Saturday, September 15, 2012

Esmiuçar a crise

Todos se queixam, alguns a ultrapassam, poucos a compreendem. A crise é uma palavra que nos últimos anos se tem espalhado de forma viral pela boca dos portugueses. Passou a ser parte do nosso dia-a-dia, virou cliché, e fomenta quase a totalidade das conversas do povo desinformado que poucos ou nenhuns assuntos de interesse tem para partilhar com o resto do mundo. Mas falar de crise parece não passar de uma catarse de desespero e queixas, sem se ver um verdadeiro debate sobre potenciais soluções para nos livrarmos dela.

De um ponto de vista sociológico a crise teve início no dia 11 de Setembro de 2001. O medo de ataques terroristas aparentemente aleatórios em países que há muito tempo gozavam de um ambiente de paz e segurança, fez com que as pessoas aderissem à ideologia do “só vivemos uma vez” e temos que “aproveitar o dia de hoje e esquecer o amanhã”. Isto levou a que muitas famílias, principalmente das classes média e baixa, parassem de adiar futuros investimentos e recorressem ao crédito para comprarem casas, carros, gadgets e afins. Isto despoletou um crescimento nunca antes visto nos mercados de crédito, no imobiliário e no sector financeiro. As famílias aceitaram sobreendividarem-se em troca de um nível de vida superior àquele que os seus salários permitiam. Para quê guardar e pagar amanhã se posso pedir crédito e pagar hoje?

A parte mais curiosa é que tudo isto seria aceitável, desde que as pessoas mantivessem os seus empregos e que os seus salários continuassem a subir superando todos os anos o valor da inflação. Contudo, tal utopia cedo se mostrou catastrófica graças ao rápido crescimento económico dos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). A mão-de-obra barata e um regime de esclavagismo que ignora por completo os direitos dos trabalhadores em alguns destes países, levou a que as grandes empresas norte-americanas e europeias deslocassem para lá as suas fábricas. O baixo custo de produção levou ao encerramento de muitas indústrias em países europeus e nos EUA. Como as fábricas começaram a fechar, os trabalhadores foram para o desemprego, deixando-os sem possibilidade de pagar os seus créditos. Iniciou-se assim um efeito dominó que culminou na explosão da bolha imobiliária dos EUA no ano de 2008.

Como os trabalhadores das fábricas ficaram desempregados, ou viram os seus salários reduzidos, o seu poder de compra diminuiu. As pequenas empresas de bens não-essenciais deixaram de ter clientes e elas também começaram a falir. Os serviços viram-se forçados a reestruturar a sua política económica o que levou a mais despedimentos e a um constante agravamento dos impostos, o que resultou num forte corte dos salários.

Com um menor poder de compra e com o já referido sobreendividamento das famílias, estas deixaram de ter dinheiro para pagar os seus créditos. Algumas deram a volta e passaram a viver a um nível mais adequado àquele que os seus salários proporcionavam, contudo, já era tarde demais. Como as pessoas deixaram de pagar os créditos, ao mesmo tempo que deixavam de ter dinheiro extra para depositar nas suas contas, os bancos começaram a ficar sem dinheiro. Embora fossem capazes de reaver as casas, carros e afins nos quais os seus clientes tinham investido, os bancos mesmo que os conseguissem vender, nunca conseguiriam repor na totalidade o dinheiro investido. Desta forma não tiveram outra solução que não falir ou então recorrer a dinheiros públicos para se tentarem salvar.

Endividamento em cima de endividamento levou a que os défices da grande maioria dos países ocidentais subissem a pique. O povo não tinha poder de compra, o desemprego continuava a subir e os pagamentos ao estado a baixar.

Outro fenómeno que contribuiu para esta situação foi o crescimento do Euro. A moeda única quando surgiu tornou-se muito atraente para os mercados internacionais. Uma moeda forte suportada pela economia europeia que era mais barata que o dólar. Isto levou a que muitos países, nomeadamente os sul-americanos, optassem por usar o Euro como moeda de câmbio, em detrimento do dólar, nas suas transacções internacionais. Como se a crise económica não bastasse, os EUA viviam assim uma forte ameaça a uma das suas principais fontes de financiamento, as transacções internacionais. O dólar desvalorizou e o Euro cresceu, chegando mesmo a igualar a libra, uma das moedas europeias mais valorizadas a nível internacional. Os EUA olharam para isto como uma oportunidade e optaram por manter o dólar baixo. A Europa virou vítima do seu próprio veneno e o dólar começou a recuperar terreno nos mercados internacionais. O Euro desvalorizou e perdeu terreno.

A crise chegou à Europa através dos pequenos países na periferia da Zona Euro. Portugal, Grécia e Irlanda, eram países aliciantes para o investimento internacional dado o seu baixo custo de produção, contudo, incapazes de rivalizar com os BRIC ou até mesmo com os países da Europa de Leste. Como se isto não bastasse, a Grécia apresentou uma agravante crise de corrupção ao mais alto nível em todo o seu sector público. Há anos que o governo grego adulterava as suas contas para parecer um país cumpridor. Mas as mentiras apenas os conseguiram levar até um certo ponto. Quando a verdade emergiu os mercados internacionais e as agências de rating perderam confiança na Grécia e na União Europeia. Isto fez com que o investimento parasse e com que a dívida externa passasse a ser negociada com juros muito elevados e incomportáveis por parte deste país. A União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI) entraram em acção e tentaram ajudar a Grécia, mas o nível de corrupção era demasiado profundo e ainda hoje esse problema parece estar longe de ser resolvido.

O caso Português é sintomático do que se passa no resto da Europa. A instabilidade política provocada pelo PSD aquando da tentativa de aprovação do PEC IV por parte do governo de Sócrates foi a última palha nas costas do nosso camelo económico. Temendo que Portugal se acabasse por tornar numa nova Grécia, os investidores internacionais perderam a confiança em nós e obrigaram-nos a pagar juros surreais, tudo por causa de um aparente mal-entendido e do despertar de uma desconfiança pornográfica na nossa capacidade de ultrapassar as diversidades financeiras.

Somos vítimas de uma ideologia que assolou o mundo ocidental após o 11 de Setembro de 2001. Somos vítimas de nós próprios por tentarmos viver acima das possibilidades, mas acima de tudo somos vítimas da actual realidade europeia da qual parecemos apenas ser parte do problema e não da solução. Portugal foi em tempos o país exemplo de como a União Europeia poderia funcionar como um elemento fomentador de crescimento. Hoje temos que voltar a ser o exemplo de como somos capazes de ultrapassar a crise e de retomar uma estabilidade económica que permita ao Euro estabilizar-se, dando espaço para os mercados recuperarem e incentivarem o investimento e a subida do emprego. As soluções estão à nossa volta, e já demonstrámos a perseverança necessária para alcançarmos a estabilidade económico-financeira que tanto almejamos. Sim, é o momento para sacrifícios, mas são sacrifícios necessários para que no longo prazo sejamos capazes de recuperar a nossa confiança de forma a que esta não mais volte a ser questionada e abalada por factores externos.

Sunday, August 12, 2012

Londres 2012: Prata na Canoagem. Adeus e até 2016!

Emanuel Silva e Fernando Pimenta, Medalha de Prata na prova K2 1000 metros (Canoagem)
Chegados ao fim dos Jogos Olímpicos de Londres está na hora de fazer as devidas despedidas e de guardar as bandeiras do olimpismo até 2016. Como adepto de desporto e não apenas de futebol entristece-me ver os comentários dos leigos de bancada que criticam fervorosamente os atletas portugueses. Ao contrário do que a maioria de vocês pode retirar desta frase, eu até apoio que comecemos a exigir mais dos nossos atletas. Um dos primeiros passos para a vitória é a exigência de qualidade.

Recordo-me de em 2009 estar a ver a final do triplo salto nos Mundiais de Atletismo.  O Nélson Évora, campeão olímpico, defendia o título mundial obtido em 2007. Nunca nenhum atleta na história do triplo salto tinha conseguido se sagrar bicampeão do mundo. Enquanto assistia à prova, que terminou com a medalha de prata para Nélson Évora, reparei que os poucos adeptos que estavam a assistir estavam a apoiá-lo com uma forte confiança de que ele seria capaz de alcançar esse feito inédito. Quando tal não se concretizou, limitaram-se a dar os parabéns e a festejar efusivamente como se de uma vitória se tratasse. Eu critiquei-o e disse que ele tinha obrigação de fazer melhor. Por esse comentário fui vítima de uma inconsequente perseguição. Embora reconheça o mérito do atleta português, assim como o do britânico que se sagrou campeão do mundo nesse ano, não concordo com a atitude de celebrar as pequenas vitórias morais. Temos que ser exigentes com os nossos atletas para que eles sejam exigentes com eles próprios de forma a motivá-los para irem mais longe daquilo que eles pensam que são capazes de alcançar.

Mas de regresso ao fenómeno dos Jogos Olímpicos. Ao contrário das últimas edições, nesta não eramos favoritos a nenhuma medalha. O mais natural teria sido sair de Londres de mãos a abanar. Mas graças ao esforço e dedicação de Emanuel Silva e Fernando Pimenta, conseguimos uma medalha de prata, a primeira na história da canoagem portuguesa. Mas a história da participação portuguesa nestes Jogos Olímpicos não se resume apenas a esta medalha. Vimos uma selecção de ténis de mesa a chegar aos quartos-de-final e a discutir de igual para igual com uma das principais selecções do mundo nesta modalidade. Só não chegámos às meias-finais por uma nesga de sorte. A vela, o atletismo e novamente a canoagem lograram-nos vários diplomas olímpicos (prémios atribuídos a atletas que se classificaram entre o 4.º e o 8.º lugar de uma competição). Batemos recordes nacionais na natação, vimos o Rui Costa a lutar por uma medalha no ciclismo, mantendo-se sempre na frente da corrida ao longo da prova. Ficámos em 23.º lugar na nossa primeira participação no BTT quando o mais optimista dos apostadores dizia que o David Rosa nem sequer ia ser capaz de terminar a prova. Sim, o Judo foi uma desilusão. Tínhamos a obrigação de fazer melhor e não conseguimos. Mas fora isso, tendo em conta as ausências de alguns dos nossos melhores atletas como o Nélson Évora, a Naide Gomes e a Vanessa Fernandes, levar de Londres o 69.º lugar e uma medalha de prata já é muito bom.

Contudo, em todos os Jogos Olímpicos levanto uma questão: Onde estão os nossos desportos colectivos? Aceito que o nosso basquetebol, andebol e voleibol ainda estejam a crescer e que o nosso pólo aquático e hóquei em campo sejam demasiado amadores para aspirar ao brilho olímpico, mas então e o futebol? Somos um país de futebol não somos? Que é feito dos nossos sub-21? Porque é que desde 2004 não somos capazes de nos classificar para um campeonato europeu que dê acesso aos Jogos Olímpicos? Ou melhor, porque é que quando nos classificamos não conseguimos alcançar um dos lugares de acesso? Embora o futebol, tal como o ténis, seja um dos desportos olímpicos que geralmente passa ao lado das grandes estrelas da modalidade, não devia ser isso uma motivação para os nossos jogadores quererem participar? Deixamos selecções de menor gabarito levar medalhas enquanto ficamos em casa a preparar as pré-épocas dos clubes quando podíamos estar a lutar pela glória do pódio olímpico.

Se em muitas modalidades ainda não temos estaleca para exigir títulos, porque não o fazemos com o futebol?

Mas o verdadeiro grande problema é o facto de que passada esta fase de euforia após o final dos jogos, não voltaremos tão cedo a ouvir falar de canoagem, de ténis de mesa, de vela ou de judo. Volta e meia talvez vejamos uma notícia ou outra sobre atletismo e quanto ao ciclismo há sempre a Volta a Portugal e o Tour de France. Já o BTT também vai continuar na gaveta até 2016. Isto não pode continuar assim. Temos que ser exigentes com os nossos atletas mas também com a comunicação social e com nós próprios. Dizem-se adeptos de desporto? Não se limitem a ver apenas os jogos do nosso campeonato de futebol, vejam atletismo, andebol, voleibol, basquetebol, natação, ciclismo, judo. Vejam ténis de mesa! Apoiem os nossos atletas olímpicos. Do voleibol de praia ao hóquei em campo, apoiem mesmo aqueles que à partida não vão conseguir se qualificar. As melhores histórias são feitas de underdogs, dos pequenos que passavam despercebidos mas que conseguiram alcançar a glória. E não é melhor estar lá a acompanhá-los desde o início em vez de comemorar as medalhas após o acto?

Não deixemos que o fim destes jogos signifique um “adeus, até 2016” para as modalidades. Apoiem o desporto português, dediquem-se às modalidades, parem de dar apenas atenção ao futebol. Exijam mais do nosso desporto e verão que os resultados vão surgir o quanto antes. Acreditem nos nossos atletas e consumam desporto como especialistas e não como meros leigos de bancada.
Para muitos Londres 2012 é um adeus, para mim é um até já.

Tuesday, July 17, 2012

Doze mil visitas


Desde o dia 24 de Janeiro de 2007, o meu blogue foi visto doze mil vezes por um total de oito mil e duzentas e vinte e sete pessoas. Embora este blogue tenha sido criado a 17 de Janeiro de 2006, foi apenas um ano mais tarde que instalei o contador de visitas que optei por manter operacional até hoje de forma a preservar o registo dos mais antigos visitantes do meu blogue, pois embora o próprio Blogger trate de os contabilizar, apenas começou a contá-los em Junho de 2008.

Admito que doze mil visitas em cinco anos e meio é muito pouco, mesmo se compararmos com alguns blogues de âmbito regional ou universitário. O facto de que dessas doze mil visitas apenas 31 % foram repetidas, demonstra que a maioria das pessoas que visita o meu blogue o faz por mera coincidência, não voltando a visitá-lo.

Estatísticas de Utilizadores Únicos desde 24 de Janeiro de 2007

Isto demonstra uma tremenda dificuldade na fidelização de leitores. E porque acontece isto? A meu ver o principal problema prende-se no facto do meu blogue se tratar de um blogue pessoal sem uma temática central e que nunca ou raramente aborda temas da actualidade.

Isto não significa que os blogues de autores não sejam lidos e que não hajam pessoas interessadas em os ler, contudo, esse formato de blogues na maioria das vezes apenas ganha popularidade quando os próprios autores são relativamente conhecidos e considerados líderes de opinião, seja a nível nacional ou mesmo apenas dentro das suas comunidades.

Ser-se conhecido, ter muitos seguidores no twitter e no facebook, ou manter uma temática actual e susceptível de gerar polémica são os principais elementos para garantir a fama, mesmo que momentânea, no universo da blogosfera. Ao analisar as estatísticas do meu blogue vejo que os dois artigos com maior número de visitas são a íntegra publicação do meu relatório de estágio final da licenciatura e uma crónica sobre a transferência de João Moutinho para o FC Porto.

O primeiro, com 1022 visitas até à data de publicação deste artigo, ganha a sua fama provavelmente por causa dos diversos alunos de Ciências da Comunicação, quer do meu curso quer dos vários cursos espalhados pelo país, que ao pesquisarem no Google por relatório de estágio, vêm ter directamente ao meu blogue. Também creio que alguns dos meus colegas o usem como referência sempre que algum caloiro lhes peça um exemplar. Não me importo de ser visto como um exemplo para as futuras gerações de estagiários, contudo, os artigos dedicados à minha vida académica quer na licenciatura, quer no mestrado, representam apenas uma ínfima parte do meu blogue e não é por essa vertente que quero ser referenciado.

Já o segundo artigo mais popular, quase que não precisa de explicação. Afinal de contas os blogues sobre futebol são em Portugal dos mais comuns e dos mais lidos de todos, ao ponto de “João Moutinho” ser o termo pesquisado no Google que mais pessoas usaram para aceder ao meu blogue.

Curiosamente, se tenho alguma popularidade na blogosfera devo essa fama, não a este blogue mas ao meu blogue de contos, o Story Writer. Com 3834 do total de 5116 visitas desse blogue, o artigo O Êxtase de Santa Teresa, uma interpretação de natureza sexual da fábula religiosa com o mesmo nome, é o campeão de vendas de todos os artigos que alguma vez publiquei. Tudo isto porque pelos vistos Santa Teresa é muito venerada no Brasil e o meu artigo suscitou a indignação de muitos dos seus fiéis devotos que chegaram mesmo a publicar comentários gravemente críticos à minha interpretação do êxtase desta freira austríaca.

Futebol e sexo, se quero vender o meu blogue, já sei a receita para o sucesso. Mas se é este o segredo, porque é que o artigo Os Jovens gostam de f*der? apenas teve 56 visitas e nenhum comentário?

Outro dos motivos que apontaram para a minha falta de popularidade foi o facto de eu ser demasiado consensual. Se estivesse agora a falar sobre isto no meu podcast d’A Rádio da Rádio, limitava-me a permanecer em silêncio durante alguns segundos. Infelizmente não posso discordar desta afirmação, eu cometo o “erro” de apresentar sempre os dois lados da moeda e embora defenda a minha perspectiva, na maioria das vezes defendo também os pontos positivos da opinião inversa. Isto não vende. Quando alguém lê um artigo de opinião, fá-lo por dois motivos, ou porque está à procura de alguém que concorda com aquilo em que ele acredita e que seja capaz de o fundamentar com bons argumentos, ou então porque quer ver o que o outro lado diz de forma a poder criticá-lo e incitar uma discussão. Ao ser consensual, não desperto emoções, mantenho as pessoas numa zona cinzenta, numa permanente ambiguidade sentimental e faço-as pensar. Ninguém quer fazer isso. Os leitores querem se apaixonar, revoltar, odiar, apregoar, discutir. Querem tudo, menos consensualidade.

O facto de a maioria dos meus artigos terem mais de três mil caracteres também não ajuda. Ninguém tem paciência para ler um artigo longo online. Mesmo que este seja muito interessante, a maioria dos visitantes recusa-se sequer a ler uma linha se não conseguirem ver o final dentro do comprimento do ecrã.

No Sense of Reason não é propriamente um nome apelativo. Mesmo ao fim de seis anos e meio de existência, ainda há idiotas que olham para o meu blogue e dizem nonsense. Um erro compreensível, visto ser uma palavra mais comum. Também não ajuda que eu seja possivelmente o único fã português de The Other Two.

Talvez ajudasse se o meu blogue se chamasse O Blogue do Zé. Até mesmo Blue Dove, como em tempos se chamou, seria mais apelativo que No Sense of Reason.

Publicar uma média de trinta artigos por ano, chegando a passar mais de um mês sem um artigo novo também não ajuda a manter a fidelidade de um leitor. Contudo, isto é algo que a preguiça e a falta de tempo me tornam incapaz de ultrapassar.

Então perguntam vocês: Se estás consciente disto tudo, porque continuas a fazer o mesmo? Porque para mim o importante não é o reconhecimento ou a fidelidade. Eu escrevo isto para mim. Este blogue existe por mim e para mim. Porque não escreves um diário e guardas apenas para ti? Porque quero que este blogue também seja uma montra para me dar a conhecer aos outros, a quem me é próximo, a quem quero que me conheça. Não faço isto para ser famoso ou para que alguma editora me leia e queira propor um contrato para escrever um livro. Faço isto para que o meu universo saiba aquilo que me acontece e que é importante para mim. Para que sejam capazes de facilmente ver qual a minha opinião sobre certos e determinados assuntos. Para ajudar aqueles que passem por problemas semelhantes aos meus e para os informar e esclarecer dúvidas sobre assuntos que eu domine.

Sou um blogger por mim e por aqueles que me quiserem ler. Sem sentido de existência, organizado no meu próprio caos e ao ritmo que a minha vida permitir.

Believe in me and I’ll believe in you!

Friday, July 13, 2012

Sob Resgate

Ontem à tarde apanhei um grande susto. Daqueles que te fazem beliscar na esperança que seja apenas um pesadelo. Enquanto navegava pela Web apareceu um pop-up que ocupou todo o meu ecrã e que me impedia de aceder fosse ao que fosse. Mesmo o gestor de tarefas estava fora do meu alcance. Esse pop-up alegava que o meu PC tinha sido bloqueado pela Polícia Judiciária Portuguese, não isto não é um erro, estava mesmo escrito Portuguese em vez de Portuguesa. Após o pânico inicial comecei a ler o pop-up com atenção. Além desse erro, os vários decretos-leis lá indicados estavam quase ilegíveis. Pareciam ter sido escritos por crianças de oito anos que tinham estado desatentas ao ditado da professora.

Como se isto não fosse suficiente, esse aviso exigia que eu pagasse nas próximas 72 horas a quantia de R € 100 (cem euros de reais?) através do Ukash. Apesar de isto claramente indicar que se tratava de um vírus, pelo sim, pelo não, liguei para a Cabovisão para confirmar que a minha internet não tinha sido bloqueada pela PJ. Depois deles me terem confirmado que este aviso não passava de um vírus, o meu passo seguinte foi encontrar uma forma de me livrar dele sem ter que formatar o PC.

Nas minhas pesquisas descobri que este vírus chama-se Metropolitan Police Ukash Virus e que surgiu pela primeira vez em Inglaterra no final do ano passado. Desenvolvido por um hacker Russo, este vírus é um formato específico de malware, conhecido como ransomware que, como o próprio nome indica, coloca os computadores sob resgate e impede os utilizadores de fazer seja o que for a menos que paguem a quantia explícita.

Inicialmente encontrei uma página que indicava que para me livrar deste malware tinha que substituir o ficheiro Explorer.exe infectado em Modo Segurança. Assim fiz, mas o vírus não desapareceu. Um dos pontos fracos deste vírus é que se torna inactivo se ligares o computador com a internet desligada. Se assim não o fizeres, o teu PC bloqueia imediatamente no arranque e aparece a mensagem de aviso. Felizmente isto aconteceu-me no meu portátil de 2006 que é tão lento a iniciar que me dava mais do que tempo suficiente para terminar o processo Explorer.exe antes que o vírus aparecesse.

Finalmente descobri a solução para me livrar deste vírus num fórum português sobre malware. Bastava instalar o Malwarebytes e correr o diagnóstico em Modo de Segurança e voilá, três infecções detectadas e eliminadas após duas horas e meia de análise extensiva ao sistema.

Para jogar pelo seguro fiz o mesmo com o meu portátil mais recente, inicialmente desinstalei o Mozilla Firefox e procedi à desinfecção do sistema. Foram encontradas 24 ameaças, nenhuma delas era o tal ficheiro de ransomware, mas mesmo assim, foi da forma que corrigi alguns problemas que tinham passado incólumes ao meu anti-vírus. Porque desinstalei o Mozilla Firefox, estarão alguns de vós a perguntar. Bom, este ransomware infiltra-se nos computadores através de pop-ups infectados e plugins com erros. No meu portátil de 2006, há já vários dias que o Flash Player estava constantemente a dar erro, presumi que tal se devia a um emulador que tinha instalado recentemente e que consumia bastante do processador do PC. O ransomware aproveitou-se desta fragilidade para se infiltrar no meu computador. No meu outro portátil já há dias que não conseguia ver vídeos do Youtube no Mozilla Firefox. Instalei novamente o Flash Player e a situação manteve-se igual. Como conseguia ver os vídeos no Chrome, presumi que fosse algum problema de compatibilidade e decidi esperar para que o Mozilla Firefox se actualizasse. Com medo que o ransomware pudesse já se ter aproveitado desta fragilidade do meu browser, optei por o desinstalar antes de fazer fosse o que fosse.

De certa forma sinto-me orgulhoso de mim próprio por ter sido capaz de resolver esta situação sozinho sem recorrer a qualquer ajuda externa. Há três anos atrás, numa altura em que era tão imprudente que nem sequer usava anti-vírus, fui vítima de um ataque massivo de cerca de 1200 vírus. O meu PC ficou bloqueado e tive que o levar a uma loja de informática para ser limpo e formatado. Na altura esta “brincadeira” custou-me quase 70 euros, por causa de ter ainda que comprar uma licença de anti-vírus.

Quando a licença terminou comecei a usar o anti-vírus gratuito Avast e até ontem não tinha tido nenhuma razão de queixa. Espero agora que o Malwarebytes em conjunto com o Avast sejam capazes de manter os meus portáteis seguros e livres de qualquer tipo de resgate ou spyware.

Da próxima vez que vos aparecer um aviso da Polícia Judiciária Portuguese a dizer que o vosso PC está bloqueado e que têm que pagar uma multa de R € 100 por causa de downloads ilegais e spam, não entrem em pânico, reiniciem em Modo Segurança e instalem o Malwarebytes. Problema resolvido de forma simples e sem qualquer custo.      

Wednesday, July 04, 2012

Grafeno: Potencial na Ponta de Um Lápis

Imagem: Folha de Grafeno
Supercondutores, supercapacitadores e nanotecnologia, são alguns exemplos das possíveis aplicações deste derivado da grafite. Descoberto por Hanns-Peter Boehm em 1962, o grafeno é uma folha plana de átomos de carbono densamente compactados. Considerado um dos materiais mais resistentes até hoje descobertos, este compósito de carbono permite a construção de nanoestruturas com um elevado valor de condutividade e de capacitação de energia.

Por outras palavras, o grafeno permite o desenvolvimento de processadores mais rápidos e compactos, e de baterias de longa duração com aplicações nas áreas da informática, electrónica, na distribuição e armazenamento de energia e no aumento da autonomia dos veículos eléctricos. A investigação desenvolvida no âmbito destras aplicações valeu em 2010 o Prémio Nobel da Física aos cientistas de origem russa Konstantin Novoselov e Andre Geim.

O mais curioso sobre este material é a sua simplicidade. Composto apenas por átomos de carbono, o principal elemento estruturante de toda a vida na Terra, pode ser desenvolvido a partir da grafite, um mineral comum usado em lápis, sim, lápis. Todos os lápis que alguma vez usaram ao longo da vossa vida eram feitos de grafite.

Este mineral constituído apenas por átomos de carbono é, na sua base molecular, muito similar aos diamantes, também estes compostos apenas por carbono. Considerados como as maiores moléculas existentes, os diamantes apenas diferem da grafite na sua ligação entre as várias camadas de carbono. De facto, a própria grafite pode ser transformada em diamantes. Para isso, basta submete-la a pressões e temperaturas elevadas, semelhantes àquelas pelas quais os diamantes passaram nos 3,3 mil milhões de anos que demoraram a ser criados. Sim, esse pedaço de “gelo” que têm no vosso anel de noivado é quase tão antigo como a própria vida – estima-se que os primeiros indícios de vida no nosso planeta remontam à 3,65 mil milhões de anos atrás.

Embora já tenham sido criados diamantes em laboratório através de grafite, não comecem a coleccionar os lápis que têm perdidos lá em casa, pois embora à primeira vista estes falsos diamantes não aparentem ser diferentes das suas cópias reais, têm um valor de mercado insignificante e não passam despercebidos ao mais comum dos ourives. 

Sendo o grafeno um dos principais materiais do futuro, as suas aplicações não se resumem apenas às áreas do processamento e da energia. O desenvolvimento de nanotecnologia com base em grafeno permite que este tenha aplicações em biotecnologia, saúde e ciências biomédicas. Está inclusive a ser desenvolvido no Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa um projecto que potencia o uso de nanotecnologia na distribuição de medicamentos pelo organismo e na detecção de células cancerígenas.

Todo um universo de novas descobertas e desenvolvimento tecnológico em potencial, resguardado ao longo dos séculos na ponta de um simples lápis.