Tuesday, July 11, 2017

Cento e quarenta caracteres

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Cento e quarenta caracteres. Todos os dias escrevo cento e quarenta caracteres. Pensamentos erráticos. Comentários a um evento. Citações de momentos inócuos. Opiniões controversas. Simples partilhas. Pequenas considerações. Encadeadas em sucessões lógicas mais dignas de outro espaço. Um que as não limitasse a cento e quarenta caracteres.

Em 2008 quando comecei a aventurar-me pela microblogosfera que hoje é o twitter, costumava comparar o meu número de publicações, na altura ainda longe de serem conhecidas como tweets, com aquelas que tinha feito até então no meu blogue. Devo ter demorado ainda uns dois ou três meses, mas cedo ultrapassei um número que achava difícil de alcançar. Hoje já lhes perdi a conta. Um breve vislumbre do meu perfil diz-me que são mais de vinte e sete mil.

Vinte e sete mil tweets. Quão ingénuo da minha parte era comparar tão volumoso número aos trezentos e vinte e sete artigos publicados neste blogue. Quantos romances não podiam ser escritos em vinte e sete mil tweets? Quantos poemas. Quantos contos. Quantas crónicas. Quantas críticas. Momentos. Palavras. Pensamentos. Notas. Enfim, um finito número de incontável material que podia já hoje ter publicado, tivessem esses vinte e sete mil tweets, a energia e a lógica necessária para se conduzirem por entre os diversos teclados para papéis capazes de lhes darem forma e um propósito.

Há meses que não escrevo. Não sei como aconteceu. Não tenho um motivo ou uma razão. É apenas algo empiricamente observável pela ausência de publicações neste ou em qualquer outro espaço. Há um ano comecei por reduzir a frequência com que o fazia. Desisti da minha regra dos trinta artigos anuais e mantive-me apenas fiel à habitual publicação mensal. Em Janeiro, até essa fui incapaz de manter.

Podia culpar o excesso de trabalho. A falta de tempo. As viagens. Enfim. Estaria a mentir. Tempo é algo que não me escasseia. Por mais ocupado que esteja numa semana, há sempre outra que compensa. Por mais tempo que passe dentro ou fora de Lisboa, há sempre uma hora vazia, facilmente preenchida por um fugaz dedilhar de teclado.

Não. A culpa não é do tempo. Nem tão pouco da sua falta. A culpa morre solitária em mim. Falta-me motivação. Razão. Inspiração. Uma voz. Falta-me aquele algo que hoje me faz escrever. Falta-me vontade.

Em Novembro, após cinco anos de inactividade dessa particular aptidão, voltei a escrever notícias. Cinco por semana. Todas as semanas. Recordo-me do pânico de uma mente enferrujada incapaz de se lembrar de algo que em tempos era tão natural como qualquer outra minúcia do dia-a-dia.

As primeiras semanas foram exigentes. Não conseguia encontrar as palavras. Os meus dedos ficavam perros e a minha mente vazia. Mesmo com toda a informação necessária à minha frente, era incapaz de a reconstruir em uma narrativa coerente e informativa. Deambulava entre opiniões e vozes de um repórter presente. Sentia falta de um rumo. De uma crítica. De um empurrão na direcção correcta.

Ler o trabalho de outros colegas em situações semelhantes apenas tinha o efeito oposto ao esperado. Em vez de inspirar, desesperava. Mergulhava fundo em busca de um talento que se escapava por entre as ondas de uma mente em constante reboliço.

As primeiras tentativas deploráveis de encontrar algo substancial não passaram de embaraçosas mantas de retalhos, demasiado cruas para servirem de conforto na mais fria das noites. Faltava-me prática. Método. Rotina. Voz.

Este pânico inconstante durou cerca de uma semana. Quem sabe, talvez duas. Comecei por desenhar uma rotina. Planeei os meus dias à sua volta, decido a cumpri-la à risca. O método veio depois. A ele seguiu-se uma voz.

A princípio tímida. Inconsequente. Desconfiada. Insegura. A necessidade, o tempo, a urgência e, enfim, o trabalho, deram-lhe força. De uma notícia por dia, escrita à prolongada velocidade de duas horas desperdiçadas, passei a escrever as cinco todas as sextas-feiras, de uma só vez, no espaço de uma manhã.

Hoje, tenho alguma ajuda, e as cinco são agora duas. Talvez esta recém-descoberta liberdade tenha encontrado na minha inspiração o espaço suficiente para respirar. Talvez seja por isso que hoje escrevo. Ou talvez apenas tenha cedido perante uma inevitável necessidade de o fazer. O tempo o dirá.

As vinte e poucas notícias mensais voltaram a despertar em mim hábitos e técnicas há muito adormecidas. Escondidas por entre a constante barragem de ideias e pensamentos que assolam o íntimo da minha mente. Culpadas, talvez, pela falta de energia e vontade em dar voz a algo capaz de se alongar para lá dos habituais cento e quarenta caracteres. Foram, enfim, uma faca de dois gumes que me silenciou por um período indeterminado.

Escrevo isto hoje sem música. Sem paz. Com ruído e vozes de fundo. Em casa. Depois do jantar. Longe do sótão. Longe do meu quarto. Longe de uma qualquer secretária num qualquer gabinete. Hoje escrevo pois hoje tive voz. Pois hoje tive vontade. Pois hoje tinha que o fazer.

Hoje é apenas um dia como outro qualquer. Um dia em que precisei de mais de cento e quarenta. Pois hoje, afinal, é um dia que não podia ser medido por um simples caracter.    

Thursday, January 15, 2015

Quase Literatura

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Essa [literatura] simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

Bernardo Soares, Livro do Desassossego

Por que escrevo? Por uma inata necessidade de me expressar? Para me fazer ouvir? Para partilhar os meus pensamentos? Para contar as minhas histórias? Apenas porque sim, ou porque é esta a minha arte?

Não sei porque escrevo. Não sou capaz de encontrar por entre palavras forma alguma de descrever o que me motiva. A força, a energia, a vontade de transformar uma página em branco num pensamento, numa ideia, num manifesto, numa história, ou num exercício lírico. Talvez seja por isso que não sou um bom escritor. Pelo menos, não um capaz de satisfazer a minha perpétua exigência. Não, não sou um bom escritor. Ou escritor sequer. Não vivo disto. Apenas escrevo. Apenas escrevo...

Lembro-me de quando comecei a escrever para mim. Não porque fazia parte de algum trabalho da escola, ou de um imperativo de comunicar textualmente com alguém. Apenas porque sim. Queria partilhar uma ideia. Contá-la não apenas a mim, nem tão pouco àqueles que me rodeavam, mas sim partilhá-la com o Mundo. Com todos aqueles que pudessem encontrar em mim alguma espécie de reconhecimento e compreensão.

De algumas incoerentes linhas de palavras sem nexo, para indignados protestos, crónicas do dia-a-dia, manifestos activistas, contos, romances, comédias, poemas, e frases atrás de frases de ideias, pensamentos, e acções que, ano após ano, sempre mantiveram algum daquele estilo incoerente e desafiador de uma norma que nunca foi verdadeiramente aprendida.

Não é o blogue que me move. Não é uma coluna, uma nota ou um artigo. Nem tão pouco um jornal. Escrevo apenas porque sim. Porque há um ano encontrei uma peça de lego amarela no chão e quis partilhar esta história. Porque a equipa que apoio foi injustiçada e sinto a necessidade de o expor. Porque a história das personagens que criei num pensamento, num sonho, ou num qualquer momento do meu dia, merece, aliás, não, precisa de ser contada.

Escrevo porque há sentimentos que não consigo guardar. Porque há desejos que quero partilhar. Pessoas que quero ajudar. Almas gémeas que quero conhecer. Escrevo porque é parte de mim. É parte de quem eu sou. Naquela linha ténue que nos separa do resto do Mundo, são as minhas palavras, os meus pensamentos, verbais ou literários, que me mantêm constante. São elas quem me guarda, quem me indica o caminho.

São recados. Cartas. De mim para mim. De mim para quem as quiser ler. Para quem me quiser ouvir. Para quem me compreende. Para quem me deseja entender. São vozes amigas. Recordações. Histórias para desanuviar. Personagens com quem chorar, sorrir, amar. Amizades eternas. Saudades curadas ao virar de uma página. Ao suspirar de um sonho. Ao despertar de mais um dia.

Sei quem sou por aquilo que escrevo. Aquilo que escrevo é parte de quem eu sou. Com o silêncio digo muito. Com uma folha silencio o vento. Afasto-me para um local só meu onde, uma boa conversa, dá lugar a uma frase. E a outra. A outra. E a ainda mais uma. Estas dão lugar a ideias. A realidades. A Universos inteiros. A vidas que apenas tu conheces se estas não forem contadas.

Podes nunca vir a ser um Tolkien, um Martin, um Saramago, um Pessoa, um Queirós, nem tão pouco um King, ou um Sparks. Mas escreves. Expressas-te. Dás-te a conhecer. A ti e a quem te lê. Deixas de ser apenas mais uma voz, tímida por entre a multidão. És algo mais. Algo que te ultrapassa. És a tua arte. Tu és arte.

Não sei escrever. Não sou escritor. Apenas escrevo. Apenas sigo aquilo que não sei pôr por palavras. Aquilo que me move. Aquilo que me fez encher esta, e tantas outras páginas. Desde que me conheço. Desde que penso. Desde que sei. Desde que escrevo.

Não sou um bom escritor. Mas é esta a minha arte.

Tuesday, August 20, 2013

Vazio de Ideias

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No outro dia estava a tentar escrever a minha habitual crónica para a Her Ideal. O primeiro parágrafo até estava aceitável, mas não posso dizer o mesmo do resto. Notas soltas, desligadas umas das outras. Cada frase que escrevia, parecia-se com o início de uma história diferente, ligada à anterior, apenas e só pelo tema em geral que tentava abordar.

Tardei em chegar aos três mil caracteres. Alonguei-me. Resisti até ao último segundo. Insisti em algo que não me agradava. Em algo desconexo. Sem sentido. Algo que não merecia ser assinado por mim. Não naquele estado. Desisti. 

Queria apagá-lo. Rasgá-lo. Queimá-lo. Observar de perto a envolvência das chamas no papel. Até que a última letra se transformasse num negrume carbonizado de algo que, em tempos, se assemelhava a uma folha de papel. 

Não o fiz. Guardei-o para nunca mais recordar. Algumas tiradas tinham o seu quê de qualidade. Podem um dia vir a ser úteis. Afinal, em três mil caracteres alguma coisa se há de aproveitar. Quem sabe, um dia. Não hoje, mas um dia. 

Em conversa, surgiu-me outro tema. Mais aborrecido. Um pouco desinteressante. Longe de se identificar com o estilo que venho a construir ao longo dos últimos meses. Afinal, todos nós temos os nossos momentos de falta de inspiração. De desenrascanço face à triste meretriz do tempo, e dos prazos de entrega. 

Escrevi a nova crónica em três tempos. As palavras fluíam com maior facilidade. Conexas, emocionais. Mas aborrecidas. Excessivamente aborrecidas. Ontem dei por mim a suspirar “ennui” enquanto preparava o jantar. Isto talvez faça de mim um promíscuo presunçoso. Quem de seu perfeito juízo, suspira em voz alta “ennui” para uma cozinha vazia? 

Este sentimento assolou-me nas últimas semanas. Culpo-o pelo desastre que foi aquela tentativa de artigo que nunca o será. Culpo-o pela alternativa aborrecida que dali saiu. 

Não espero, nem tão pouco desejo, que tudo aquilo que eu escreva seja bom, inspirador, ou até mesmo capaz de apelar à mais íntima profundidade das emoções dos meus leitores. Reservo isso para alguns rasgos de genialidade que povoam a minha escrita, sempre que as Musas, e a minha barreira de procrastinação o permitem. 

Culpo o meu aborrecimento, assim como culpo o meu espírito de laissez-faire. Preguiçoso procrastinador, que nem sempre se safa sob a pressão do deadline. Infelizmente não consegui fazer melhor desta vez. Cheguei mesmo a sentir alguma desilusão em resposta ao meu novo artigo. Paciência. Não sou perfeito. Nem tão pouco organizado. Não desejo a perfeição, mas procuro-a no caótico limiar arquivista do meu pensamento. 

Peço. Não. Imploro, o perdão dos meus fieis leitores que, por antecipação, sofrem agora de um profundo desapontamento por aquilo que eu escrevi, mesmo antes de o terem lido. Farei melhor. Um dia. Farei melhor.

Tuesday, April 12, 2011

“Ó Luís, vê lá se fico bem a esta distância do teclado”

Está bom assim, ou devo tocar mais suavemente nas teclas? E que tal assim? Devo escrever esta frase sem olhar para o ecrã, e sem paragens para verificar a pontuação, ou preferes que coloque uma vírgula ou outra não fosse isto começar a parecer um parágrafo à la Saramago. O itálico fica bem naquela expressão francesa ou será um pouco exagerado?

Preferes que insira para aqui um hyperlink, aliás se calhar ficava melhor dizer hiperligação, não achas? Já agora, sabes como se escreve hyperlink? É com ‘i’ ou com ‘y’? No Google aparece das duas formas, mas com ‘y’ parece-me mais correcto, enfim, vou arriscar.

Estes primeiros dois parágrafos já servem como introdução ou é necessária mais alguma coisa? Parece-te que o herói já foi apresentado e que o primeiro Acto está concluído? Apetece-me divagar um pouco mais, há sempre tanta coisa que quero dizer e que acaba por se perder no discurso. Às vezes só me lembro mais tarde já depois de publicar, e aí não há nada a fazer. Preguiça, é isso mesmo, preguiça para reescrever o artigo ou para escrever outro sobre o mesmo tema. De facto, na maioria das vezes são simples pormenores que pouco ou nada acrescentam à história no seu todo. Then again, a vida é feita de pequenas coisas. Raios, como se traduz ‘then again’? ‘Contudo’ não me parece ser o mais correcto. Já sei, ‘porém’. Porém, a vida é feita de pequenas coisas.

Clichés e provérbios, é isso que faz o mundo andar à volta. Ou, pelo menos, o universo deste meu blogue. Espera aí, esqueci-me de uma vírgula na primeira frase deste parágrafo. Pronto, já está. Agora o Word está a dizer que a vírgula está a mais? Vou retirar e ver o que diz. Bom, parece-me que é um problema de concordância, daqueles que a inteligência artificial do Office ainda não é capaz de compreender. Parece-me melhor com a vírgula, vou mantê-la. Voltei a escrever ‘parece-me’, tenho que prestar mais atenção para evitar as repetições, já bastam as pequenas tentações de fonética que por vezes deixo escapar. Enfim, desta vez deixo ficar assim, não me apetece estar a pensar noutra alternativa.

Achas que uso e abuso de provérbios? Talvez devesse procurar algumas citações interessantes sempre dá um ar mais culto e elaborado a este artigo, ou pelo menos, transforma este texto num artigo menos preguiçoso, dado que tive de recorrer a alguma pesquisa para a sua execução. Não imaginas o quão difícil foi encontrar aquela palavra. Bom, vamos lá ver o que o Google tem a dizer.

“Na verdade, ninguém vê uma flor – é tão pequena – nós não temos tempo, e a contemplação requer muito tempo…” de Georgia O'Keeffe. Procurava algo de Cesário Verde, mas isto encontrei. Fica bem a analogia de uma pequena flor como ilustração de um dos pormenores da vida? Sim, a segunda parte também encaixa no tema global, ora não estivesse eu a ponderar sobre a demora e a paciência que uma leitura requer, principalmente quando esta é mais longa que o que se espera.

No outro dia vi-me a desistir de ler um texto simplesmente pela sua dimensão. Seria este o seu problema? Talvez, mas o mais provável é que o tema em si não me cativasse o suficiente. Afinal, a curiosidade matou o gato que tendo a mim como dono chamar-se-ia “Paciência”.

Introdução, tese, antítese, síntese, conclusão. Já o pensava Aristóteles antes de escrever e assim me ensinou aquela professora de Português que hoje não me recordo quem foi, nem tão pouco como se chama. Terei incluído estes elementos correctamente e de forma a serem facilmente identificáveis? Ó eterna questão que volta e meia me atormenta. Fiquei na dúvida se foi de facto Aristóteles quem disse isto. O Google parece-me algo dúbio, mas a Wikipédia já o confirmou.

Como terminar, como terminar, como terminar. É sempre o fim a parte mais difícil de executar. Em qualquer viagem o mais importante é partir, não chegar, já dizia Miguel Torga. Partir pode ser o mais importante, mas chegar é igualmente complexo. Deve ser a terceira vez que uso esta citação neste blogue, é melhor conter-me ou começo a dar a ideia que é a única frase de um autor que alguma vez decorei. É verdade, há pouco queria dizer o quão estranho é escrever blogue, em vez de blog, mas é assim que está no dicionário, tal como twittar e outros que tantos. Pormenores, pequenos pormenores – como adoro este pleonasmo de redundância.

É tão difícil fechar um artigo. Vou pelo caminho mais fácil e recorrer-me da técnica em espiral ora não fosse a rádio também um forte elemento neste pequeno universo sem sentido. Diz-me só uma coisa Luís, fico bem a esta distância do teclado?

Tuesday, August 04, 2009

Escreve o que não sentes

Sinto-me vazio. Vazio é a única palavra que se aproxima da total ausência de emoções que me vejo forçado a viver. Não me lembro da última vez que senti, nem sequer do sentimento, ou da situação que o criou.

Há vários anos que não consigo escrever. Valorizar a fantasia em detrimento da razão deixa-me dependente dos meus sonhos, das minhas emoções e da minha imaginação. Escrever por impulso sempre foi a minha filosofia, e tão belas baladas que daí saíram, mas hoje, sem sentimento, sem esperança e sem momentos, é impossível subjugar-me sob qualquer impulso, e assim permaneço sem vontade, numa perpétua estrada para um vácuo de esquecimento.

Mesmo agora que escrevo este texto, forço as palavras a saírem, paro a cada instante e pondero o que escrever a seguir. Nada é natural. Nada flui. Tudo continua num engarrafamento de ideias presas numa infinita hora de ponta.

É trágico viver num contínuo purgatório lírico, dominado por um triste e cinzento vazio de emoções. Não consigo fingir o que escrevo, pois embora consiga manter a falsidade escondida do resto do mundo, ver-me-ia forçado a sucumbir sob o peso da verdade que eternamente me iria perseguir. Fingir em ficção pode parecer paradoxal, mas o verdadeiro paradoxo esconde-se dentro da máscara de alguém que escreve o que não sente. Mesmo para mentir é preciso imaginar, e para imaginar é preciso sentir, caso contrário o virtualismo das ideias será exposto pela fraude que é, e nunca será capaz de convencer alguém da sua falsa realidade.

Não. Não posso escrever o que não sinto. Até voltar a sentir, se voltar a sentir, fecho a minha criatividade, que há muito não me pertence, e aguardo pelo seu regresso. Vejo-me forçado por um mundo que não me aceita, a deixar para amanhã a minha oportunidade de viver.

Fim.