Friday, February 26, 2021

As Melhores Compras de 2020

Imagem DR

Fechados em casa e com demasiado tempo livre entre mãos não seria de estranhar que, à semelhança de 2013, tivesse já preparada uma longa lista de objectos inúteis comprados por impulso na ânsia de satisfazer alguma espécie de vazio provocado por simples aborrecimento.

Acreditem, 2020 esteve longe de ser um ano perfeito no que diz respeito ao controlo das minhas finanças pessoais. No entanto, com a excepção de um ou outro erro de cálculo, confesso que não me posso verdadeiramente queixar.

Decidi assim abordar este tema através de um ângulo mais positivo. Escolhi três objectos que, apesar de banais e pouco dispendiosos, contribuíram para melhorar o meu dia-a-dia.



1. Comando Universal LG (Amazon ES – €7,44)

Desde 2013, quando saí de casa dos meus pais, que perdi o hábito de ver televisão. Continuei a seguir as minhas séries e a acompanhar as notícias através do meu portátil e, mais tarde, do meu telemóvel. Mas nunca senti a necessidade de comprar uma televisão.

Em 2018, já depois de me ter mudado para a Amadora, herdei um televisor LG de 32 polegadas de 2009. Não é um televisor inteligente, mas a qualidade de imagem e de som é bastante razoável. No entanto, o comando que veio com esta TV não funcionava.

Não. O problema não eram as pilhas.

Nada de grave. Se precisasse de mudar de canal simplesmente recorria ao comando da box. Contudo, sempre que o tivesse de ligar ou de mudar de porta HDMI, tinha que o fazer através dos botões do próprio televisor. Uma tarefa morosa e que nem sempre corria bem.

Se já experimentaram usar os botões da vossa TV sabem do que estou a falar.

Após uns meses a procurar por comandos universais enfim encontrei um que tinha comentários bastante positivos, apesar de em lado algum dizer ser compatível com o modelo da minha TV.

Decidi arriscar, motivado por um comentário de um utilizador que se dizia agradado com o facto deste comando funcionar numa TV de 2007.

O preço era baixo e como já ia fazer uma compra naquele site – a Amazon Espanha oferece portes de envio gratuitos para compras superiores a €29 – adicionei-o ao carrinho.

Cinco dias depois recebi-o em casa. Desde então não mais tive problemas em ligar a TV, e o tempo que demorava a trocar de entrada HDMI reduziu de alguns minutos para poucos segundos.



2. Xiaomi Mi Stick TV (Worten – €29,99)

Sabem quando alguém nos alerta para uma promoção de algo sobre o qual nunca ouvimos falar e no minuto seguinte já estamos a colocar no carrinho com receio de perder a oportunidade? Tem tudo para correr bem, certo?

Desta vez, posso dizer que sim.

Normalmente ignoro as promoções realizadas pelas lojas de electrónica, especialmente quando estas acontecem durante a época natalícia. Os descontos nem sempre são tão bons como parecem e, se não estivermos atentos, somos facilmente ludibriados.

Já tinha ouvido falar na existência de dispositivos Android que transformavam televisores comuns em televisores inteligentes, mas nunca perdi tempo a pesquisar sobre isso. Mas naquele dia esta promoção em particular chamou-me a atenção.

A Xiaomi Mi Stick TV estava com um desconto a rondar os €20 na Worten. Este dispositivo pode ser ligado à TV através de uma porta HDMI e funciona como uma box Android. É pequena, passa despercebida e consome pouca energia.

Esta versão apenas permite qualidade de imagem HD. Existem outros dispositivos semelhantes, um pouco mais caros, que conseguem funcionar em monitores com qualidade 4K. Mas, visto que o meu televisor não tem pixéis suficientes para essas andanças, não justificava o investimento.

Até então tinha que ligar o meu portátil à TV sempre que quisesse usar um serviço de streaming. Desde que comprei a Xiaomi Mi Stick que deixei de o fazer.

É, aliás, raro o dia que não a uso. 



3. Sandwicheira Qilive 3 em 1 (Auchan – €18,99)

Nem todas as escolhas desta lista nasceram de um recém-descoberto interesse pela minha televisão. Este nasceu por um recém, bom, não é assim tão recente. Digamos, por um antigo interesse por panquecas, waffles e simples tostas.

Esta sandwicheira não tem ligação wifi mas vem com três pares de grelhas substituíveis que permitem grelhar, torrar e fazer waffles. E, apesar do preço, os waffles saem com um aspecto bastante profissional.

Infelizmente, só descobri depois de a comprar que o ponto três do ‘3 em 1’ não significa ‘panquecas’ mas sim ‘grelhador’. Mas, se formos sinceros, a única diferença entre uma panqueca e um waffle é a forma (sim, eu uso a mesma receita).

Monday, December 07, 2020

Fazes compras online fora da UE? Prepara-te para pagar mais já em 2021


Fazer compras online vai ficar mais difícil a partir de 2021. A 1 de Janeiro chega ao fim o período de transição para a saída do Reino Unido da União Europeia. Como, até ao momento, ainda não foi alcançado qualquer acordo entre o Governo Britânico e os estados-membros da UE, a partir de Janeiro de 2021 qualquer compra feita a partir do Reino Unido estará sujeita a parar na alfândega.

Actualmente, artigos comprados online oriundos de países extracomunitários, como é o caso da China e dos EUA, têm que passar pela alfândega antes de serem entregues.

Artigos com um valor total inferior a 22 euros, nos quais se deve incluir o preço do artigo e os portes de envio, estão isentos de IVA e de qualquer outra taxa alfandegária.

Para todos os outros é aplicada a taxa de IVA correspondente ao tipo de artigo, à qual é acrescida uma taxa de armazenamento de cerca de 12 euros por o artigo ter parado na alfândega. Sim, temos que pagar pelo facto de a alfândega optar por guardar o artigo durante alguns dias.

No entanto, esta situação vai sofrer alterações a partir de Julho de 2021. Após essa data chega ao fim a isenção de IVA para artigos de valor inferior a 22 euros oriundos de países extracomunitários.

Algumas lojas estão já a contornar esta situação enviando os seus artigos através de armazéns situados em países da UE, como é o caso de Espanha e da Bélgica, contudo, nem todas podem recorrer a essa solução.

Como podemos então contornar esta situação?

Nada há a fazer no que toca ao IVA e às taxas de importação, no entanto, é possível evitar pagar as taxas de armazenamento de uma forma simples. Para tal devemos realizar a compra em lojas que cobrem as taxas de importação no acto da encomenda.

Sim, à partida isto encarece o valor do produto, mas no fim acaba por compensar porque não só reduz o valor pago na chegada à alfândega como permite que o vosso artigo seja imediatamente desalfandegado após a chegada a Portugal, evitando assim todo o stress burocrático associado a este processo.

Para tal devem realizar a compra em lojas como a Amazon ou o eBay que cobram taxas de importação quando finalizamos a encomenda. No caso da Amazon estas taxas são calculadas de forma automática, já no caso do eBay devem sempre optar por vendedores que tenham na descrição a frase Customs services and international tracking provided. Esta frase sinaliza que o artigo será entregue através do sistema de envio global do eBay e que as taxas de importação serão cobradas no acto da encomenda.

Como exemplo, recentemente comprei um artigo no eBay pelo valor de €50 aos quais acresceram cerca de €20 de portes de envio. Como não optei por um vendedor que usasse o serviço de entregas do eBay, acabei por ter o artigo preso na alfândega. A este valor inicial de €70 tive que pagar mais €30, €18 de IVA e demais taxas alfandegárias, e €12 de taxa de armazenamento.

Se tivesse optado por um vendedor que usasse o serviço de entregas do eBay teria pago apenas €18, ou até menos, de taxas de importação e o artigo teria sido entregue de forma mais rápida.

Também o IVA vai subir

Outra alteração que vai entrar em vigor já a partir de Janeiro de 2021 é a cobrança do IVA com base no país de destino. Se fazem compras através da Amazon Espanhola ou de outro país da UE, já devem ter reparado que quando chega a hora de pagar o artigo fica sempre com um valor final ligeiramente mais caro. Isto acontece porque a Amazon decidiu antecipar uma nova lei que dita que todos os artigos comprados online passam a ser taxados sobre o valor do IVA do país de destino e não do de origem.

Por exemplo, se um Português encomendar um artigo que em Espanha custe €20 e que lá esteja sujeito a uma taxa de IVA de 21%, este valor terá que ser adaptado à taxa de 23% em vigor em Portugal. Em vez de €20 este artigo irá então custar €20,33.

Na maioria dos casos o valor será pouco significante, contudo, é mais um factor a ter em atenção quando decidirmos realizar uma compra online a partir do próximo ano.

Estas medidas surgem com o intuito de promover as economias locais e as trocas comerciais entre estados-membros da União Europeia. Se para a grande maioria dos casos estas alterações podem até não ter um impacto significativo, para quem está habituado a comprar artigos que não se encontram disponíveis em nenhum país da UE, elas prometem acrescentar um peso proibitivo para a carteira de muitos portugueses.

O Reino Unido tem servido nas últimas décadas de porta de entrada para artigos exclusivos que normalmente só se encontram disponíveis em lojas norte-americanas. Torna-se assim importante que o RU chegue rapidamente a acordo com os estados-membros da UE para garantir a livre troca de bens entre o Continente e as Ilhas Britânicas.

Até lá, resta-nos apenas encontrar alternativas dentro de portas para que as taxas de alfândega não encareçam as nossas encomendas.

Wednesday, March 30, 2011

Até ao Lavar dos Cestos é Vindima

Desde 2003 que fazer compras online deixou de ser um bicho-de-sete-cabeças para mim. Hoje em dia é raro fazer qualquer compra sem primeiro verificar se fica mais barato recorrer à loja online, seja ela portuguesa ou internacional. Embora não seja um comprador compulsivo, já fiz um certo volume de encomendas que me permitem ter total confiança no meio. Contudo, há sempre uma ou outra excepção que confirma a regra.

Sem querer dar um passo maior que a perna preferi, inicialmente, jogar pelo seguro e encomendar apenas em lojas nacionais que disponibilizassem um serviço de pagamento à cobrança nos correios. A loja escolhida foi a CDGO.com, uma loja de música online sediada no Porto, com uma vasta colecção de bandas e algumas raridades importadas. Apesar de viver em Ovar, ainda não tinha motivos para ir ao Porto com uma frequência que me permitisse comprar directamente na loja. Em certos casos, inclusive, a encomenda tinha que ser feita por um revendedor internacional, portanto, não era necessário deslocar-me lá quando podia fazer tudo isso dentro do conforto da minha casa.

A maioria das encomendas que fiz chegaram a tempo e em perfeitas condições. A maioria, pois algumas acabaram por nunca chegar. Fosse por falta de stock na loja ou por já não estarem disponíveis para venda junto dos revendedores, até hoje, nunca as recebi. Contactei a CDGO, explicaram-me a situação e passado algum tempo acabei por cancelar as encomendas.

Não tardei a subir a parada e a aventurar-me em sites de outro campeonato. Amazon, eBay e Play.com são alguns exemplos das minhas primeiras escolhas para comprar online de forma segura, e com uma boa relação qualidade/preço. Dos Estados Unidos à Malásia, a verdade é que há objectos no meu quarto que já viajaram bem mais que eu. Mas, curiosamente, o Reino Unido é o único destino do qual surgiram complicações, ora não fosse este o país de origem da grande maioria das minhas encomendas.

O primeiro caso foi ainda nos primórdios da minha relação com a Amazon. Estava à procura de um single de edição limitada. Encontrei uma loja associada à Amazon que o vendia e fiz a encomenda. Até aqui tudo bem. Dias mais tarde recebo um e-mail do vendedor a dizer que o artigo estava esgotado e a perguntar se eu queria um reembolso. Eu respondi a dizer que não tendo aquele single podiam enviar-me outro de igual valor. A resposta dele resumiu-se a isto: Já fizemos o reembolso. Não fiquei propriamente chateado com a situação e inclusive acabei por encontrar o single que queria noutra loja, contudo, não lhe teria ficado nada mal tomar em consideração a troca que sugeri em vez de agir imediatamente para o reembolso.

Seguiu-se o eBay e um vendedor ainda menos talentoso na arte da relação com os clientes. Fiz uma encomenda, paguei mais do que o que estava indicado pelos portes e aguardei. Na página do artigo indicava que o prazo de entrega era entre cinco a sete dias. Esperei duas semanas e nada. Contactei o vendedor e perguntei pelo estado da encomenda, ele tratou-me com condescendência e chamou-me de impaciente. Dei-lhe feedback negativo, ele ripostou de igual forma. A encomenda eventualmente chegou com um atraso de quase três semanas.

Chegámos a acordo para um reembolso de sete libras pelo atraso e concordámos em retirar os feedbacks negativos. Estes foram de facto retirados, já as sete libras, nunca as vi.

Quem espera sempre alcança. Em nenhum caso este provérbio se aplica melhor que no único que me falta contar. No passado dia 21 de Março de 2011, uma segunda-feira igual a qualquer outra, cheguei a casa e fui recebido com a seguinte notícia: Os correios trouxeram uma ordem judicial para ti. Entrei em pânico, teria cometido alguma ilegalidade sem me aperceber? Não. A ordem era para que eu, se assim quisesse, apresentasse queixa aos correios por uma encomenda que recebi com um atraso de quase dois anos!

Em 2009 encomendei um DVD através de um vendedor da Amazon. O tempo passou e ele nunca chegou. Falei com o vendedor que me confirmou que o artigo tinha entrado em Portugal mas que não tinham nenhuns dados acerca da sua localização. Aguardei mais uns dias e pedi o reembolso que recebi de imediato. O tempo passou. Por vezes senti-me tentado em voltar a comprar aquele DVD mas não encontrava nenhum por um preço acessível. Contava esta história sempre que o assunto das compras online surgia e guardei em mim a ideia que um dia aquele DVD ainda me ia aparecer à porta.

Cheguei mesmo a ouvir o rumor que havia um estafeta que andava a roubar cartas e que tinha mesmo sido preso na altura em que fiz a encomenda. Pobre homem que pelo menos desta não é culpado. Enviado do Reino Unido no dia 18 de Maio de 2009 o DVD chegou apenas no dia 21 de Março de 2011. O mesmo que dizer que demorou 672 dias a chegar a minha casa! Esteve perdido nos CTT e apenas o encontraram porque há umas semanas tinha feito outra encomenda, também da Amazon, que já vinha com um atraso de alguns dias e que, provavelmente, foi enviada para o mesmo sector de tratamento de entregas.

Há males que vêm por bem. Apesar do atraso de quase dois anos, acabei por não ter que pagar pela encomenda, tudo isto graças à incompetência dos CTT. Contudo, tenho que lhes louvar por apresentarem a ordem judicial. Seria de esperar que destruíssem o artigo para não terem que arcar com as eventuais consequências, ou que o entregassem sem quaisquer justificações na esperança que a pessoa nem sequer pensasse em apresentar queixa.

Preferi não ir em frente com a ordem judicial, apesar de tudo, o artigo estava em perfeitas condições e, não fosse por este atraso, teria pago por ele cerca de oito libras na altura. É engraçado ver como a sabedoria popular ainda hoje tem os seus momentos. Num dia perfeitamente normal, quando já me tinha esquecido da encomenda, esta história teve o seu final há muito aguardado.

Boas coisas chegam a quem por elas espera, pois quem espera sempre alcança. Mais vale tarde do que nunca, portanto, mesmo quem espera e desespera deve sempre ter em mente que até ao lavar dos cestos é vindima, e que as melhores coisas acontecem quando menos esperamos.