Friday, April 14, 2006

Que aconteceu?

Imagem DR
Sim, que aconteceu? Alguém me sabe responder? O que fez o ontem desvanecer e dar lugar a este amanhã tão diferente e cinzento? Bem sabem o quanto gosto de dias nublados, mas algures por aí deve haver um limite, não? Nada, não se passou nada de nada, ou o tudo refugiou-se atrás de um nada que tudo era?

Ninguém responde? Medo? Ignorância? Seja lá o que for, que aconteceu? E se aconteceu, porquê? Porquê? É assim tão difícil responder a uma questão de “sim ou não” e justificar essa resposta? Talvez, mas não é por isso que ninguém responde. Ninguém responde pois não passam de sombras numa parede que há muito foi abaixo.

Sofro de uma incapacidade tremenda quando tento compreender o porquê de tudo estar tão diferente daquilo que era há um minuto atrás. Talvez seja mera impressão. Talvez nada tenha mudado, além do dia que clareou.

É uma tarefa complicada perceber o porquê dos actos dos outros, pois não há nada para perceber. Não é necessário compreender, e é frustrante que assim seja, mas é assim que tem que ser.

Mas, apesar de tudo, porquê? O que há de diferente? Por que é preciso mudar? Nada vos espera no amanhã. Ainda não conseguem distinguir os tijolos no muro? Porquê ser-se tão cego? Porquê? Porquê? Porquê?

Ninguém me responde. Que monólogo mais decadente. Que tédio de existência. Rodeado de desespero, indecência, indolência, seja o que for, algo impede aqueles que têm as respostas de as deitar cá para fora. Será que não me ouvem? Que mal têm estas questões? Por que continuam a não tomar consciência das vossas decisões? Mas que raio se passa com vocês? Respondam!

O silêncio continua, cada vez mais massificado. Nada há a fazer, nada há para dizer. Porquê? Receio de quê? Da verdade? Da mentira? Do ódio? Do amor? Mas não há nada que vos satisfaça? Não. Continuam sem responder...

Que justificação é ter medo da mudança? Talvez nenhuma. Talvez não seja necessário. Mas as regras não são estas quando ela acontece, sem se aperceber, sem ser precisa, sem pedir. Quando a mudança é um hóspede que não foi convidado, uma devida justificação é necessária.

Que mudaria? Ela continua aí, não irá mudar, e agora já não pode ir embora. Nada a fará voltar atrás. E assim nos encontramos presos numa cela sem grades, à qual não podemos voltar as costas. Não a podemos esconder de nós, ou da nossa memória. Ficará assim, para sempre marcada. E porquê? Por nada. Sem razão de ser, assim existe. Assim nasceu, e assim não morrerá.

Que resposta dareis vós a isto? O vosso contínuo e impiedoso silêncio sem valor, nem motivo de ser? Mas assim continuam a viver, incapazes de me responder. Obrigam-me a abraçar outro tipo de mudança.

Que pena, logo quando tudo parecia ser algo, e esse algo parecia ser tão diferente.

Thursday, March 30, 2006

Porquê?

Magic 8-Ball
Nunca chegaste a um ponto em que te apercebes que passaste a tua vida a fazer perguntas? Por que temos tanta necessidade de questionar tudo, e mais alguma coisa? Por mero prazer, por sede de conhecimento, ou simplesmente porque sim?

Não sei, e não sei se quero saber. Procuro sempre por respostas, mas nem sempre as encontrado nos lugares mais óbvios, ou nos mais apropriados. Nos últimos tempos encontrei respostas a algumas das questões que me têm perturbado, algumas delas vindas dos lugares mais estranhos.

Sempre precisei de viagens espirituais para poder encontrar o ar que me permite respirar, por vezes esse ar encontra-se por debaixo dos nossos narizes, precisando apenas de o inspirar. Mas nem sempre soube isso, e, por muitas vezes, quase me afoguei em seco.

Por mais que o encontre, as respostas continuam por responder, ou apenas meio respondidas. Isto deixa-me sem espaço para manobras, faz-me sentir cansado, e incapaz de nadar. O verdadeiro problema começa quando encontramos, ou pensamos que encontramos, a resposta, mas não a conseguimos decifrar, nem tão pouco alcançá-la. Aí flutuamos num vácuo onde se abrem três portas. A primeira porta vai dar a uma sala de espera, sem relógio, nem etiquetas, onde esperamos até que a porta se abra, e chame pelo nosso nome.

A segunda porta apresenta-nos uma chave, não a chave da resposta, mas uma chave torta que talvez consiga abrir a resposta, mas que com a qual corremos o risco de a deixar escapar, ou de vê-la desvanecer.

Finalmente, a terceira porta indica-nos a saída, onde podemos continuar a busca por novas respostas. A escolha de uma das portas fica ao nosso critério. Tenho por hábito escolher a primeira porta, e por vezes a terceira, mas passando essa porta, entro num vasto universo de portas 1, 2 e 3, sendo raro encontrar respostas já por si abertas.

Por que nunca entrei na porta 2? Por medo? Não. Apenas não acredito que seja essa a solução. As respostas ser-me-ão dadas no seu devido tempo, e essa chave apenas as iria estragar.

Que devo então fazer? O ar é cada vez menos, e cada vez mais me afundo neste vasto oceano. Enquanto o momento não surge, encontro mais uma resposta, quando, sem me aperceber, opto pela terceira porta de uma resposta que há muito tinha permanecido escondida por dentro da primeira porta.

Mas essa nova resposta também não se encontra disponível, e o seu conteúdo é ainda mais nublado que a anterior. Que porta devo escolher? Insisto em dirigir-me para a terceira porta, mas a primeira é cada vez mais aliciante. Será isto assim tão errado? Devo prescindir de uma resposta por outra, ou por meras questões que nunca tive intenção de levantar?

Talvez estas questões tenham resposta. Eu não o sei. Estas questões não têm salas, nem portas. Estas vêm de dentro. Gritadas por um Eu interior que anseia por responder àquilo que tanto o perturba.

Aguardo assim por esse grito, para poder dirigir-me à porta correcta. Porta essa que sempre será um pouco errada. Por entre tantas questões e decisões, nem uma bola 8 mágica será capaz de me responder, ou de me mostrar o caminho. Apenas me resta esperar que o conteúdo valha a pena.