Tuesday, December 23, 2008

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte II

366 dias, 108 jornais, 12 horas de anilhagem, 2 pães-de-ló, 0 horas de sono, e nenhuma penca depois, está de regresso a Véspera da Véspera de Natal! Louvado sejas ó 23, eterno dia esquecido no tear dos tempos.

Ora viva, e sejam bem-vindos a mais uma edição da Véspera da Véspera de Natal. Para além das habituais pencas – vulgo couvões –, este ano trazemos-vos um calmo e suave sol de Inverno, e um frango prontinho a estufar.

Jesus, o Cristo: “Muda a estação, não gosto do jingle inicial nem dessa voz toda alongada na entrada do jingle.”

Almada Negreiros: “Desliga isso, vamos ver televisão.”

Mindo: “Isso é subjectivo!”

Eusébio: “Esperem aí! Vamos ouvir isto.”

Quem planta e colhe pencas!

Olá, esta é a Véspera da Véspera de Natal, a tua véspera sobre a véspera da véspera das vésperas. Todos os dias 23 de Dezembro trazemos o que de melhor se faz no dia eternamente esquecido do calendário.

O homem dos óculos escuros aproxima-se do rádio e com um toque de leve no botão, termina com o som emitido pela máquina que até ao momento centralizava a atenção da audiência. Jesus, Vasco da Gama e Zé Mota dirigem-se para o homem dos óculos escuros.

Jesus, o Cristo: “Outra vez? Já não te disse para me deixares em paz? Que parte de ‘deve manter-se sempre a um mínimo de cem metros de distância é que não percebes’?”

Vasco da Gama: “Põe-te na alheta antes que te atrevesse um novo caminho para Índia!”

Zé Mota: “Calma pessoal. Vocês são novatos nisto, não são? Tenham calma, não façam sempre as mesmas ameaças rotineiras.”

O homem dos óculos escuros afasta-se, mas antes de sair desloca o dedo ligeiramente em direcção à TV. O ar parece estagnar enquanto todos observam o leve movimento do recém-chegado. Finalmente, eis o momento. Ele clica no botão.

Farto de pencas? Talvez esteja na hora de experimentar o Second Couvões!

Mais do que simples couves gigantes, o Second Couvões traduz-se à letra, é mesmo um segundo tipo de pencas.

Vasco da Gama: “Ó JC, não sabias ter morrido noutro dia? Por que raio temos que comer couvões sempre nestes dias?”

Jesus, o Cristo, também conhecido como JC: “Ó Vasco, eu não morri no dia 25, foi algures em Março, ou Abril, depende da Lua.”

Eusébio: “Mas tu também não nasceste a 25 ó Cristo. Foi a 17 de Abril.”

Mindo: “Mas agora vocês têm a festa do Sol.”

Zé Mota: “Ó Mindo ‘tás a ler isso, não ‘tás?”

E foi assim que a Menina do Gás, Carlos Carvalhal e Fernão de Magalhães encontraram a sua ilha de felicidade. Uma história passada de geração em geração sobre a jornada dos nossos amigos, em busca da penca encantada, há muito, muito tempo.

Fim.

Não se esqueçam do dia 23, pois foi também por ele que Jesus dedicou a sua vida à carpintaria. A Véspera da Véspera de Natal não é novata nisto, e há muito que já não se mostra nervosa.

Morram Pencas, morram! Pim!

Querido Pai Natal

Este ano decidi inverter a tendência e voltar a pedir-te um bem material, algo que já não fazia há bastantes anos. Este ano quero o Magalhães. A sério, não estou a brincar. Não é por ser o primeiro computador ibero-americano, por ser resistente à fúria – entenda-se estupidez – de ditadores, ou por todos os assessores do Sócrates terem um. Não. Quero o Magalhães, simplesmente porque sim.

Como bom português, mantive-me fiel à tradição e apenas no domingo dia 21 de Dezembro fui tratar das compras de Natal. No meio de um Gaiashopping a abarrotar pelas costuras, após longas filas para fazer aquele pequeno quilómetro que separa o fim da A44, da zona industrial repleta de centros comerciais. E de longas horas dentro de Zaras, C&As e afins, dei por mim dentro da Fnac, à procura do Brisingr, e de algo mais.

Por entre essa busca, deparei-me com um pequeno computador. "Mais um daqueles mini portáteis que toda a gente adora, mas que para os quais não vejo qualquer utilidade", pensei. Mas não, não era mais um desses, era o Magalhães. Estava aberto e nada denunciaria a verdadeira natureza do PC que se encontrava à minha frente.

O meu primeiro instinto foi fechá-lo para ter a certeza que era de facto o aclamado messias do Sócrates. A princípio achei que era cinzento, uma nova estilização, afinal nem todas as crianças gostam de azul claro e os assessores do Primeiro-Ministro precisam de algo mais sóbrio para levar aos congressos. Mas não, era tal e qual tem vindo a ser anunciado nos órgãos de comunicação social, azul claro, leve, e com o ar de malinha do lanche.

Quando era criança, das poucas memórias que ainda reservo dessa altura, lembro-me de um pequeno brinquedo, ao qual chamava computador, mas que de computador tinha ele muito pouco. Quanto mais não fosse apenas pelo aspecto que imitava o design de um portátil. Era pequeno e azul com aspecto de lancheira. Abria-o e ligava-se uma luz. Colocava um cartão na ranhura da luz, e surgia a imagem de um objecto com o respectivo nome iluminado.

Não deixo de pensar nas semelhanças desse brinquedo de plástico com o infame Magalhães. Se calhar, é por isso que este ano apenas te peço o Magalhães. De certa forma, a coqueluche do Engenheiro Sócrates simboliza um passado que não consigo evitar de relembrar numa época como esta.

Aguardo assim pela tua vinda, como sempre aguardei, e espero que desta vez, pela mera simplicidade do pedido, consigas realizar a pequena vontade do teu eterno crente.

Feliz Natal.

Monday, December 22, 2008

O Lançar da Moeda

Ao lançarmos uma moeda sabemos à partida que o resultado pode apenas ser um de dois. Há sempre a possibilidade da moeda cair em pé, mas a mínima vibração acaba por a tombar, fazendo prevalecer um dos lados.

Podemos tentar adivinhar o lado que sai, ou desenvolver técnicas para desvendar a resposta mesmo antes da moeda partir da nossa mão. Mas no fim, o mínimo pormenor pode desviá-la do seu objectivo e o resultado torna-se, assim, incerto.

Cara ou coroa. 50% é a probabilidade de acertar, mas por vezes surgem séries raras, em que por mais que lancemos a moeda, o resultado acaba por ser o mesmo. E por mais que acreditemos que no próximo lançamento será diferente, a crença dissipa-se mal levantamos a mão.

Para evitar esta constante desilusão lançamos a moeda para longe dos nossos olhos, para as profundezas de uma fonte, ou para a escuridão dos nossos bolsos. Tentamos com outras moedas, iguais, diferentes, de outro valor, de outro país, de outra cifra, de outro tamanho, de outra cor. Mas no fim, a sequência mantém-se, e o resultado não se altera.

Para um bom apostador, esse azar seria a sua sorte. Como oráculo, poder adivinhar cada resultado seria um pequeno passo para a eterna vitória. Não tarda outros viriam o jogo como viciado, e largariam a aposta. De qualquer forma, tal jogo apenas funcionaria se no ditar do resultado fosse ele quem decidisse a fatalidade da partida. Caso contrário, a regra da incerteza voltaria a ser aplicada, e na voz do oponente estaria a decisão do resultado. Já o não apostador, vê-se como vencido logo à partida, condenado a acreditar na resposta que nunca irá receber.

"Há sempre o outro lado da moeda." Às vezes também gostaria de o ver.

Sunday, December 07, 2008

You'll always be my November

Voltei a perder um mês. Desde a criação deste espaço, que muitas histórias ainda reserva para um dia serem contadas, apenas falhei a publicação de um texto em Setembro de 2007. Depois do sucedido, prometi a mim mesmo não mais voltar a deixar passar um mês inteiro sem uma única publicação, fosse ela uma frase, um poema, um vídeo, ou uma música. Não importaria o que fosse, desde que fosse algo.

Mas voltou a acontecer. Voltei a falhar a minha promessa. Voltei a deixar o tempo passar e voltei a não dar a devida atenção a este espaço. Na verdade, publiquei um texto ao longo do mês todo, mas não foi aqui, não aqui.

Novembro foi um mês de aceitação. Um mês de promessas falhadas – talvez aí encontre alguma explicação. Um mês como qualquer outro, e como qualquer outro diferente à sua própria maneira. De certa forma este foi o mês do "do Porto", d'O Comércio do Porto, do Mercúrio do Porto, das cinzas de tempos idos, às sementes de algo que ainda luta por se afirmar e emergir.

Foi um mês de reconciliação. De más notícias, mas também de boas. Não, este Novembro não sou eu, se calhar por o Keanu o já ter reclamado para si há tempos atrás. "Que todos os meses sejam Novembro", dizia ele. Se tiver que reclamar um mês, não sei por qual pegar. Espero que seja Dezembro, ou talvez Janeiro, ou mesmo Maio se os motivos prevalecerem.

Dezembro. Amanhã é dia oito, o ponto de viragem, o cruzamento que ditou o caminho que hoje percorro. Números da sorte, se os há, o oito não é o meu. Já Novembro é o onze, o malfadado número, que ainda hoje sofre por decisões tomadas sobre assuntos que com ele nada têm a ver.

Novembro perdido. Apagado, mas não esquecido. Deixo hoje a promessa que não voltarás a ser posto de lado. Serás sempre o meu Novembro.

Até sempre, velho amigo.

Saturday, August 23, 2008

Há vida no Second Life?

Second Life
Em 2007, o mundo virtual Second Life tornou-se popular. Nesse ano foram muitas as pessoas em todo o mundo que entraram nesta "segunda vida". 

Segundo Paulo Frias, professor ligado à presença da Universidade do Porto no Second Life, depois do boom, são os projectos educativos e ligados a empresas que mais bem têm aproveitado a plataforma.

Tuesday, July 29, 2008

The Boys of Summer

Nenhuma outra estação alguma vez me causou tanto desgaste, frustração e dor. O Verão. É sempre o Verão. Três pequenos meses que quando se devem prolongar dão a sensação de não durar mais que três semanas. E que quando devem apenas passar, estendem-se extenuantemente.

Quase toda a gente espera o ano todo por esta altura. Anseiam pelas férias, pelos momentos de diversão, pelo descanso, pela perda do sentido de responsabilidade. Quase toda a gente, pois para mim o Verão não é, e nunca foi, nenhuma dessas coisas.

Não é como se não o usasse para descontrair, descansar, ou para me divertir. Ponho a leitura em dia, retomo velhos hábitos perdidos no stress do resto do ano, enfim, faço aquilo que gosto de fazer no meu tempo livre. O grande problema desta maldita estação, é ano após ano, forçar-me a um esforço – até aqui sempre inglório – e a um total dispêndio, e desgaste de energias apenas concentradas num pequeno e simples objectivo que, até agora, sempre falhou: manter aquilo de bom que a Primavera me tem trazido, estável, e reforçá-lo.

Para mim, o excesso de tempo livre nunca jogou a meu favor. Estranhamente, de um momento para o outro, tempo livre era algo que não existia, embora eu sempre o tivesse e mesmo quando o não tinha, nada me impediria de o criar. Mas, ano após ano, estes três meses apenas servem para aumentar ou criar distâncias. Gerar conflitos, eliminar esperanças, destruir sonhos, alimentar a dor, e cimentar uma cada vez maior visão pessimista do Presente, e do Futuro.

Não odeio o Verão. O ódio não é suficiente para descrever aquilo que esta estação me faz sentir. Não culpo Junho, Julho, Agosto e Setembro. São apenas meros peões situados no local errado, na hora errada. Não existe alvo algum no qual acertar a seta da culpa. O tabuleiro é sempre o mesmo, mas as peças são diferentes. As jogadas alternam-se, e os jogadores, bem, esses, raramente regressam à partida após saírem do campo. E nas raras ocasiões que o fizeram a previsibilidade das suas acções não deixou espaço para descuidos, ou margens de manobra, para ilusões, ou desilusões.

A chegada de Setembro, que muitos podiam pensar ser capaz de terminar com todo o ambiente negativo criado à volta do Verão, apenas levanta o véu para revelar os estragos, e todo o mal feito durante esses pequenos e inacabáveis meses. Por vezes esse mal prolonga-se pelo Outono, o Inverno, e pelas futuras estações. Conflitos que poucos meses antes o mais céptico pessimista não seria capaz de prever.

Até este Verão terminar, e os resultados finais se revelarem, nada me fará deixar de acreditar que desta vez será diferente. Que o reinado de ínfimos anos tórridos finalmente chegará ao fim, dando lugar a uma nova era de incerteza, mas de optimismo.

Confesso que a esperança que neste momento sustém esta crença em mudança, já foi maior, mas a verdade é que mais cedo ou mais tarde algo irá mudar. Seja neste, ou no próximo, chegará o Verão em que mesmo que seja necessário aguentá-lo até Setembro, quando o seu fim chegar, e a cortina for levantada, a imagem que a Primavera deixou, não estará apagada e ofuscada, mas sim reforçada e nítida.


Tuesday, July 22, 2008

Insónias

Há alguns verões atrás – era eu muito novo para me lembrar da data ao certo – sem motivo aparente, comecei a ver televisão por volta das dez da noite, e só me levantei para ir dormir já o dia tinha nascido, e os meus pais acordado para ir trabalhar.

Não tinha insónias. Não estava cansado. Até tinha um pouco de sono, mas a verdade, e por razões que até hoje me escapam, é que mantive-me acordado até de manhã a ver televisão sem qualquer vontade de desligar e ir para a cama.

Lembro-me de poucas coisas dessa noite. Lembro-me que na RTP 2 estava a dar o The Good, the Bad and the Ugly. Lembro-me que acabou por volta das duas, e que a uma certa hora todos os canais do meu zapping regular estavam ou sem emissão, ou a dar televendas. Mas mesmo nessa hora não desisti. Fui buscar uma cassete e pus o vídeo a dar – meu Deus, devia ter sido mesmo há muito tempo, não tenho memória do velho vídeo funcionar.

A memória mais nítida, e que até hoje me atormentou, foi já depois do nascer do Sol – evento que presenciei pela primeira vez nessa manhã. Eram cinco da manhã e alguns canais já começavam a emitir. Liguei o VH1 para ouvir alguma música.

Não me lembro dos videoclips que passaram, excepto um que só voltei a rever hoje. Era um vídeo dos Smashing Pumpkins, a música era minha conhecida, mas no dia seguinte já não me lembrava nem da letra, nem da sonoridade, apenas me lembrava de ver o vocalista a cantar, sentado no assento traseiro de um carro.

Os anos passaram. Pesquisei várias vezes na internet, sempre que me lembrava do ocorrido. Até falei com alguns amigos fãs da banda, mas ninguém me foi capaz de dizer qual era a música. Hoje, já vários anos depois de ver o vídeo pela primeira vez, estava a fazer zapping quando passei pela SIC Radical, e lá estava ele. O mesmo que tinha visto na sala da casa da minha avó há tanto tempo atrás.

Fiquei perplexo pela música que era. Não podia acreditar que era esta, logo uma das mais famosas deles. Reconheci de imediato a melodia de tanto a ouvir naquelas viagens de carro sintonizadas na RFM. Esperei até ao fim do vídeo, e lá surgiu a resposta que há muito esperava, a música era a 1979. Se já forem cinco da manhã quando lerem esta entrada, deixem-se vislumbrar pelo nascer do Sol e quando ele já estiver lá no alto, vejam este videoclip.

Friday, July 18, 2008

Vive le Tour!

Foi com grande surpresa que ontem recebi a notícia da desistência da equipa Saunier Duval do Tour de France por causa do ciclista Riccardo Ricco – líder da equipa e oitavo classificado da geral – ter testado positivo a CERA, uma nova forma de EPO.

Como nas edições anteriores, tenho seguido este tour praticamente desde o quilómetro zero, e até ao momento as prestações de Riccardo Ricco foram as que mais me impressionaram. De certa forma, ele fazia lembrar o infame Pantani, com os seus ataques bem longe da meta e com uma capacidade tremenda para ultrapassar as dificuldades. Infelizmente, tudo aquilo que me impressionava e que apaixonou Paulo Martins e Luís Piçarra, comentadores da Eurosport, pode não ter passado de uma farsa bem representada pela velha sombra do desporto profissional: o doping.

Apesar de este já ser o terceiro caso de ciclistas a testar positivo na corrente edição do Tour de France, não creio que seja caso para duvidar da verdade desportiva, e muito menos para se desistir por completo da modalidade. Um dado curioso, que vim a descobrir através dos comentadores da Eurosport, foi que uma sondagem no site do Record questionava os visitantes se estes tinham perdido a credibilidade neste Tour. Cerca de 73% votou “Sim”.

Sinceramente, não percebo o porquê de todo este negativismo, então os alegados "batoteiros" estão a ser apanhados e por isso devemos considerar que uma competição que zela pela verdade desportiva não tem credibilidade? É como diz o velho ditado, "é-se preso por ter cão, e preso por não ter."

Talvez estas histórias de apitos arco-íris têm-nos dado umas percepções deturpadas da realidade do desporto. Mas pondo todo este assunto de lado, o que importa neste caso é não perder a fé no ciclismo, e continuar a desfrutar da volta à França.

Sim, existe sempre o receio do ciclista que apoio acabar por ser testado positivo também, mas certamente aqueles que se têm dopado, devem ter tomado medidas para pararem com o processo de forma a não serem desclassificados.

Quanto à verdade desportiva do ciclismo, quem sabe? Talvez até o próprio Lance Armstrong se dopava. Suspeitas surgiram, mas até prova em contrário, ninguém vai questionar as suas sete vitórias consecutivas do tour – feito inédito em quase 100 anos de prova.

Há que louvar o esforço despendido por estes heróis que todos os dias têm que superar centenas de quilómetros ao pedal, subindo a altitudes que superam muitas vezes os dois mil metros. Suportando as mais precárias condições atmosféricas, sob um completo esforço sobre-humano.

É o doping um problema só do ciclismo? Não, existe em praticamente todos os desportos sob formas quase inimagináveis. O ciclismo apenas teve a coragem de tomar o primeiro passo na eterna solidificação da verdade. Talvez esteja na altura das restantes modalidades fazerem o mesmo.

O tour ficou mais pobre sem Riccardo Ricco. Esperemos que o ciclista regresse daqui a uns anos com um melhor sentido de bom senso, e que talvez um dia consiga vencer a maior prova do ciclismo internacional.

Liberdade de Expressão?

Não pude deixar de ficar algo surpreendido com os recentes processos judiciais impostas a dois blogues por difamação. Embora compreenda que se deva procurar salvaguardar o bom nome de cada um, e evitar ao máximo fazer acusações sem provas e fundamentos legítimos, a verdade é que em ambos os casos tratavam-se de dois blogues criados por cidadãos anónimos que se limitavam a prestar as suas opiniões.

Se alguém quisesse acreditar nas suas alegações estaria livre de o fazer, já que até prova em contrário, a liberdade de expressão, e de criação de convicções próprias, são direitos fundamentais da sociedade em que vivemos.

Será que perdemos o direito a expressar o nosso desagrado sobre certas situações com as quais nos deparamos no dia-a-dia? Sou Vareiro desde pequeno, e há muita coisa que gosto na minha cidade. Contudo, existem algumas situações com as quais não concordo e, até ao dia de hoje, ainda não compreendo o porquê de as terem feito.

Os leitores assíduos deste blogue sabem bem que fora uma eventual crónica satírica, até ao dia de hoje não critiquei qualquer decisão relativa à minha cidade. No entanto, agora começo a levantar a questão: Se tal dia chegar, poderei fazê-lo? Depois de ver o que se sucedeu com o blogue Póveiro receio pela manutenção da liberdade de expressão dos bloguers e pela integridade do meu próprio blogue.

Estará alguém a investigar todas as minhas acções online? Se deslizar um pouco e me apetecer dizer umas verdades, que precisarem de ser ditas, vou acabar por ser forçado a renunciar este sítio, e a comparecer em tribunal por simplesmente dizer o que me vai na cabeça?

Posso não ter vivido o 25 de Abril de 74, mas situações como esta fazem-me questionar se quem está no poder já se esqueceu do significado desse dia. É muito fácil ficar quieto e não fazer nada, e deixar as coisas tomarem o seu rumo. Mas é preciso coragem para vir cá para fora denunciar aquilo que está errado com o nosso próprio microcosmos.

Aplaudo as iniciativas dos blogues da Póvoa do Varzim, e espero que o juiz que os vai julgar tenha o bom senso de se apoiar nos direitos fundamentais, e que permita que um dia esses colegas da blogosfera voltem ao activo, e continuem a denunciar o que está incorrecto. Como diria o antigo cântico revolucionário: o Povo Unido jamais será vencido!

Saturday, July 12, 2008

Pedaços de Sabedoria do Professor Doutor JM

Berrou, perdeu a razão.

Só se atira pedras às árvores com fruto.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

O mundo é um palco, e nós somos os seus actores.

Deitar fora a água suja com o bebé dentro da banheira.

Junta-te aos bons e serás melhor que eles.

Quem vai à guerra, dá e leva.

Uma situação de crise é uma nova oportunidade.

Cada macaco no seu galho.

Levar a carta a Garcia.

video

Adeus Professor Doutor JM. Até qualquer dia. Até ao meu regresso!

Saturday, July 05, 2008

Yui

Yui, Life, Imagem DR
A internet não só tornou o Mundo mais pequeno e acessível, como também ajudou a descobrir alguns talentos que, de outra forma, iriam continuar perdidos dentro das fronteiras dos seus países. 

Esta semana descobri Yui, uma cantora japonesa, que alia a sua beleza a uma das melhores vozes nipónicas que tive o prazer de ouvir até hoje. Fiquem aqui com o vídeo da música Life, do album From me to You.

Wednesday, July 02, 2008

Blog Through Time

Rat Pack, Foto DR
Como podem observar, Frank Sinatra e os senhores que o acompanham nesta foto estão a segurar um livro com o título "Blog". Ao pesquisar pelo respectivo livro, descobri que este pertence ao autor Hugh Hewitt, e que o livro foi apenas publicado em 2004, como podem confirmar aqui.


Imagem DR
A foto é bastante anterior a 2004, sendo provável que esta tenha sido tirada algures na década de 60. Como é que Frank Sinatra tinha na sua posse um livro publicado quarenta anos mais tarde por um autor que, na altura, não devia ter mais que quatro anos de idade? Dá que pensar, não dá?

Monday, June 30, 2008

O Mito dos Elefantes Brancos

Estádio do Algarve, Foto DR
O Euro 2004 veio, fez-se a festa, os adeptos voltaram para casa, os Portugueses choraram e os Gregos levaram a taça na bagagem de regresso a Atenas. Por cá ficaram os estádios. Dez infra-estruturas desportivas das mais modernas e funcionais que se podem encontrar no mundo do futebol. Ao contrário do que podem estar à espera, não vou falar de elefantes brancos.

A generalidade das pessoas vive sob o pensamento que os estádios do Euro foram um investimento exagerado e que neste momento estão a ser subaproveitados. Só vemos estádios vazios, e o futebol praticado dentro deles é de baixa qualidade.

Quanto à qualidade do futebol tenho que concordar que na maioria dos jogos do nosso campeonato esta é, de facto, de qualidade algo a baixo da média. Contudo, estádios vazios? Todos? Estão a ver os mesmos jogos que eu?

Vamos lá recapitular, para o Euro 2004 foram construídos 10 estádios, 4 remodelados (Estádio Municipal de Coimbra, Estádio Magalhães Pessoa (Leiria), Estádio do Bessa XXI e Estádio D. Afonso Henriques (Guimarães)) e 6 construídos de raiz (Estádio de Alvalade XXI, Estádio da Luz, Estádio do Dragão, Estádio do Algarve (Faro/Loulé), Estádio Municipal de Aveiro e Estádio AXA (Braga)).

Destes dez estádios, sete pertencem a clubes da primeira liga, sendo que todos os sete têm assistências acima dos 10 mil espectadores o que se insere num aproveitamento de cerca de metade da lotação de cada estádio por jogo.

Estes sete estádios pertencem a clubes como o Sporting CP, o SL Benfica, o FC Porto, o Boavista FC, o SC Braga, o Vitória de Guimarães e a Académica. Todos estes clubes têm grandes massas associativas que enchem os seus respectivos estádios. Ok, tanto o Boavista como a Académica não têm conseguido chamar tanta gente para assistir aos seus jogos nas últimas épocas como já conseguiram em outros tempos, muito por causa dos mais recentes resultados desportivos não serem positivos.

Contudo, são estádios rentabilizados com finais de competições (Final do Euro 2006 de sub-21 no Bessa), concertos e provas de atletismo (Coimbra). Já para não dizer que o Estádio do Bessa XXI foi completamente pago pelo Boavista FC, logo não surgiu nenhum encargo extra por parte dos contribuintes.

Como podem ver, 70% do investimento está a ser posto a bom uso. Sim, existem três casos preocupantes: Leiria, Aveiro e Algarve. Vamos então analisar esta minoria negativa que tem servido de exemplo para os velhos do Restelo críticos do Euro 2004.

Estádio Magalhães Pessoa (Leiria): Este é o caso mais gritante. Leiria não vive o futebol, apesar da União local estar na I Liga há vários anos. Os leirienses simplesmente não têm qualquer ligação com o clube. O próprio estádio ainda nem sequer está pronto. Após a remoção da bancada temporária, e da redução da capacidade do estádio de 30 mil para 25 mil lugares, era suposto terminarem a construção do complexo empresarial que encerra o topo do estádio, contudo isso ainda não aconteceu. Sempre que a União lá joga, o estádio encontra-se vazio, com a excepção dos jogos com os três grandes.

É de salientar o empenho do clube em realizar provas de atletismo no estádio, e de nos últimos anos terem conseguido realizar uma Super Taça. É necessário uma maior aposta neste tipo de eventos, e em eventos ligados à cultura como concertos ou exposições. A própria autarquia de Leiria devia procurar motivar os seus habitantes, fazê-los viver a cidade, e convencê-los a apoiar o seu clube. Se tais planos forem postos em prática talvez tenhamos um problema resolvido.

Estádio Municipal de Aveiro: O problema deste estádio é que o Beira-Mar nas últimas épocas andou a saltar da primeira para a segunda liga. Os aveirenses vivem o futebol e gostam do seu clube, mas o preço dos bilhetes e as más prestações da equipa não permitem que vejamos um estádio cheio como em Guimarães, ou em Braga. Contudo, a Câmara de Aveiro tem promovido a utilização do estádio, que possui o seu próprio site, EMA. A queima das fitas de Aveiro é realizada no estádio, para não falar das várias provas de futebol juvenil e de alguns concertos. Se o Beira-Mar regressar de vez à I Liga, teremos mais um problema resolvido.

Estádio do Algarve (Faro/Loulé): Talvez o melhor exemplo de gestão de um imóvel sem dono. Tanto o Farense como o Louletano jogam na II Liga (terceiro campeonato) logo é complicado trazer grandes assistências. Mas este Estádio, muito devido à região em que se encontra tem sido usado nas mais diversas competições. Nomeando algumas, Algarve Cup, Super Taça, Taça da Liga, Prólogo do WRC, etc. Tal como em Aveiro, basta o Algarve colocar um clube na I Liga e o problema das assistências será resolvido, até lá é necessário manter o modelo de gestão.

7 em 10 não é uma má estatística, e os outros 3 ainda vão a tempo de serem rentabilizados. Elefantes Brancos? Apenas em sonhos.

Friday, June 27, 2008

Faça o favor de entrar

Imagem DR
Está o Ministério da Educação a promover o facilitismo na realização dos exames nacionais?

Foi com alguma estranheza que nas últimas semanas segui o habitual drama dos alunos do 12.º ano a queixarem-se das "habituais dificuldades" em fazer o exame nacional de Matemática.

Que há de estranho nisto? Bom, desta vez as queixas incidiram sob a facilidade com que eles conseguiram realizar o exame. Mas isto não é mero paleio de estudantes membros da dita "geração rebelde" cuja única preocupação passa por ser o mais fútil possível. Não. Professores e Matemáticos vieram a público afirmar que o exame era composto por perguntas básicas, prevendo-se uma possível subida considerável das médias desta disciplina, que é muitas vezes considerada como o quebra-cabeças dos Portugueses.

Não tive oportunidade de ver este exame, mas confirmando-se esta situação a única coisa que pergunto à Senhora Ministra, é o porquê de não terem promovido estes facilitismos no ano em que eu fiz este exame, assim como em todos os anos que me precederam.

Mas o que realmente me fez pensar que o Ministério possa estar a tentar facilitar o acesso dos alunos do secundário ao ensino superior, foi o exame nacional de Biologia e Geologia.

Esta tarde, por mera curiosidade, decidi ver o exame de Biologia e Geologia, para ver se ainda me lembrava de alguma coisa. Decidi responder às questões. Fiz o somatório dos meus resultados e consegui a incrível classificação de 12,5 valores.

Quando andava no 11.º ano – isto já há três anos atrás – esse exame ainda não existia, contudo, eu fiz um exame de equivalência à frequência desta disciplina para subir a nota, no qual tirei 19,3. Podem então pensar que piorei bastante, mas vamos lá dar uma olhadela aos factos.

A matéria que saiu naquele exame abordava temas sobre os quais não sou avaliado há três ou quatro anos. Estou neste momento a frequentar um curso da área de Ciências Sociais logo, nos últimos dois anos nem sequer toquei em qualquer tipo de matéria ligada à Biologia ou à Geologia.

Tendo isto em conta, uma pessoa que não estudou, e que nem sequer fala sobre os temas abordados no exame há mais de três anos, conseguiu não só passar nesse mesmo exame, como o fez com alguma margem de conforto. Ainda confesso que nas questões de desenvolvimento atribuí sempre a nota mais baixa, o que talvez não correspondesse à realidade perante o olhar de um examinador.

Das duas uma. Ou eu ainda não perdi o jeito, ou há de facto facilitismos por parte dos responsáveis pela realização deste exame. Para esses senhores deixo-lhes a seguinte questão: Não acham que deviam, pelo menos, dar um pouco mais de luta?

Monday, May 19, 2008

Inquérito: Efeitos Cognitivos do Second Life

Inquérito elaborado por alunos do curso de CC:JAM da Universidade do Porto, no âmbito da disciplina de Psicossociologia da Comunicação. O seu objectivo é determinar os efeitos cognitivos do Second Life.

Responda ao inquérito através do link: [PT] [ENG]

Tuesday, April 08, 2008

Porto, Uma Ponte para um Passado Presente



Sinopse: Porto, uma ponte entre o Passado e o Presente de uma das cidades mais icónicas de Portugal.

Autores: Adriano Cerqueira, Ana Margarida Pinto, Andreia Magalhães, Cláudia Magalhães, Graça Salgueiro e Sara Azevedo. 

Duração: 3 minutos.

Género: Anúncio.

Exibições: I Mostra de Semiótica da Comunicação em 2008. 

Saturday, March 22, 2008

Popples


São os Popples! Procurei por isto toda a minha vida e finalmente os encontrei. Já não me lembrava do nome, nem sequer do aspecto deles, mas cá estão, os Popples!

Thursday, February 21, 2008

Indecisões

Às vezes, o melhor a fazer é retomar todos os nossos passos e começar de onde partimos. Aquilo que perdemos, aquilo que procurávamos, tudo ao alcance de uma breve introspecção, regressão, ou outra coisa qualquer que no fim acaba por querer dizer o mesmo. Aconteça o que acontecer, vejo-me sempre a regressar ao ponto de partida.

Já lá vão seis anos, mas cá estou eu outra vez. Muitas vezes me questionei se não estava meramente a deixar os erros repetirem-se, os passos em falso amontoarem-se, ou ambos.

A verdade é que já não acredito nisso. Embora seja finalmente capaz de me abstrair da equação, torna-se muito complicado encontrar um motivo, ou pelo menos uma justificação simples para este contínuo retrocesso.

Não sei até que ponto a constante alteração das variáveis contribua para alguma espécie de progresso, mas certamente não ajuda a encontrar o culpado de entre todas as possibilidades que culminam sempre na mesma situação. Na mesma lógica de actos.

Hoje podia ter feito algo mais. Havia um elefante na sala, e a sala era bem grande, mas faltou ou esteve lá aquilo que sempre esteve, ou talvez nunca tenha estado. Por que não foi o motivo do costume suficiente desta vez? Estarei a dar ouvidos às vozes que me revolvem? Vozes essas que tenho ignorado todo este tempo.

Mas como vou saber que esta é uma situação em que as vozes nada têm para dizer? Como posso ignorar um elefante? Devo ignorá-lo só porque penso em algo diferente? Devo seguir aquilo que não tenho, como dizem as vozes? É impossível dar ouvidos a algo que nada faz sem ser existir. Nada lhe trespassa. Nada o convulsa.

Lembro-me dos nomes. Lembro-me dos motivos. Não me lembro de nada que me faça avançar. Quando nada posso fazer, nada adianta fazer. Mas quando posso fazer algo, por que opto por nada fazer? Por que quero fazer nada?

Hoje vi um elefante, mas ignorei-o. E se não mais o vir?

Thursday, January 31, 2008

A loser in this game of love

Uma Cadeira Vazia, Foto: Adriano Cerqueira
Já passou tanto tempo. Não me lembro de datas, não tenho noção do tempo. Lembro-me das faces. Lembro-me dos momentos. Lembro-me da dor. Mas não me lembro de mais nada.

Não me lembro da felicidade. Não me lembro dos bons momentos. Não me lembro de sentir. Não me lembro de amar. Não me lembro, pois não há nada para relembrar.

De que vale o apelo de alguém capaz de trocar todas as suas memórias pela amnésia de algo que nunca teve? Vejo esse alguém, como a mim próprio, e não percebo o porquê dele continuar a participar num jogo em que nunca conheceu o sabor da vitória, ou qualquer outro sabor, se formos realistas.

Agora que o vejo novamente a arriscar, continuo sem perceber o que o move. Por que pensa ele que será diferente desta vez? Como consegue uma pessoa não se fartar das mesmas respostas? Das mesmas frases? Das mesmas desculpas?

Vale a pena ser continuamente trespassado e remetido para um ressentimento intenso? Ressentimento esse, que o transfere para um mundo demasiado obscuro e vil, repleto de indiferença, e dor.

O que é esse pote dourado que este sujeito tão tristemente procura, deixando-se levar pelas ondas e intrigas de um destino cruel, que irrisoriamente tenta transformar a sua vida numa cósmica anedota?

Será essa miragem tão valiosa que o faça continuamente insistir, e continuar a levantar-se por mais vezes que seja ferido, independentemente da gravidade dos seus ferimentos?

Duvido que consigas aguentar mais um golpe profundo, por mais que digas a ti próprio que és capaz. Já imaginaste o que vais perder? Não te lembras de tudo aquilo que passaste? De como te encontras agora? Queres mesmo voltar a passar por tudo isto outra vez?

E se desta vez não te conseguires levantar? Se for este o último aviso antes do fim? Por que jogas vezes sem conta com a tua própria vida? Não tens amor próprio? Julgas-te tão insensível à dor? Não chega? Não estás farto? Porquê?

Porque vale a pena. Porque ela vale a pena.