Sunday, October 21, 2012

Portfólio Online

Cronologia de Experiência Profissional e Académica; Autor: Adriano Cerqueira
Embora ainda me reste cerca de mês e meio antes do meu regresso forçado ao mercado, decidi antecipar-me e reconstruí o meu portfólio online. Após dois anos de desleixe, finalmente encontrei a inspiração e a motivação necessárias para o renovar.

Decidi começar do zero e reconstruí-lo a partir da base, começando logo pela imagem, dando ao meu portfólio actual uma face completamente renovada em relação à sua versão anterior. O preto e branco niilista da primeira versão é substituído por um azul sóbrio, em convergência com as marcas dos media da minha autoria, Rádio da Rádio (podcast) e Mercúrio do Porto (jornal e blogue).

Dotado de uma interface clássica e de simples navegação, o meu portfólio é dividido em 10 secções. A Home, que apresenta uma breve biografia, a minha situação actual de emprego, e o meu currículo profissional e académico, assim como as minhas aptidões, conhecimentos linguísticos e prémios obtidos. As seguintes páginas dedicam-se à apresentação de alguns trabalhos e projectos de maior relevo que desenvolvi ao longo da minha carreira quer profissional quer académica.

A secção RTP apresenta uma lista dos projectos em que estou ou estive envolvido ao serviço da Academia RTP. Nas secções Video, Photography e Multimedia são apresentados alguns dos meus trabalhos nestas áreas. A página Media Relations destaca a minha experiência profissional a nível da assessoria de imprensa e comunicação interna, através da listagem das funções e dos principais objectivos alcançados ao serviço das empresas que representei. A página Journalism apresenta algumas das peças que produzi para o Mercúrio do Porto e Rádio da Rádio, assim como diversos artigos e reportagens que realizei ao longo da minha licenciatura, acentuando as colaborações que tive com a JPR e o JPN.

Já as páginas News e Contact Me são por si só explícitas. A primeira apresenta um blogue em jeito de diário onde indico regularmente as novidades que vou tendo quer a nível laboral, quer a nível académico, assim como quaisquer alterações significativas que venha a fazer ao meu portfólio. A segunda, além dos meus contactos, apresenta uma lista dos meus blogues e um formulário para entrarem directamente em contacto comigo.

O header do site é comum a todas as páginas. Azul-escuro com o logótipo no lado esquerdo e botões de acesso aos meus perfis das redes sociais, facebook, twitter e linkedin no lado direito.

Logótipo; Autor: Adriano Cerqueira
O logótipo foi inspirado no logo da Rádio da Rádio e no conceito do Mercúrio do Porto. As minhas iniciais apresentam-se envoltas em duas esferas que representam dois mundos em eclipse. As antenas no A são uma analogia para a conectividade do meu portfólio, e os dois satélites representam a minha diversidade de áreas. As iniciais dividem-se entre as minhas competências para Comunicação de Ciência e Audiovisual, enquanto os dois satélites representam as áreas de programação e webdesign que embora domine menos também fazem parte das minhas competências profissionais.

Porquê em inglês? Creio que quanto a esse aspecto a verdadeira questão seria “porquê em português?”. Ao mesmo tempo que ao criar um site de raiz todo ele em inglês fluído demonstro as minhas capacidades de domínio dessa língua, também é uma forma de internacionalizar as minhas hipóteses de encontrar emprego e de promover a minha imagem perante um eventual empregador internacional. Não coloco qualquer entrave a emigrar, sendo inclusive uma hipótese que a cada dia que passa me parece cada vez mais inevitável.

Ao contrário do meu portfólio anterior pretendo manter este actualizado com alguma regularidade, quer através dos artigos na secção de notícias, quer através de novidades a nível de projectos e de actualização de currículo.

No ar há cerca de dois meses, dou por agora terminada a fase de beta testing. Vou começar a divulgá-lo nos meios habituais, estando, contudo, aberto a quaisquer sugestões, comentários ou críticas construtivas para melhorar o desempenho e a eficácia do meu portfólio.

Saturday, December 31, 2011

Concluído

Procrastinar foi a palavra de ordem do último ano. Nem sempre provocada por simples preguiça, a verdade é que o eterno defeito de adiar, e deixar tudo para as últimas, acabou por deixar a sua marca nas etapas finais do desenvolvimento, e da defesa da minha tese de Mestrado.

Embora oficialmente tivesse iniciado a dissertação no dia 13 de Setembro de 2010, foi apenas em Janeiro deste ano que comecei a trabalhar mais a sério na sua execução. Durante os primeiros meses, o meu emprego em Coimbra e o stress das viagens constantes tornavam os meus fins-de-semana muito pouco produtivos, a acrescentar a isto, as lides domésticas e a preparação do jantar, elementos naturais da minha primeira experiência a viver fora de casa, tomavam conta das minhas noites tornando-me incapaz de mexer uma palha que fosse ao final do dia, quanto mais encontrar inspiração para ler ou para escrever.

Foi apenas quando troquei de emprego e voltei para casa, que pude ter tempo para me dedicar à tese. Ao contrário de Coimbra, em vez de um dia por semana, apenas tinha direito a uma tarde livre, com horas extra todos os dias para a compensar. Mas esta aparente diminuição do meu tempo livre acabou por ser vantajosa por um simples motivo: as viagens de comboio. Todos os dias gasto em média duas horas em transporte do trabalho para casa.

Decidi aproveitar esse tempo para ler artigos e delinear as minhas ideias para a tese. Durante o mês de Fevereiro não fiz outra coisa. Após a leitura dos artigos chegava a casa e seleccionava as passagens dignas de ser citadas, criando blocos de citações sob os diversos títulos das secções da minha tese, blocos esses que ao longo dos restantes meses tratei de preencher e repreencher através de ideias de ligação, para criar um texto coeso que resultou na minha revisão de literatura.

As sextas-feiras à tarde – foram estas as tardes livres que escolhi usar – eram passadas na faculdade, ora na FEUP, ora nas instalações da minha licenciatura, a ler artigos, a escrever, e a delinear o guião da curta-metragem interactiva que desenvolvi como projecto de tese. O resto do fim-de-semana era passado ora na FEUP, ora em casa, a fazer o mesmo, sendo que punha sempre de lado pelo menos uma tarde para passear com a minha namorada, também ela aluna do meu Mestrado e igualmente empenhada em desenvolver a sua tese. O mais difícil destes meses foi mesmo isso, conciliar a tese com a minha relação, com o meu grupo de amigos, e com a minha família.

Apenas consegui ter o guião terminado em meados de Abril. Não que ele fosse extremamente complexo, mas durante várias semanas sofri de um bloqueio criativo que me impediu de escrever fosse o que fosse além do jargão técnico da revisão da literatura.

Com o aproximar do final de Maio a minha tese já começava a ganhar forma, mas ainda faltava o projecto e o estudo, que temia estar condenado a ser pouco desenvolvido. Passei o final do mês de Maio, e o mês de Junho inteiro, em produção e pós-produção da curta-metragem em machinima, e no desenvolvimento da sua plataforma interactiva em MAX/MSP Jitter. Quando consegui ter uma primeira versão pronta, tirei alguns dias de férias e fui fazer os testes junto do público com um inquérito pouco desenvolvido.

Como o semestre já estava a terminar, embora tivesse gasto umas 12 horas na faculdade, apenas consegui encontrar 10 pessoas que se dispuseram a participar no meu estudo. O estudo era simples, consistindo de três etapas. Os participantes viam e interagiam com a plataforma, respondiam a um questionário e eram posteriormente entrevistados sobre a experiência. Com o pouco que consegui no tempo que me restava finalizei a tese e enviei-a para validação. Finalmente entreguei-a no dia 28 de Julho, quatro dias antes da data limite.

A partir daí restava apenas esperar. Esperei tanto que comecei a desesperar. A meio de Setembro fui passar férias no Algarve e levei o meu portátil para poder ver a minha conta de e-mail não fossem eles marcar a defesa em cima do joelho. Felizmente, acabaram por a marcar no dia 11 de Outubro. Apenas soube já dia um desse mês, mas ainda tive tempo de preparar a apresentação.

A defesa em si correu bem, consegui mostrar tudo o que queria dentro dos 20 minutos disponíveis e a própria arguição foi muito melhor que aquilo que estava à espera. O arguente já tinha trabalhado na área da minha dissertação e tinha um conhecimento muito vasto sobre transmedia e storytelling interactivo (não mencionei ali em cima mas foi este o tema da minha tese). Acabámos por ter uma boa conversa ao longo da arguição, embora o meu nervosismo se fizesse notar.

Terminada a arguição o Júri ficou a deliberar enquanto eu aguardava lá fora. Demoraram cerca de cinco minutos mas para mim pareceu-me uma eternidade. Quando finalmente me chamaram, o Presidente do Júri cumprimentou-me, deu-me os parabéns e disse que tinha tirado 16. Fiquei aliviado mas ao mesmo tempo um pouco desiludido. Queria ter tido 18, mas tenho consciência que as limitações do estudo efectuado acabaram por me prejudicar. Talvez o 17 fosse uma nota mais justa pelo empenho que tive no desenvolvimento do projecto, e pela sua qualidade final, mas visto que no final de contas mesmo que tivesse 17 a minha média de Mestrado manter-se-ia inalterada, embora o 16 não me tenha caído bem, aceito-a como um nota justa para a avaliação global que faço da minha tese, e deste ano de trabalho.

Fiquei com o bichinho de que podia ter feito um trabalho melhor e de que o quero fazer. Talvez um dia volte a pegar no meu projecto e o desenvolva para além do seu potencial corrente.

Terminado o meu Mestrado, no que respeita à dissertação apenas me queixo das inúmeras falhas burocráticas que todos sofremos ao longo deste ano. No início prometeram que teríamos vários seminários de apresentação do nosso desenvolvimento, algo que nunca chegou a acontecer. Também disseram que seria possível entregar em Setembro bastando para isso fazer um requerimento.

A meio do ano desmentiram-se e avisaram que se não entregássemos em Julho seríamos obrigados a pagar mais um ano de propinas. Iniciei um movimento de protesto contra estas contradições e, talvez por influência do elevado número de queixas, ou talvez por um descargo de consciência, voltaram atrás e acabaram por deixar entregar em Setembro todos aqueles que fizeram requerimento.

Apesar de ter entregue todos os documentos, incluindo a versão final da tese no dia 5 de Dezembro, apenas apareceu no meu perfil de estudante o estado de “Concluído” na passada quarta-feira, dia 28 de Dezembro. Até hoje ainda aguardo pela atribuição do meu certificado em papel. Dizem que dentro de uma semana já deve estar pronto, mas com estas burocracias é mesmo ver para crer.

Foi um longo caminho onde eu, e apenas eu, fui meu próprio inimigo. Ser-se trabalhador estudante não é para todos, e se pudesse ter essa escolha, preferia ter feito a tese apenas como estudante. Mas as nossas vidas têm que ter outras prioridades, e temos que aprender a ultrapassar os obstáculos pelos nossos próprios meios. Não me arrependo do trabalho que fiz e, embora sabendo que podia ter ido mais longe, fico contente por ter terminado esta etapa e por fazer uma pausa, por enquanto, no meu percurso académico.

Está na hora de descansar e de me encontrar a mim próprio. Caro eu do futuro, como digo no nome do meu projecto, Shall We Meet?

Wednesday, August 03, 2011

Cinco da tarde do dia 1 de Agosto de 2011

Cinco da tarde do dia 1 de Agosto de 2011. São inúmeros os momentos que se perdem no tear do tempo, sem nunca terem uma oportunidade para se destacarem dos demais. Também este corria o risco de ter o mesmo fatídico fim, não fosse ele portador de um enorme simbolismo na memória colectiva de cerca de 56 pessoas.

Desde Setembro de 2010 que todos sabíamos o que esta data representava. O fim de um ciclo para uns, a confirmação do seu adiamento para outros. Na sua definição mais simples era apenas uma hora marcada num calendário burocrático, o prazo limite para a entrega da tese.

Não posso imaginar o sentimento dos restantes quando o ponteiro tocou as cinco, já eu, fiz questão de o dizer a todos que se encontravam à minha volta, deixando-me envolver por um perpétuo sentimento de dever cumprido.

Não deixei a entrega para a última hora, se o tivesse feito talvez o simbolismo desta hora fosse ainda mais forte, contudo, estaria vulnerável à vontade de um Murphy sempre atento às tentações de qualquer procrastinador. Passava pouco das três da tarde do dia 28 de Julho quando entrei na secretaria do mestrado para entregar a versão provisória da dissertação. Aguardei alguns minutos pela confirmação de que todos os documentos se encontravam em ordem e saí da sala com um sorriso nos lábios.

Resta ainda preparar a apresentação para a defesa que terá lugar em Setembro, mas por enquanto está na hora de olhar para todas as promessas que foram feitas ao longo do último ano, todas as actividades postas de lado em detrimento da tese, e fazer todos os possíveis para as realizar.

Ao longo do último ano fui acumulando coisas para fazer depois de terminar o mestrado:

  • Regressar às aulas de Russo;
  • Escrever as Crónicas da Eurotrip;
  • Retomar a história de Sara e Miguel;
  • Inscrever-me num ginásio;
  • Voltar a correr até ao Furadouro;
  • Voltar a passear de bicicleta;
  • Retomar a leitura dos diversos livros que ficaram em lista de espera;
  • Assim como os filmes e séries guardados na gaveta;
  • Criar uma base de dados com os meus livros, álbuns e DVDs;
  • Retomar as emissões do podcast da Rádio da Rádio;
  • Reavivar o projecto Rarely Interesting

Entre outros que não menos importantes são mais fáceis de executar. Dentro de um ano voltarei a olhar para esta lista para confirmar quais dos pontos não passaram de promessas vãs, e actualizar o estado dos restantes. Pelo menos por agora, tempo e liberdade é algo que tenho de sobra.

Cinco da tarde do dia 1 de Agosto de 2011. Uma hora, um momento que finalmente já passou.

Tuesday, September 14, 2010

Intermission, O Intervalo do Segundo Acto

Recomeça… se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.
Miguel Torga

O segundo acto pode ser muito difícil de se escrever. Encontrar o ponto certo da história que faça a ponte entre a apresentação do conflito e a sua resolução. Às vezes deixamo-nos envolver pelo elenco e passamos tão subtilmente por essa transição que nem sequer tomamos conhecimento dessa existência. Outras vezes, a história apenas muda, num momento estamos no primeiro acto e no seguinte somos levados para o meio do segundo, com pouco ou nenhum aviso. Talvez este último descreva da melhor forma o início do meu segundo semestre.

Ao entrar neste mestrado foram dadas várias opções para as disciplinas em que poder-me-ia inscrever no segundo semestre, das quais teria que escolher apenas três. As minhas primeiras escolhas recaíram sobre Fotografia e Cinema, Sistemas Gráficos e Animação 3D e Interfaces Multimodais. A mudança de paradigma na minha proposta de tese fez-me optar, ainda no primeiro semestre, por Tecnologias Web em detrimento de Interfaces Multimodais. Embora a primeira tivesse exame – o último e único exame que tive de fazer na segunda metade deste primeiro ano – a necessidade de aprofundar os meus conhecimentos de programação para a Web, motivaram-me a pôr de lado Interfaces Multimodais, disciplina que na altura não sabia sobre o que iria tratar, nem tão pouco havia informação sobre os seus objectivos e respectivo plano curricular.

Contudo, esta não foi a única alteração ao plano de estudos que inicialmente delineei. Em Janeiro, no final de uma aula de Tecnologias da Comunicação Multimédia, um professor da minha licenciatura foi lá apresentar uma nova disciplina dedicada apenas ao desenvolvimento e produção de um Documentário. Os interessados teriam que optar por Laboratório Multimédia II e Guionismo. As aulas seriam dadas em parceria com o Mestrado em Ciências da Comunicação da UP, e, para tal, teríamos ao nosso dispor salas de aula, equipamentos de filmagem e apoio técnico por parte da TVU, empresa de conteúdos multimédia sediada nas mesmas instalações. A ideia pareceu-me bastante aliciante, e apesar de me ver forçado a abdicar de 3D juntamente com Fotografia e Cinema – que acabaria por ir dar ao mesmo, só que com um nível de desenvolvimento muito inferior –, inscrevi-me na disciplina de Produção de Documentários. Foi a melhor decisão que podia ter tomado.

E assim as três opções iniciais deixaram de figurar no meu plano de estudos sem que eu tenha dado um passo sequer para dentro de uma sala de aula.

Devido aos atrasos nas apresentações de Sistemas Digitais Interactivos, as minhas férias entre semestres foram reduzidas a dois dias. Como já se tinha passado no primeiro semestre as aulas começaram com um atraso considerável, pelo menos aquelas que eram leccionadas na FEUP. A primeira a ter início foi a disciplina de Produção de Documentários. Regressar ao meu velho curso foi uma verdadeira lufada de ar fresco em comparação com os últimos meses passados na Faculdade de Engenharia. Voltar a ter aulas a 15 minutos a pé da estação, sem necessitar de fazer transbordos no metro, era mesmo o que estava a precisar. O stress da viagem que por vezes chegava a hora e meia entre Ovar e Paranhos criava uma tensão demasiado forte sob o meu estômago, principalmente depois dos problemas de saúde que tive por essa altura.

A disciplina em si foi a melhor que tive neste primeiro ano. Não fosse por ela e talvez tivesse desistido do mestrado. Embora tenha dado bastante trabalho, foi bom poder fazer algo que realmente sabia fazer, poder melhorar a minha experiência na edição de vídeo e produção de documentários, e abrir caminhos para a minha definitiva proposta de tese.

As aulas eram dadas por Soraia Ferreira, da Yellow Entertainment, produtora sediada em Gaia, José Azevedo, professor de Guionismo e Artur Pimenta Alves, director do Doutoramento em Médias Digitais. Pontualmente, Andrew Garrison, professor convidado da Universidade de Austin, Texas, também lá aparecia para dar a sua opinião sobre os projectos e encaminhar algumas das nossas ideias.

Desenvolvemos dois projectos ao longo do semestre. O primeiro, um documentário individual com a duração máxima de três minutos. Fiz o meu sobre a produção do Pão-de-Ló de Ovar, na confeitaria Flor-de-lis. O segundo, e mais importante, um documentário de dez minutos que seria realizado em grupo, desde a ideia até à sua execução. Cada um de nós propôs uma ideia. Duas delas foram escolhidas e dois documentários produzidos. A minha proposta foi sobre a sobrevivência dos quiosques de jornais, mas a falta de um personagem concreto motivou que fosse deixada de parte. As propostas escolhidas foram The Uberman Schedule, em que participei, e outra sobre os perigos da falta de privacidade nas redes sociais, nomeadamente, no facebook.

The Uberman Schedule documenta a experiência de David Silva, o colega que propôs a ideia. Durante 10 dias o David tentou “sobreviver” a um horário de sono que implicava dormir apenas 20 minutos de 4 em 4 horas, em vez de dormir as 8 horas habituais. Todas as peripécias envolventes tornaram a realização deste documentário ao mesmo tempo exaustiva e empolgante. Nalguns dias não era apenas o David a viver sob o horário do Uberman Schedule, nós também o acompanhámos, pelo menos num dia em que o guião nos levou até à Maia, onde o David vive, por volta das 4 da manhã para filmar um jogging ultra-matutino.

O limite de dez minutos acaba por ser a principal crítica ao desenvolvimento do documentário em si. Isso e a interacção com os alunos de Som que não conseguiam compreender o tom que pretendíamos dar a este projecto. Um projecto deste calibre devia ter direito a um tempo mais extenso de exibição. Acabámos por editar uma versão de 13 minutos que para já conta com uma participação no Festival de Vídeo Universitário UFrame, que terá lugar na Coruña no início do próximo mês.

As aulas em si eram bastante interactivas e dinâmicas. Víamos documentários e comentávamos as técnicas usadas. Apenas lamento a falta de tempo para desenvolver tópicos como a construção de um guião e toda a produção por detrás do desenvolvimento de um documentário, temas que por si só davam disciplinas independentes e até mesmo licenciaturas próprias. Mas foi dado aquilo que podia ser dado com o tempo e recursos ao nosso dispor. Embora o mais importante tenha sido o projecto em si, terminei a disciplina com 16.

Agora vem o outro lado da moeda, as restantes disciplinas. Neste segundo semestre apenas tivemos uma cadeira obrigatória, Metodologias de Investigação e Gestão de Projecto. Esta disciplina é dividida em duas componentes Metodologias de Investigação, leccionada por três professoras da Faculdade de Letras e Gestão de Projecto, leccionada por outros três professores da Faculdade de Economia.

A primeira que pensava poder indicar-me um melhor caminho para o desenvolvimento da minha ideia de tese, acabou por desapontar. As aulas eram entediantes e apenas davam matérias já antes leccionadas durante a licenciatura. O projecto consistiu do desenvolvimento da ideia – sim, da ideia, nem sequer um projecto de investigação foi – de um projecto de investigação, com recurso ao software online ideapuzzle. Nem tudo foi um total desperdício de tempo, o ideapuzzle mostrou ser uma ferramenta muito útil na preparação de uma tese e tenciono voltar a recorrer a ele no futuro.

Já Gestão de Projecto foi uma completa idiotice. É que não há mesmo outro termo. Tivemos apenas 3 aulas em que os professores falaram sobre marketing e outros aspectos da existência de uma empresa no mercado. Tudo muito por alto e com pouco fundamento. No final pediram-nos um plano de negócios de uma empresa inventada por nós, sem qualquer base ou modelo para o desenvolver. Como se isto não fosse mau o suficiente, apenas soubemos as notas na semana passada, isto quando legalmente todas as classificações do segundo semestre tinham que ser atribuídas até 31 de Julho. Tive 14, a nota mais baixa que tive até agora neste mestrado.

Por fim, falta referir Tecnologias Web. Embora a professora tenha-se mostrado bastante disponível e fosse clara no ensino dos temas abordados, os conteúdos estavam algo desadequados à realidade da disciplina. Em cerca de 10 aulas, abordámos 9 linguagens de programação para a Web. É impossível desenvolver profundamente uma linguagem de programação com apenas três horas de aula. Quem pouco ou nada sabia, saiu de lá a saber apenas um pouco mais, e quem já tinha algum background nesta área acabou por ficar a saber o mesmo e a fazer a disciplina apenas por fazer.

A avaliação baseava-se em três pequenos projectos que interagem entre si para a criação de um trabalho final que consistia no desenvolvimento de uma aplicação Web. O meu grupo acabou por fazer um site sobre colecções de Canecas em que o utilizador podia criar o seu perfil e assim organizar a sua colecção de canecas.

Tecnologias Web foi a única cadeira com exame que tive no segundo semestre. O exame é de consulta e bastante acessível, contudo, requer algum estudo. No total dos trabalhos e do exame, terminei a disciplina com 16.

Este segundo semestre foi mais calmo e em vários aspectos melhor que o primeiro. Contudo, a grande maioria dos problemas evidenciados no semestre anterior mantiveram-se. Este mestrado necessita de uma forte remodelação a nível de plano de estudos. Talvez uma maior aposta em disciplinas dedicas à aprendizagem de tecnologias fosse o caminho a seguir. A ideia de grupos multidisciplinares embora seja boa, acaba por não ajudar no crescimento do conhecimento dos alunos, pelo menos, não da forma como é hoje implementada. Cada um de nós chega ao ano da tese com praticamente os mesmos conhecimentos com que iniciou o mestrado, o que nos força a enveredar por um projecto dedicado apenas à área que corresponda ao nosso background do primeiro ciclo de estudos superiores.

Resta agora saber o que o próximo ano me reserva, até lá questiono-me se esta terá sido, de facto, a melhor opção.

Sunday, May 30, 2010

Pão-de-Ló Flôr de Liz



Sinopse: Um olhar sobre o processo de produção do Pão-de-Ló de Ovar.
Edição: Adriano Cerqueira
Som & Imagem: Adriano Cerqueira
Música: Luis Pereira

Saturday, April 17, 2010

Uberman Schedule

It’s hard to say that I’d rather stay awake when I’m asleep, ‘cause everything is never as it seems.
Fireflies, Owl City

É difícil acreditar que apenas passaram seis meses. Ao recordar aquela tarde de Outubro e a indignação com que saí daquela sala, não deixo de esboçar um ligeiro sorriso perante a ignorância que exibia ao pensar no quão elucidativo seria o meu futuro próximo. Era mesmo ingénuo.

Futuro, na verdade, tudo começou com um lugar de futuro, um lugar chamado futureplaces. Terminado o meu estágio na Renascença, e após algumas semanas a finalizar o relatório que dava por concluída a minha licenciatura, restava-me apenas aguardar pelo dia em que a minha vida de aluno de Mestrado em Multimédia teria início. Tentei manter-me ocupado, tirei um curso de guionismo, fiz mais de 250 km de bicicleta, li, e explorei um pouco do meu país. Passaram-se quatro meses. O Verão deu relutantemente lugar ao Outono, era Outubro e as temperaturas mantinham-se elevadas, estava tudo menos preparado para começar logo a pôr as mãos ao trabalho. Com alguma frustração ouvi os novos tutores a pedir-nos, ou melhor, a exigir, que visitássemos o festival futureplaces, promovido pelo próprio mestrado, e que relatássemos de alguma forma pelo menos um evento. Assim fiz.

Juntamente com a Eliana e a Joana, duas colegas que transitaram comigo da licenciatura para esta nova aventura, visitámos o Maus Hábitos e documentámos com vídeo, fotografia e som, as instalações que lá foram dispostas. Com isto criámos uma interface em flash que incluía algumas fotos, um texto explicativo e vídeos documentais de algumas das exposições mais interessantes em termos de imagem. Se soubéssemos que esse projecto acabaria por ser ignorado pelos professores, talvez tivéssemos aproveitado as duas semanas do festival para respirar fundo e prepararmo-nos para o que vinha a seguir.

Até Janeiro, pouco ou nada se passou. A disciplina de Jogos apenas começou a ser leccionada em finais de Novembro, ainda a tempo de dar alguma luz de esperança para o que restava do semestre, mas tarde demais para fazer a diferença.

A primeira metade do semestre foi bastante pacífica, a proverbial calma antes da tempestade. Laboratórios Multimédia I manteve-nos ocupados com um projecto de criação de uma narrativa interactiva e não-linear. Aí tive o meu primeiro contacto com o software Max MSP/jitter, contudo, visto que o nosso projecto envolvia vídeo e uma machinima em Second Life, a programação em Max ficou ao cargo de João Guimarães, como ele já tinha bastante experiência com o programa, tudo parecia simples aos olhos de um leigo que apenas tratava dos conteúdos. A minha primeira impressão do programa foi que este era “algo intuitivo”. Como estava errado.

Curiosamente, foi o Second Life que me deu mais noites sem dormir. Não o ambiente virtual em si, mas a forma de captura das imagens.

Apesar de alguns obstáculos e dos já habituais imprevistos de última hora, o projecto, ao qual demos o nome de Your World, Your Imagination, ficou pronto a tempo e horas. Inclusive, ainda tivemos tempo para acrescentar alguns extras e fazer um design para a capa do DVD que acompanhava a aplicação. A nota final do projecto foi 19.

Enquanto Laboratórios Multimédia I dava os primeiros passos para a preparação do projecto 2, Sistemas Digitais Interactivos começa a tomar o lugar da frente, sugando toda a atenção. Infelizmente, não era pelos melhores motivos.

Sistemas Digitais Interactivos, ou melhor, Sistemas Musicais Interactivos – gafe do próprio regente da disciplina que retrata da melhor maneira as suas verdadeiras intenções – foi, e possivelmente ainda é, visto as notas ainda não terem sido lançadas, a maior pedra no sapato e o maior obstáculo à boa integração dos alunos de Multimédia neste mestrado.

Não é pelos grupos formados aleatoriamente através de um algoritmo de selecção que nem o próprio professor compreende. Não é pela excessiva dependência do Max MSP/jitter ou pela exigência de um conhecimento de programação a um nível ridiculamente exigente. Não é pelas longas e entediantes palestras, ou pela matéria aleatoriamente organizada e exposta sob uma sala escura e a abarrotar de gente. Não é pelo total desinteresse pelo projecto do futureplaces. Não é por um método de avaliação que dita que 40% da nota é decidida pelos próprios alunos segundo os seus próprios critérios. Não é por nada disto, e ao mesmo tempo é por tudo isto que Sistemas Digitais Interactivos é, e sempre será, uma triste lembrança de um primeiro semestre que espero nunca mais ter que relembrar ou reviver.

Já Jogos foi uma surpresa agradável. A única disciplina deste semestre em que aprendemos um software do início ao fim, com total apoio dos professores e sob um regime de colaboração e cooperação dos restantes colegas. Foi também a única com objectivos bem delineados sempre com atenção às reais aplicações dos projectos desenvolvidos. Em toda a justiça, Laboratórios Multimédia I também procurava construir aplicações com aplicação no mundo real, contudo, falhou pela ausência do ensino de alguma tecnologia, contando apenas com o background e a experiência de cada um.

17 foi a nota do projecto desenvolvido em Jogos. O protótipo funcional de um jogo para telemóvel sobre a temática da segurança na gravidez. Neste jogo, o utilizador é o condutor de uma ambulância encarregado de fazer chegar uma grávida ao hospital, ultrapassando diversos obstáculos de forma a atingir o seu objectivo antes que o bebé nasça.

Como segundo projecto para Laboratórios Multimédia I, além de mudar de grupo, esperava-nos uma ideia mais ambiciosa: a exploração da barreira homem/máquina e da interacção utilizador/aplicação. Neste caso desenvolvemos a instalação Symmetry. Dois corredores interactivos compostos por imagens, registos áudio e vídeo sobre os possíveis futuros que a humanidade pode enfrentar. Um corredor representava um futuro positivo, enquanto o outro retratava o negativismo da actualidade de forma a incumbir no utilizador a sensação de que algo precisa de ser feito, e que não é tarde para mudarmos o nosso destino.

O projecto custou-nos pouco mais de 300 euros. Foram necessárias 72 horas para montar a instalação e lutámos perante incontáveis imprevistos para ter tudo funcional a tempo e horas da apresentação. Embora o áudio não tivesse funcionado na exibição final, Symmetry foi um sucesso, e inclusive, recebemos alguns convites para a expormos noutros locais. Contudo, para o professor, sangue, suor e lágrimas não foram suficientes para nos dar mais do que um mero, e ridículo, 14.

Resta-me apenas Tecnologias da Comunicação Multimédia, a única teórica deste semestre. As aulas eram aborrecidas. Apenas ansiava pelo intervalo e pelo anúncio do final de aula. Talvez por ser à sexta-feira de manhã, talvez pelo aproximar da hora de almoço. Na verdade, o mais provável é que tentar compreender como funciona um codec de mp3, quais as vantagens do MPEG-2 na transmissão televisiva em HD, ou quais os parâmetros necessários para garantir a qualidade de um serviço multimédia, simplesmente não apelavam ao meu interesse.

Tecnologias da Comunicação Multimédia foi também a única disciplina a ter exame. O exame em si não foi muito difícil, embora algumas questões me tenham forçado a puxar da imaginação. Esta cadeira também era acompanhada de um pequeno trabalho sobre uma tecnologia à nossa escolha. Optei estudar a produção de machinima como uma ferramenta ao serviço do jornalismo e do processo documental do comportamento humano online. Apresentei-o no IJUP, Investigação Jovem na UP, dois dias antes da apresentação final no dia 19 de Fevereiro, a mesma data que o exame.

60, é o número de alunos que se esperava que apresentassem os seus respectivos trabalhos naquela tarde. Nada melhor depois de uma exame do que ficar a tarde toda fechado dentro de um anfiteatro à espera da minha vez. A apresentação correu bem melhor que no IJUP, tentei animar o público com alguns vídeos e música, tarefa hercúlea de despertar um anfiteatro de gente que apenas desejava estar noutro lugar qualquer que não ali. Ainda consegui alguns sorrisos e aplausos, o que para mim foi suficiente.

Cheguei a Março exausto. O meu computador foi o primeiro a ceder. A pressão e o uso constante ditaram que o monitor entrasse em colapso. Vi-me, assim, forçado a passar um mês e meio sem acesso ao universo do ciberespaço, enquanto aguardava pela reparação do meu PC. Eu próprio, exausto pelo stress constante dos últimos meses, aliado a uma má e irregular alimentação, caí de rastos durante algumas semanas. Visitei três médicos e vi-me forçado a ingerir um autêntico cocktail de comprimidos no qual, ainda hoje, continuo embebido. Vejo-me agora a viver um dia de cada vez à espera de sinais de uma recuperação total.

O segundo semestre mostra sinais de ser mais calmo. Pela primeira vez estou verdadeiramente entusiasmado com as disciplinas que frequento e com o que os próximos meses me reservam. Depois da tempestade, a bonança, há algo de verdadeiro na sabedoria popular.

Funcionei como um Uberman (Super-Homem em Alemão) durante o primeiro semestre, vivi escravo de uma agenda temerosa que acabou por tomar o melhor de mim. Voltaria a passar pelo mesmo? Sim, mas deixo um aviso àqueles que queiram seguir nas minhas pisadas: Evitem Sistemas Digitais Interactivos, escolham o Perfil de Artes ou de Educação, mas acima de tudo, agarrem-se àquilo que gostam na Multimédia, pois são esses pequenos prazeres a única coisa que vos irá ajudar a levantar de manhã, e a enfrentar os dias de cabeça erguida.

Friday, February 26, 2010

Your World, Your Imagination: Simulação



Your World, Your Imagination
é uma narrativa interactiva que combina imagens reais com machinima de forma a retratar, sob duas perspectivas diferentes, a dicotomia entre um dia normal de trabalho e os desejos ocultos na mente do indivíduo.

Edição: Adriano Cerqueira e Eliana Ribeiro
Imagem: João Guimarães e Eliana Ribeiro
Música: João Guimarães (Your World), It's My Life, Bon Jovi (Your Imagination)
Software de captura: ScreenVidShot

Tuesday, February 16, 2010

Symmetry: The Experience



Sinopse:
 Vídeo da Instalação Symmetry exibida a 6 de Fevereiro na FEUP.

Edição: Adriano Cerqueira
Imagem: Diana Marques
Música: Luis Pereira

Ver Também: Symmetry, em reportagem

Monday, February 01, 2010

Negative Symmetry



Sinopse:
"É este o futuro que imaginava?" Vídeo exibido na instalação interactiva Symmetry, desenvolvida no âmbito do Mestrado em Multimédia da FEUP.

Edição: Adriano Cerqueira
Som & Imagem: Adriano Cerqueira, Diana Marques e Leandro Gomes
Música: Luis Pereira

Positive Symmetry



Sinopse: "Que futuro imaginas?" Vídeo exibido na instalação interactiva Symmetry, desenvolvida no âmbito do Mestrado em Multimédia da FEUP.

Edição: Adriano Cerqueira
Som & Imagem: Adriano Cerqueira, Diana Marques e Leandro Gomes
Música: First Breath After Coma, Explosions in the Sky

Sunday, November 22, 2009

Manifesto Anti-Alguma Coisa

Cada subsistema tem duas componentes (como a palavra estocástico indica): uma componente aleatória e um processo de selecção que trabalha nos produtos da componente aleatória.

Bateson, Gregory. Mind and Nature. A Necessary Unity. New York: E. P. Dutton, 1979

Um sistema estocástico é um conjunto de processos que não estão submetidos senão a leis do acaso. Os fãs de Jurassic Park devem-se recordar da Teoria do Caos enunciada por Ian Malcolm através da metáfora do "efeito borboleta". Isto é, se uma borboleta bate as asas no Central Park em Nova Iorque, um tufão aparece na costa japonesa. Essencialmente, um conjunto de eventos que à partida nada têm em comum, acabam por formar um padrão responsável por um dado resultado. Esta teoria levanta vários pontos de interesse e é alvo de estudo pela maioria das mais conceituadas universidades do mundo. Contudo, até hoje nunca tinha visto uma aplicação prática desta teoria, muito menos usada como método de ensino, até ao dia em que iniciei as aulas de Sistemas Digitais Interactivos.

A aleatoriedade e a ausência completa de sentido ou orientação é a única constante num sistema de ensino, cuja palavra caótico não começa sequer a descrever o caos que se vive, quer na mente do professor, quer na compreensão – ou na falta dela – por parte dos alunos. O primeiro acto paradoxal ocorreu aquando da descrição do próprio plano curricular da disciplina. Supostamente a avaliação é distribuída através de exame final, contudo, as cotações percentuais para cada trabalho perfazem 100% da nota final, sem qualquer indicação da existência de um exame. Se tudo indica que não há, efectivamente, um exame atribuído a esta disciplina, porquê dividir as aulas em hora e meia de teoria se essa não é aplicável nos projectos práticos que temos de realizar?

Como se tal incoerência não fosse suficiente, outras decisões "aleatórias" e sem sentido acrescentam uma maior perplexidade à situação. Apesar de desde a primeira aula ser claro que a sala onde temos aulas não tem espaço suficiente para todos os alunos, o professor insiste em dar a parte teórica lá, sem ter ainda sugerido sequer a possibilidade de mover as horas teóricas para um anfiteatro, ou para outra sala mais apropriada para o número de alunos. Se a faculdade fosse pequena até seria compreensível, mas estamos a falar de uma faculdade maior do que muitos campus universitários que existem por esse país fora, já para não falar que às sextas-feiras ao fim da tarde a grande maioria das salas encontram-se vazias.

Mas os problemas não são meramente burocráticos ou logísticos. Antes fossem. Os projectos que os alunos têm de realizar até ao final da disciplina são realizados em grupos de quatro elementos. Até aqui tudo bem. Contudo, o professor faz questão de juntar os grupos ele próprio, através de um critério que indica que em cada grupo deve haver um elemento correspondente a cada um dos quatro perfis disponíveis no mestrado. Isto não seria problema se os alunos do perfil de tecnologias não representassem mais de metade do número de alunos de Sistemas Digitais Interactivos. Já para não dizer que só porque alguém se encontra dentro de um perfil tal não significa que o seu background académico e profissional tenha algo a ver com o perfil escolhido. Já para não dizer que ele não permite que os alunos escolham os grupos por si só, mesmo com o argumento de tal ajudar na realização de trabalhos para outras disciplinas, visto ser mais complicado conciliar os diferentes projectos quando para cada um vemo-nos obrigados a lidar com pessoas diferentes.

Se a ideia é criar grupos multidisciplinares então o critério devia estar à mercê dos próprios alunos e o processo de selecção devia ter como base o background académico, e não o perfil escolhido dentro do mestrado. Já para não dizer que ele limitou-se a ir por ordem alfabética escolhendo as pessoas consoante o perfil escolhido. Isto resultou com que os primeiros grupos sejam de facto compostos por elementos de perfis diferentes, mas os grupos mais à frente na lista chegam a ter três ou mais elementos do mesmo perfil. Um sistema de tal modo caótico que quase de certeza acabará por criar um grande fosso nas classificações finais.

Por que é tão importante a escolha das pessoas através dos backgrounds? A resposta remete ao último, e pior, acto paradoxal. Como primeiro projecto, o professor disse que criássemos alguma coisa, desde que aplicássemos sistemas estocásticos. Ou seja, uma interface qualquer, sobre um tema qualquer, desde que seja aleatória. E para tal disse para usarmos o software max/msp/jitter, cuja maioria dos alunos nem sequer tinha ouvido falar antes de entrarem em contacto com Sistemas Digitais Interactivos. Resultado: Os grupos que tinham alunos que percebiam de max criaram trabalhos de um nível mais elevado do que aqueles que não tinham.

No meu caso, até tive a sorte de um dos meus colegas ser uma espécie de génio de max e a nossa interface acabou por ser das melhores, se não mesmo a melhor, presente na sessão de apresentação. Como é possível um professor avaliar os alunos objectivamente quando tantas variáveis põe em causa a execução de um projecto?

Em toda a justiça, o professor iniciou umas sessões de introdução ao max em horário fora do seu expediente, contudo, a primeira aula foi no dia anterior à entrega do primeiro projecto. Não faria mais sentido dar mais algumas aulas de max antes de exigir uma entrega com esse peso?

Antes de concluir, gostaria de falar da própria designação de Sistemas Digitais Interactivos. Eu via esta disciplina como uma oportunidade de desenvolver o meu conhecimento de tecnologias, como o Flash, Illustrator ou Dreamweaver, na criação de interfaces interactivas que possam ser aplicadas na vida real. Contudo, o propósito real da disciplina é a criação de instalações digitais interactivas com base em tecnologias que exigem um grau elevado de bases de conhecimento anterior, cuja maioria dos alunos não tem. Já para não falar que a cadeira está demasiado direccionada para a música e o tratamento de som, não fosse ela dada por um músico, e os restantes aspectos da multimédia são descurados.

O meu conceito de multimédia é a interacção e colaboração de vários meios (áudio, som, imagem, etc.), e não a multidisciplinaridade entre pessoas de áreas diferentes. Eu escolhi este mestrado para aprender tecnologias e desenvolver a minha capacidade de criar interfaces, não para limitar-me a usar aquilo que já sei e ver os outros a trabalhar. Não fosse esta disciplina obrigatória, já a teria trocado enquanto tinha tempo. E sendo ela obrigatória para os perfis de Música Digital e Tecnologias como se justifica uma completa orientação para área musical?

Termino assim o meu manifesto anti-alguma coisa. Uma disciplina de Mestrado devia ter um nível de exigência claramente objectivo e não reger-se por sistemas aleatórios. É bom abrir espaço para a criatividade, mas deve-se também ter em conta certas linhas orientadoras. Alguma coisa não pode ser algo aleatório, mas algo concreto que respeite certas leis, deixando o caminho livre para a liberdade criativa.

Morre Sistemas Digitais Interactivos, morre! Pim!

Wednesday, November 11, 2009

Over the Eyes de Maile Colbert


Over the Eyes
Autor: Maile Colbert
Exibição: Maus Hábitos, futureplaces 2009
Edição: Adriano Cerqueira 
Imagem: Eliana Ribeiro

Interestrelar de André Sier


Interestrelar
Autor: André Sier
Exibição: Maus Hábitos, futureplaces 2009
Edição: Adriano Cerqueira 
Imagem: Eliana Ribeiro

Monday, October 26, 2009

Meios de Comunicar: A Arte do Jogo

futureplaces
Não há uma segunda oportunidade para criar uma boa primeira impressão.

As primeiras três semanas do meu primeiro ano de Mestrado em Multimédia podem-se resumir às seguintes palavras: novidade, criatividade, egocentrismo, futureplaces e multimédia.

Novidade, quase que se justifica por si própria, nova faculdade, novos colegas, novos professores, novos caminhos, mas acima de tudo, novo olhar sobre a arte da comunicação. Existe na verdade um tremendo contraste entre este mestrado e o curso anterior. A começar pelas condições que uma faculdade que por si só acaba por se impor na paisagem da Invicta como um verdadeiro campus universitário, fazendo ao mesmo tempo parte da UP, mas algo distante da imagem que as restantes faculdades transmitem, quer ao nível estrutural, quer ao nível administrativo.

Contudo, o terror burocrático mantém-se, e a falta de informação é quase tão grave como a vivida na licenciatura. A incógnita relativa à existência, ou não, de material como câmaras, máquinas fotográficas, microfones e gravadores passíveis de serem requisitados pelos alunos é, até ao momento, a falha mais grave de um mestrado que na sua base exige o recurso a vários media.

A fase de transição de planos curriculares também motiva a que alguns professores não tenham ainda definido o modo de avaliação, ou o que pretendem da cadeira que leccionam, e dos próprios alunos. O que nos deixa, até ao momento, numa espécie de calma de antecipação.

Contudo, também há boas novidades dignas de salientar. Desde os protocolos com a UT Austin que ao longo do mestrado, e consequente programa doutoral, vão promover o intercâmbio de alunos e professores, à possibilidade de realização de estágios em solo americano. Segue-se o apelo à criatividade sem receio de apostar em meios recentes, apelando à exploração de ideias originais e de novos conceitos de multimédia.

Criatividade é a palavra que se segue, apesar da expressão “liberdade criativa” ser o termo mais correcto. Logo na segunda semana foi-nos pedido para assistir a eventos do festival futureplaces e a documentá-los da forma que acharmos mais adequada para depois criarmos alguma plataforma de divulgação da informação recolhida. Embora a ideia possa parecer como um golpe de marketing barato, a verdade é que na sua simplicidade permitiu aos alunos não só observar o nível de envolvência do mestrado com as novas formas de criar plataformas para os media, como também lhes abriu as asas para criar sem se sentirem presos a regras estabelecidas.

O futureplaces em si, foi uma boa oportunidade para entrar em contacto com artistas e investigadores de multimédia e comunicação, servindo como uma espécie de preview para o que nos espera no ano seguinte.

Egocentrismo, não tanto no sentido de alguém se fechar sobre si próprio, mas mais no isolamento de ideias e na falta de convívio entre os colegas. A falta de alguma espécie de evento social que ajudasse os alunos a conviverem uns com os outros e a conhecer a própria faculdade foi uma falha tremenda que demorará alguns meses a ser corrigida. Talvez aqui se veja a necessidade de um elemento de interacção comum que algo como a praxe proporciona ao nível das licenciaturas. O tempo e os inevitáveis trabalhos de grupo talvez permitam a criação de alguma espécie de envolvimento social entre os alunos, mas isso, só o tempo o dirá.

Por fim, a palavra multimédia não podia deixar de estar presente, nem que seja por dar o nome ao curso. O conceito multimédia de alguns dos professores passa não pelo ensino de tecnologias que permitam o uso de vários meios – tal está reservado para o segundo semestre – mas sim pela interacção entre alunos com backgrounds diferentes. Isto leva a um conceito de auto aprendizagem com base nos conhecimentos dos nossos colegas, algo que de certa forma compreende-se, visto tratar-se de um mestrado e não de uma licenciatura. Mas que, ao mesmo tempo, coloca em dificuldade as pessoas que surgem no curso com falta de bases de programação e de uso de tecnologias multimédia.

Uma a uma, cada cadeira deste semestre tem os seus pontos bons, e os seus pontos que não sendo maus, por enquanto encontram-se indefinidos.

Tecnologias da Comunicação Multimédia, como o nome indica é uma disciplina teórica que procura explicar o funcionamento de tecnologias como algoritmos de compressão, redes e computadores. Sempre se questionaram sobre o porquê de um jpeg ter esse nome? Então esta é a maneira perfeita de desperdiçarem as manhãs de sexta-feira. Sistemas Digitais Interactivos é algo tão abstracto que nem ele próprio sabe ainda bem o que é. Mais uma vez o objectivo não é a aprendizagem de programas, mas sim a adequação dos conhecimentos prévios de cada um aos projectos que vão ser sugeridos. Uma visão teórica sobre a interactividade de media, dando espaço à criação de instalações artísticas e interfaces recorrendo à totalidade de hipóteses que a multimédia permite.

Laboratórios Multimédia, é, até agora, a única disciplina cujo plano se encontra plenamente definido. Essencialmente, consiste na criação de dois projectos, o primeiro uma narrativa interactiva com uso a todas as tecnologias disponíveis consoante os recursos de cada grupo. Já o segundo passa pela criação de uma interface similar a uma rede social. Os projectos incluem relatórios e calendarização detalhada, tendo cada um a duração de seis semanas.

Finalmente a incógnita reside sobre a cadeira opcional. A minha escolha está entre Arte e Comunicação Multimédia, um olhar sobre o que é arte ao serviço dos meios contemporâneos, e Jogos, uma disciplina cujas aulas ainda não tiveram início mas cuja base é a criação de um jogo, algo que exige um conhecimento de programação bem distante daquilo que possuo, ou melhor, que não possuo.

Estas três semanas deixam-nos assim num estado de serenidade, aguardando ordens mais definitivas para a execução de projectos. Até lá resta-nos aguardar por dias mais agitados à medida que se aproximem os prazos de entrega e cujo tempo escasseie até ao ponto de 24 horas por dia não serem suficientes.

Enquanto esses dias não chegam resta-me ficar pelas primeiras impressões que não se voltarão a repetir.