. Uma memória agradável, ainda hoje tão presente.

Thursday, March 06, 2014

Her

Her, Spike Jonze
Falling in love is a crazy thing to do. It's like a socially acceptable form of insanity.

Amy, Her (Spike Jonze, 2013)

“Uma história de amor”. Um título adequado para um filme que é, na sua mais pura simplicidade, e antes de qualquer outra designação, um filme sobre Amor. Um amor impossível, talvez, mas real naquele singular universo, retratado sob a visão de Spike Jonze.

Her conta a história de Theodore Twombly, um escritor de cartas, um intermediário de emoções reais entre pessoas fictícias. Um instrumento de contacto, uma ferramenta de proximidade, para quem há muito desistiu de procurar em si próprio algo real para partilhar com a pessoa que ama. Cartas reais, escritas à mão por computadores. Fictícios pedaços de papel. Objectos da imaginação, da inspiração, das emoções de um intermediário escritor. Só, entre uma multidão de fictícias personagens, desligadas entre si. Mas Her não é uma crítica social.

Her conta a história de Theodore Twombly, um divorciado, desligado do resto do Mundo. Vítima das suas falhas de comunicação, da sua incapacidade de encarar os problemas. Da profunda depressão do seu dia-a-dia, e de uma relação que há muito não partilha qualquer sentimento de paixão, de desejo, ou de amor. Mas Her não é o percurso de um Homem pelos diversos estágios de luto, e de aceitação.

Her conta a história de Theodore Twombly, um Homem que compra o primeiro Sistema Operativo regido por uma Inteligência Artificial. Uma existência que questiona o que faz de alguém, ou de algo, Humano. Uma existência que redesenha a definição de alma. De vida. De consciência. De existir. Da essência do próprio ser. Mas Her não é um filme de ficção científica, nem tão pouco um ensaio filosófico.

Her conta a história de Theodore Twombly, um escritor de cartas divorciado, e de Samantha, um Sistema Operativo com Inteligência Artificial. Uma história de amizade, de descoberta. A história de um amor improvável. Um amor impensável. Um amor tão puro e honesto como qualquer outra história alguma vez contada, e ainda por contar. Uma história de paixão, de desejo. De encontros. De namoro. De descoberta. Uma história de amor.

Um guião construído sob as subtilezas do percurso natural, que orienta o romancismo de uma relação. Uma cenografia bela na sua simplicidade. Futurista, mas próxima. Tão real como o menos distante dos amanhãs.

Um design de produção discreto e inteligente. Tão sólido como a transição das cores da roupa de Theodore ao longo das estações. Do salmão da Primavera da sua relação com Samantha, ao amarelo do Verão do amor que ambos partilham. Do castanho, e promíscuo Outono, até ao branco Inverno deste seu novo mundo.

Uma interpretação a rasar o perfeito. Um elenco de luxo, protagonizado por um Joaquin Phoenix, sem medo de sentir. Sem medo de chorar. Sem medo de amar.

Um mundo tão próximo de nós. Um mundo que é já nosso, sem nos apercebermos. Um mundo interligado na sua solidão. Sempre em contacto, mas eternamente sós. Sempre próximos, mas a uma distância constante. Um mundo onde é mais simples criar emoções, do que senti-las. Isolar-nos em nós próprios, em vez de enfrentar os nosso problemas. Fugir, em vez de falar.

Mas Her também é um mundo de possibilidades. De novas formas de amar. De estar presente, mas ausente. De dar valor ao sentimento, ao diálogo. À profundidade do coração, e da alma de cada um. À essência. Ao doce sabor de partilhar a tua vida com alguém. De sentir uma ligação mais forte do que os limites do real, e do imaginário. De sermos um, sem as barreiras do preconceito, do fútil, do físico, do visual.

Um mundo onde é possível apaixonarmo-nos tão completamente, que até o mais céptico dos cínicos não consegue ficar indiferente.

Her é um filme sobre Amor. Não sobre a relação Homem/Máquina. Não sobre a falsa sociedade em rede. Não sobre a depressão, ou o isolamento. Mas sim, sobre um Amor à distância. Um Amor real. Um Amor completo.

Her é uma história de amor.

Thursday, January 09, 2014

Descartáveis Cápsulas do Tempo

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Everywhere I travel, tiny life. Single-serving sugar, single-serving cream, single pat of butter. The microwave Cordon Bleu hobby kit. Shampoo-conditioner combos, sample-packaged mouthwash, tiny bars of soap. The people I meet on each flight? They're single-serving friends.

Fight Club (1999) 

Esvaziar a reciclagem. Tem a certeza? Sim. Ok. Delete. Um clique. Feito. Nunca foi tão fácil apagar alguém da nossa vida. Fotos, vídeos, e-mails, mensagens. Simples zeros e uns, efémeros e descartáveis como a própria tecnologia que os sustém. Qualquer contacto, qualquer perfil, é facilmente bloqueado, “desamigado”, “apagado” para sempre. Como se nunca tivesse existido. 

Em tempos, guardávamos cartas, postais, álbuns, cassetes e fotografias soltas em caixas de sapatos, baús, ou envelopes. Escondidos para nunca serem abertos, salvo aquele rasgo de nostalgia que inevitavelmente nos assolava. Algumas cartas podiam ser queimadas, algumas fotos também, caso a superstição não falasse mais alto. Mas era mais fácil guardá-las num canto do armário, ou numa prateleira do sótão. 

Hoje não. Ninguém escreve cartas. Ninguém revela fotografias. Os próprios álbuns já são digitais. Apagá-los é, para uns, uma obrigação, um mal necessário, exigido pelas novas personagens na história da sua vida. Para mim, é impossível. As memórias estão lá. Os momentos aconteceram. Não vale a pena pensar o contrário. Negá-lo é mentir a nós próprios e não aceitar seguir em frente. Embora para alguns, o acto de apagar seja visto como uma forma de catarse, para mim não passa da cobarde opção de fugir pelo caminho mais fácil. 

Digitais ou analógicos, guardo os meus mementos. As velhas caixas de sapatos, hoje substituídas por pastas, as cartas por e-mails e mensagens, as fotografias por JPEGs. Saíram do sótão para um canto remoto do meu disco rígido. Naturalmente guardadas entre pastas de memórias, documentos de trabalho, jogos, e outros que tais. Permanentes. Facilmente acessíveis. Recuperadas, se necessário, mas nunca apagadas. 

Mantenho-as por perto, a aguardar pelo dia em que as possa rever, com saudade, mas sem mágoa, com nostalgia, mas sem dor. 

Mais difícil, talvez, seja apagar os seus contactos. Seja o número de telefone, ou a amizade virtual, fechar eternamente uma porta exige muito mais de nós do que o acto de apagar as lembranças físicas, ou a memorabilia, que alguém nos deixou. Difícil mas, infelizmente, comum. 

Fora um ou outro caso pontual, de contactos que se perderam na transição entre o MSN Messenger e o facebook, ou que relutantemente permanecem distantes desses mundos virtuais, posso afirmar que ainda hoje mantenho os contactos de todas as pessoas que tiveram algum papel na História da minha vida. 

Devemos sempre fazê-lo. Não sabemos quando esse contacto pode vir a ser útil. Seja por motivos profissionais, ou pessoais. Não sabemos quando alguém pode mudar. Não sabemos quando nós próprios podemos ser a pessoa indicada para as ajudar. Não sabemos. Nada sabemos. 

É uma visão pragmática, mas necessária. Ninguém consegue alimentar trezentos, quinhentos, ou mil amigos. O normal é mantermos um núcleo duro entre cinco e dez amizades, mais uns quantos conhecidos e colegas de trabalho. O resto não passa de conveniência. Amizades momentâneas, que ocupam o teu tempo naquela longa viagem. Pessoas que te ajudam quando estás em apuros numa tarefa que não dominas. Amigos de amigos, que os entretêm, e a ti também. Pessoas que alimentam o teu portefólio de contactos. Pessoas que existem para aquele momento, e nada mais. 

Todos os contactos são importantes. Ou pelo menos têm potencial para um dia o serem. Todas as memórias são necessárias. Ajudam-nos a definirmos quem verdadeiramente somos. Apagá-las é um desperdício de energia, e a negação de tudo aquilo que aprendemos com elas. 

Lembrem-se que quando apagam alguém, uma foto, uma carta, ou um e-mail, estão também a apagar um pedaço de vós. Construam a vossa cápsula do tempo, contacto a contacto, objecto a objecto. E guardem-na. Mesmo que nunca tenham intenção de a abrir, encontram conforto em saber que o podem fazer. 

O tempo cura todas as feridas, mas as memórias não são infalíveis. É bom ter algo que nos ajude a recordar quem fomos em tempos. Pequenos pedaços com o poder de nos salvarem se algum dia nos encontrarmos perdidos, nas encruzilhadas do nosso caminho.

Thursday, November 07, 2013

Difícil simples gesto de Amar

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The Beatles, they had it all figured out, okay? 'I Want to Hold Your Hand.' The first single. It's effing brilliant, right?... That's what everybody wants... They don't want a twenty-four-hour hump sesh, they don't want to be married to you for a hundred years. They just want to hold your hand.

Rachel Cohn, Nick & Norah's Infinite Playlist

Encontro-me, por vezes, a pensar sobre os valores que fomos esquecendo. Escondidos por trás de um véu de conformismo paradigmático. De uma liberdade ilusória que nos encaminha para a solidão. Os Beatles acertaram logo no início. Apenas queremos dar a mão. Um gesto tão simples, tão profundo, tão doce, tão carinhoso, tão inocente, tão vulnerável. Um gesto tão real, hoje banalizado como o vazio de Amor de um romance promíscuo e efémero.

Damos a mão. Mas não sabemos amar. Esquecemo-nos. Gritámos por liberdade. Por uma sociedade sexual. Aberta. Sem tabus. Conseguimo-lo. Libertámo-nos. Mas esquecemo-nos de amar.

É comum vermos online uma foto de um casal de idosos, juntos há mais de 75 anos. A mensagem, traduzida ou não, é sempre a mesma. Um repórter pergunta ao senhor qual o segredo da longevidade do seu casamento. Ele responde, “no nosso tempo quando algo se partia, arranjávamos, não deitávamos fora.”

Hoje, é raro isso acontecer. É mais fácil desistir perante a primeira adversidade, do que trabalhar sobre o assunto, e encontrar uma solução para a ultrapassar. É comum ver um casal a separar-se mal esbarram contra a primeira barreira. Seja por falhas de comunicação, ou desinteresse. Por um exagerado facilitismo, ou ausência de motivação. Por falta de entrega. Por promiscuidade. Por serem demasiado liberais. Ou, por simplesmente, não se estarem para se chatear. Usam-se, e deitam fora, como uma pastilha elástica que já perdeu o sabor.

Não é suficiente dar as mãos. Saltam de uma amizade com benefícios para a seguinte. Dizem “amo-te” se for necessário. Mas não amam. Não fazem amor. São apenas dois corpos a saciarem-se. Dois corpos que não comunicam. Que se desapegam, culminado o seu prazer. São dois. Nunca um. São sexo. Nunca amor.

Não condeno one night stands. Nem tão pouco coloridas amizades, benéficas de mútuos acordos, tão mecânicos e impessoais, que não conseguem ser mais profundos que uma mera visita às Finanças. Não condeno a liberdade sexual. É um direito nosso. Um direito de experimentar diferentes formas de prazer, de nos explorarmos a nós próprios. De nos conhecermos melhor.

Condeno sim, a banalização do Amor. Condeno esta aparente apatia pela perda de um valor base. De algo que define a nossa própria existência. De algo que dá sentido à vida. De algo tão indescritível, de tanto bem que nos faz. Condeno o esquecimento da importância de amar. De sacrifício. De ultrapassar obstáculos. A dois, como um. Condeno a proliferação de uma vida a sós, eternamente promíscua e desprovida de compromisso.

“Não queremos uma sessão de 24 horas de sexo. Não queremos estar juntos até aos cem. Queremos dar as mãos.” Sentir o afecto um pelo outro. Amar. Saborear este pequeno momento. E, de mãos dadas, ultrapassar todos e quaisquer obstáculos que encontramos pelo caminho.

Amar é assustador. É uma entrega total. Impossível de explicar, mas fácil de compreender. Nem todos somos capazes de o fazer logo desde o início. Embora nasça connosco, precisamos de crescer para sermos capazes de o ouvir. Algo que era tão fácil na nossa infância, mas que esquecemos na adolescência. Todos. Cada um a seu ritmo. Aprendemos a amar. Aprendemos a nos entregar a quem amamos. Aprendemos a aceitar o Amor de braços abertos. A arriscar. A sermos felizes.

Não podemos sucumbir ao medo. À mágoa. À possibilidade de um desgosto. É natural temer pela incerteza do futuro. Mas esqueçamos isso. Apenas queremos dar as mãos. Os dois. Apenas queremos amar. A dois. Apenas queremos este momento. Para nós. Mas hoje, apenas queremos dar as mãos.

And when I touch you I feel happy inside, it's such a feeling that my love... I can't hide. You got that something, I think you'll understand. When I say that something, I want to hold your hand.

The Beatles, I Want To Hold Your Hand

Thursday, October 10, 2013

Summer Não é a Mulher dos teus Sonhos

Zooey Deschanel
Some people believe holding on and hanging in there are signs of great strength. However, there are times when it takes much more strength to know when to let go and then do it. 

Ann Landers

Summer Finn. É o nome da personagem imortalizada por Zooey Deschanel no filme (500) Days of Summer. É também o primeiro contacto que muitos de nós tivemos com uma Manic Pixie Dream Girl. A típica girl next door, bela, simples, excêntrica, infantil. Alguém capaz de reunir uma multidão à sua volta com não mais que um pequeno sorriso. Alienada no seu próprio Mundo, ingénua, sonhadora, mas decisiva.

Ao longo da hora e meia de filme, apaixonámo-nos por Summer, odiámo-la, e aceitámos a inevitabilidade de algo que não estava destinado a resultar. Nem todos nos revemos em Tom, afinal de contas, ele não é um típico rapaz. Como eu, não existe nada de vulgar nele. Não segue a norma do estereotípico jovem nos seus loucos anos vinte. Nem todos nos revemos em Tom. Não todos, mas eu sim.

Não é fácil crescer com uma imagem idílica de Amor. Não é fácil acreditar em destino. Na tal. Em apaixonados romances que surgem naturalmente após uma intrincada rede de fortuitas coincidências. Em encontros, e desencontros. Não é fácil aceitar que o controlo da nossa própria vida se resume a um pedaço de pequenas decisões que, de uma forma, ou de outra, nos levam em direcção ao mesmo lugar. Não é fácil acreditar no Amor. Não é fácil arriscar. Não é fácil sofrer. Não é fácil amar. Não é fácil.

Sonhamos com a rapariga ideal. Descrevemo-la. Cada pormenor desse sonho, cada traço da sua personalidade. Pedaços genéricos de alguém irreal. Desenhamos o seu rosto na nossa mente. Procuramo-lo por entre a multidão, sem sucesso, nem sorte. Acabamos por ceder. Tentamos encaixar o rosto de outra nesta imagem. Tentamos. Mas não conseguimos.

As Manic Pixie Dream Girls são giras. Usam muita maquilhagem. Ouvem a mesma música que tu ouves. Gostam de coisas alternativas e obscuras que apenas tu e mais ninguém conhece. Percebem as tuas referências, as tuas piadas, os teus devaneios pela cultura popular que consumiste ao longo da tua ainda curta vida. As Manic Pixie Dream Girls parecem ser perfeitas. São as raparigas ideais. As parceiras com quem todos sonhamos. São desejos transformados em realidade. 

São desejos. Nada mais. Personagens irreais. Produtos de uma popularização da cultura vintage. Do alternativo. Previsíveis objectos vazios de personalidades estereotipadas. Aborrecidos sonhos que, quando reais, desiludem. Desencantam.  Decepcionam. Destroem as esperanças de qualquer pobre coitado que se apaixone por uma. Todas elas são a Summer. Toda a Summer é uma Manic Pixie Dream Girl. 

Magoados pela desilusão de um sonho trocado por real, vemos crescer um eterno e momentâneo cinismo. Esquecemos o Amor. Desistimos do Romance. Desacreditamos tudo aquilo que faz de nós quem hoje somos. Desistimos de coração partido, até aquele dia. Aquele dia em que despertamos, e algo está diferente. O luto é ultrapassado. A desilusão perde-se nos confins do pensamento, e a mágoa não passa de uma fugaz lembrança de um passado, agora distante.

Seguimos em frente. Reaprendemos a Amar. Aceitamos Summer. Quem ela foi. Quem ela é. Quem fomos nós. Quem somos nós. Aceitamos Summer, e encontramos Autumn, Winter, ou Spring.

No fim, não desejamos nenhuma delas, mas sim alguém capaz de viver connosco todas as Estações. Todos os nossos Verões. E todos os nossos Invernos. 

Amamos, odiamos e aceitamos Summer. Summer e todas as Manic Pixie Dream Girls que se cruzam no nosso caminho. Desejamos a girl next door, mas apenas somos capazes de amar, de verdadeiramente amar, aquela com quem em tempos sonhámos e que, naquele mesmo dia, atravessou, por aparente acaso, o seu destino com o nosso.

Um dia perguntaram-me se o romance estava morto. Se o Amor tinha dado lugar a um apático cinismo hiperrealista. Não, o romance vive. Tão forte como sempre. Alguns apenas ainda não têm maturidade para o compreender. Outros, não passam de cínicos pontuais. Cínicos que ainda fazem o luto pela perda da Summer. Até ao dia em que também eles, vão acordar, para um Mundo mais alegre, mais sereno. Diferente. Repleto de expectativas. Com uma nova oportunidade mesmo ao virar da esquina.

Tuesday, September 03, 2013

Friendzone 1.0.1

(500) Days of Summer
Friendzone. Even though it’s a pretty popular term these days, very few people really know what it means. If a girl, or a boy, ignores you or doesn’t even know if you exist, you’re not in their friendzone, you’re either invisible, or you were rejected by them. When a girl you just met rejects you, or when you find out soon after you’ve met that she has a boyfriend, you’re not in the friendzone. You were simply rejected.

I’ve seen a few popular guys complain about how they are supposedly stuck in some girl’s friendzone, just because she won’t date them, either because she knows he’s not looking for anything serious, or simply because she doesn’t find him attractive. Again, you’re not in the friendzone. You just struck out.

By definition you’re only in someone’s friendzone if the two of you have been friends for a while, and you’ve just now realised you’re in love with her. Maybe the moment just passed you by, maybe she’s been in a serious relationship this whole time, or maybe you were. Nevertheless, now you have strong feelings for someone who’s very dear to you. You’re close friends and you don’t want to ruin it, but hey, the heart wants what the heart wants. Now, you’re definitely in the friendzone.

So, what can you do to leave such a terrifying place? There is no magic formula that will guarantee you’ll emerge victorious from such an endeavour. However, there is one simple solution that will help you know if this path is worth pursuing: Man up and go for it! If you’ve been close friends for a long time, it’s likely she doesn’t see you as a potential partner. You’re her friend, a sexless being who’s there to cheer her up when she’s down, to listen to her, and to have fun together every once in a while. You need to change this. I don’t mean you should start treating her like a jerk or anything, but just make her know that you find her attractive and that nothing would make you happier than the two of you ending up together.

If you’re both single, ask her out, treat her to a nice date. Just like you would if you two had just met. Make her realise that you have feelings for her. Most girls will immediately pick up where you’re coming from. They’ll either ignore it and hope it goes away (if they do this, they’re awful people, and you should just move on), or they’ll act on those feelings and confront you directly. 

If she feels the same way towards you, great. If she doesn’t, she’ll pull you aside, you’ll have a profound and meaningful conversation about your relationship, and, if everything goes well, you’ll keep being good friends. Just don’t let this go on for more than it should, it’s better to know how she feels, than to regret never having the nerve to find out. 

What’s the worst that could happen? She’ll say no? So what? You’ll have closure, and you’ll be able to move on. If your friendship is strong, even if it’s wounded by this, the wound will heal, and you’ll be friends again one day. 

Just remember, if you need to keep your distance after she turns you down, do it, she will respect your decision, and it will be for the best. Hearing her say No isn’t enough. You need to go over a period of withdrawal, just like you would if you had been in a relationship that just ended. Before you can be ok with her, you need to be ok with yourself.

What if you’re good friends with a girl who’s already in a relationship? 

This situation is somewhat different and more difficult to resolve. First of all, you should do a self-assessment of yourself and your feelings. Are you really in love with her? Are you just playing it safe because you’ve been through a bad break up and it’s easier to fall in love with someone who’s unavailable, than to risk it all out there in the dating scene? Or are your feelings nothing more than a less than innocent physical attraction? If you’re still hung up on her after going through all these questions, well, you’re basically screwed.    

This is the kind of situation where reality is very different from what you see in the movies. While in Hollywood the guy she’s dating is always a jerk who treats her bad, a comic relief that doesn’t deserve her, and that she’ll end up breaking up with sooner or later, in real life this is rarely the case. 

Even if you think the other guy is a jerk, he might actually be a great guy, and the best boyfriend she has ever had. If it does turn out to be that he’s actually a real jerk, you’ll need to spend some time evaluating their relationship. Have they just met or are they in a long committed relationship? Do you know for sure that he’s a jerk, or are you basing this assumption mainly on what she tells you about him? 

The truth is true passion only lasts from one to three years, depending on the couples’ dynamic and chemistry. After that, either the relationship ends or, if you’re really in love, you’ll have to find other things to make it work. Some people, especially women, choose drama, and start finding every little excuse for the two of them to fight, just so they can feel something strong and passionate, and especially, to make up afterwards. 

If you’re her confident, it’s possible that after every single fight she’ll run towards you for advice, or just looking for a friendly ear, or a shoulder to cry on. Remember, in these situations, most of the things she says, are actually exaggerated, and don’t reflect the entire truth of the events that have unfolded.


Some women will even lead you on to thinking that the two of you might have a future together. But they’re really just looking for a little escape from their current reality. They long to feel sexy, loved, wanted and desired once again. This is probably the worst thing any woman can do to you, especially if you have strong feelings for her.

If even after all this, you still have feelings for her, you can basically do one of three things. Go for it and risk it all. Get your feelings out there, show her how much you care for her. In most cases, no one ever breaks up with their boyfriend/girlfriend just to be with someone else, especially if they’re in a long committed relationship, so, you already know the odds are pretty much against you. However, you can only truly move on after she rejects you completely. Rejection is part of the process, don’t be afraid of it.

Wait. Simply wait until her relationship ends. It might happen, it might not. Time will tell. If her boyfriend is a real jerk, and if she’s not in an over dependent relationship, they’ll probably break up eventually. Even if it seems perfect, sometimes relationships just don’t work out, people drift apart, cheat, fall out of love and move on. However, you should still try to make your feelings heard. Not in an obvious way, but with subtlety. Women are very good on picking up signs, even if they don’t show it. Just be there for her, talk to her. Go out. Have fun. She’ll appreciate you for it, and she’ll turn to you right after her relationship ends.

If she’s leading you on, however, it’s a whole different ball game. Being there just isn’t enough, and, like I’ve previously pointed out, she’s probably just using you to spice things up in her relationship. In this case the best thing you can do is ignore her. If she misses you, or if she truly has feelings for you, she’ll come to you. Just wait. Women hate to be ignored, she’ll feel confused as to why you’re not talking to her anymore, and she’ll eventually give in and seek you out. 

In the end, it’s all a game, and you’ll need to be able to play it through ‘til the end if you want to hold on to any hopes of being in a relationship with her. If you’re lucky, you’ll meet someone along the way. If you do, you should first figure out if you’re able to move on from the girl who friendzoned you. If you feel you can’t, than there is no point in hurting someone else. 

In this situation you need to make a hard decision. You can take this new opportunity and be happy with someone who loves you, or you can keep being miserable waiting for someone who might never be available. The choice seems easy but it isn’t. If you do choose to be with someone else, keep in mind that the other girl will probably never be with you, even if her relationship ends and you’re single again. It might even strengthen her current relationship, because she’ll realise you’re not there anymore. There’s no longer a simple solution to her problems. No getaway car. No escape rope. Yes, she might find some other schmuck to take your place, but your window, if it was ever open, is now permanently closed.

There’s no ticket out of the friendzone. There’s just luck, chemistry and love. If two people connect, it doesn’t matter if they’re friends or if they’re unavailable for some reason. If two people are really in love, they’ll find a way to be together. Keep your eyes wide opened. There’s a new opportunity just around the corner. But above all things, don’t be afraid to say how you feel. Don’t be afraid to go for it. To risk it all. It’s always hard to hear her say No, but there’s nothing like that Yes, that you’ll only hear if you let her know how you truly feel.

Wednesday, January 25, 2012

Os Jovens Gostam de F*der?

Em 2005 escrevi uma crónica no meu antigo blogue com o título Os Jovens Não Gostam de F*der, nela falava sobre como era cada vez mais habitual os jovens banalizarem o sexo ao ponto de o tratarem como um mero alívio de desejos físicos, retirando o amor e qualquer sentimento da equação.

Limitar o acto sexual à simples concretização do prazer físico retira todo e qualquer valor ao gesto de entrega à pessoa em questão. Não há emoções, não há uma continuidade de desejo, não há um interesse pela descoberta da essência da outra pessoa, e de ambos como uma unidade. Há apenas um vazio, um orgasmo forçado, um sentimento de que ambos apenas foram usados à falta de melhor.

Sete anos passados desde a publicação desse artigo, embora a minha opinião se mantenha, não vou tão longe ao ponto de afirmar que os jovens não gostam de f*der, porque a verdade é que gostam e muito, contudo, a grande maioria não sabe fazer amor, se é que alguma vez o fez.

Nas inúmeras conversas que já tive com pessoas popularmente promíscuas, sem contar com os casos de ninfomaníacos diagnosticados, as respostas à pergunta sobre porque o fazem é sempre a mesma: “É diversão, ambos sabemos disso, não há problema”.

Curiosamente essas mesmas pessoas volta e meia afirmam que por mais “divertida” que essa vida seja, no fim do dia acabam por se sentir sós, por sentir a falta de algo mais, de poderem estar com alguém que não desapareça na manhã seguinte. Alguém que é apenas sua, alguém que sejam capazes de amar, alguém com quem o sexo não seja apenas um acto físico, mas sim a máxima ilustração do amor que sentem um pelo outro. 

Por mais tentador que o desejo seja, a sua própria definição martiriza-nos a um fim decepcionante. Apenas desejamos algo que não temos, depois de o conquistarmos já não precisamos de o desejar, o desejo morre e o prazer perde-se numa efémera desilusão. Já o amor é algo mais sólido, mais duradouro, uma ligação que vive além da simples paixão, algo pelo qual vale a pena lutar, e que, quando é verdadeiro, nos dá mais prazer que o mais selvagem dos desejos.

Por mais intenso que o sexo seja, o real momento de felicidade não acontece durante o orgasmo, mas sim depois, quando a seguramos nos nossos braços e ambos os nossos corações batem como um. Quando nos perdemos no olhar da outra pessoa e naquele momento sabemos que a amamos. Não há melhor sentimento que esse.

Não importa o número de parceiros ou a quantidade de sexo. É muito melhor o calor da pessoa que amas, quando ao fim de dez anos juntos continuam a sentir o mesmo que no primeiro dia, do que partilhar a tua cama com uma pessoa diferente todas as noites e sentires o frio do teu quarto na manhã seguinte.

Embora não compreenda como essas pessoas conseguem agir assim, aceito-as como elas são, acreditando que um dia possam ser capazes de concretizar a vontade, que por vezes demonstram, em encontrar algo pelo qual valha a pena lutar. Como alguém me disse há pouco tempo: “Não me faz diferença que outras pessoas o façam, mas eu não funciono assim”.

Monday, October 17, 2011

Amor

Quando era pequeno costumava sonhar com a mesma rapariga noite após noite. Tinha olhos verdes, e cabelo ondulado de um castanho claro, quase loiro. Não me lembro dos pormenores dos sonhos, apenas que estávamos juntos, e que era feliz. Na verdade, há apenas um momento que me lembro com maior detalhe. Estávamos no jardim perto de minha casa quando chegou uma ambulância, ela entrou lá dentro e levantou voo.

Embora fosse novo demais para saber o que era amor, lembro-me de me sentir muito triste sempre que acordava, como se uma parte de mim tivesse sido retirada contra a minha vontade. Com o passar dos anos os sonhos tornaram-se menos frequentes, chegando ao ponto em que não me lembro da última vez que sonhei com ela. Mas, com o tempo, também ela crescia. O seu cabelo foi escurecendo. Começou a usá-lo apanhado em rabo-de-cavalo, em vez de solto. Os seus olhos de um verde brilhante eram dos mais belos que alguma vez vi.

Durante algum tempo tentei procurá-la mas, nas raras vezes que conhecia uma rapariga com as suas características, ela acabava por não corresponder àquilo que tinha imaginado. Após algumas tentativas falhadas, apercebi-me que não devia basear-me no aspecto físico, mas sim no sentimento que a sua simples presença despertava em mim. Esse sentimento é a base da minha definição de amor.

Acordar e sorrir por esse alguém estar no meu Mundo. Dar graças pela certeza que o que sentimos é real e não apenas um sonho. Ser feliz, ser inteiro, ser parte de algo mais. Ser capaz de me entregar a um nível em que ambas as almas se despem e assumem a sua vulnerabilidade na segurança do seu amor. Partilhar cada momento e querer tê-la ao meu lado quando todos os meus sonhos se concretizam. Afastá-la de qualquer dor, e confortá-la quando esta for inevitável. Para mim, isto é amor.

Não apenas paixão, ou desejo, mas algo mais seguro. Mais quente, mais permanente. Algo que desafia o próprio Universo. Algo que ultrapassa as barreiras do espaço e do tempo. Uma fé mais profunda que a de qualquer religião.

Por mais que o tente descrever, todas as palavras ficam sempre aquém desse subconsciente sentimento que criou em mim a imagem daquele alguém com quem devo partilhar o meu destino.

Ao dizer “amo-te” assino um contrato sob o nosso futuro. És a realização do meu sonho mais antigo, da primeira certeza que tive antes de me conhecer a mim próprio. A realidade de um sentimento desejado. Amar-te é sermos um, uma unidade maior que o próprio Universo. Amar-te é ser feliz. Amar-te é saber que és tu. É saber que sempre foste tu.

Thursday, February 21, 2008

Indecisões

Às vezes, o melhor a fazer é retomar todos os nossos passos e começar de onde partimos. Aquilo que perdemos, aquilo que procurávamos, tudo ao alcance de uma breve introspecção, regressão, ou outra coisa qualquer que no fim acaba por querer dizer o mesmo. Aconteça o que acontecer, vejo-me sempre a regressar ao ponto de partida.

Já lá vão seis anos, mas cá estou eu outra vez. Muitas vezes me questionei se não estava meramente a deixar os erros repetirem-se, os passos em falso amontoarem-se, ou ambos.

A verdade é que já não acredito nisso. Embora seja finalmente capaz de me abstrair da equação, torna-se muito complicado encontrar um motivo, ou pelo menos uma justificação simples para este contínuo retrocesso.

Não sei até que ponto a constante alteração das variáveis contribua para alguma espécie de progresso, mas certamente não ajuda a encontrar o culpado de entre todas as possibilidades que culminam sempre na mesma situação. Na mesma lógica de actos.

Hoje podia ter feito algo mais. Havia um elefante na sala, e a sala era bem grande, mas faltou ou esteve lá aquilo que sempre esteve, ou talvez nunca tenha estado. Por que não foi o motivo do costume suficiente desta vez? Estarei a dar ouvidos às vozes que me revolvem? Vozes essas que tenho ignorado todo este tempo.

Mas como vou saber que esta é uma situação em que as vozes nada têm para dizer? Como posso ignorar um elefante? Devo ignorá-lo só porque penso em algo diferente? Devo seguir aquilo que não tenho, como dizem as vozes? É impossível dar ouvidos a algo que nada faz sem ser existir. Nada lhe trespassa. Nada o convulsa.

Lembro-me dos nomes. Lembro-me dos motivos. Não me lembro de nada que me faça avançar. Quando nada posso fazer, nada adianta fazer. Mas quando posso fazer algo, por que opto por nada fazer? Por que quero fazer nada?

Hoje vi um elefante, mas ignorei-o. E se não mais o vir?

Thursday, January 31, 2008

A loser in this game of love

Uma Cadeira Vazia, Foto: Adriano Cerqueira
Já passou tanto tempo. Não me lembro de datas, não tenho noção do tempo. Lembro-me das faces. Lembro-me dos momentos. Lembro-me da dor. Mas não me lembro de mais nada.

Não me lembro da felicidade. Não me lembro dos bons momentos. Não me lembro de sentir. Não me lembro de amar. Não me lembro, pois não há nada para relembrar.

De que vale o apelo de alguém capaz de trocar todas as suas memórias pela amnésia de algo que nunca teve? Vejo esse alguém, como a mim próprio, e não percebo o porquê dele continuar a participar num jogo em que nunca conheceu o sabor da vitória, ou qualquer outro sabor, se formos realistas.

Agora que o vejo novamente a arriscar, continuo sem perceber o que o move. Por que pensa ele que será diferente desta vez? Como consegue uma pessoa não se fartar das mesmas respostas? Das mesmas frases? Das mesmas desculpas?

Vale a pena ser continuamente trespassado e remetido para um ressentimento intenso? Ressentimento esse, que o transfere para um mundo demasiado obscuro e vil, repleto de indiferença, e dor.

O que é esse pote dourado que este sujeito tão tristemente procura, deixando-se levar pelas ondas e intrigas de um destino cruel, que irrisoriamente tenta transformar a sua vida numa cósmica anedota?

Será essa miragem tão valiosa que o faça continuamente insistir, e continuar a levantar-se por mais vezes que seja ferido, independentemente da gravidade dos seus ferimentos?

Duvido que consigas aguentar mais um golpe profundo, por mais que digas a ti próprio que és capaz. Já imaginaste o que vais perder? Não te lembras de tudo aquilo que passaste? De como te encontras agora? Queres mesmo voltar a passar por tudo isto outra vez?

E se desta vez não te conseguires levantar? Se for este o último aviso antes do fim? Por que jogas vezes sem conta com a tua própria vida? Não tens amor próprio? Julgas-te tão insensível à dor? Não chega? Não estás farto? Porquê?

Porque vale a pena. Porque ela vale a pena.

Saturday, July 22, 2006

Screaming into the Dark

Quantos dias teriam passado? Que luz era aquela que lhe encadeava os olhos? Alguém podia saber, mas ele já não tomava conta dos dias, nem tão pouco se importava com o que se passava à sua volta, mesmo que esta luz lhe doe-se como se as suas Íris estivessem a arder.

Hoje não seria um dia diferente, apenas mais um dia daqueles que vieram a seguir ao impensável. Mas ontem houve algo diferente, um simples telefonema, que não fosse pela persistência da chamada, nunca teria sido atendido. A voz do outro lado apanhou a sua atenção. Seria mais um palhaço a tentar enchê-lo de propaganda enganosa? 

Desta vez não. A voz era familiar, alguém do passado, alguém que tinha boas notícias, coisa rara por estas bandas. Apesar do cepticismo ele concordou em encontrar-se com a voz. Mal se apercebeu de que a luz era a de mais uma amanhã, a manhã do dia seguinte, do dia que tinha algo para fazer. Despertou, e preparou-se para ir ao seu encontro.

Ainda era de manhã quando se encontraram. Já tinha passado alguns anos desde a última vez que se viram, mas qualquer sentimentalismo, ou saudade, eram coisas que não podiam ser associadas a este momento. A voz pertencia ao seu filho.

“Vem. Descobri uma maneira de a salvar.”

“Foi para isso que me chamaste? Não tenho tempo para parvoíces.”

Virou as costas para se afastar, mas parou quando sentiu o seu braço a ser agarrado, puxando-o para trás.

“Se fossem parvoíces não te teria chamado!”

Ele viu nos seus olhos que ele dizia a verdade. 

Entraram ambos num armazém, ao fundo estava uma estrutura metalizada oval, com uma cadeira no centro, como uma espécie de cápsula.

“Entra lá dentro”, disse o seu filho.

“O que vai acontecer?”

“Consegui fazê-lo, posso levar-te ao momento antes...”

“‘Tás à espera que acredite que aquilo é capaz de contrariar as leis do tempo e do próprio destino?!”

“Do destino, só cabe a ti descobri-lo, mas do tempo sim. Agora, entras lá dentro ou vais continuar a desperdiçar o resto da tua vida?”

“Hmm... Sempre foste muito teimoso...”

Ele entrou na estranha cápsula, apesar de continuar céptico, uma pequena onda de esperança começava a formar-se dentro dele. Depois do seu filho accionar o mecanismo inicial, e de lhe explicar o que tinha de fazer, a cápsula fechou-se e ele adormeceu.

Alguém sabe o que é perder um verdadeiro amor? Talvez ninguém, mas ele sabia-o. Tudo aconteceu há uns meses atrás. Ou já seriam anos? Pouco importa, a data precisa perdeu-se nos fios do tempo. Numa fresca noite primaveril, passeavam pela floresta, nada havia a temer. Já o tinham feito muitas vezes, mas algo estava diferente, ele não se sentia ele, todo o seu poder tinha desaparecido. Sentia-se normal, mas estando ela ali, não havia tempo para pensar nisso. 

Aquela noite foi mesmo muito diferente. Da escuridão surgiram algumas sombras que sem aviso ou qualquer tipo de motivo decidiram atacar. Eles fugiram até onde puderam, mas as sombras encurralaram-nos. Ele tentou lutar, mas eram meras sombras, e ele sentia-se muito enfraquecido como nunca antes se tinha sentido. 

Três foram as flechas que trespassaram o peito da sua companheira, que ali jazia apenas com forças para um último olhar. Com isto o seu poder retornou, mil vezes aumentado pela raiva, e pela dor. Com facilidade derrotou as sombras, mas porque é que o seu poder se tinha dissipado? Porque tinha ela de morrer? Chegou o dia de obter a resposta a estas perguntas.

A cápsula finalmente chegou ao seu destino. Despertou, quando ela se abriu. Olhou para as horas, já faltava pouco tempo, tinha que se despachar. Estava na mesma floresta, exactamente como se lembrava. Decidiu antecipar-se e procurou o local onde eles tinham sido encurralados. Lá, esperou que eles chegassem. Um movimento chamou a sua atenção, pouco tempo depois. Lá estavam eles, e lá estavam as sombras. 

Concentrando todo o seu poder dirigiu um jacto de energia destruindo todas as sombras. Mas as flechas já tinham sido lançadas. Só havia uma coisa a fazer. O último sacrifício por quem ele amava. Colocou-se a si próprio em frente delas e assim foi ele atingido em vez dela. Logo ali desapareceu. O universo inteiro rodou na outra direcção. O destino e a vida de ambos voltou ao normal, como se o encontro das sombras nunca tivesse acontecido.

O sacrifício de alguém que morreu naquele dia, culminou na sua verdadeira morte. Era o que tinha a fazer. Ele podia já não existir, mas o seu outro Eu, que não passa dele mesmo, esse nunca terá que passar por aquilo. 

O seu filho talvez soubesse que era assim que as coisas se viriam a desenrolar, mas nem ele próprio guardou memórias do herói que o seu pai nunca foi. Esta amostra de verdadeiro amor ficou perdida no tempo. Esquecida para sempre, mas eternamente viva nas vidas que foram salvas naquele dia, e nos destinos que se alteraram.