Monday, May 27, 2013

“Vai zero a zero, vai tudo bem”

Foto: Público
Durante muitos anos acordei ao som do Café da Manhã da RFM com a Carla Rocha e o José Coimbra. Estivesse ainda na cama, no carro em direcção ao trabalho, ou até mesmo no comboio a ouvir rádio no meu leitor de mp3, raro era o dia em que perdia a já habitual Guerra dos Sexos. 

Para aqueles que por azar ou maus hábitos nunca ouviram este segmento, a Guerra dos Sexos coloca dois ouvintes, um Homem e uma Mulher, não fosse o nome explícito o suficiente, um contra o outro. A Carla questiona os concorrentes masculinos sobre assuntos relacionados com o quotidiano e os interesses das mulheres, enquanto o Zé questiona as concorrentes femininas sobre temas com os quais os homens estão, em teoria, mais à vontade. 

Três perguntas de escolha múltipla para cada lado. Quem acertar no maior número de perguntas vence. Contudo, não existe qualquer critério de desempate. No final de cada jogo, consoante o sexo do vencedor é tocada uma música para comemorar a vitória. Por exemplo, se o vencedor for a concorrente feminina a Carla Rocha festeja ao som da Man! I Feel Like a Woman da Shania Twain. Quando o resultado dá em empate, o sintoma de conclusão anti-climática é amenizado com uma música com a letra “vai zero a zero, vai tudo bem”.

Os jogos que achava mais interessantes eram precisamente esses que terminavam em empate. Apenas e só por causa desse pequeno jingle no fim.

Ao olharmos para a época que agora termina, se esta fosse um atípico e prolongado episódio da Guerra dos Sexos entre Sporting CP e SL Benfica, a música que melhor se adequa ao fim é precisamente esta tal de “vai zero a zero”. Já o “tudo bem” possivelmente não se adequa a esta situação.

Empatados no número de títulos conquistados, ou melhor, que ficaram por conquistar, os dois rivais lisboetas vão agora para férias frustrados e com futuros mais, ou menos, risonhos. 

Ambos os clubes fizeram épocas históricas, pelas melhores e pelas piores razões, ao mesmo tempo que ajudaram outros clubes a fazer História. O Sporting CP termina a época em sétimo lugar, o pior resultado de sempre do clube de Alvalade na História do campeonato nacional. Ficou fora das competições europeias pela primeira vez em 37 anos. Foi eliminado na fase de grupos da Liga Europa e da Taça da Liga e ficou por terra diante do Moreirense na primeira eliminatória que disputou na Taça de Portugal. Permitiu que o FC Basel fizesse História ao chegar pela primeira vez às meias-finais de uma competição europeia. Ajudou o FC Paços de Ferreira e o GD Estoril-Praia a qualificarem-se pela primeira vez para a Liga dos Campeões e para a Liga Europa, respectivamente. Viu-se forçado a vender e a dispensar alguns dos seus melhores jogadores e, mais uma vez, ficou bastante aquém das expectativas traçadas no início da época.

O Sporting CP caiu no mais fundo dos poços e mais nada pode fazer que não erguer-se e preparar a próxima época de uma forma sustentável, traçando o objectivo máximo de regressar ao lugar que lhe é de direito.

Quanto ao SL Benfica. Festejou a conquista do campeonato cedo de mais. Recebeu uma lição de humildade do GD Estoril-Praia. Não teve capacidade para derrotar o FC Porto no Dragão. Sofreu o derradeiro pragmatismo do Chelsea FC que conseguiu assim juntar ao título de Campeão Europeu da época anterior a conquista da Liga Europa. Hesitou perante o Vitória SC e não foi capaz de os impedir de vencer a primeira Taça de Portugal da sua História. Rebaixaram de bestial a besta, um treinador que conseguiu o feito de levar as águias à final de uma competição europeia após um hiato de 23 anos e vêem-se agora num impasse de continuidade sem saberem ao certo o que fazer.

Foram vítimas da sua arrogância e falta de fair-play. Nem integridade tiveram para esperar pela atribuição da Taça aos jogadores do Vitória SC e de os congratular pela justa conquista. A falta de humildade e de bom desportivismo custou-lhes caro. Contudo, apenas quem joga uma final se pode queixar de a ter perdido. Algo que, infelizmente, o Sporting CP não poderá fazer no final desta temporada.

“Vai zero a zero, vai tudo mal”. Embora o SL Benfica vá de férias de mãos a abanar, classificou-se em segundo lugar no campeonato e por isso tem acesso directo à fase de grupos da Liga dos Campeões do próximo ano. As boas prestações europeias da equipa encarnada permitiram a valorização dos seus jogadores e equipa técnica, e atribuíram um inédito lugar no Pote 1 do sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões. Uma posição de prestígio que permite ao clube da Luz evitar alguns dos adversários mais difíceis. 

O Sporting CP vê-se agora forçado a começar do zero. A ausência das competições europeias é um duro golpe financeiro para o clube de Alvalade. Alguns dos jogadores que podiam fornecer mais-valias em eventuais vendas estão agora a preço de saldo. Com o plantel desvalorizado, novo treinador e um esforço extra de contenção financeira, os leões vão ter que ser astutos e inteligentes na sua abordagem ao mercado. O calendário mais folgado da próxima época poderá permitir uma maior frescura física dos seus atletas, assim como a construção de um plantel competitivo capaz de fazer uma figura bem melhor que aquela que esta época nos deixou. 

Também nas indefinições, ambos os clubes encontram-se empatados. O SL Benfica sai em vantagem a nível financeiro e nas expectativas do mercado e dos analistas, quer ao nível das competições internas, quer ao nível do futebol europeu. Já o Sporting CP passa agora a ser uma incógnita, um outsider em quem poucos terão a coragem de apostar. 

Numa época em que as Taças rumam a norte, os eternos rivais de Lisboa terminam com um empate com sabor a derrota. Mas em Agosto a bola volta a rolar. O marcador regressa a zero e as contas deixam-se ficar para o fim. Até lá resta a estes clubes reflectirem e preparem a próxima temporada com calma e ponderação para que, no fim, possam ser eles a escrever a História em vez de ficarem sentados a observar dos bastidores os festejos dos seus adversários.

Tuesday, May 21, 2013

Jardim à Beira-Mar plantado

Foto: Zerozero.pt
“No fim fazemos as contas”. No futebol, como em todas as modalidades, os resultados são decididos por números. Pontos. Vitórias. Tempo e segundos. Números. Abstractos ou concretos são eles que avaliam a prestação de uma equipa ou de um atleta. São eles que determinam o vencedor e que legitimam os títulos conquistados.

A época do Sporting CP resume-se a dois números. Quatro e Sete. Quatro é o número de treinadores que passaram pelo banco dos Leões. Quatro é o número de golos com que o Sporting CP goleou o SC Beira-Mar na última jornada do campeonato. Vitória insuficiente e treinadores em demasia que valeram apenas o sétimo lugar e a pior classificação na História da equipa de Alvalade. 

Classificação essa que podia ter sido diferente se tivéssemos começado a temporada com uma equipa técnica competente, num ambiente poupado a constantes críticas e contestações. 

Foi preciso esperar pelo final desta época para existir, por fim, consenso entre os sportinguistas. Se Jesualdo Ferreira tivesse pegado no leme da equipa no início da temporada hoje não teríamos ficado abaixo do terceiro lugar e, quem sabe, talvez até tivéssemos algo a dizer no que diz respeito ao título. Não foi assim que aconteceu e é com alguma conformidade que vemos Jesualdo Ferreira despedir-se do comando técnico da equipa.

Com ele, acredito que faríamos uma temporada tranquila. Se, com poucos recursos, o Professor demonstrou ter capacidade de pôr o pior Sporting CP dos últimos anos a lutar por um lugar europeu, imaginem o que ele seria capaz de fazer se pudesse liderar a equipa na próxima época. Mas tal não vai acontecer.

Admiro, no entanto, a capacidade da actual direcção em encontrar um substituto para Jesualdo Ferreira em menos de um dia. Sem novelas nem especulações, como as que vivemos com as contratações de Domingos Paciência e Vercauteren. A época ainda não terminou e Leonardo Jardim já está pronto para começar a preparar a próxima temporada.

Com a inevitável saída de Jesualdo Ferreira, o currículo de Jardim faz dele a melhor opção. Nestas vinte e quatro horas entre a saída de Jesualdo e a contratação de Jardim por diversas vezes questionei-me sobre quem seria o escolhido de Bruno de Carvalho para liderar o banco do Sporting CP. Descartei a hipótese de Leonardo Jardim logo de seguida visto que os rumores davam-no como certo no FC Porto. Felizmente, isso não aconteceu. 

Que desafio tem Leonardo Jardim pela frente? Provavelmente o maior da sua ainda curta carreira. Estando fora das competições europeias, a próxima época traz algumas vantagens, assim como fortes desvantagens, na construção do plantel e na preparação da equipa.     

Ao contrário da temporada que agora termina, o Sporting CP vai ter um calendário mais leve, com menos jogos e sem a obrigação de iniciar a pré-época mais cedo por causa das pré-eliminatórias das competições da UEFA. Isto permite que Leonardo Jardim tenha mais tempo para preparar a equipa, dispondo também de períodos mais longos de recuperação entre os jogos do campeonato. Contudo, não participar numa competição europeia traz bastantes mais perdas do que ganhos.

O golpe mais pesado é a questão financeira. Mesmo uma campanha mediana na Liga Europa permite que um clube encaixe valores entre os três e os cinco milhões de euros. Isto sem contar com a eventual valorização dos jogadores que fizerem melhor figura, cujas vendas a bom preço seriam bem-vindas aos cofres do clube.  

Menos dinheiro é sinónimo de uma menor capacidade de movimentação no mercado. Se o Sporting CP quiser comprar jogadores de qualidade vai ter que vender alguns dos seus melhores activos. Seguindo por esse caminho caímos num ciclo vicioso onde temos que sacrificar a qualidade em certos sectores para aumentar a qualidade dos restantes. Criam-se assim lacunas onde antes estas não existiam e suprimem-se outras com poucas ou nenhumas garantias de sucesso. Foi este o erro das anteriores direcções e é este o principal desafio da actual direcção.

A solução mais simples para resolver esta questão é arriscar e comprar nacional. Investir em jogadores com provas dadas no nosso campeonato, em final de contrato ou a um preço acessível. Manter a aposta na formação e na equipa B e procurar evitar a venda de mais do que um ou dois dos principais jogadores da equipa. Gerir os jogadores emprestados e ver quais aqueles que cresceram o suficiente para integrar o plantel da próxima época. Finalmente, resta estar atento ao mercado e procurar alternativas a custo zero ou através de empréstimos dos grandes clubes europeus. 

Neste momento o principal trabalho de Leonardo Jardim passa por definir quais as principais lacunas do actual plantel e sugerir os melhores jogadores que, dentro dos parâmetros já referidos, encaixam melhor no seu plano de jogo. 

O Sporting CP não pode cometer o erro de construir um plantel curto sob a premissa de ter menos jogos para disputar. Todas as posições devem ter alternativas com a melhor qualidade possível. Não podemos estar dependentes de apenas onze jogadores. As lesões e os castigos pesaram muito no passado para voltarmos a cair no mesmo erro. 

O plantel deve ser construído com o seguinte plano: três guarda-redes (dois titulares e um da formação); cinco defesas centrais; dois laterais-direitos e dois laterais-esquerdos; seis ou sete médios, repartidos entre dois trincos, dois números oito e dois organizadores de jogo; quatro extremos e três avançados. Esta organização permite-nos ter um plantel com 25 ou 26 jogadores, equilibrado em todos os sectores e capaz de suprir eventuais lesões, castigos e baixas de rendimento. 

Se este for o caminho escolhido, seremos capazes de garantir um terceiro lugar tranquilo e até mesmo de nos intrometermos na luta pelo título. Título esse que para já vai ter que esperar. Neste momento é importante construirmos uma equipa com uma base sólida e sustentável, capaz de competir ao mais alto nível e de se manter na luta pelo título ao longo das próximas épocas. Com paciência, trabalho e um boa estratégia desportiva e financeira os títulos acabarão por chegar mais tarde, ou mais cedo. 

O grande objectivo do Sporting CP na próxima época será garantir um lugar na Liga dos Campeões. A este deve-se aliar a candidatura às conquistas da Taça de Portugal e da Taça da Liga. É este o desafio de Leonardo Jardim, um técnico que transmite confiança, não só pela sua carreira, mas também pela sua forma de estar. 

Com a saída de Jesualdo Ferreira, Leonardo Jardim passa agora a ser o técnico de todos os sportinguistas. É na sua capacidade de liderança que impomos hoje o Esforço, a Devoção, a Dedicação e a Glória que constroem a grandeza do Sporting CP. A partir de hoje é ele o porta-estandarte da esperança leonina e o líder que tem a obrigação de fazer regressar o Sporting CP ao seu lugar de direito no topo do futebol europeu. 

Que dentro de um ano este seja um dia de festa por títulos conquistados, e de reflexão sobre uma época bem disputada. Até lá, despeço-me de Jesualdo Ferreira e agradeço-lhe por ter posto os jogadores a acreditar neles próprios. Até lá, desejo todo o sucesso possível a Leonardo Jardim, que consiga pôr o Sporting CP em definitivo no caminho das vitórias.

Saudações leoninas.

Tuesday, February 26, 2013

Sporting CP: A Fórmula para um Futuro Sustentável

Foto DR
Ao longo desta época tenho-me abstraído de comentar os inúmeros desaires e actos falhados que assolaram a equipa de futebol do Sporting CP. Mais uma vez iniciámos a época com um bom plantel e com a aliciante de que pela primeira vez desde a saída de Paulo Bento do comando técnico da equipa, esse mesmo plantel tinha várias opções de qualidade para cada uma das posições. Opções essas capazes de colmatar eventuais castigos ou lesões que tanto nos penalizaram na época anterior.

Mas os erros começaram cedo, não apenas por terem falhado a contratação do tal avançado que iria competir directamente com o Wolfswinkel, mas também pela venda e empréstimo de jogadores estratégicos que tiveram influência directa nas prestações positivas da equipa quer na época anterior quer ao longo da pré-temporada. Jogadores como Matías Fernández e Oguchi Onyewu que embora fossem inconstantes e habituais vítimas da contestação dos adeptos, também foram capazes de resolver diversos jogos durante a sua passagem pelo Sporting CP. 

Tínhamos plantel para sermos campeões? Não sei, mas tínhamos um plantel forte o suficiente para lutar de igual para igual com os nossos rivais e para nos posicionarmos num dos lugares cimeiros do campeonato sem grande dificuldade. O que nunca tivemos foi uma equipa. Jogadores internacionais e experientes entravam em jogo cansados e desmotivados. Sem coesão, com fortes dificuldades para comunicarem entre si, mas acima de tudo, desmotivados e descrentes. Ao sinal da primeira adversidade, fosse ela uma atrapalhação defensiva, uma jogada de perigo do adversário, um penalty falhado, ou um golo marcado cedo demais, a “equipa” – e digo equipa entre aspas, pois em campo apenas via um conjunto de jogadores que não demonstravam qualquer conhecimento do verdadeiro sentido dessa palavra – baixava os braços e dava por garantida a derrota. Este não é o espírito do Sporting CP, esta não é a atitude que um clube candidato ao título pode ter. Este não é o clube centenário que em tempos conheci.

Trocou-se de treinador. Dissemos adeus à Liga Europa, à Taça de Portugal e à Taça da Liga e afundámo-nos na tabela classificativa. Passámos meses sem saber o que era vencer, voltámos a trocar de treinador, ganhámos, levantámos a nossa esperança e vimo-la cair quando voltámos a perder. Em Janeiro, vimos jogadores importantes a sair e a forçar-nos a recorrer à equipa B para colmatar as novas lacunas do plantel. Restam-nos agora dez jornadas para jogar. Pela primeira vez na nossa História ficámos matematicamente excluídos da luta pelo título com trinta pontos ainda em disputa. Caímos na mó de baixo. Batemos no fundo. Apenas podemos esperar que os próximos tempos não nos façam descer ainda mais. 

Resta-nos lutar por um lugar nas competições europeias. A dez jornadas do fim, esses sete pontos que nos separam do quinto lugar nunca pareceram tão longe ou tão difíceis de alcançar.

As novas eleições podem significar o renascer da esperança para alguns. Já eu, não coloco qualquer expectativa em nenhum dos candidatos. Apenas espero que eles sejam capazes de ver a solução para um Sporting CP com um futuro competitivo e sustentável com a mesma clareza com que eu hoje vejo.

A estratégia é simples. Começar do zero. Iniciar a próxima época não com o objectivo de ser campeão, mas com um objectivo mais realista e sustentável como o posicionamento num lugar de acesso à Liga dos Campeões. Chamar de volta todos os jogadores emprestados e construir um plantel unido e com alternativas. Apostar em dois ou três jovens formados na Academia, já rodados na equipa B ou noutros campeonatos, para serem gradualmente introduzidos na equipa inicial. Investir em quatro ou cinco jogadores com valor e experiência internacional para colmatar algumas das lacunas do plantel. Manter o treinador e dar-lhe ar para respirar e tempo para impor as suas ideias. Investir num projecto a médio-prazo, entre três a cinco anos e, acima de tudo, promover uma estabilidade interna que dê segurança aos jogadores, ao treinador e aos adeptos. Se este plano for imposto com rigor, no final deste processo estaremos, não só a lutar pelo título, mas a vencer competições com maior regularidade e a elevar o nome do Sporting CP no futebol europeu.

Sim, pelo nosso palmarés temos a obrigação de nos apresentarmos todas as épocas como candidatos ao título. Mas ao baixarmos esta fasquia para os jogadores, veremos que os resultados irão surgir e que numa época em que ninguém dará nada por nós, estaremos lá em cima, pé ante pé, a lutar pelo primeiro lugar até à recta final. Esta fórmula já foi comprovada em equipas como o Barcelona, o Arsenal e o Manchester United. E vimo-la dar frutos cá dentro com o Boavista FC, o SC Braga e o FC Porto da década de 80. 

Se formos capazes de ter paciência, de dar ouvidos à razão, de pôr de lado o orgulho e de olhar em frente com a frieza de uma mente assertiva, seremos campeões. É este o Sporting CP em que eu acredito e é este o rumo que terá de ser tomado. 

Esforço, Devoção, Dedicação e Glória, eis o Sporting!

Wednesday, November 16, 2011

Com Tranquilidade

Imagem DR
A selecção portuguesa derrotou a Bósnia-Herzegovina por seis bolas a duas carimbando de forma categórica o passaporte para o Euro 2012. Apesar do que o resultado possa indicar, o jogo de ontem foi tudo menos fácil para a equipa das quinas.

Com uma confortável vantagem de dois golos à passagem da primeira meia hora, a selecção soube impor o seu jogo, construindo jogadas de ataque e impedindo que a Bósnia saísse do seu meio campo. Rui Patrício era um mero espectador perante a incapacidade dos bósnios de sair em contra-ataque. Contudo, quando Portugal estava próximo de fazer o terceiro golo, num espaço de cinco minutos, Hélder Postiga é admoestado com um cartão amarelo por simulação de uma falta na área da Bósnia, enquanto as imagens do lance demonstram claramente que era falta, e sofre o 2-1 num penalty marcado por mão de Fábio Coentrão, precedida por um empurrão nas costas do jogador que passou incólume aos olhos do árbitro.

A segunda parte adivinhava-se complicada, mas Portugal soube reagir bem com uma fantástica jogada de Cristiano Ronaldo culminada com um remate à entrada da área que resultou no terceiro golo da equipa das quinas. Novamente a euforia dos portugueses estava destinada a ter sol de pouca dura. Mais um erro de arbitragem a negar um penalty claro por mão do jogador bósnio serviu de presságio para o 3-2 marcado em fora-de-jogo na sequência de um livre onde a defesa portuguesa foi penalizada pela sua passividade.

Felizmente a selecção não se deixou abater e partiu para a goleada com dois golos de Hélder Postiga e mais um de Miguel Veloso. Ontem foi uma noite de festa no Estádio da Luz com a selecção portuguesa a garantir o apuramento para o quinto Campeonato da Europa consecutivo que se irá realizar em Junho de 2012 na Polónia e na Ucrânia.

Mas ontem foi também uma noite de avisos. A facilidade com que o árbitro favoreceu a selecção bósnia é um claro sinal de interesses externos que a todo o custo querem impedir que Portugal tenha sucesso. Embora tenha passado um pouco ao lado das incidências do play-off, no mesmo dia que a selecção se preparava para jogar a cartada decisiva de apuramento para o Euro 2012, Michel Platini, Presidente da UEFA, prestou declarações onde afirmava que Messi iria ultrapassar todos os seus recordes. Um comentário aparentemente inocente mas que mais uma vez ignorava as prestações e a qualidade de Cristiano Ronaldo.

Além do apuramento para o Campeonato da Europa, a noite de ontem trouxe-nos duas certezas: a nossa selecção ainda é muito passiva a defender e não podemos esperar exibições imparciais por parte das equipas de arbitragem. Cabe a Paulo Bento escolher os melhores jogadores, e melhorar a capacidade defensiva da equipa nos oito meses que restam até ao Euro 2012.

O segundo problema será resolvido com uma equipa de qualidade capaz de praticar bom futebol e de vencer categoricamente as selecções que aparecerem pelo nosso caminho. Só assim seremos capazes de ganhar o respeito que merecemos, calando de uma vez por todas as vozes internas e externas que se alimentam do nosso insucesso. Ontem conseguimos fazê-lo apesar das adversidades. Ontem fomos maiores que nós próprios ao garantir um lugar que já era nosso por direito.

Agora resta-nos sonhar, esquecer os desertores, e seleccionar os melhores 23 para representar a selecção e tentar, com tranquilidade, ir o mais longe possível, sempre com a visão da conquista no horizonte.

O nosso lugar na História está à distância de um sonho.

Tuesday, May 10, 2011

Leves Maçãs de Discórdia

“Um jogador descontente, sem capacidade de evolução, que viu no FC Porto uma nova oportunidade para se mostrar e talvez dar o salto que tanto ambiciona.” Corria o defeso de 2010, João Moutinho ainda recuperava de uma das piores épocas dos últimos anos, culminada com a ausência da convocatória para o Mundial na África do Sul, quando fez manchete ao surpreender o universo sportinguista com a sua transferência para o FC Porto.

O meu pensamento, na altura, materializou-se na citação que relembro em cima, e que vejo hoje confirmada nas próprias palavras do antigo capitão leonino. “Só jogando no FC Porto é possível ganhar títulos. Por isso mudei”, afirmou o jogador em declarações ao Público. De facto, quem joga pelo FC Porto arrisca-se a ser campeão, e assim foi.

Ao compararmos o João Moutinho do Sporting CP com o do FC Porto, poucas ou nenhumas diferenças se encontram além da cor da camisola. Como já nos tinha habituado de Leão ao peito, afirmou-se como uma pedra fundamental do meio-campo azul-e-branco. Finalmente teve a oportunidade de descansar, dado o elevado número de alternativas de qualidade, não tinha a obrigação de jogar os 90 minutos de cada partida e pôde, assim, manter um nível de frescura física e psicológica durante toda a época. Algo que no Sporting CP apenas aconteceu na sua época de estreia quando discutia com Hugo Viana por um lugar no losango de Peseiro. Curiosamente, nessa mesma época esteve perto de ser campeão e também chegou à final de uma competição europeia.

João Moutinho não foi para o FC Porto para crescer como jogador, mas sim para ganhar títulos, para descansar, e para se valorizar como um activo que dentro em breve fará valer ao Sporting CP os 25% que ainda mantém da sua cláusula de rescisão de 40 milhões de euros. “A nível financeiro, o negócio é favorável ao Sporting CP”, disse na altura e voltaria agora a reafirmá-lo, não fosse a perda desportiva ser tão alta.

Mantinha alguma esperança neste Sporting CP no início de época. As contratações pareciam ser as acertadas, e fora a venda de Miguel Veloso ao Génova, os negócios pareciam ir de vento em popa. Faltava apenas Paulo Sérgio afirmar-se como o treinador ideal para este Sporting CP. Os bons resultados na Liga Europa ofuscavam a má prestação no campeonato e, dadas as habituais segundas voltas de sucesso a que o Sporting CP nos tinha habituado nas últimas épocas, até Janeiro ainda acreditava que uma boa carreira europeia, assim como a conquista das taças, era possível.

Mas Janeiro chegou, Liedson despediu-se, e a esperança desvaneceu. O Glasgow Rangers levou a sua melhor em Alvalade, o Vitória de Setúbal teve a sorte do jogo na Taça de Portugal, e o SL Benfica deixou-nos para trás na Taça da Liga.

A equipa que terminou a época 2009/2010 não conquistou nenhum título, mas jogava melhor futebol. Na Liga Europa alcançámos os oitavos-de-final e fomos eliminados com um empate a duas bolas em casa pelo Atlético de Madrid que viria a erguer o troféu. Na Taça de Portugal, apesar da goleada no Dragão, alcançámos os quartos-de-final, enquanto na Taça da Liga voltámos a não ir além das meias-finais. João Moutinho, Miguel Veloso e Liedson, alvos de contestação pela má época verde-e-branca, são hoje vistos como as principais ausências responsáveis pela tremenda quebra de qualidade vivida nos últimos meses.

Adrien Silva, Bruno Pereirinha e André Marques são outras promessas postas a “rodar” que podiam ter trazido uma maior estabilidade, e sentido de coesão, para esta equipa que teve na sua ineficiência defensiva, e ineficácia ofensiva, as principais deficiências que levaram a um constante insucesso desportivo.

Más decisões e um péssimo plano de investimento ditaram a realidade actual do Sporting CP. A próxima época, e esta nova direcção, ditam uma certa mudança de mentalidade. A aposta num bom treinador com provas dadas como é Domingos Paciência e uma política de contratações baseada em jovens com margem de progressão, em jogadores internacionais de renome, e na promoção de promessas da Academia de Alcochete, criam já uma base ideológica capaz de dar frutos a médio e longo prazo.

Resta aos sócios encontrarem a paciência necessária para aceitarem este novo projecto e aguardarem pelos títulos que certamente a ele virão ligados. Não seremos campeões para o ano, falta-nos uma base coerente e mesmo com as contratações anunciadas qualquer equipa em renovação precisa de tempo para se afirmar desportivamente. Mas mesmo que falhemos o primeiro lugar, acredito que ao manter esta coerência o Sporting CP será capaz de o disputar até ao fim, sem descurar um possível sucesso europeu.

Que acabem as maçãs podres, os desvios de jogadores e treinadores. Que terminem os rumores, e as constantes notícias de instabilidade. Está na altura da comunidade sportinguista se unir e ajudar a elevar este clube ao patamar competitivo que verdadeiramente merece.

Friday, May 06, 2011

De Braga a Bom Porto

Sorteio Liga Europa, Imagem DR
Há imagens que ficam gravadas na mente, memórias fotográficas de momentos que tão cedo não esqueceremos. Uma delas já tem alguns meses mas permanece tão clara como se ainda mesmo agora a tivesse acabado de ver. A fotografia de um painel, simples, que encontrei por acaso ao ler uma notícia.

O painel mostrava o resultado do sorteio dos quartos-de-final da Liga Europa. FC Porto, SL Benfica, SC Braga e mais cinco clubes, cinco clubes estrangeiros, adversários com a ambição de levantar a taça em Dublin. Cinco adversários, nenhum deles português, nenhum deles de nome, Sporting Clube de Portugal.

Jogavam-se os 16-avos de final, o Sporting CP defrontava os escoceses do Glasgow Rangers em casa e estavam a ganhar por duas bolas a uma. Na primeira-mão em Glasgow o jogo tinha terminado empatado, um golo para cada lado, com o Sporting CP a recuperar da desvantagem mesmo ao cair do pano. Adivinhava-se mais uma caminhada histórica como a vivida na época 2004/05. O jogo tinha começado às 18h05, eu regressava a casa do trabalho por volta das 20h e vi o resultado antes de entrar no carro, 2-1, faltavam cerca de três minutos para o final. Já está ganho, pensei, guardando algum do receio que negava ter.

Cheguei a casa e encontrei o meu pai a vir do café, o jogo já teria terminado e perguntei-lhe se o resultado se tinha mantido. Quando ele me confirmou o 2-2 final, limitei-me a aceitar o triste destino de uma sina que parecia condenar ao desastre esta época sportinguista. A História tinha voltado a repetir-se, já na época anterior o mesmo Sporting CP foi eliminado com um empate a duas bolas em casa, não pelo Glasgow Rangers, mas pelo Atlético de Madrid.

Tivesse o Sporting CP passado com toda a justiça que merecia, teria defrontado o PSV Eindhoven e ao deixar os holandeses pelo caminho, quisesse o sorteio manter os mesmos desígnios, disputaria com o SL Benfica, o eterno rival, por um lugar nas meias-finais. Talvez aí, a fotografia fosse diferente, e em vez de cinco seriam apenas quatro os adversários além-fronteiriços prontos para destronar o sonho luso de uma final cantada sob a língua de Camões.

Mesmo que o SL Benfica tivesse levado a melhor sobre os leões, e mesmo que os minhotos tivessem deixado o Sporting de Alvalade para trás, pelo menos, naquele momento, no rescaldo daquele sorteio, também de verde seria pintada aquela imagem que solenemente navega pelos rios das minhas recordações.

Assim não aconteceu. Passámos ao lado da História, talvez por não estar escrito que esta história fosse a nossa, talvez por ser a altura de dar lugar a outros que também lutam pelo mesmo sonho. Seja qual for a razão, ontem vimos os jogos em casa, ou nas bancadas. Sentámo-nos nas margens enquanto os outros remavam, reservando para nós o consolo de ter partilhado metade do caminho que no dia 18 de Maio de 2011 será para sempre relembrado na História do futebol nacional.

Curiosamente, foi também a 18 de Maio de 2005 que o Sporting CP disputou a final da Taça UEFA. Deixemos que SC Braga e FC Porto façam igualmente História dentro de alguns dias, enaltecendo o mérito das extraordinárias campanhas que ambos fizeram para ali chegar. Outras Histórias serão escritas, apenas espero que da próxima vez o Sporting CP não volte a naufragar nas margens do seu próprio destino.

Monday, July 19, 2010

João Moutinho, a Maçã que caiu longe da Árvore

Foto DR
Como a grande maioria dos sportinguistas, foi com surpresa que recebi a notícia da transferência de João Moutinho para o FC Porto. Dias antes tinha mesmo afirmado que muito dificilmente o, na altura, capitão do Sporting CP, alguma vez sairia de Alvalade.

Não esqueço o forte contributo que o camisola 28 deu à equipa nas últimas épocas, e reconheço a enorme qualidade que este jogador trazia ao meio-campo do Sporting CP. Contudo, desde a época 2006/07 em que os leões terminaram o campeonato a um ponto do FC Porto, que João Moutinho tem descido de rendimento. Embora continuasse a demonstrar o empenho e a maturidade características deste jogador, era de notar que algo não estava bem com João Moutinho. Já não mostrava ser o mesmo líder que nos habituou a ver em campo ao longo dos anos. Começou a falhar, a cometer erros com mais frequência, perdeu a alegria pelo jogo, chegando mesmo a parecer estagnado na sua evolução.

Talvez tudo isto se devesse à polémica proposta do Everton, no defeso de 2009, negada pela direcção do Sporting CP, apesar dos alegados 15 milhões de euros que o clube inglês ofereceu pelo passe do jogador. Mas, a verdade, é que apenas João Moutinho sabe a verdadeira razão sobre a sua clara baixa de rendimento.

Apesar da sua inegável qualidade, o camisola 28 era vítima da sua especialização. A sua elevada cláusula de rescisão, de 30 milhões de euros, ditava que apenas um grande clube como o Real Madrid ou o Manchester United pudesse resgatar o jogador aos leões, contudo, todos os grandes clubes já têm bons jogadores com qualidade igual ou superior à de João Moutinho a jogar na sua posição, o que torna desde logo inviável uma eventual contratação.

O capitão do Sporting CP corria assim o “risco” de terminar a sua carreira no clube de Alvalade, sem nunca ter a oportunidade de experimentar outros voos na Europa do futebol. Na perspectiva do jogador, compreendo que isto poderia significar o fechar de portas a uma possível evolução no futebol europeu, e ditava o definitivo afastamento da selecção.

Um jogador descontente, sem capacidade de evolução, que viu no FC Porto uma nova oportunidade para se mostrar e talvez dar o salto que tanto ambiciona. Mas fê-lo à custa de um clube, e de uma instituição, a quem ele deve tudo aquilo que é hoje. Foi no Sporting CP que nasceu para ao futebol, e foi ao serviço dos leões que conseguiu o estatuto que lhe é hoje atribuído. Apesar disso não hesitou em trair a casa que o viu crescer para aceitar um contrato milionário com um dos principais rivais e deixar o clube de Alvalade sem capitão logo no início da pré-época.

A nível financeiro, o negócio é favorável ao Sporting CP. O clube de Alvalade encaixa 10 milhões de euros mais o passe de Nuno André Coelho, um jogador bastante promissor, com uma grande margem de evolução e com mercado, e mantém ainda 25% do passe de João Moutinho. Contudo, é impensável um clube com a história e a grandeza do Sporting CP ser capaz de vender o seu capitão, com tamanha facilidade, a um dos seus principais rivais.

A próxima época dirá quem saiu a ganhar com esta novela de Verão. Embora nunca me esqueça do contributo que João Moutinho deu ao Sporting CP ao longo dos anos, é com tristeza que o vejo sair pela porta pequena para nunca mais voltar a envergar a mítica camisola verde-e-branca.

Podre ou não, João Moutinho é uma Maçã que caiu bem longe da sua árvore.

Monday, June 30, 2008

O Mito dos Elefantes Brancos

Estádio do Algarve, Foto DR
O Euro 2004 veio, fez-se a festa, os adeptos voltaram para casa, os Portugueses choraram e os Gregos levaram a taça na bagagem de regresso a Atenas. Por cá ficaram os estádios. Dez infra-estruturas desportivas das mais modernas e funcionais que se podem encontrar no mundo do futebol. Ao contrário do que podem estar à espera, não vou falar de elefantes brancos.

A generalidade das pessoas vive sob o pensamento que os estádios do Euro foram um investimento exagerado e que neste momento estão a ser subaproveitados. Só vemos estádios vazios, e o futebol praticado dentro deles é de baixa qualidade.

Quanto à qualidade do futebol tenho que concordar que na maioria dos jogos do nosso campeonato esta é, de facto, de qualidade algo a baixo da média. Contudo, estádios vazios? Todos? Estão a ver os mesmos jogos que eu?

Vamos lá recapitular, para o Euro 2004 foram construídos 10 estádios, 4 remodelados (Estádio Municipal de Coimbra, Estádio Magalhães Pessoa (Leiria), Estádio do Bessa XXI e Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães)) e 6 construídos de raiz (Estádio de Alvalade XXI, Estádio da Luz, Estádio do Dragão, Estádio do Algarve (Faro/Loulé), Estádio Municipal de Aveiro e Estádio AXA (Braga)).

Destes dez estádios, sete pertencem a clubes da primeira liga, sendo que todos os sete têm assistências acima dos 10 mil espectadores o que se insere num aproveitamento de cerca de metade da lotação de cada estádio por jogo.

Estes sete estádios pertencem a clubes como o Sporting CP, o SL Benfica, o FC Porto, o Boavista FC, o SC Braga, o Vitória de Guimarães e a Académica. Todos estes clubes têm grandes massas associativas que enchem os seus respectivos estádios. Ok, tanto o Boavista como a Académica não têm conseguido chamar tanta gente para assistir aos seus jogos nas últimas épocas como já conseguiram em outros tempos, muito por causa dos mais recentes resultados desportivos não serem positivos.

Contudo, são estádios rentabilizados com finais de competições (Final do Euro 2006 de sub-21 no Bessa), concertos e provas de atletismo (Coimbra). Já para não dizer que o Estádio do Bessa XXI foi completamente pago pelo Boavista FC, logo não surgiu nenhum encargo extra por parte dos contribuintes.

Como podem ver, 70% do investimento está a ser posto a bom uso. Sim, existem três casos preocupantes: Leiria, Aveiro e Algarve. Vamos então analisar esta minoria negativa que tem servido de exemplo para os velhos do Restelo críticos do Euro 2004.

Estádio Magalhães Pessoa (Leiria): Este é o caso mais gritante. Leiria não vive o futebol, apesar da União local estar na I Liga há vários anos. Os leirienses simplesmente não têm qualquer ligação com o clube. O próprio estádio ainda nem sequer está pronto. Após a remoção da bancada temporária, e da redução da capacidade do estádio de 30 mil para 25 mil lugares, era suposto terminarem a construção do complexo empresarial que encerra o topo do estádio, contudo isso ainda não aconteceu. Sempre que a União lá joga, o estádio encontra-se vazio, com a excepção dos jogos com os três grandes.

É de salientar o empenho do clube em realizar provas de atletismo no estádio, e de nos últimos anos terem conseguido realizar uma Super Taça. É necessário uma maior aposta neste tipo de eventos, e em eventos ligados à cultura como concertos ou exposições. A própria autarquia de Leiria devia procurar motivar os seus habitantes, fazê-los viver a cidade, e convencê-los a apoiar o seu clube. Se tais planos forem postos em prática talvez tenhamos um problema resolvido.

Estádio Municipal de Aveiro: O problema deste estádio é que o Beira-Mar nas últimas épocas andou a saltar da primeira para a segunda liga. Os aveirenses vivem o futebol e gostam do seu clube, mas o preço dos bilhetes e as más prestações da equipa não permitem que vejamos um estádio cheio como em Guimarães, ou em Braga. Contudo, a Câmara de Aveiro tem promovido a utilização do estádio, que possui o seu próprio site, EMA. A queima das fitas de Aveiro é realizada no estádio, para não falar das várias provas de futebol juvenil e de alguns concertos. Se o Beira-Mar regressar de vez à I Liga, teremos mais um problema resolvido.

Estádio do Algarve (Faro/Loulé): Talvez o melhor exemplo de gestão de um imóvel sem dono. Tanto o Farense como o Louletano jogam na II Liga (terceiro campeonato) logo é complicado trazer grandes assistências. Mas este Estádio, muito devido à região em que se encontra tem sido usado nas mais diversas competições. Nomeando algumas, Algarve Cup, Super Taça, Taça da Liga, Prólogo do WRC, etc. Tal como em Aveiro, basta o Algarve colocar um clube na I Liga e o problema das assistências será resolvido, até lá é necessário manter o modelo de gestão.

7 em 10 não é uma má estatística, e os outros 3 ainda vão a tempo de serem rentabilizados. Elefantes Brancos? Apenas em sonhos.

Sunday, November 18, 2007

Tantas vezes vai o cântaro à fonte

Cântaro, Imagem DR
Que um dia deixa lá ficar a asa. Sim, é assim que este provérbio termina. Apesar deste pedacinho de sabedoria popular ter a sua razão de ser, a verdade é que aparentemente tem caído no esquecimento, principalmente pelas vozes dos comentadores de futebol.

Comentadores que dizem "que um dia lá fica", que inventam outra terminação qualquer, ou que simplesmente o adaptam para o enquadrar com a situação que acabaram de presenciar. Pois a verdade é que o provérbio apenas se diz desta forma, e desta forma apenas.

Tinha eu os meus sete ou oito anos, andava ainda na primária a aprender provérbios e a levar reguadas por saber a tabuada – sim, eu levava reguadas por saber a tabuada, ou melhor, por saber demais – e já sabia que o cântaro, de tantas vezes que ia à fonte, acabava por perder a asa.

Tenho que admitir que durante muitos anos pensava que um cântaro era um pássaro, o que, se pensarem bem, até faz sentido. Vamos partir do pressuposto que não sabem o que é um cântaro, e que para além do provérbio nunca tinham ouvido esta palavra antes. Vejam agora os argumentos que transformam este recipiente de transporte de água, numa ave para aqueles que se deixam iludir pelo provérbio:

  • O cântaro deixou lá ficar a asa. O que tem asas? As aves. Posso admitir que é um pouco estranho o cântaro perder uma asa só por ir muitas vezes a uma fonte. Mas podia lá ficar preso, ser caçado por um gato, ou ser simplesmente maltratado por algum miúdo inconsciente cujos pais não lhe ensinaram a respeitar a natureza;
  • Cântaro, o próprio nome sugere que provém de "cantar". O que canta? As aves. Se canta, e se tem uma asa, só pode ser uma ave, até ao momento em que não o é.

Mas não fujamos do tema fulcral, a verdade é simples e é esta: Apenas existe uma forma correcta de recitar este provérbio e essa forma é,

Tantas vezes vai o cântaro à fonte, que um dia deixa lá ficar a asa.