Thursday, June 16, 2022

What is a Dimetrodon and why it’s wrong to call it a Dinosaur?

Dimetrodon DR

If you search through your old toy chest that your parents were careful enough to save, you might find among your dinosaur toys a small lizard-like animal with a sail on its back and a menacing grin.

This animal is called a Dimetrodon and it’s not a Dinosaur. In fact, it’s more closely related to us than it is to a T. rex or a Triceratops.

Then why do so many people confuse it with a Dinosaur? As with many misconceptions in the World of paleontology, this one has its roots in popular media, with the latest installment of the Jurassic Park franchise, Jurassic World Dominion, being the latest in a long list of movies and TV series showing this animal living alongside dinosaurs and pterosaurs (which are also not dinosaurs, but we’ll get into that in another article).

Dimetrodon was part of a group of animals called the synapsids, with its fossils being found all over the northern hemisphere from the US to Germany. Dimetrodon actually predates the dinosaurs by over 40 million years. It lived in the Permian period from 295 to 272 million years ago, going extinct even before the Great Dying, a massive extinction-level event that wiped out 90% of all life on Earth, marking the end of the Permian period and the beginning of the Triassic, 252 million years ago.

Synapsids are one of the two major groups of animals that evolved from basal amniotes, a clade of tetrapod (meaning four-legged) animals that comprise both the synapsids (mammals and their relatives) and the sauropsids (reptiles, dinosaurs, and birds).

One of the main characteristics that distinguish synapsids from other animals is that they have a temporal fenestra, an opening low in the skull roof behind each eye, leaving a bony arch beneath them. Paleontologists believe this distinctive trait developed around 318 million years ago during the late Carboniferous period when synapsids and sauropsids diverged.

(A little side note, it’s from the Carboniferous period that most of the coal used to power the industrial revolution came from. A topic for another day)

And Dimetrodon fossils have this distinct trait, making them not necessarily a mammal ancestor, but a close relative to us and to all other mammal species alive today.

Dimetrodon is actually a genus name comprising about 13 known species, the largest of which was Dimetrodon angelensis, growing to around 4 m (13 ft) in length, and the smallest being Dimetrodon teutonis with only 60 cm (24 in).

Fossils of Dimetrodon are known from the United States (Texas, Oklahoma, New Mexico, Arizona, Utah, and Ohio) and Germany, areas that were part of the supercontinent Euramerica during the Early Permian. Almost all fossils of Dimetrodon found in the US have come from three geological groups in north-central Texas and south-central Oklahoma: the Clear Fork Group, the Wichita Group, and the Pease River Group.

Most fossil finds are part of lowland ecosystems which, during the Permian, would have been vast wetlands. It lived alongside amphibians like Archeria, Diplocaulus, Eryops, and Trimerorhachis, the reptiliomorph Seymouria, the reptile Captorhinus, and the synapsids Ophiacodon and Edaphosaurus (a sailed-back herbivore).

Besides Dimetrodon, Jurassic World Dominion also features another synapsid, the Lystrosaurus. This little guy – full-grown adults reached around 1 meter (3 ft) in length – was actually one of the few lucky species to survive the Great Dying.

Lystrosaurus animatronic from the set of Jurassic World Dominion

It is found all over the world from Antarctica to South Africa and China, and its fossils were used to prove the theory of continental drift that led us to better understand plate tectonics and to recreate the supercontinent of Pangaea.

Lystrosaurus is an extinct member of herbivorous dicynodont therapsids. Therapsids are a group that includes true mammals, and dicynodonts were a family of therapsids that had a pair of tusk-like canines that serve as a tell-tale characteristic for Lystrosaurus.

It is also possible that these were amongst the first mammal-like animals to give birth to live young, although this hypothesis is only supported by the fact we have yet to find any evidence of Lystrosaurus’ eggs.

Although this animal actually lived in the Triassic it was still separated from the first dinosaur by about 20 million years. It did, however, most likely share its environment with the first dinosauromorphs, the group that would later give rise to the Dinosaurs that we all know and love.

To summarize, Dimetrodon and Lystrosaurus are a part of our own evolutionary history, albeit far in the distant past. They may not have been dinosaurs but that didn’t stop them from making their mark on our planet’s history.     

And although one cannot shake the fact that Dinosaurs dominate our collective imagination and our media landscape, we should also be aware of the amazing animals that lived long before their rise.

Thursday, November 19, 2015

Embaralhar

Imagem DR
Ou como a vontade colectiva de um povo é capaz de superar qualquer imposição, regra, ou legislação. Desde que me conheço que digo “embaralhar”. Alguns riem-se e dizem que é um erro. Outros presumem que não passa de um regionalismo. Mas para uma pequena percentagem da população, esta palavra nada mais é que um termo comum, tão correcto como qualquer outra palavra escrita até este ponto. Ignoremos o acordo ortográfico, pois “colectiva” e “correcto” são tão mais belos com aquele silencioso “c” por ali ilustrado.

Nunca fui um ávido jogador de cartas. Prefiro outros jogos como Uno, Monopólio, Cluedo e o ocasional Scrabble. Embora tenha experimentado um pouco de Magic, este não foi capaz de me seduzir. Apenas Pokémon, e o seu jogo de cartas, foram capazes de me forçar a entrar em torneios e a investir uma considerável quantidade de tempo e dinheiro num passatempo deste género. Mas mesmo essa tentação não foi além da minha pré-adolescência, e de um ocasional rasgo de nostalgia.

Nos torneios em que participava semanalmente no café “A Cave”, sempre que a situação o ditava dizia a palavra “embaralhar” com toda a naturalidade que esta sempre me reservou. Os restantes jogadores anuíam e também eles a repetiam sem pensarem uma ou duas vezes. Na praia, a jogar às cartas ou ao Uno com os meus pais, o mesmo acontecia. Não fossem eles quem me ensinou o sentido desta palavra.

Tive que aguardar até ao meu segundo ano de faculdade para ouvir pela primeira vez alguém a contestar o meu uso do termo “embaralhar”. Na altura achei peculiar o reparo. Nunca tinha ouvido a palavra “baralhar” até aquele ponto. Parecia um objecto estranho e alienígena. Essa palavra truncada é que parecia sim um erro em comparação com o meu fiel “embaralhar”.

Os restantes jogadores encolheram os ombros e disseram que não devia passar de um regionalismo. Não estava convencido. Fui pesquisar, e, de facto, tanto “embaralhar” como “baralhar” existem e encontram-se no dicionário. Têm ambas o mesmo significado, sendo que a primeira surgiu através da segunda.

“Embaralhar” não era um erro, mas sim um coloquialismo, uma palavra transformada pela oralidade, escrita em bom português e aclamada por um povo que viu no original “baralhar”, uma palavra sem jeito, mas com espaço para melhorar. Nasceu assim “embaralhar”, por aclamação popular e pela necessidade de registo de um termo comum, evoluído de outra palavra igualmente banal.

Gostamos muito de brincar com quem diz “arrebentar”, “alevantar” ou “ajuntar”. Contudo, são eles os donos da última gargalhada. Seja por teimosia, insistência, ou por mera coloquialidade, todas estas palavras figuram hoje no dicionário como termos correctos. Informais, decerto, mas correctos. Não são erros, mas sim meras palavras criadas pela adjunção do prefixo protético “a-“.

Nem todas possuem a beleza de um “embaralhar”, nem tão pouco são palavras capazes de soar inteligentes. Contudo, elas existem. Fazem parte da nossa língua, da nossa memória colectiva, e são hoje parte da nossa cultura.

A língua não é um ser estanque no epítome patamar da sua evolução. Mas sim um organismo vivo, em constante crescimento, sujeito à mais ínfima mutação do seu ADN, surja esta por decreto, por consenso, ou por aclamação popular.

Talvez seja hipocrisia da minha parte elogiar o acto de “embaralhar” e ser, contudo, incapaz de me livrar do “c” ou de me deixar levar por esse desnecessário acordo ortográfico. Talvez assim seja por dar mais valor à aclamação popular em detrimento de acordos fechados em salas escuras com pouco ou nenhum recurso à opinião daqueles que serão mais afectados por essas mesmas decisões.

Enfim, vou continuar a “embaralhar”, pois o Português é uma língua tão rica e cheia de potencial. Todos aqueles que contribuam para o seu crescimento e para o sem embelezamento, são bem-vindos.

São bem-vindos a participar na dança eterna do verbo lusitano que, ontem, como hoje, continua vivo, a crescer, a evoluir, e, enfim, a embaralhar.

Friday, December 21, 2012

Two fries short of a Happy Meal

Foto: Adriano Cerqueira
Duzentos e setenta e cinco. Sim, duzentos e setenta e cinco. Não acredito que acabei na página duzentos e setenta e cinco. 

Todos temos uma lista de objectivos que um dia esperamos concretizar. Escalar uma montanha, fazer bungee jumping, skydiving, rafting, ou outro tipo de desporto radical, visitar um país longínquo, comer algo exótico, ir ao Espaço, ou algo mais simples como encontrar a melhor francesinha fora do Porto, actualizar o teu blogue todos os dias durante uma semana, escrever um livro, plantar uma árvore, passar um dia sem misturar termos ingleses na tua conversa, aprender a falar Russo fluentemente, e até mesmo ler um livro inteiro num único dia. Ontem estive perto de alcançar este último.

Dividi o meu dia entre Porto e Lisboa. Sabendo à partida que ia passar pelo menos seis horas dentro de um comboio, mais umas cinco horas de espera em Lisboa com muito pouco para fazer, decidi levar um livro comigo para me acompanhar durante a viagem. Como apenas me restavam cerca de cem páginas para terminar de ler A Dança dos Dragões, de George R. R. Martin, achei que não o devia trazer comigo, pois acabaria por o terminar antes sequer de embarcar no Intercidades.

Decidi então pegar num dos livros que guardo num montinho ao qual gosto de chamar, “lista de espera”. Já planeava lê-lo após terminar A Dança dos Dragões, por adivinhar que a minha encomenda do décimo livro da versão portuguesa de A Song of Ice and Fire não deve chegar ainda este mês. O meu companheiro de viagem intitula-se Evolução e Criacionismo: Uma Relação Impossível da autoria de Augusta Gaspar com a intervenção de outros colaboradores como a Teresa Avelar e o Octávio Mateus.

Escolhi este livro maioritariamente porque após estes longos meses de constante convivência com o mundo de fantasia da mente de George R. R. Martin, estou a precisar de uma séria dose de realidade e de conhecimento. Já no intervalo entre O Mar de Ferro e A Dança dos Dragões, quebrei o jejum com o The Greatest Show on Earth de Richard Dawkins, também este um livro sobre Evolução.

Só na viagem para o Porto, à qual terei que juntar as duas horas de espera que dividi entre o Campus São João e a Estação de Campanhã, consegui chegar à página noventa sem grandes problemas. Sem querer iniciar uma crítica exaustiva ao livro, embora não o considere uma grande obra literária, está escrito com uma boa fluidez e com uma simplicidade de argumentação capaz de cativar qualquer interessado na matéria, ao mesmo tempo que procura ensinar os leigos sobre o que é a Evolução e sobre os problemas que os fanáticos do Criacionismo estão a causar à investigação científica séria que é feita nesta área.

Quando cheguei a Lisboa já tinha chegado à página cento e setenta e sete. Após algumas horas de “descanso” e de outros afazeres, retornei a leitura pouco depois do jantar. Quando o comboio de regresso a Ovar finalmente chegou, tinha acabado de ultrapassar a página duzentos. “Duas horas e meia de viagem, há vinda tinha conseguido ler cerca de cem, isto vai ser canja”, assim pensei. Mas o dia já ia longo e subestimava o meu real nível de cansaço. Ainda assim, aguentei-me firme até ao último instante. Quando o comboio parou em Aveiro, já sabia que não seria capaz de chegar ao fim, mas não desisti de ler. Quase que me senti tentado a saltar alguns parágrafos, mas não existe qualquer mérito em fazer batota.

Tinha acabado de passar o apeadeiro de Válega quando finalmente desisti. Estava na página duzentos e setenta e cinco. Tão perto e, contudo, tão longe. Sim, podia ter continuado a ler em casa, mas mal entrei, corri logo para a cama.

Não foi desta que li um livro inteiro em um dia. Não sou “papa-livros” como já ouvi alguém dizer. No máximo sou capaz de ler cem páginas em um dia, e apenas se o livro me cativar. Mas sempre admirei aqueles que são capazes de “engolir” um livro de quinhentas páginas em menos de vinte e quatro horas seguidas. Já eu contentava-me com um de duzentas e noventa, mas agora vejo que escolhi mal o dia e o local para o fazer. Pelo menos fico com a consolação de poder juntar mais uma obra para os Cantos da Minha Estante de 2012, além do prémio que é todo o conhecimento que um livro como este me fornece.

Confesso que hoje ainda não peguei nessas quinze páginas que me restam, nem tão pouco nas cem de A Dança dos Dragões. Talvez o faça amanhã, talvez noutro dia. O mais importante é que não sinto que tenha “morrido na praia” mas sim, que descobri quais os meus limites e que com mais um pequeno esforço sou bem capaz de os ultrapassar.

Além disso, hoje posso orgulhosamente afirmar que com esta crónica, posso agora riscar da minha lista a tarefa de “actualizar o meu blogue todos os dias durante uma semana”.

Friday, February 16, 2007

Antepassado Comum


Um destes dias deparei-me com um documentário sobre o voo dos Pterossauros. Estes répteis voadores foram o primeiro grupo de vertebrados a desenvolver o voo, contudo, a forma como o conseguiram fazer tem intrigado os paleontólogos há muito tempo.

A parte que achei mais interessante neste documentário resume-se a um pequeno detalhe. Numa nota de mera curiosidade, um dos indivíduos diz que certos fósseis de pterossauros mostravam vestígios de penas. Isto pôs-me a pensar, e daí desenvolvi uma teoria.

Até à data, apenas dois grupos de animais são conhecidos por terem desenvolvido esta característica, as Aves e os Dinossauros. Sendo confirmada a presença de penas nos Pterossauros, isto só pode significar uma coisa: os Dinossauros e os Pterossauros partilham um antepassado comum.

Esta asserção vale de pouco, visto muitos já terem suspeitado de tal ligação. Este simples facto não é suficiente nem para apoiar esta teoria, nem para a refutar. Uma explicação simples seria que os Pterossauros desenvolveram penas por um processo de evolução convergente. Pelo mesmo motivo que os Dinossauros e as Aves o fizeram, os Pterossauros também podiam ter optado por desenvolver esta característica. No entanto, acho isto pouco provável.

Não se tratam de simples espinhos em espécies diferentes de cactos que não têm qualquer ligação genética entre eles, mas de um mecanismo de voo muito sofisticado e que para o qual seriam necessários milhões de anos de evolução.

Isto leva-me a crer que, pouco depois dos Dinossauros e dos Pterossauros se terem separado na grande árvore da evolução, estes mantiveram algumas características comuns aos seus antepassados, entre elas as penas, ou os "códigos" necessários para que estas eventualmente se desenvolvem-se.

Atendendo ao facto de que a primeira ave, a Archaeopteryx, existiu à cerca de 145 milhões de anos, podemos supor que por esta altura os Dinossauros já teriam desenvolvido penas. Se concordarmos que as Aves evoluíram directamente destes, podemos considerar a presença de penas em alguns dos Dinossauros mais primitivos.

Os primeiros Dinossauros surgiram à cerca de 250 milhões de anos, após estes se terem separado das restantes ordens de répteis existentes até à data. Os Dinossauros destacaram-se das outras espécies devido ao seu maior metabolismo, e à sua extraordinária capacidade de adaptação.

Devido aos poucos fósseis que até hoje foram encontrados, nunca foi ponderada a hipótese de Dinossauros que não os do Cretácico, terem possuído penas. Mas se olharmos para a Archaeopteryx podemos afirmar que estes podem tê-las desenvolvido no mínimo, durante o Jurássico Médio. Vou ainda mais longe e teorizo que as tenham desenvolvido pouco após a sua dispersão evolutiva por volta do Triássico Tardio.

Devido à descoberta destes fósseis de Pterossauros com penas, posso supor que a evolução das penas pode ter ocorrido bastante mais cedo do que até hoje se acreditava. Desta forma, para ambos estes grupos as possuírem, é credível que ou o seu antepassado já as possuía, ou ambos tinham a mesma programação genética pronta para ser activada.

Como a última suposição é bastante improvável, é possível imaginarmos Dinossauros tão primitivos como o Eoraptor ou o Coelophysis, com o corpo coberto de penas, ou algo muito similar a estas.

A minha teoria resume-se a supor que a evolução das penas pode ter ocorrido bastante mais cedo. Até à data apenas foram descobertos alguns fósseis de Dinossauros com penas, e a maioria destes eram espécies do Cretácico.

Espero pacientemente por algum dado que suporte a minha teoria, mas até lá fica aberta a discussão. A evolução das penas pode ter sido um processo bastante longo e demorado. Convém, contudo, não dar como garantida a informação até hoje descoberta e manter, assim, a busca incessante pelo conhecimento que um dia nos levará a um maior entendimento da evolução do voo, e das próprias Aves.