Tuesday, December 11, 2012

Revolution: The Next Big Thing?

Imagem DR
Já pensaram como seria se os criadores das séries Lost e Sobrenatural, J. J. Abrams e Eric Kripke, tivessem um filho? Eu sempre imaginei que o resultado desse eventual casamento seria o Sam e o Dean perdidos numa ilha à procura de uma forma de enviar o monstro de fumo negro e os seus amigos de volta para o inferno, enquanto lidam com as minúcias da sua complexa relação. Sem esquecer que esta nova ilha teria que ter estradas para os Winchester passearem o seu Impala de 67. Já estamos todos fartos das Pães-de-forma azuis claras da Dharma Initiative.

Bom, em vez disso deram-nos Revolution, uma série sobre um futuro pós-apocalíptico onde alguém se esqueceu de pagar a conta da electricidade e o Mundo inteiro acabou às escuras. Sem electricidade, sem carros, sem telemóveis, mas pior que tudo, sem internet. Sim, o vosso pior pesadelo tornado realidade. Como conseguiria a Humanidade sobreviver a um Mundo sem facebook? Não lá muito bem. Por algum motivo que aparentemente só faz sentido nos E.U.A. todos os governos colapsaram, a sociedade quebrou e milícias populares tomaram controlo das armas e do policiamento opressivo dos sobreviventes do holocausto tecnológico. Embora não ache este conceito realista, aceito-o como uma forma de demonstrar o quão frágil e dependente de tecnologia a sociedade ocidental se tornou.

A série segue a viagem de Charlie Matheson que após assistir à morte do pai e consequente rapto do irmão por parte de um grupo da Milícia que controla a região onde eles vivem, decide fazer-se à estrada para encontrar o tio, salvar o irmão e reunir a sua família, agora destroçada. Charlie é acompanhada por Maggie Foster, amante do pai e Aaron Pittman um dos génios da Google que viu toda a sua fortuna desaparecer com o carregar de um botão e que agora limita-se a dar aulas aos miúdos da aldeia onde Charlie vivia. Mesmo antes de morrer, Ben Matheson, dá um misterioso medalhão ao Aaron para ele guardar e avisa a filha para encontrar Miles, o seu tio há muito perdido que actualmente trabalha num bar em Chicago. Não há electricidade mas álcool e armas não podiam faltar.

A série encontra-se actualmente em hiato após a exibição do décimo episódio da primeira temporada e apenas vai regressar no dia 25 de Março de 2013. Esta tem sido uma das estreias mais aclamadas dos últimos tempos com cada episódio a ter uma média superior a 8 milhões de espectadores apenas nos E.U.A., contudo, existem a meu ver algumas falhas que ainda não foram bem colmatadas. Revolution demorou bastante tempo a estabelecer a sua mitologia. Foi necessário esperar pelo episódio sete para começarmos a ter uma ideia daquilo que poderia ter sido responsável pelo inexplicável apagão. Tudo bem que não cometeram o erro de outras séries como Defying Gravity ou John Doe que demoraram tanto tempo a explicar qual o propósito da sua narrativa que acabaram canceladas antes de o puderem fazer.

Eles podiam ter-se limitado a manter um mistério sobre a origem do apagão e dar-nos aos poucos as peças do puzzle, mas em vez disso optaram por manter-nos no escuro ao longo dos primeiros seis episódios para depois mostrarem tudo através de flashbacks. Tudo bem, os personagens continuam ignorantes do que poderá ter passado, mas o espectador não, e isso para mim é bastante frustrante. Ou o faziam logo no início ou então estabeleciam uma mitologia principal com esse mistério secundário como Lost conseguiu fazer e bem na primeira temporada.

As personagens são muito superficiais. Miles Matheson o renegado fundador da Milícia e amigo íntimo do seu actual líder, Sebastian Monroe, devia apresentar-se como o misterioso e complexo anti-herói com uma profunda e obscura personalidade repleta de conflitos internos. Em vez disso temos o Billy Burke com ar de MacGyver aos gritos e a fazer todas as vontades que a sobrinha lhe pede por mais idiotas e irresponsáveis que sejam. Mas que podíamos esperar do actor que faz o papel de pai da Bella na saga Twilight? Só faltava o Mark Pellegrino voltar a surgir nalgum papel de mentor ou inimigo. Espera, isso acontece mesmo! O Eric e o J. J. devem ter uma queda por este actor.

Apesar destes defeitos, Revolution apresenta-se como uma boa série de ficção científica repleta de acção e com alguns bons motivos para manter o espectador atento. A primeira metade da temporada desta série deixou-nos com um forte cliffhanger, que certamente fará com que o maior dos cépticos não se esqueça de dar uma espreitadela no próximo episódio quando a série regressar do hiato de Inverno.

Revolution é uma série com uma excelente premissa que ainda não encontrou bem o seu melhor caminho e que até agora tem sofrido bastante com alguns erros de casting que podiam ter sido facilmente corrigidos durante as gravações, mas, a meu ver, já é tarde demais.

Se calhar estavam à espera que eu falasse do Tom Neville, como ele é o perfeito inimigo repleto de profundos conflitos interiores que um dia talvez o irão levar a dar o braço a torcer e a juntar-se aos rebeldes. Contudo, depois de ver este actor como o espelho mágico da Regina e o jornalista cobarde de Once Upon a Time, não lhe consigo dar qualquer credibilidade.

Vou continuar a seguir a série com o único argumento de que se pusermos isto tudo de lado, continuamos a ter uma história interessante e repleta de acção que me deixou com curiosidade suficiente para descobrir o seu fim. Além disso estamos a falar do J. J. Abrams e do Eric Kripke, os dois devem ser capazes de se lembrar de alguma coisa para tornar isto bem mais apelativo.

Monday, December 10, 2012

Natal menos iluminado

Foto: Adriano Cerqueira
Uma das minhas preferidas tradições natalícias sempre foi passear pelas ruas do Porto em Dezembro para ver as luzes de Natal. Já muito antes de escolherem os Aliados como o local predilecto para erguer a maior Árvore de Natal da Europa, várias famílias aproveitavam os feriados e os fins-de-semana de Dezembro para passear pela Invicta e admirar as montras e as ruas enfeitadas com um caloroso espírito natalício.

Esta é uma tradição que mantenho ainda hoje. Contudo, desde o ano passado que denoto um menor investimento da Câmara Municipal na iluminação de Natal. Nos últimos dois dias passeei pelas ruas do Porto ao final da tarde, já com o céu escuro como breu, e as únicas luzes que vi acesas foram as da Árvore de Natal em frente à Câmara e algumas luzes pontuais numa ou outra rua. Embora quer os Clérigos, quer Cedofeita tivessem os enfeites montados, estes permaneceram apagados. De que vale ter luzes de Natal se não têm qualquer intenção de as ligar?

Eu compreendo que os tempos sejam de poupança e que as luzes de Natal não figurem no orçamento da Câmara como algo prioritário, contudo, é bem possível fazer algo belo e digno de personificar o espírito natalício com um baixo orçamento. Já vi uma tentativa de originalidade criativa ao colocarem nos Aliados baloiços com as palavras Porto, Natal, Amor, Sonho, Abraço, Festa, Paz, Magia e Família, onde casais, famílias e grupos de amigos se podem sentar e tirar uma foto com o edifício da Câmara como pano de fundo. Mas porquê ficarem-se apenas por aí? Não exijo que todos os anos se construa a maior Árvore de Natal da Europa nos Aliados, uma árvore como a actual árvore dourada serve, mas porquê manter as restantes ruas às escuras?

Ontem vi algumas fotografias do festival das luzes em Lyon. A fachada de alguns edifícios emblemáticos da cidade tinha-se transformado numa tela de luz para a imaginação de um qualquer artista. Um belo espectáculo que atraiu milhares de turistas à cidade apenas para o presenciar. As luzes de Natal eram em tempos um dos principais postais de visita da cidade do Porto. As pessoas não se deslocavam lá apenas por causa das montras ou das promoções. Famílias inteiras faziam uma verdadeira peregrinação apenas para ver as luzes.

Na semana passada fui a Aveiro e, ao passar pelo centro de Estarreja, vi uma praça iluminada e com uma Árvore de Natal melhor decorada que a de Ovar e até mesmo que a do Porto. Como pode um município tão pequeno quando comparado com a Invicta ter melhores decorações natalícias?

A Madeira foi muito criticada pelo dinheiro gasto no fogo-de-artifício na passagem de ano quando semanas antes se tinha descoberto um buraco de 6 mil milhões de euros no seu défice. Contudo, não reduziram um cêntimo sequer do seu investimento no espectáculo de Ano Novo. Sim, investimento. As Câmaras Municipais não podem olhar para as decorações, para os espectáculos e, já agora, para a cultura como gastos, mas sim como investimentos. Investimentos que atraem turismo e turismo que atrai comércio e compradores.

Não acabem com esta tradição. Não a deixem morrer. O Porto é mais belo no Natal que em qualquer outra altura do ano, não deixem as suas luzes se apagarem. Mantenham-nas acesas e relembrem a cada ano que passa com orgulho o quanto a Invicta contribui para manter acesa a chama do espírito natalício.

Fintar o Desassossego

Ontem vi alguém a queixar-se do desespero que é não ter nada para fazer. Como nestes dias gozo da mesma aflição, não posso deixar de sentir algum nível de empatia por essa pessoa. Embora a maioria das pessoas que possuem vidas atarefadas, repletas de funções e obrigações que lhes são impostas pelas suas vidas profissionais e pessoais, chegue sempre a um ponto em que desejam por dias sem nada para fazer, quando finalmente os têm deparam-se com o mesmo dilema que eu hoje partilho.

Acreditem, não existe ninguém que adore ter dias sem nada para fazer mais do que eu, contudo, embora esses dias funcionem como uma necessária catarse após um longo período de trabalho e demais afazeres, quando esses dias de perpétua pasmaceira tendem-se a prolongar por um período indefinido, mesmo a batata de sofá com as maiores raízes começa a sentir-se aborrecida.

Ter nada para fazer, além de um oximoro, é para muitos um incontornável desassossego. Como combater um sentimento perpétuo de ennui? A simplicidade da resposta é proporcional ao alcance da tua imaginação (sinto-me tão sujo por ter sentido a necessidade de recorrer à segunda pessoa, mas paciência, está feito). Visto que as regras de transferência e distanciamento já foram quebradas, vou tomar a liberdade de vos contar o meu método pessoal (isto é extremamente redundante e desnecessário, afinal de contas este artigo de opinião existe apenas para expressar a minha opinião e não a de mais ninguém) para fintar o desassossego (isso, usa o título, já estás a ficar sem ideias não estás?).

Na vanguarda mantenho um eterno lugar marcado para a escrita, seja ela através de artigos de opinião, entradas de diário, contos, ou até mesmo do ocasional poema (isto para não falar de parênteses irritantes que constantemente interrompem o meu próprio raciocínio). Mas como alguns de vocês já devem ter reparado pela própria existência (ou até diria melhor, persistência) desta temática, nem sempre é fácil encontrar uma musa capaz de te inspirar através de um simples estalar de dedos. Acho que já perdi horas, se não mesmo dias, da minha vida a olhar para páginas em branco e a apagar frases sem nexo enquanto aguardava por aquela centelha de inspiração que me permitiria escrever algo que valesse a pena ser guardado ou até mesmo publicado. Dada esta dificuldade de pôr em papel aquilo que pensamos ou que imaginamos (falo agora da escrita como poderia falar do desenho ou de outra qualquer forma de arte), não o considero como o método principal de combate à inércia do aborrecimento. Contudo, o processo criativo mantém-se na linha da frente como a principal arma do nosso arsenal.

Seguem-se as minúcias típicas do lar. O quarto por arrumar, os arquivos, livros, papéis, discos e DVDs por organizar, o armário desarrumado, o ambiente de trabalho desorganizado ou a casa por limpar. Mas estas necessidades, pela sua natureza de obrigatoriedade, tornam-se monótonas, repetitivas e, acima de tudo, aborrecidas, o que as força a encaixarem-se na categoria de “deixar para amanhã”. Visto que elas se encontram constantemente no canto do teu pensamento, motivares-te a tratar delas pode ser uma boa forma de dares o pontapé inicial na rotina do fazer nenhum.

De seguida deixo lugar para as viagens. Sejam elas físicas, mentais, espirituais ou meramente imaginárias. Viaja. Dá uma volta pela tua cidade, pelo teu distrito, pelo teu país, pelo teu continente, pelo mundo. Pelo Universo se for possível. Não te deixes barrar por fronteiras sejam elas quais forem. Se a viagem física não te for possível, ou se não tiveres dinheiro para o fazer, lê, vê filmes, vê televisão. Navega na internet. Fala com pessoas. Lê artigos. Lê jornais. Aprende. Ensina. Alimenta-te de conhecimento. Dá uma volta ao teu quintal e brinca com o teu gato. Observa as flores e os pequenos insectos que as envolvem. Vai à praia e foca-te no horizonte. Se nada disso te inspirar nem que seja para escrever ou para fotografar um qualquer momento, pelo menos queimaste algumas horas do teu tempo.

Envolve-te. Inscreve-te em cursos. Vai a palestras. Cria um projecto com os teus amigos. Por mais banal que seja vai permitir-te ausentares-te do teu ser e obrigar-te a cumprir e a executar tarefas. Combate a rotina com rotina. Cria, produz, usa, abusa, mas acima de tudo não pares.

Faz exercício. Não precisas de ginásio, calça umas sapatilhas e vai correr. Corre até à praia ou até ao topo da tua serra. Fita o teu caminho, imagina-o e congratula-te por teres chegado tão longe.

Nada para fazer é a perfeita desculpa para fazeres algo. Para fazeres algo de ti próprio. Para fazeres algo mais que aquilo que esperavam de ti. Deixa-te envolver pelo bichinho da criatividade e cria. Projecta. Desenvolve. Publica. Vende. Dá. Partilha. Faz o que quiseres mas faz.

Aproveita agora antes que te voltes a ocupar e deixes de ter tempo para tudo isto. O teu Mundo espera por ti. Ergue-te do sofá e caminha.

Thursday, December 06, 2012

E depois do Adeus

Quando era pequeno gostava de atirar pedras para a Ria e tentar fazer com que elas ressaltassem na superfície da água o máximo de vezes possíveis antes de acabarem por inevitavelmente se afundarem no lodoso leito daquele curso salgado.

Com o tempo aprendi que as pedras mais lisas e achatadas conseguiam atingir uma maior distância e chapinhar mais vezes na superfície que as restantes. No fim de contas, todas elas acabavam por se afundar, algumas mais graciosamente que as outras, algumas conseguiam ir mais longe, durar mais tempo na superfície e causar ondas que se prolongavam no tempo e na superfície da Ria muito depois da pedra ter atingido o fundo.

Mas por mais belo ou efémero que fosse, o seu momento terminava. Procurava por outra pedra. No início qualquer uma servia. Com o tempo subi a parada. Apenas as pedras perfeitas eram dignas de assumir tamanha responsabilidade. Quando não conseguia encontrar nenhuma, trocava de local e começava de novo. Uma constante demanda por aquela pedra perfeita capaz de atravessar até à outra margem, ou de desaparecer no horizonte, deixando apenas as suas ondas como prova do seu feito.

Não é necessária muita experiência no mercado de trabalho para aprendermos que fazer ondas e perturbar a superfície nem sempre é positivo. Tal decisão deve ser algo ponderada e fortemente fundamentada por argumentos sólidos e inquebráveis. Talvez o mais difícil de tudo isto é executá-lo de forma a parecer um acto espontâneo de um brilhantismo atípico e perspicaz. Mas quando o fazemos, quando conseguimos acertar no momento e nas palavras exactas, chamamos toda a atenção daqueles que importam para nós, passamos a ser vistos com respeito e o nosso potencial passa a ser reconhecido e analisado sob outro prisma. As responsabilidades são também acrescidas, mas é um preço que estás disposto a pagar pelas regalias que daí advêm. 

Por mais vezes que te vejas forçado a engolir em seco, deves guardar as tuas armas para as lutas que merecem ser travadas. Mas quando o momento surgir, deves erguer-te acima daquilo que é esperado de ti mesmo e insurgir-te contra as injustiças que acabaste de testemunhar.

No fim de um emprego, após o término do contrato, nada há a fazer. Agradeces, apertas a mão, actualizas o teu CV e o teu portfólio, despedes-te e segues em frente. Comentas com os teus familiares, amigos e ex-colegas sobre tudo o que se passou de errado. A falta de organização, as condições precárias de ambiente de trabalho, as horas extra de trabalho forçado não pagas, as falhas na atribuição das regalias básicas, as ameaças e as humilhações. Comentas, ris-te, esqueces e segues o teu caminho. Elogias toda a gente e enches o teu diário de coisas positivas. Focas-te no resultado, deixas de comentar o processo, orgulhas-te por aquilo que fizeste e aguardas pelos inevitáveis elogios e críticas. Impressionas um novo empregador e começas o processo de novo na esperança de encontrar algo mais seguro, mais duradouro, com melhores condições e onde te possas sentir valorizado e respeitado.

No final do dia, regressas àquela margem, viras as costas para o pôr-do-sol e procuras por aquela pedra perfeita. Sentas-te na areia a apreciar as suas ondas, fotografas o momento na tua memória e focas o olhar no horizonte.

Talvez seja desta que vais conseguir chegar à outra margem. 

Wednesday, December 05, 2012

As Terras do Meu Verão

Foto: Pôr-de-sol em S. Jacinto. Autor: Adriano Cerqueira
Portugal
  • Albergaria (Visita)
  • Aveiro (Visita, Compras&Utilidades)
  • Braga (Visita, Noite UPS)
  • Campo de Gerês (Estadia)
  • Carcavelos (Praia e Estadia)
  • Coimbra (Repérage)
  • Esmoriz (Visita)
  • Espinho (Visita)
  • Fátima (Visita)
  • Feira (Visita, Feira Medieval)
  • Ilha do Ermal (Visita)
  • Lisboa (Repérage, Gravações e Visita)
  • Oeiras (Repérage e Gravações)
  • Oliveira de Azeméis (Visita)
  • Pinheiro da Bemposta (Visita)
  • Porto (Repérage e Gravações)
  • S. Bento da Porta Aberta (Visita)
  • S. Jacinto (Visita)
  • S. João da Madeira (Visita, Compras&Utilidades)
  • Senhora da Lapa (Visita)
  • Torreira (Almoço e Visita)
  • Ul (Visita)
  • Vieira do Minho (Almoço e Visita)
  • Vilarinho das Furnas (Visita e Praia)