Tuesday, November 08, 2011

Se o Mundo Acabar Hoje?

Asteróide 2005 YU55, Foto DR
Por volta das 23h30 desta noite o asteróide 2005 YU55, com 400 metros de diâmetro, vai rasar a Terra a uma distância de 324.600 quilómetros, distância menor que a que separa a Lua do nosso planeta (384.000 km). Embora esta notícia não seja alvo de uma forte cobertura mediática, despertou em alguns cépticos um certo sentimento de apreensão, impulsionado por um alegado teste das transmissões de emergência dos media norte-americanos, que a FEMA (Federal Emergency Management Agency) tem programado precisamente para hoje.

Apesar deste sentimento não passar de uma preocupação desmedida, refutada pela comunidade astronómica mundial, não deixa de ser interessante ponderar sobre as eventuais consequências do impacto de um asteróide de grandes proporções no nosso planeta. Nestas situações é comum referir-se o asteróide de 10 km de diâmetro que caiu na Península do Yucatan (México) há cerca de 65 milhões de anos atrás, até hoje indicado como um dos principais responsáveis pela extinção dos dinossauros.

O que aconteceria então se o 2005 YU55 atingisse a Terra? Embora não tenha tamanho suficiente para causar um Evento de Nível de Extinção como aquele que caiu no México no final do período Cretácico, seria capaz de causar elevados estragos a uma escala global, dependendo da zona que fosse atingida.

Com fortes probabilidades de colidir numa zona marítima, visto o nosso planeta ser 70% coberto por água, causaria enormes tsunamis capazes de arrasar países inteiros, fazendo desaparecer linhas costeiras por completo. Mesmo regiões mais interiores a largas dezenas de quilómetros da zona de rebentação seriam afectadas pela fúria das águas.

Um impacto em terra teria resultados catastróficos, capaz de destruir uma região inteira e arrasar cidades, tornando inabitável toda a zona em volta. Mas as consequências em curto prazo não são nada em comparação com aquilo que a Humanidade teria que viver a seguir. Dependendo da zona atingida pelo asteróide, são diversas as consequências a longo prazo para a vida no nosso planeta.

Desde uma camada de poeira fina a cobrir a nossa atmosfera durante anos, a extensos invernos nucleares, causados por um abrupto aumento do efeito de estufa, nenhum cenário abonaria qualquer tipo de esperança para a manutenção do nosso nível de vida actual. Às incontáveis mortes causadas por fome, doença e exposição ao frio, há que acrescentar o racionamento de água e alimentos e a supressão de muitos dos direitos de uma sociedade democrática.

Como iria reagir a Humanidade a esta situação? Veríamos a luta pela repartição de recursos incrementar os conflitos entre os países? Seríamos solidários uns com os outros? Estaríamos prontos para dar a mão ao próximo sem nos preocuparmos connosco? Felizmente, não teremos que responder a estas perguntas tão cedo. Contudo, não deixa de ser irónico que embora sejamos mais evoluídos tecnologicamente que os nossos antepassados, continuamos a ser tão ou mais vulneráveis que os dinossauros quando confrontados com os desígnios do Universo.

Se o Mundo acabar hoje? A única certeza que temos é que por mais informados que estejamos nada nos poderá preparar para uma catástrofe de tamanhas proporções.

Para mais Informações:
What Would Happen if Asteroid 2005 YU55 Hit Earth?

Friday, April 27, 2007

Planeta Bob

Imagem DR
A Terra pode não ser um paraíso, mas é o nosso lar. A NASA recentemente divulgou a descoberta de um novo planeta fora do sistema solar. Este novo planeta por enquanto tem o nome de Gliese 581 b. O novo planeta recebe esta designação por orbitar a estrela Gliese 581, uma anã vermelha nas últimas etapas da sua existência.

Gliese 581 b é um entre vários planetas descobertos neste sistema, mas tem a particularidade de ser rochoso, apesar do seu tamanho ser próximo do de Neptuno, e de possuir água.

A água não é um elemento raro no espaço, normalmente surgindo no estado gasoso ou sólido, como no caso de Europa, uma das luas de Júpiter. No entanto, dados da NASA indicam que a temperatura da superfície deste planeta varia entre 0 ºC e 40 ºC, o que é suficiente para possuir água no estado líquido.

Outro facto interessante sobre este planeta é que a sua órbita é tão próxima da sua estrela, que se o colocássemos no Sistema Solar, este ultrapassaria Mercúrio, e tomaria o lugar de planeta mais próximo do Sol.

Na notícia da SIC sobre esta descoberta, é referida a incapacidade de o alcançarmos por ele se situar demasiado longe. Ainda é posta a questão desta viagem interestelar apenas ser possível se os eventuais habitantes desse planeta possuírem uma tecnologia muito mais avançada que a nossa. Mas algo me diz que não precisamos de nos preocupar com isso.

A força gravítica de um astro tão grande seria inviável para a vida como a conhecemos. Se vida inteligente se desenvolvesse, na melhor das hipóteses, seria subaquática e completamente minúscula em comparação a nós, devido às extremas forças em acção. Outro facto a ter em atenção é que a estrela deste planeta está a morrer, e as condições nesse sistema não devem ser as melhores. Já para não falar que a luz que recebemos agora tem já vários milhares de anos, por causa da longa distância que tem que percorrer.

Nós como espécie sempre demonstrámos uma certa tendência para nos aniquilarmos, e só temos esse poder há pouco mais de cem anos. Será que mil anos não seria demasiado tempo para uma civilização tão avançada sobreviver?

Até que ponto é a vida inteligente um privilégio para o Planeta? Seremos nós os únicos que não se conseguem entender entre si, ou será isto uma maldição que cai sobre toda a vida em qualquer lugar? Só uma viagem a esta nova baga azul na escuridão do espaço poderia responder a estas, e a outras perguntas.