Wednesday, December 09, 2015

A Minha Árvore de Natal

Christmas Lights; Foto: Adriano Cerqueira
O Christmas Tree, O Christmas tree,
How lovely are your branches!
In beauty green will always grow
Through summer sun and winter snow.

Desde que me conheço, e desde que tenho capacidade para o fazer, que sou eu quem monta e enfeita a Árvore de Natal em minha casa. É assim há anos, e ontem não foi excepção. Normalmente aproveito a ocasião para encher a casa com músicas de Natal enquanto enfeito a árvore, o presépio, e os restantes motivos que tradicionalmente se espalham pela sala, da entrada até à cozinha.

Talvez por causa do tempo cinzento que ontem se fazia sentir, ou por há três semanas atrás ainda andar de manga curta, desta vez, enfeitar a Árvore de Natal não passou de um acto mecânico. Como se não passasse de uma vulgar tarefa doméstica. Ou outra qualquer obrigação, feita com pouco, ou mesmo nenhum prazer.

Este ano não se fez ouvir nenhuma melodia natalícia. Nem sequer tirei uma única foto à árvore depois de enfeitada e apropriadamente iluminada. O único acto que ainda me fez sorrir foi a já habitual oferta de uma laranja ao Menino Jesus.

A verdade é que já há alguns anos que pouco ou nada muda nos nossos enfeites de Natal. Há alguns objectos que são já tradicionais e não podem ser evitados. As imagens do presépio, as três casas cobertas de neve, alguns enfeites da Árvore de Natal mais velhos que eu, as duas velas em forma de Pai Natal, os dois anjos, e a habitual estrela que descansa no topo. Nos últimos anos, a única coisa que mudou foram as luzes, isto porque as anteriores acabam sempre for falhar mais ano, menos ano, e alguns motivos novos que foram surgindo, ora por oferta, ora apenas porque sim.

A nossa colecção de postais também tem vindo a crescer. O topo do móvel da televisão está a ficar mais pequeno a cada ano que passa. Pela primeira vez, tive mesmo que deixar alguns postais de fora, ora por falta de espaço, ora porque não tinham valor suficiente para ficarem assim expostos.

Contudo, embora cada ornamento, cada postal, e cada figura conte uma história, a verdade é que fora estes pequenos pormenores, já não me revejo nesta Árvore de Natal. Sempre sonhei com uma árvore grande, daquelas que chegam quase até ao tecto. Em ambas as casas em que já vivi com os meus pais, não havia espaço para uma árvore dessas, e isto continua sem mudar. Se a primeira casa era muito pequena, nesta, a culpa recai na escolha de mobiliário feita pelos meus pais.

Ontem, enquanto preparava os enfeites e procurava desesperadamente em, literalmente, todas as gavetas pelos postais, apenas para os encontrar por baixo da cabana do presépio, pensava para mim próprio que precisávamos de novos ornamentos. Comecei a imaginar uma árvore feita do zero, com novas luzes, novas bolas, novas fitas, e uma nova estrela. Um sonho, para já, improvável.

Há já algum tempo que sinto que os anos passam como meses, os meses como semanas, e as semanas como dias. Talvez por isso, ainda não me sinta em Dezembro. Esta estranha onda de calor, que embora ténue, ainda hoje persiste, também não ajuda. Faltam cerca de duas semanas para o Natal, mas assim não parece. As noites são frias, os dias são amenos. As folhas ainda caem das árvores, coloridas em tons outonais como se ainda agora estivéssemos a entrar em Novembro.

Sim, já há pelo menos dois meses que é impossível entrar num centro comercial, ou ligar a televisão sem ouvir uma música de Natal, ver um enfeite, ou uma qualquer promoção natalícia, incentivando a onda de consumo já típica desta época do ano. Mas mesmo assim, questiono-me, onde está o espírito natalício?

Com o fim provisório do feriado de 1 de Dezembro, muitas famílias adiaram para ontem a preparação dos seus enfeites natalícios. Também eu aproveitei este feriado para alimentar uma tradição que durante anos, em minha casa, nunca teve uma data definida. Contudo, não o fiz com o habitual espírito que habitualmente cresce em mim ao longo desta época.

Talvez porque apenas lá passo os meus fins-de-semana. Talvez por não olhar para o apartamento que divido durante a semana como uma casa, mas sim como nada mais que um ponto de passagem. Talvez por ainda não sentir que hoje é Dezembro, e que 2015 está quase a terminar. Não consigo encontrar um motivo preciso, mas este ano ainda não encontrei o meu espírito de Natal.

A duas semanas da Véspera de Natal, ainda vou a tempo de o encontrar. Não fosse esta a minha época preferida. O dia por que mais espero ao longo de todo o ano. O dia mais quente. O dia mais feliz. O dia em que a minha árvore fica ainda mais bela. O dia de Natal.

Thursday, January 03, 2013

Surpresa

Imagem: Guylian
Este Natal ofereceram-me uma caixa de chocolates Guylian. Uma das minhas marcas preferidas, a par com Ferrero Rocher, After Eight e Milka. A caixa vinha embrulhada num papel vermelho com um padrão em branco de símbolos natalícios e com um laço dourado. Pela forma e pelo peso não me surpreendeu que o resultado fosse uma caixa de chocolates.

Há já muitos anos que me habituei a não esperar outra coisa pelo Natal que não seja chocolates, dinheiro, aftershaves ou perfumes. Contudo, alguns dias depois, quando me apeteceu abrir a caixa, reparei que esta apenas continha cavalos-marinhos. Nada de conchas, bivalves ou estrelas-do-mar. Apenas cavalos-marinhos. Continuava a ter as duas variedades de chocolate e o saber mantém-se sempre igual independentemente da forma que o chocolate tenha, contudo, não estava à espera que esta caixa enorme apenas tivesse cavalos-marinhos.

Não posso dizer que esta surpresa me tenha deixado extasiado ou que tão pouco me tenha intrigado ao ponto de me ir informar melhor sobre os produtos vendidos pela Guylian. Mas esta simples constatação inesperada foi a única verdadeira surpresa que tive este Natal.

O Natal para mim não se resume a presentes. Mesmo que não tivesse recebido nenhum, o meu espírito natalício continuaria em alta. Apesar disso, confesso que tenho saudades daquelas manhãs de Natal quando acordava de sobressalto e corria para a cozinha para ver as prendas que o Pai Natal me tinha deixado. Tenho saudades de me sentir como uma criança na manhã de Natal. Saudades da expectativa, da ansiedade, mas acima de tudo, da surpresa.

Surpresa. Algo que não posso dizer que me recordo de alguma vez ter sentido desde que deixei de receber brinquedos na manhã de Natal. Sim, fui vítima de um ou outro susto. Já vi um gato a saltar para baixo de um carro numa estrada escura sem qualquer aviso. Mas fora esses pormenores, hoje em dia tudo parece-me previsível. Nada me surpreende, pelo menos não positivamente. Parece que de há uns anos para cá as únicas notícias “surpresa” que recebo são negativas. E mesmo essas, se pensar um pouco, surgem quase sempre após vários indícios de uma inevitável previsibilidade.

Sejam elas prendas, classificações, resultados, reacções, todas elas são previsíveis. Até mesmo os resultados desportivos são facilmente previsíveis depois de dedicar algum tempo a analisar os pormenores da modalidade que estiver a ser disputada.

Sou vítima das capacidades analíticas da minha mente. Analiso demasiado bem as situações e as pessoas. Estas facilmente se tornam previsíveis e aborrecidas após algum tempo. É um duro fardo para carregar.

Como me entreter se nada de novo acontece? Felizmente o Mundo ainda me é capaz de surpreender, seja através de notícias insólitas ou da observação do caos organizado da natureza. Alimento-me com informação nova para apagar este vazio de surpresa e descanso a minha mente com histórias. Sejam elas em livro ou em filme, por mais previsíveis que sejam, sempre possibilitam alguns momentos de distracção. Ajudam-me a desligar dos cálculos e suposições constantes que afogam a minha mente em algoritmos desconexos com caóticas soluções.

Na minha vida a única coisa que ainda me consegue surpreender é o amor. Talvez seja por isso que faço dele a minha prioridade e a principal força motriz que impulsiona o meu dia-a-dia. Amar e ser amado é em si a verdadeira prenda da vida. Uma prenda que se constrói e renova a cada dia que passa, recheada de surpresas que alimentam e dão brilho ao teu caminho. Amar é a única carreira à qual sou capaz de me dedicar.

Para tudo o resto, permaneço céptico. Quero acreditar no dia em que algo me irá verdadeiramente apanhar de surpresa. Talvez aquele emprego irrecusável que surgiu do nada, a oportunidade para conhecer um ídolo ou algo mais simples, como uma prenda inesperada oferecida do fundo do coração por alguém que foi capaz de ler os meus desejos sem eu os ter contado.

Esse dia parece-me improvável. Mesmo que ele chegue, talvez já antes o tenha adivinhado.

É difícil conviver comigo próprio. Constantemente a proteger-me de qualquer desilusão ou entusiasmo através da revelação prévia do resultado. Pelo menos ainda consigo agarrar-me àquele sentimento longínquo, quando, ainda criança, acordava de manhã no dia 25 de Dezembro e sabia que algo de mágico estava prestes a acontecer.

Friday, December 14, 2012

Consumismo

Foto: Adriano Cerqueira
Todos conhecemos pelo menos uma pessoa que não gosta do Natal. Os argumentos são sempre os mesmos, o consumismo forçado, a obrigatoriedade da troca de prendas e a hipocrisia de se ser solidário apenas uma vez por ano. Na maioria das vezes limito-me a ignorá-los pois como já diz o velho ditado “não vale a pena ensinar um cego a ver”, contudo, por mais assertivas que estas pessoas sejam na sua interpretação do espírito natalício, não deixam de estar erradas.

O seu argumento mais forte é o consumismo excessivo que se vive durante a época natalícia. As grandes marcas e os centros comerciais aproveitam esta altura para fazer promoções e para encher as ruas, televisões, rádios, revistas, jornais e a própria internet de poluição semiótica com figuras e ícones alusivos ao Natal. Contudo, o Natal nada tem a ver com estratégias comerciais nem com a troca de prendas. Os responsáveis por estes comportamentos são as empresas e os próprios consumidores que aderem a estas “tradições” impostas pelo aproveitamento comercial de uma festa religiosa com uma grande expressão a nível mundial.

Ninguém é obrigado a dar ou a oferecer prendas. As pessoas fazem isso de vontade própria e escolhem esta época para o fazer pois assim foi estabelecido pela tradição dos últimos séculos. O Natal em si tem origem numa festa pagã que celebra o solstício de Inverno e o renascimento do Sol após os longos meses de Outono onde as noites são maiores que os dias. A esta celebração foi associado o nascimento de Jesus, e assim surgiu o Natal como uma das principais festas cristãs. Embora o dia 17 de Abril seja a verdadeira data para o nascimento de Jesus, o dia 25 de Dezembro foi escolhido como uma data simbólica para o celebrar. E assim se manteve ao longo dos séculos. Nada disto obriga alguém a trocar ou a oferecer prendas. As pessoas fazem-no, ou pelo menos deviam-no fazer, como forma de mostrar aos outros aquilo que eles significam para elas, oferecendo-lhes algo com o objectivo de lhes trazer alguma felicidade.

Hoje em dia, o Natal é mais que uma festa religiosa exclusiva dos cristãos. É uma época de amor, paz e solidariedade para com o próximo, onde todas as pessoas, sejam elas de credos, raças, sexos, nacionalidades, estratos sociais ou idades distintas, vêem umas as outras como iguais e se unem para ajudar aqueles que mais precisam. Sim, muitas delas apenas o fazem nesta altura. E, por mim, podem chamá-las de hipócritas à vontade. Mas mais vale ser-se solidário uma vez por ano, do que nunca o ser. Mesmo que o façam apenas para se sentirem melhores consigo próprias ou para ficarem bem-vistas, pelo menos ajudaram alguém enquanto o faziam.

Não sou ingénuo ao ponto de acreditar que toda a gente é solidária no Natal, mas é um facto de que nesta altura aumentam o número de voluntários para ajudar aqueles que mais precisam, assim como as doações para instituições de solidariedade.

O Natal é para mim a melhor época do ano. O espírito natalício enche-nos de alegria e de amor. Aproxima-nos daqueles que amamos e é uma boa desculpa para reunir os nossos familiares e entes queridos. O Natal é uma festa familiar, não é apenas mais um mero feriado corrompido pela forçada necessidade de se festejar até ao nascer do sol, de excessos e de cometer actos dos quais nos iremos arrepender na manhã seguinte. Não. O Natal é uma festa mágica. Partilhamos gestos de carinho. Presenciamos milagres à nossa volta. Demonstramos o nosso amor pelo próximo e, acima de tudo, fazemos alguém feliz.

Para mim o Natal sempre será a melhor época do ano. Deixo o espírito natalício envolver-me e uso a sua energia para partilhar a minha felicidade com aqueles que me são mais próximos. Quem não consegue ver isto, quem não consegue sentir isto, não se preocupem, um dia alguém chegará para vos mostrar o caminho correcto e aquecer os vossos corações.

A todos, e em especial àqueles que não acreditam no espírito natalício, desejo um Feliz Natal e uma boa noite de consoada!

Monday, December 10, 2012

Natal menos iluminado

Foto: Adriano Cerqueira
Uma das minhas preferidas tradições natalícias sempre foi passear pelas ruas do Porto em Dezembro para ver as luzes de Natal. Já muito antes de escolherem os Aliados como o local predilecto para erguer a maior Árvore de Natal da Europa, várias famílias aproveitavam os feriados e os fins-de-semana de Dezembro para passear pela Invicta e admirar as montras e as ruas enfeitadas com um caloroso espírito natalício.

Esta é uma tradição que mantenho ainda hoje. Contudo, desde o ano passado que denoto um menor investimento da Câmara Municipal na iluminação de Natal. Nos últimos dois dias passeei pelas ruas do Porto ao final da tarde, já com o céu escuro como breu, e as únicas luzes que vi acesas foram as da Árvore de Natal em frente à Câmara e algumas luzes pontuais numa ou outra rua. Embora quer os Clérigos, quer Cedofeita tivessem os enfeites montados, estes permaneceram apagados. De que vale ter luzes de Natal se não têm qualquer intenção de as ligar?

Eu compreendo que os tempos sejam de poupança e que as luzes de Natal não figurem no orçamento da Câmara como algo prioritário, contudo, é bem possível fazer algo belo e digno de personificar o espírito natalício com um baixo orçamento. Já vi uma tentativa de originalidade criativa ao colocarem nos Aliados baloiços com as palavras Porto, Natal, Amor, Sonho, Abraço, Festa, Paz, Magia e Família, onde casais, famílias e grupos de amigos se podem sentar e tirar uma foto com o edifício da Câmara como pano de fundo. Mas porquê ficarem-se apenas por aí? Não exijo que todos os anos se construa a maior Árvore de Natal da Europa nos Aliados, uma árvore como a actual árvore dourada serve, mas porquê manter as restantes ruas às escuras?

Ontem vi algumas fotografias do festival das luzes em Lyon. A fachada de alguns edifícios emblemáticos da cidade tinha-se transformado numa tela de luz para a imaginação de um qualquer artista. Um belo espectáculo que atraiu milhares de turistas à cidade apenas para o presenciar. As luzes de Natal eram em tempos um dos principais postais de visita da cidade do Porto. As pessoas não se deslocavam lá apenas por causa das montras ou das promoções. Famílias inteiras faziam uma verdadeira peregrinação apenas para ver as luzes.

Na semana passada fui a Aveiro e, ao passar pelo centro de Estarreja, vi uma praça iluminada e com uma Árvore de Natal melhor decorada que a de Ovar e até mesmo que a do Porto. Como pode um município tão pequeno quando comparado com a Invicta ter melhores decorações natalícias?

A Madeira foi muito criticada pelo dinheiro gasto no fogo-de-artifício na passagem de ano quando semanas antes se tinha descoberto um buraco de 6 mil milhões de euros no seu défice. Contudo, não reduziram um cêntimo sequer do seu investimento no espectáculo de Ano Novo. Sim, investimento. As Câmaras Municipais não podem olhar para as decorações, para os espectáculos e, já agora, para a cultura como gastos, mas sim como investimentos. Investimentos que atraem turismo e turismo que atrai comércio e compradores.

Não acabem com esta tradição. Não a deixem morrer. O Porto é mais belo no Natal que em qualquer outra altura do ano, não deixem as suas luzes se apagarem. Mantenham-nas acesas e relembrem a cada ano que passa com orgulho o quanto a Invicta contribui para manter acesa a chama do espírito natalício.

Tuesday, December 23, 2008

Querido Pai Natal

Este ano decidi inverter a tendência e voltar a pedir-te um bem material, algo que já não fazia há bastantes anos. Este ano quero o Magalhães. A sério, não estou a brincar. Não é por ser o primeiro computador ibero-americano, por ser resistente à fúria – entenda-se estupidez – de ditadores, ou por todos os assessores do Sócrates terem um. Não. Quero o Magalhães, simplesmente porque sim.

Como bom português, mantive-me fiel à tradição e apenas no domingo dia 21 de Dezembro fui tratar das compras de Natal. No meio de um Gaiashopping a abarrotar pelas costuras, após longas filas para fazer aquele pequeno quilómetro que separa o fim da A44, da zona industrial repleta de centros comerciais. E de longas horas dentro de Zaras, C&As e afins, dei por mim dentro da Fnac, à procura do Brisingr, e de algo mais.

Por entre essa busca, deparei-me com um pequeno computador. "Mais um daqueles mini portáteis que toda a gente adora, mas que para os quais não vejo qualquer utilidade", pensei. Mas não, não era mais um desses, era o Magalhães. Estava aberto e nada denunciaria a verdadeira natureza do PC que se encontrava à minha frente.

O meu primeiro instinto foi fechá-lo para ter a certeza que era de facto o aclamado messias do Sócrates. A princípio achei que era cinzento, uma nova estilização, afinal nem todas as crianças gostam de azul claro e os assessores do Primeiro-Ministro precisam de algo mais sóbrio para levar aos congressos. Mas não, era tal e qual tem vindo a ser anunciado nos órgãos de comunicação social, azul claro, leve, e com o ar de malinha do lanche.

Quando era criança, das poucas memórias que ainda reservo dessa altura, lembro-me de um pequeno brinquedo, ao qual chamava computador, mas que de computador tinha ele muito pouco. Quanto mais não fosse apenas pelo aspecto que imitava o design de um portátil. Era pequeno e azul com aspecto de lancheira. Abria-o e ligava-se uma luz. Colocava um cartão na ranhura da luz, e surgia a imagem de um objecto com o respectivo nome iluminado.

Não deixo de pensar nas semelhanças desse brinquedo de plástico com o infame Magalhães. Se calhar, é por isso que este ano apenas te peço o Magalhães. De certa forma, a coqueluche do Engenheiro Sócrates simboliza um passado que não consigo evitar de relembrar numa época como esta.

Aguardo assim pela tua vinda, como sempre aguardei, e espero que desta vez, pela mera simplicidade do pedido, consigas realizar a pequena vontade do teu eterno crente.

Feliz Natal.

Thursday, December 21, 2006

Querido Pai Natal

Já devias pensar que ia esquecer-me de te escrever. Deixei isto um pouco para a última, mas espero ainda ir a tempo.

Há já muitos anos que não te peço nada, pelo menos nada que possas fazer, ou ir a uma loja comprar. Este ano não será diferente. E perguntas-me tu, como foi este teu ano? Hesito em responder. Esse assunto talvez seja mais apropriado a um artigo de Ano Novo, mas quem sabe, talvez despache logo isto, como aquelas mensagens de Feliz Natal que tenho recebido nestes dias.

Muito se passou este ano. Alguns momentos interessantes, de decisões difíceis e importantes. Mas, como sempre, chego a esta altura a sentir a mesma coisa, como se nada se tivesse passado. A verdade é que aconteceu tanta coisa este ano que vi-me forçado a regressar à estaca zero.

Poucos são aqueles que se vêem de um momento para o outro no mesmo sítio onde estavam há três anos atrás. Contudo, não vejo isto como um privilégio, embora também não o veja como uma maldição. Talvez não passe do curso natural das coisas, visto que o último caminho que percorri não me estava a levar a lado algum.

Nos últimos dias tenho recebido algumas pistas que apontam para há dois anos atrás. Não sei o que aconteceu de tão importante nessa altura, talvez tenha atingido alguma bifurcação e escolhido o caminho errado, mas se essa bifurcação existiu não me consigo lembrar onde foi.

Tentando racionalizar a coisa, como costumo muitas vezes fazer, se recuei para um ponto tão atrás, eventualmente chegarei a essa bifurcação. E aí pergunto-me a mim próprio, “Como sabes que caminho escolher quando lá chegares?” Se lá chegar. Pois essa bifurcação pode nem existir, ou posso enfim escolher, desde logo, outro caminho – se é que cabe a mim tal decisão.

Não sei como me podes ajudar. Talvez se puseres no meu sapatinho uma bússola que me oriente no caminho certo... Mas, de que vale saber onde se encontra o Norte, se não sei que passo dar a seguir?

Vi-me de tantas maneiras, em tantos sítios, mas acabo por chegar sempre a este. A este eu, e pouco ou nada tenho a ver com quem um dia imaginei ser. De que vale isto? Estarei a exagerar quanto ao estado das coisas? Provavelmente.

Apesar das coisas más persistirem, elas mantém-se longe. Existindo ou não, nunca fizeram grande diferença. Nunca tiveram a importância que por vezes lhes dou.

Procurei escapatórias a problemas que apenas tenho a mim como único culpado. Se me pudesses dizer o que fazer... Mas de nada adianta, pois só eu o posso descobrir.

Não é assim tão mau voltar à casa "partida". Consegui sair de lá, não foi? Apenas me enganei na saída.

Enfim, não te maço mais com os meus problemas, que não podes resolver. Este ano só te peço alguma orientação, para além da habitual boa sorte que o destino, Deus, ou qualquer outra entidade superior, me têm negado.

Fico à espera da tua resposta.

Feliz Natal.