Thursday, April 03, 2014

Valor da Amizade

Carnaval de Ovar, 2011
Vivo acompanhado por todas as memórias que vivi. Cada momento tão presente como o agora. Cada superfície tão real como este teclado. Cada sabor, cada cheiro, cada som. Múltiplos Eus, envoltos numa conversa constante. Em silêncio observam. Vivem o Hoje comigo, sonham com o Amanhã, e sorriem com o Ontem de cada um. Um talento, uma maldição. Enfim, o contexto. Apenas o contexto pode responder.

Tem as suas vantagens, não o nego. Neste momento enquanto escrevo, não estou aqui. Transporto-me para aquela tarde de Agosto em 2011. Estou em Roma, no Coliseu, a olhar para as ruínas do Fórum Romano em frente. O Luís está ao meu lado de câmara na mão. Sinto o sol a acariciar o meu rosto. Sorrio e deixo-me envolver pelo calor.

De todas as viagens que já fiz, esta é aquela que mais vezes procuro relembrar. Aquelas noites quentes a beber Bacardi no jardim do Hostel em San Giovanni. As viagens de autocarro sem pagar, sempre atentos aos míticos revisores que pareciam não existir. Sentir o peso de séculos de História a cada passo que dávamos. Guardo essa viagem com um profundo sentimento de saudade, e com uma igual vontade de um dia lá regressar.

Esta foi também a última grande viagem que fiz com os meus amigos. Tínhamos a ambição de fazer uma todos os anos. Por diversas vezes reunimo-nos para tentar marcar a próxima, mas sem efeito até hoje.

É raro encontrar um grupo de pessoas com quem partilhamos um vasto leque de interesses, mas que além de concordarem entre si, também são capazes de debater os seus pontos de vista, de se complementarem, e de gozarem uns com os outros. Um grupo capaz de estar lá para partilhar os bons momentos, mas que também seja capaz de se apoiar nos piores.

Todos temos os nossos defeitos, e as nossas virtudes. Evoluímos a cada dia que passa, a cada conversa que temos, a cada ideia que partilhamos. Construímo-nos introspectiva e socialmente, através da cultura que consumimos, e das experiências que partilhamos uns com os outros.

Não é necessário definir a amizade, tal como o amor, é algo que se sente, que começa num instante indefinido, e que se propaga através do tempo. Sem nos apercebermos que está a acontecer.

Tal como o romancismo, também a amizade é hoje vítima de uma perpétua desvalorização. Chamas amigos aos contactos do facebook com quem nunca falaste, ou conviveste. Sais com desconhecidos sem nunca debateres uma única ideia, por mais básica que seja. Perpetuam um silêncio amorfo e incomodativo, sem qualquer ambição por algo mais. Fala-se em códigos, ignoram-se relações. Estás lá por conveniência. Aborreces-te, e continuas sozinho por entre uma multidão. E quando chega aquele momento em que precisas muito de alguém, vais estar só. Pois, isto não é amizade.

A chamada friendzone apenas perturba esta equação. Pois se não pode haver amor sem amizade, porque continuamos a acreditar que o oposto é impossível? Talvez funcione melhor se nos deixarmos envolver pela paixão, e formos construindo a amizade pelo caminho. Mas sem amizade, nenhum amor sobrevive. Quando uma ligação é real, não importam os anos, ou os momentos que partilharam. Há algum risco, talvez, se a vossa amizade não for construída numa base de comunicação aberta e de confiança. Um risco que vale a pena. Por mais longa que seja a passagem das águas sob a ponte da mágoa, chega enfim o dia em que estas cessam, e a amizade pode ser reconstruída.

Em tempos disseram-me que não se luta por uma amizade. “Se não se luta por uma amizade, que mais há pelo qual lutar?” Foi esta a minha resposta, e ainda hoje a mantenho.

Não usem este termo em vão. Sejam bons amigos. Não tenham medo de entregar um pouco de vós. Não o façam ao desbarato. E não se fechem por entre quatro paredes. Por mais ocupada, ou complexa que seja a vossa vida, há sempre tempo para um café. Por mais anos que passem, quando a amizade é real, o sentimento mantém-se.

O valor da amizade é algo que vale a pena ser defendido. É algo pelo qual devemos sempre lutar. Não pensem em demasia. Não deixem para amanhã. Regressem comigo àquela tarde em Roma. Explorem. Cresçam. E não se esqueçam de se divertir.

Anoiteceu. Estou sentado naquele jardim a beber Bacardi e a contemplar a beleza da noite romana. Uma memória agradável, ainda hoje tão presente.

Tuesday, August 16, 2011

Prólogo

Em qualquer aventura, o que importa é partir, não é chegar.
Miguel Torga

Uma viagem, como uma boa história, começa com uma simples ideia. A ideia pode surgir de uma conversa, de um cartaz que nos chama a atenção, de um sonho deixado por concretizar, ou de uma simples vontade de quebrar a rotina. Esta não foi diferente.

Tudo começou ainda em finais de 2009, eu, o Luís e o Paulo, tínhamos acabado de ir correr até ao Furadouro. Já antes tínhamos falado de uma viagem pela Europa de carro, sem nunca irmos além do desejo por realizar. Mas algo começou a mudar, a ideia ganhou forma, e essa mera vontade era agora um plano, um projecto prestes a tornar-se realidade.

Após deixarmos o Paulo em casa, seguimos para as nossas, uma viagem rotineira que, não fosse pela imprevisibilidade do trânsito, seríamos capazes de fazer de olhos vendados. Quando já passávamos perto do nosso velho liceu, perguntei ao Luís se a “Eurotrip” – nome com que baptizámos a nossa epopeia pelas estradas da Europa – se iria realizar. Foi com a simplicidade do seu “sim” que, naquele momento, o percurso começou a ser delineado. Apenas faltava partir.

Thursday, September 23, 2010

Entre Londres e Paris escolho Ovar

Sempre quis ir a Londres, mas nunca fui. Já Paris, cheguei mesmo a comprar um bilhete, mas não embarquei. Hoje queria lá estar.
Adriano Cerqueira

Ao entrar para a faculdade uma das coisas que mais me impressionou foi o facto de ser rara a pessoa que não tinha visitado Londres pelo menos uma vez. No início senti alguma inveja aliada a uma sensação de não-pertença. No meu velho liceu podia contar pelos dedos o número de pessoas que tinham viajado para fora da Península Ibérica, daí ser compreensível estranhar profundamente esta diferença.

Cedo limitei-me a ignorar esse facto, no fundo é um mero pormenor que apenas me forçava a ficar calado nos raros momentos em que esse tema surgia. Apesar de sempre ter tido vontade em visitar Londres nunca fiz nada de forma a concretizar essa viagem. Contudo, por duas vezes isso esteve perto de acontecer.

A primeira ainda no início da minha adolescência quando a Windsor School me propôs para passar um mês em Inglaterra em casa de uma família de acolhimento que recebia alunos estrangeiros. Contudo, o programa custava cento e cinquenta contos (cerca de setecentos e cinquenta euros) o que na altura era um custo muito elevado para os meus pais suportarem. Para não falar que a ideia de passar um mês em casa de estranhos não me agradava em nada. Hoje gostava de ter podido aceitar essa oportunidade.

A segunda foi no meu décimo segundo ano. A minha turma estava a planear uma viagem de finalistas que não a típica semana em Lloret del Mar, e que não envolvesse quaisquer gastos. Para tal procurámos patrocínios e vendemos bolos, entre outras coisas, no liceu de forma a pagarmos a viagem. O objectivo era ir a Londres, contudo, não conseguimos juntar dinheiro suficiente para levar a turma toda lá, mesmo com recurso a companhias low cost. Optámos então por ir a Coruña e Santiago de Compostela onde ficámos cerca de uma semana.

De facto, apenas este ano consegui viajar para fora da Península Ibérica. Apesar das inesquecíveis passagens por Colónia, Amesterdão, Roterdão, Bruges, Leuven e Bruxelas, Londres e Paris ficaram fora do itinerário. A segunda, curiosamente, fez parte do plano de viagem até ao último minuto. Planeávamos ir de comboio directamente para Paris a partir de Charleroi, mas tais gastos iriam implicar um esforço financeiro que nenhum de nós estava disposto a fazer, já para não dizer que apenas íamos passar um dia na capital francesa, o que inviabilizava desde logo qualquer experiência turística digna desse nome.

Tarde ou cedo irei a Londres. Talvez já no próximo ano, talvez um dia vá para lá estudar, trabalhar, viver, como desde sempre planeei. Por enquanto não faz sentido lá ir. Este ano já olhei um T-Rex nos olhos, posso esperar pelo momento em que me encontre directamente por debaixo de um Diplodocus. Sinto que a Londres, mesmo à distância, já lhe disse aquilo que tinha para dizer. Um destino do passado, como um velho desejo, não passa disso, de uma memória guardada de velhas certezas que hoje pouco mais são que simples ilusões.

Destino, fado, sorte, pode ser que um dia, por um destes, ou por outros motivos, o meu caminho passe por lá, mas por agora, é apenas um lugar que, por mais próximo, é para mim eternamente distante.

Já Paris, essa concubina martirizada de uma História ainda por escrever, é um destino que guarda em Lisboa o segredo da sua vontade.

Era 2008, tinha acabado de ganhar um passe InterRail. Passei meses a planear a viagem, reservei várias pousadas nos diversos destinos que propunha visitar. Cheguei mesmo a comprar um bilhete de ida para Paris. Poucos dias antes de embarcar ainda não tinha encontrado alguém que quisesse aventurar-se comigo. Estava convicto que era capaz de fazer esta viagem sozinho, mas no momento da verdade os elevados gastos envolvidos e o medo das diversas coisas que me podiam acontecer sem ninguém ao meu lado para me ajudar, fizeram-me desistir da ideia. O dia do voo chegou e eu não parti.

Talvez devesse ter procurado Paris mais cedo, talvez devesse ter feito algo mais ao invés de simplesmente aceitar a inevitabilidade de algum dia por lá me aventurar. Perdi a minha oportunidade e a janela fechou-se. Já lá vão dois anos e nada mudou. Mesmo Lisboa, que visito pelo menos uma vez por ano, mostra-se demasiado distante. Podia ser tão perto como o Furadouro e, mesmo assim, além do meu alcance.

Hoje queria lá estar. Não desta forma pois sentir-me-ia a mais num sítio já de si sobrepovoado, mas sim ao seu lado, só com a cidade. Talvez um dia, talvez nunca.

Entre Londres e Paris escolho Ovar. Cidade que inúmeras vezes me rejeitou e eu a ela. Lugar que me acolhe sem nada pedir em troca. Sítio que bem conheço. Espaço onde pertenço. Casa.

É difícil lá ficar. É difícil lá querer estar. É mais difícil de lá sair. Hoje não queria lá estar. Hoje não vejo outra cidade onde quisesse estar.

Monday, August 30, 2010

As Terras do Meu Verão

Foto: Mar do Furadouro, Ovar; Autor: Adriano Cerqueira
Portugal
  • Aveiro (Visita, Compras&Utilidades)
  • Carriço (Almoçar)
  • Coimbra (Visita)
  • Faro (Aeroporto)
  • Fátima (Visita ao Santuário e Igreja da Santíssima Trindade, Compra de Estrelinhas de Fátima)
  • Figueira da Foz (Visita)
  • Leiria (Passagem)
  • Lisboa (Jantar, Transbordo, Walking with Dinosaurs: The Live Experience)
  • Oliveira do Douro (Visita)
  • Porto (Cinema)
  • São Jacinto (Viagem de Bicicleta)
  • Torreira (Praia)
  • Vila Nova de Gaia (Transbordo)

Alemanha
  • Colónia (Visita, Dormida)

Holanda
  • Amesterdão (Visita)
  • Haarlem (Visita)
  • Keukenhof (Visita)
  • Roterdão (Almoçar, Visita)
  • Santpoort (Dormida, Visita, Praia)

Bélgica
  • Bruges (Dormida, Visita)
  • Bruxelas (Visita)
  • Charleroi (Aeroporto)
  • Leuven (Dormida, Visita)
  • Waterloo (Visita)

Wednesday, July 21, 2010

Eurotrip... Eu vou!

Eurotrip, Imagem DR


Na próxima sexta-feira embarco à descoberta de novas aventuras pelas estradas europeias. Após a minha chegada vão poder deliciar-se com o diário da minha Eurotrip, mas até lá fica aqui o itinerário da viagem:

23 de Julho
  • Partida de Ovar (14h/15h)
  • Chegada a Aveiro e Partida para Faro (16h)
  • Chegada a Faro (22h)

24 de Julho
  • Partida para Charleroi, Bélgica (10h)
  • Chega a Charleroi (13h)
  • Partida para Colónia, Alemanha (14h)
  • Chegada a Colónia (17h)

25 de Julho
  • Partida para Haarlem, Holanda (12h)
  • Chegada a Haarlem (17h)
  • Primeira noite em Amesterdão, Holanda

26 de Julho
  • Segunda noite em Amesterdão

27 de Julho
  • Partida de Haarlem para Bruges, Bélgica (12h)
  • Passagem por Roterdão, Holanda
  • Chegada a Bruges (20h)

28 de Julho
  • Partida de Bruges para Leuven, Bélgica (12h)
  • Chegada a Leuven (15h)
  • Possível visita a Bruxelas, Bélgica
  • Primeira noite em Leuven

29 de Julho
  • Segunda noite em Leuven e possível regresso a Bruxelas

30 de Julho
  • Partida de Leuven para Charleroi (9h)
  • Chegada a Charleroi (10h)
  • Partida para Faro (13h)
  • Chegada a Faro (16h)
  • Partida de Faro para Lisboa (17h)
  • Partida de Lisboa para Ovar (21h)

31 de Julho
  • Chegada a Ovar (1h)

Durante a Eurotrip só há uma verdade universal: Scotty Doesn't Know! E apenas uma regra: O que se passa fora de Portugal, fica fora de Portugal! (Com a devida excepção aos relatos do diário de viagem).