Thursday, June 30, 2016

A Indiferença de Nada Surf

Nada Surf, You Know Who You Are
Only when we get to see the aerial view, will the patterns show. We'll know what to do.
Inside of Love, Nada Surf

Noites primaveris ao volante do meu velho Toyota a caminho do Furadouro. É nisso que penso sempre que ouço a Always Love dos Nada Surf. Cada música presente na nossa íntima playlist leva-nos para um local, um momento, uma emoção, um sentimento. Outras transportam-nos para actos rotineiros, simples ocasiões pontuais ou actos espontâneos. Mas todas guardam algum sentido particular que transcende a melodia e até mesmo a própria letra.

Nada Surf é uma daquelas bandas que marcam presença nas gavetas mais recônditas do nosso arquivo mental. Aquele nome que reconheces mas que não consegues identificar. Aquele momento ‘Eureka!’ que se acende no teu cérebro no preciso instante em que o primeiro acorde começa a tocar. 

Por mais Indie, alternativa, ou modesta que uma banda seja, acaba sempre por reunir uma série de fãs capazes de correr meio mundo para não perderem um único concerto. Aqueles que decoram os seus quartos com posters e t-shirts. Com todos os álbuns em CD e vinil nas suas prateleiras, e cada bilhete religiosamente guardado, ou até mesmo exposto como pessoais e intransponíveis Mona Lisas, reservadas para os olhos dos poucos sortudos que os desejem visitar.

Mas, para os restantes mortais, muitas dessas bandas acabam por cair no esquecimento. Remetidas a uma ou outra música presente nas playlists dos seus leitores de mp3, ou àquele álbum que compraste na tua adolescência, e que ainda hoje permanece no mesmo canto da tua estante a ganhar pó, ano após ano, sem nunca sair da sua caixa. 

Bandas de fundo que pontualmente aterram aleatoriamente no presente de um dia qualquer. Convences-te que provavelmente já terminaram e que não mais voltaram a tocar ao vivo, ou a lançar um novo single sequer. Talvez alguém se tenha lembrado de perguntar por uma reunião da banda para celebrar um ou outro momento histórico. Sugestão essa que os antigos membros acabaram por descartar por estarem demasiado ocupados com novos projectos, ou então, porque simplesmente já não se dão bem entre si.

Contudo, a história de Nada Surf não cai em nenhum destes lugares comuns. Há dias descobri que não só a banda ainda continua junta, como não pararam de lançar álbuns nos últimos dez anos.

Mas a maior surpresa ficou reservada para o fim. Os últimos dois álbuns são mesmo muito bons. ‘You Know Who You Are’, lançado em Março deste ano, é o oitavo disco de originais desta banda norte-americana. A celebrar o vigésimo aniversário do lançamento do seu primeiro álbum High/Low, no já longínquo Verão de 1996, os Nada Surf estão de regresso após quatro anos de ausência com uma das suas melhores obras musicais até ao momento. 

Nada Surf apresenta-se como uma banda mais madura, com letras profundas e uma melodia energeticamente positiva. É notável a grande evolução musical da banda nos catorze anos que separam este álbum de Let Go, o terceiro e mais popular disco deste grupo nova-iorquino.

You Know Who You Are’ segue na inspiração de ‘The Stars Are Indifferent to Astronomy’ (como adoro este título), e apresenta-se como um álbum que vale pelo seu todo. Cada faixa segue em crescendo apoiando-se no élan da anterior para concluir em beleza no epílogo de ‘Victory's Yours’, a música que remata este disco. Dois álbuns que funcionam quase como duas longas músicas em constante progressão, a lembrar os melhores momentos de bandas como Lifehouse e Angels & Airwaves

Nada Surf ganhou assim uma maior relevância na minha playlist pessoal. Não ao ponto de colar posters da banda no meu quarto, ou de forçar algum investimento considerável na aquisição dos seus álbuns. Mas, se algum dia tocarem numa cidade próxima de mim, quem sabe se não estarei na primeira fila para lhes agradecer por estas duas grandes obras, e excelentes fontes de inspiração.

As estrelas podem ser indiferentes à astronomia, já eu não sou indiferente a Nada Surf.

Friday, May 13, 2016

Privilégio

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Porque eu sou do tamanho do que vejo 
E não, do tamanho da minha altura...
Fernando Pessoa

O paradigma da relação empresa/trabalhador no mercado português encontra-se estagnado. Está fora-de-moda, bolorento, decadente e a apodrecer. Caiu em desuso há mais de quarenta anos, mas, contudo, ainda ninguém foi capaz de despertar os empregadores para a realidade das dinâmicas do mercado internacional. 

Num país que se orgulha de ser bastante conservador, ao mesmo tempo que tenta promover lá fora uma imagem de bastião das políticas de mercado livre globais, não deixa de ser estranha a forma como o capitalismo continua a ser visto internamente como um mero desígnio teórico. Apenas aplicável às relações entre chefias, e ao consumismo esforçado do proletariado comum.

Quantas vezes não ouvimos alguém falar no privilégio que é certas e determinadas pessoas terem a oportunidade de trabalharem para uma empresa em particular. Esta é uma ideia deturpada, retrógrada, gasta e ilusória. Privilégio é apenas uma palavra que fica bem numa carta de apresentação ou numa entrevista. Nada mais. Todo este conceito está virado do avesso. Não é um privilégio trabalhar para uma certa empresa, mas sim, o facto de essa empresa nos poder ter a nós como trabalhadores. 

Reconheço que para muitos o seu emprego de sonho passa pela oportunidade de trabalhar para uma entidade em específico, ou com uma pessoa em particular, seja ela um ídolo, ou apenas alguém que admiram e que sonham ter como par. Contudo, para a grande maioria, um emprego é apenas uma forma de fazer aquilo que gostamos em troca de uma remuneração adequada às nossas funções e ao nosso desempenho como trabalhadores. 

É fácil e tentador para um empregador ter uma classe verdadeiramente subordinada sob o seu controlo. Empregados que apenas marcam o ponto, fazem o que têm a fazer, com medo ou desinteresse em levantar uma questão que seja sobre as diversas situações que diariamente assolam a empresa que o emprega. 

A crise económica dos últimos anos podia ter sido vista como uma oportunidade para alterar este paradigma. Para criar um mercado de trabalho aberto e livre. Onde cada possível trabalhador entraria em competição entre várias empresas, cada uma há procura daquele com as melhores credenciais para suprir as suas necessidades, aliciando-os com salários e extras bem mais atraentes que os dos restantes competidores. 

Em vez disso, as empresas fecharam-se. Reduziram as despesas. Investiram na mediocridade, ameaçaram os seus trabalhadores com desemprego, e alimentaram a ideia de que é preferível ter um emprego cinzento, desgastante e opressivo, a nos aventurarmos pelas imprevisibilidades do mercado.

Essas empresas, aquelas que ainda não faliram, estão a perder o comboio da modernização para as suas congéneres estrangeiras, e para inovadoras startups que não recearam quebrar este paradigma há muito estabelecido como regra de péssimos costumes. A sua força laboral é fraca e doente. Apenas faz o mínimo possível, sem qualquer paixão pelo seu trabalho, pois assim ditaram as chefias através do seu constante ambiente de ameaças infundadas e de cortes salariais constantes. 

Parte da natureza humana grita por almejar a felicidade. Não fomos feitos para ser gado. Não fomos feitos para aceitar incólumes as constantes injustiças que mentalidades retrógradas insistem em impor à classe trabalhadora.

Pois no que a isto diz respeito, os empregadores que ainda assim pensam, estão condenados ao fracasso. Empresas como a Google, o facebook, a Apple e a Microsoft, cresceram e construíram os seus impérios, não à base da opressão, mas sim através da criação de oportunidades, de condições e de ambientes, aliciantes e capazes de atrair as melhores mentes das suas respectivas áreas. São vistas como empresas de sonho não pelos salários, ou pela sua visibilidade, mas sim pela forma como tratam os seus trabalhadores, pelos extras que lhes oferecem e pelo ambiente de abertura, liberdade e competição saudável dentro e fora da própria empresa. 

Mas isto não é algo apenas aplicável às grandes tecnológicas. Qualquer empresa pode-o fazer. Independentemente do seu tamanho. Está apenas à distância da imaginação e da capacidade de inovar de cada um dos seus empregadores.

Não é por nada que hoje vemos tanta gente a preferir emigrar, ou a investir nas suas próprias ideias, ao invés de se sujeitarem à banalidade de trabalharem para um energúmeno qualquer sem capacidade de compreender o quão diferente é o Mundo e o mercado actual. 

Durante meses perdemos horas a analisar as diversas transferências nos mais variados mercados desportivos. O mundo do trabalho real não devia ser diferente deste. Os melhores deviam sempre ser aliciados com novos contratos, e cada empresa devia ter o seu próprio departamento de scouting. É assim que funciona lá fora, mas, por cá, ainda tarda a chegar.

Os tempos de ficarmos ligados a uma só empresa durante vinte, trinte ou quarenta anos, há muito que já lá vão. Não nos devemos contentar apenas com aquilo que temos, mas sim, ter sempre a ambição de almejar a algo melhor. E se essas condições não existem internamente, não devemos ter medo de procurar outra empresa, outra cidade, ou outro país, capaz de nos dar aquilo que verdadeiramente merecemos. 

O verdadeiro privilégio é a empresa que reconhece e valoriza os trabalhadores que tem e que tudo faz para não os perder. Está na hora de mudar a retórica. O privilégio é todo vosso. Nós apenas estamos cá de passagem. Parem de nos tomar como garantidos, pois à mínima oportunidade estaremos sempre prontos para dar o salto e voar para novas e melhores paragens. 

Wednesday, April 20, 2016

Idiossincrasias

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Poucas coisas são mais irritantes que aquela palavra teimosamente presa na ponta da tua língua. Momentâneas obsessões que tomam conta do teu cérebro. Mordazes e incapacitantes obsessões. Persistentes obsessões. Enfurecedoras obsessões. Obsessões. Obsessões. Obsessões.

Uma importante parte dos meus constantes desafios e exercícios mentais passam pelo controlo do sentimento de obsessão. Aquela voz inquietante que não te deixa adormecer enquanto não te certificares se desligaste de facto o aquecedor. Que te incita a verificares o e-mail que acabaste de enviar para teres a certeza que não te esqueceste de nenhum anexo. Isto apesar de já o teres revisto umas dez vezes antes de carregares no botão de envio.

Em certos casos esta obsessão pode ser útil. É aquele pequeno gesto que te impede de enviar um projecto com erros, e que impele um certo toque perfeccionista em cada obra que produzes. Não fosse assim, e ‘ser um perfeccionista’ seria tudo menos a resposta mais comum à pergunta, ‘qual o teu maior defeito’. Contudo, há um motivo para que ser-se perfeccionista encaixe na categoria de defeitos e não na de virtudes. A perfeição consome uma grande quantidade de tempo. Tempo esse que é precioso. Tempo esse que é apertado. Tempo esse que não tem lugar para obsessões. Especialmente para aquelas que pouco ou nada têm de racional.

Há dias tinha uma palavra presa na ponta da minha língua. Tentei ignorá-la e descansar na hipótese de que eventualmente a iria recordar. Contudo, não há obsessão mais difícil de controlar que esta. Não há nada mais irritante que aquela palavra que não consegues dizer. Após alguns minutos a arranhar o meu cérebro, escavando o meu subconsciente em busca de algo que me pudesse ajudar a encontrá-la, apenas descobri as seguintes pistas: F podia ser a primeira letra da palavra; Quintessência; e uma possível sílaba com um som ‘L’. 

A minha mente funciona de forma misteriosa, abstracta e demasiado complexa, mesmo para a minha própria compreensão. A palavra que procurava era um termo usado maioritariamente pela classe política e cujo significado é ‘uma característica comportamental peculiar a um indivíduo ou grupo’. Nada tem a ver com quintessência, e as pistas silábicas estavam erradas.

Após uma longa e infrutífera pesquisa online, parei então o episódio da série que estava a ver e fui escavar por entre uma pilha de livros em busca de um velho dicionário da Porto Editora. É um daqueles volumes laranjas pesados que raramente vemos em uso hoje em dia. Encontrei a letra F e folheei na diagonal todas as páginas desta letra, em busca da palavra que tanto me atormentava.

Enfim, desisti e recorri ao último recurso que apenas uso em caso de emergências obsessivas: pedi ajuda nas redes socias. Após uma breve troca de comentários jocosos, acabei por encontrar alguém capaz de me ajudar: Idiossincrasia. Era esta a palavra que me tinha atormentado nas últimas horas.

Sim, compreendo a profunda ironia de ter uma obsessão, ou melhor, uma característica comportamental peculiar à minha pessoa, a ditar uma incessante busca pela palavra ‘idiossincrasia’.

Não consigo descrever o sentimento de alívio que senti quando finalmente a reencontrei. Talvez seja esse sentimento a verdadeira quintessência da minha obsessão. O meu desejo por essa sensação de tranquilidade e calma catártica força-me a obcecar pela mais ínfima coisa, de forma a satisfazer a minha dose diária de paz intelectual.

Talvez isto não passe mesmo de uma característica comportamental peculiar à minha pessoa. Apenas sei que, até hoje, raras são as vezes que as pistas do meu cérebro fazem sentido a alguém que não a mim próprio. E, neste caso, nem aí surtiram algum efeito.

São as nossas próprias idiossincrasias que ajudam a construir as peculiaridades da nossa personalidade. Algumas são benéficas, outras são irritantes. Algumas são estruturantes, outras necessitam de ser trabalhadas. 

Há dias falhei em controlar a minha obsessão. Já ontem. Ontem fui dormir sem me preocupar se tinha tirado ou não as pilhas da lanterna. Pequenos passos num longo caminho. Episódicos dias, cada um a seguir ao outro.

Tuesday, April 12, 2016

Liberdade de Debate e Contra-argumentação

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Show me one piece of evidence and I would change my mind immediately

Bill Nye

Há certas coisas que não compreendo. Na base de todos os debates e discussões existem sempre, pelo menos, duas visões opostas sobre um determinado tema. O segredo para uma boa contra-argumentação passa pela capacidade de calçarmos os sapatos do nosso opositor, de compreender a origem das suas opiniões, e de desconstruir eventuais erros de lógica, de pesquisa de conteúdo, e de buracos nos seus argumentos. Contudo, este processo torna-se impossível quando nos encontramos frente a um discurso ilógico, sem nexo e sem sentido.

A acção mais simples, quando nos deparamos com este género de situações, é simplesmente ignorar. Deixar um qualquer energúmeno a falar sozinho com as suas paredes é um mecanismo muito eficaz. A sua mensagem não é replicada, e as eventuais vozes de apoio mantêm-se silenciosas por falta da tão desejada publicidade, que assim é negada a esse sujeito.

Mas, hoje em dia, a ubiquidade da nossa presença online torna difícil que alguém, por mais ilógico e irracional que seja, se mantenha incógnito e ignorado. Na maioria das vezes são as próprias pessoas que se opõe às suas ideias e que as acham ofensivas, quem mais contribui para a divulgação das mesmas. Ao partilharmos visões profundamente deturpadas, estamos a dar-lhes a voz e o meio que estas tanto desejam para se propagar. 

No entanto, ao ignorarmos essa pessoa perdemos também a oportunidade de a educar e de partilhar uma visão do Mundo, diferente daquela que ele tenta propagar. O problema é que a natureza da nossa presença online, dita que o nosso tempo seja demasiado valioso e escasso para o gastarmos a contra-argumentar contra alguém que, na maioria das situações, vai continuar a bater o pé, incapaz de compreender as tuas intenções, ou até mesmo de perceber o porquê da tua vontade em debater esse tema. 

Encontramo-nos assim numa encruzilhada onde nenhuma das opções parece ser minimamente atraente. Entre ignorar e dar início a um debate, com o tempo descobrimos que ambas as opções são as correctas. O segredo está em saber escolher as nossas batalhas. Em perceber quando devemos defender aquilo em que acreditamos, ou que vemos como correcto, e quando devemos apenas seguir em frente com as tarefas do nosso dia-a-dia. Existe ainda uma terceira opção, direccionar o argumento para alguém com melhores capacidades de contra-argumentação, ou com maior conhecimento sobre o tema, e que esteja disponível para o desenvolver em teu lugar, naquele determinado momento.

É difícil para mim compreender como ainda hoje existem pessoas intolerantes, misóginas, racistas, homofóbicas, enfim, pessoas que dedicam a sua vida a tentar assegurar que os restantes não têm direito a serem iguais as si próprios de uma forma livre, sem serem constantemente sujeitos a qualquer tipo de julgamento ou de privação dos seus direitos mais básicos.

Existem diversas situações divergentes que, de um ponto de vista ideológico, tenho muita dificuldade em compreender, mas que, contudo, sou capaz de perceber o que poderia levar alguém a pensar dessa forma. 

Não compreendo porque certas pessoas não conseguem ver a Humanidade como uma sociedade heterogénea mas merecedora de igualdade no que diz respeito aos direitos mais básicos. Não compreendo como um jovem pode defender um ensino superior com propinas. Não compreendo como alguém possa não querer que o nosso sistema de saúde seja universal e gratuito. Não compreendo como existem pessoas que acham que nem todos temos o direito a uma habituação e ao livre acesso a alimentos e refeições. Compreendo muito menos aqueles que se opõem a uma sociedade baseada no mérito de cada um, independente do estrato social de origem, do género, da raça ou do credo.

Não compreendo quem prefere a ignorância à educação. A pobreza de espírito à riqueza de conhecimento. O ódio ao amor. A guerra à paz. A morte à vida. 

Estamos mais ligados do que nunca, mas nunca foi tão fácil isolarmo-nos do resto do Mundo. Um estudo recente demonstrou que as pessoas de pensamentos extremos, sejam elas mais liberais ou mais conservadoras, têm uma tendência para delinear nas suas redes sociais um único consumo de ideias que se enquadrem nas suas. Isto significa que alguém que seja muito conservador, tem uma maior tendência para consumir medias conservadores e para excluir todas as pessoas liberais que existem nas suas redes. Este efeito faz com que o extremismo aumente, tornando cada vez mais difícil para estas pessoas compreenderem a origem dos argumentos daqueles que lhes opõem.

Isto é algo que precisamos de combater o quanto antes. A ignorância e o ódio apenas alimentam mais ódio e ignorância. A situação actual, com atentados terroristas na Europa Central, Ásia e Médio Oriente, o número crescente de refugiados, e de conflitos que os provocam, foi toda catalisada pelo medo, pela ignorância, e pela intolerância. Pela incapacidade dos povos ocidentais de compreenderem o sofrimento que a guerra e a desigualdade social causa em cada país que atropelámos e deixámos ao abandono. 

O cidadão comum pouco pode fazer para mudar esta situação. Mas uma pequena parte da solução está na nossa capacidade de educar as vozes de medo e de discórdia que todos os dias vemos partilhadas nas redes sociais. 

Hoje, apenas temos tempo para ler um título. Poucos são aqueles que lêem o lead, muito menos aqueles que consomem toda a notícia, e ainda menos aqueles que vão pesquisar informação complementar para saberem mais sobre o que se está a passar, como chegou a acontecer, e porque está a acontecer. 

Há certas coisas que não compreendo. Pessoas, ideias e acções que nunca serei capaz de perceber o porquê da sua origem. Contudo, defendo a liberdade de cada um em expressar a sua opinião. E se querem provar-me errado, apresentem-me as provas e os factos, e aceitarei com bom grado a vossa argumentação. Se não forem capazes de o fazer, talvez esteja na hora de repensarem os vossos argumentos. 

Tens o direito de te expressar. Temos o direito de não te ouvir.