Monday, August 30, 2010

As Terras do Meu Verão

Foto: Mar do Furadouro, Ovar; Autor: Adriano Cerqueira
Portugal
  • Aveiro (Visita, Compras&Utilidades)
  • Carriço (Almoçar)
  • Coimbra (Visita)
  • Faro (Aeroporto)
  • Fátima (Visita ao Santuário e Igreja da Santíssima Trindade, Compra de Estrelinhas de Fátima)
  • Figueira da Foz (Visita)
  • Leiria (Passagem)
  • Lisboa (Jantar, Transbordo, Walking with Dinosaurs: The Live Experience)
  • Oliveira do Douro (Visita)
  • Porto (Cinema)
  • São Jacinto (Viagem de Bicicleta)
  • Torreira (Praia)
  • Vila Nova de Gaia (Transbordo)

Alemanha
  • Colónia (Visita, Dormida)

Holanda
  • Amesterdão (Visita)
  • Haarlem (Visita)
  • Keukenhof (Visita)
  • Roterdão (Almoçar, Visita)
  • Santpoort (Dormida, Visita, Praia)

Bélgica
  • Bruges (Dormida, Visita)
  • Bruxelas (Visita)
  • Charleroi (Aeroporto)
  • Leuven (Dormida, Visita)
  • Waterloo (Visita)

Saturday, August 21, 2010

Uma Vez, Só por Uma Vez

Sorte. É algo que nunca tive. Não a sério. Uma vez ganhei um passe InterRail num passatempo da CP e não o pude usar, pelo menos, não da forma que gostaria. A única outra coisa que alguma vez ganhei foi uma máquina fotográfica descartável num sorteio da Windsor School, a minha antiga escola de Inglês. Tirei umas duas fotos e não mais a usei, quando me lembrei de a usar o prazo de validade já tinha expirado e as fotos que continha estavam estragadas.

Ao crescer sempre tive que fazer o dobro do esforço para alcançar aquilo que queria. As coisas que para os outros estavam ao alcance de um pedido ou de um simples gesto, sempre exigiram de mim um processo bem mais intrincado e complexo. Era o miúdo da Bonjóia, com cara de idiota, que provavelmente nunca iria longe. Acabava sempre por lhes provar o contrário.

Nunca fui bom com primeiras impressões, se alguém não se der ao trabalho de me conhecer – e, normalmente, apenas o fazem por imposição ao invés de verdadeiro interesse – ficam para sempre com uma ideia errada de mim. A nível académico e profissional sempre foi assim. Raro foi o professor que não me achava ignorante até ao momento do primeiro teste em que as minhas notas geralmente lhes surpreendiam e passavam a tratar-me com algum respeito e menor preconceito.

Aos 13 anos estava a passar férias com os meus pais em Quarteira, no Algarve. Eles tinham ido ao mercado comprar sapateiras e eu tinha ficado no apartamento sozinho. Decidi então ir jogar à bola para o quarto, até hoje não sei bem porquê, devia estar mesmo aborrecido. Rematei a bola contra o espelho e ele partiu-se. Não sou muito supersticioso mas dado a minha constante onda de má sorte, encontrei nesse episódio a única explicação lógica para o que se passava comigo. Esperei sete anos e quando o dia finalmente chegou, nada aconteceu. Tudo permaneceu na mesma. Comecei então a pensar que talvez o meu azar se devesse a algo mais do que uma mera maldição.

A primeira vez que levei o meu carro ao Porto, fiquei sem combustível em ambos os tanques – o meu carro é a GPL, por isso tem dois – em plena hora de ponta no meio do acesso da Ponte da Arrábida ao Campo Alegre. Por algo que até hoje reconheço como um pequeno milagre, consegui voltar a ligar o carro e levá-lo até à bomba de serviço mais próxima. Até hoje ainda não devolvi o funil que me emprestaram para pôr a gasolina no depósito, visto que tive de deixar o carro num parque de táxis e ir a pé até à bomba para ir buscar um garrafão de combustível. Sim, garrafão, os bidões já tinham esgotado por isso tive que comprar um garrafão de água, deitar a água fora e enchê-lo com gasolina na bomba. Descobri que a gasolina da Repsol é azul escura, por isso não foi um total desperdício de tempo e dinheiro.

Nesse mesmo dia quando me preparava para regressar a casa descubro um enorme risco na porta do lado do passageiro, risco esse que lá ficou até ao inverno passado em que dois mecânicos decidiram pintar o meu carro sem me consultar. Foi a sua prenda de natal para mim, uma prenda que me custou 400 €, mas pronto.

Terminei o 12.º ano em 2006. Fui o melhor aluno do meu liceu e por isso recebi um certificado e uns vales Fnac no valor de 45 €. No ano seguinte o ministério da educação teve a brilhante ideia de premiar os melhores alunos com cheques de 500 €, sem efeitos retroactivos, claro.

Mesmo na faculdade, raros foram os momentos em que a sorte me sorriu. No último semestre grande parte dos meus colegas passou a odiar-me pelo simples facto de alongar a minha decisão sobre que estágio escolher, decisão essa que punha em causa o futuro de um dos rapazes mais populares, cuja média não era suficiente para ele escolher o estágio que quisesse.

Ninguém se importou em perguntar qual o motivo por trás da minha indecisão. Eu só estava a passar por um dos piores momentos dos últimos anos. No dia em que estava prestes a entregar a minha ficha de candidatura a estágio, aliás no exacto momento em que a preenchia, a rapariga de quem gostava chamou-me para fora da sala e simplesmente disse-me que não havia qualquer hipótese de alguma vez existir algo entre nós.

Sim, naquele momento a única coisa que me apetecia fazer era tomar uma grande decisão que iria influenciar a minha vida para os próximos seis meses. Enfim, talvez eles nunca tenham passado por um mau momento em que se viram forçados a dar prioridade a coisas mais importantes, talvez seja eu o único marcado pela sina da má sorte.

Nesse dia, depois de conversar com ela, saí da faculdade em direcção ao Campo Alegre – ironia, eu sei – para ter a já habitual aula de Russo – sim, era uma quarta-feira –, chovia bastante e decidi tomar um atalho por uma pequena viela em empedrado, com uma descida bastante íngreme. Pareceu-me ver algo em cima do guarda-chuva, distraí-me por um segundo e caí de frente. Magoei-me nas mãos e os meus joelhos começaram a latejar, levantei-me, sacudi alguma da lama e fui directo para a aula. Ainda me consegui limpar o suficiente para que nenhum dos meus colegas reparasse no estado em que eu estava.

Devido à minha indecisão uma das pessoas que tinha como amiga e cuja minha admiração por ela era, e é, bastante alta, começou aos gritos comigo. Hoje já fizemos as pazes, mas foi naquele momento que tive a confirmação que o Porto, que a minha cidade, não tinha lugar para mim. Cometi um erro ao escolher ir estudar para lá, cometi um erro ao escolher aquele curso, e este parecia apenas o início de novas tormentas que o futuro adivinhava.

Não costumo ganhar, aliás é muito raro. Seja jogos como cartas, Uno, xadrez, damas, Monopólio, Cluedo, ou desportos como futebol, andebol, basquetebol ou outra coisa qualquer. Apenas na natação consegui algumas vitórias, mas isso foi em outros tempos. No secundário, quando jogávamos futebol, sempre que eu marcava um golo festejava efusivamente a correr pelo campo todo com os braços abertos para ir abraçar o guarda-redes. As pessoas perguntavam-me porque reagia daquela forma por causa de um golo que pouco ou nada valia, mas quando recebia um 20 num teste simplesmente aceitava e voltava para o meu lugar. A resposta é simples: sorte. Um golo é sinónimo de esforço e um pouco de sorte à mistura. Sorte, essa coisa que não sei o que é. Já um teste é algo preparado e a nota quase sempre é aquela esperada.

“Azar ao jogo, sorte ao amor”, costuma-se dizer, pois eu sou a excepção que confirma a regra. No outro dia uma amiga minha perguntou-me o seguinte: “Porque não namoras? És um rapaz tão sensível, não faz sentido não namorares”. Se alguém souber a resposta, agradecia que ma contasse. A primeira rapariga de quem gostei acabou por namorar com o meu melhor amigo. A rapariga que convidei para o baile de finalistas, apesar de inicialmente ter aceitado ir comigo, acabou por ir com outro pois se tinha “esquecido” do meu convite. Uma vez perguntei a uma amiga minha se queria sair comigo, ela apenas perguntou se eu estava parvo e fugiu. Não fugiu de verdade, estávamos à espera do autocarro, o dela chegou, ela entrou e nada mais me disse.

O meu avô morreu no dia 8 de Dezembro de 2004. Não o conheci, não verdadeiramente. Desde que me lembro que ele vivia assolado pela doença de Parkinson, tinha dificuldades em falar, e nos últimos anos tinha mesmo perdido essa capacidade. Não chorei quando ele morreu, odeio-me por isso. Desde esse dia que vivo assolado por uma enorme tristeza que apenas consigo mascarar com uma personagem que interpreto todos os dias antes de sair de casa.

O ano de 2005 foi o pior ano da minha vida até agora. A minha avó materna sofria de problemas de circulação e passava a vida a ser operada à perna. Quando regressava a casa, os dias dela eram passados a chorar e aos gritos com dores. Era algo muito triste que colocava a minha família sob um stress constante. Acabou por haver apenas uma solução, ela teve que amputar a perna. Desde aí que está numa cadeira de rodas, ainda a encontro a chorar de vez em quando, mas pelo menos já não sente dores.

Como se isto não bastasse a firma onde a minha mãe trabalhava foi à falência nesse mesmo ano e ela foi assim forçada, ao fim de 25 anos, a entrar no desemprego. O momento até foi bom, pois pôde dedicar o seu tempo a tomar conta da minha avó. Não mais arranjou emprego e é agora o meu pai o único que nos sustenta. Por isto tudo isolei-me bastante do resto do mundo e só hoje começo verdadeiramente a sarar das feridas causadas por esse ano terrível. Procurei ajuda e apoio mas poucas foram as pessoas que me acudiram. A minha namorada na altura acabou inclusive comigo por causa da minha distância. Não a culpo, pois não lhe contei o que se estava a passar, talvez o devesse ter feito, mas não o fiz.

De regresso ao presente, este ano tem sido tudo menos rico em sorte. Em Março a poucos dias do concerto dos The Cranberries, no Campo Pequeno, em Lisboa, adoeci. Não era uma simples gripe, mas algo bem mais grave que me obrigou a ficar medicado durante cerca de três meses. Não fui ao concerto, faltei a uma semana de aulas e passei os meses seguintes num estado de dormência emocional apenas suplantado pela ligeira high dos medicamentos.

No mestrado, ao montar uma instalação multimédia interactiva que custou ao meu grupo um total de 300 €, tivemos que discutir com outro grupo a divisão do espaço para a expor, o que nos atrasou um dia na montagem. Ao fim de 72 horas seguidas de trabalho não conseguimos pôr o som e o vídeo a funcionar, o que nos forçou a simular quase todos os elementos interactivos que a instalação possuía. Pelo menos as luzes funcionaram. Nessa mesma manhã comecei a ter os primeiros sinais da doença que me assolou nos meses seguintes e por causa das dores cheguei com uma hora de atraso à faculdade. Apesar deste investimento, o professor apenas nos deu 14 por achar que a ideia não era inovadora.

Mais recentemente a CP lembrou-se de marcar uma greve geral no dia em que eu ia ter o único exame deste semestre. Felizmente consegui arranjar boleia, caso contrário não teria forma de ir ao Porto. Sim, porque ao mesmo tempo o meu carro estava com problemas no motor de arranque.

No dia em que fui ao café ver o Portugal vs. Espanha, do último Mundial, com uns amigos meus, o meu carro deu de si e fiquei a pé, logo quando tinha dito que dava boleia a um deles. Já agora, Portugal perdeu por 1-0 e foi eliminado.

Podia continuar a enumerar os meus momentos de má sorte, mas acho que ficam com uma boa ideia.

Uma vez, só por uma vez, gostava de ter um momento de sorte, um dia em que tudo corresse bem e pudesse sentir-me feliz como qualquer outra pessoa.

Hoje não é um desses dias e, sinceramente, já não quero saber.

Wednesday, July 21, 2010

Eurotrip... Eu vou!

Eurotrip, Imagem DR


Na próxima sexta-feira embarco à descoberta de novas aventuras pelas estradas europeias. Após a minha chegada vão poder deliciar-se com o diário da minha Eurotrip, mas até lá fica aqui o itinerário da viagem:

23 de Julho
  • Partida de Ovar (14h/15h)
  • Chegada a Aveiro e Partida para Faro (16h)
  • Chegada a Faro (22h)

24 de Julho
  • Partida para Charleroi, Bélgica (10h)
  • Chega a Charleroi (13h)
  • Partida para Colónia, Alemanha (14h)
  • Chegada a Colónia (17h)

25 de Julho
  • Partida para Haarlem, Holanda (12h)
  • Chegada a Haarlem (17h)
  • Primeira noite em Amesterdão, Holanda

26 de Julho
  • Segunda noite em Amesterdão

27 de Julho
  • Partida de Haarlem para Bruges, Bélgica (12h)
  • Passagem por Roterdão, Holanda
  • Chegada a Bruges (20h)

28 de Julho
  • Partida de Bruges para Leuven, Bélgica (12h)
  • Chegada a Leuven (15h)
  • Possível visita a Bruxelas, Bélgica
  • Primeira noite em Leuven

29 de Julho
  • Segunda noite em Leuven e possível regresso a Bruxelas

30 de Julho
  • Partida de Leuven para Charleroi (9h)
  • Chegada a Charleroi (10h)
  • Partida para Faro (13h)
  • Chegada a Faro (16h)
  • Partida de Faro para Lisboa (17h)
  • Partida de Lisboa para Ovar (21h)

31 de Julho
  • Chegada a Ovar (1h)

Durante a Eurotrip só há uma verdade universal: Scotty Doesn't Know! E apenas uma regra: O que se passa fora de Portugal, fica fora de Portugal! (Com a devida excepção aos relatos do diário de viagem).

Monday, July 19, 2010

João Moutinho, a Maçã que caiu longe da Árvore

Foto DR
Como a grande maioria dos sportinguistas, foi com surpresa que recebi a notícia da transferência de João Moutinho para o FC Porto. Dias antes tinha mesmo afirmado que muito dificilmente o, na altura, capitão do Sporting CP, alguma vez sairia de Alvalade.

Não esqueço o forte contributo que o camisola 28 deu à equipa nas últimas épocas, e reconheço a enorme qualidade que este jogador trazia ao meio-campo do Sporting CP. Contudo, desde a época 2006/07 em que os leões terminaram o campeonato a um ponto do FC Porto, que João Moutinho tem descido de rendimento. Embora continuasse a demonstrar o empenho e a maturidade características deste jogador, era de notar que algo não estava bem com João Moutinho. Já não mostrava ser o mesmo líder que nos habituou a ver em campo ao longo dos anos. Começou a falhar, a cometer erros com mais frequência, perdeu a alegria pelo jogo, chegando mesmo a parecer estagnado na sua evolução.

Talvez tudo isto se devesse à polémica proposta do Everton, no defeso de 2009, negada pela direcção do Sporting CP, apesar dos alegados 15 milhões de euros que o clube inglês ofereceu pelo passe do jogador. Mas, a verdade, é que apenas João Moutinho sabe a verdadeira razão sobre a sua clara baixa de rendimento.

Apesar da sua inegável qualidade, o camisola 28 era vítima da sua especialização. A sua elevada cláusula de rescisão, de 30 milhões de euros, ditava que apenas um grande clube como o Real Madrid ou o Manchester United pudesse resgatar o jogador aos leões, contudo, todos os grandes clubes já têm bons jogadores com qualidade igual ou superior à de João Moutinho a jogar na sua posição, o que torna desde logo inviável uma eventual contratação.

O capitão do Sporting CP corria assim o “risco” de terminar a sua carreira no clube de Alvalade, sem nunca ter a oportunidade de experimentar outros voos na Europa do futebol. Na perspectiva do jogador, compreendo que isto poderia significar o fechar de portas a uma possível evolução no futebol europeu, e ditava o definitivo afastamento da selecção.

Um jogador descontente, sem capacidade de evolução, que viu no FC Porto uma nova oportunidade para se mostrar e talvez dar o salto que tanto ambiciona. Mas fê-lo à custa de um clube, e de uma instituição, a quem ele deve tudo aquilo que é hoje. Foi no Sporting CP que nasceu para ao futebol, e foi ao serviço dos leões que conseguiu o estatuto que lhe é hoje atribuído. Apesar disso não hesitou em trair a casa que o viu crescer para aceitar um contrato milionário com um dos principais rivais e deixar o clube de Alvalade sem capitão logo no início da pré-época.

A nível financeiro, o negócio é favorável ao Sporting CP. O clube de Alvalade encaixa 10 milhões de euros mais o passe de Nuno André Coelho, um jogador bastante promissor, com uma grande margem de evolução e com mercado, e mantém ainda 25% do passe de João Moutinho. Contudo, é impensável um clube com a história e a grandeza do Sporting CP ser capaz de vender o seu capitão, com tamanha facilidade, a um dos seus principais rivais.

A próxima época dirá quem saiu a ganhar com esta novela de Verão. Embora nunca me esqueça do contributo que João Moutinho deu ao Sporting CP ao longo dos anos, é com tristeza que o vejo sair pela porta pequena para nunca mais voltar a envergar a mítica camisola verde-e-branca.

Podre ou não, João Moutinho é uma Maçã que caiu bem longe da sua árvore.

Wednesday, July 14, 2010

Everything's Gone Green

Confusion sprung up from devotion, a halo that covers my eyes, it sprung from this first estrangement, no one have I ever despised.
Everything’s Gone Green, New Order

Até ao início deste ano não acreditava que alguma vez pudesse vir a ser vegetariano, contudo a vida é cheia de surpresas e aquilo que tomamos como certo nem sempre acaba por se confirmar. Um cliché, eu sei, mas por mais que procure, estas são as únicas palavras que encontro capazes de explicar o que me aconteceu.

Gosto de acreditar que sou alguém consciencializado para com os problemas sociais, económicos e ambientais que Portugal e o resto do mundo atravessam. Pelo menos, creio estar bem informado sobre as causas das alterações climáticas e sobre os benefícios que o corte de uma alimentação baseada em produtos animais pode trazer não só para a saúde, como para o próprio planeta e para a Humanidade em geral. Contudo, mesmo tais argumentos por vezes não são suficientes para fazer alguém mudar os seus hábitos. Por mais racional que uma pessoa seja, somos controlados pelos desejos que governam o nosso subconsciente.

Foi necessário queimar-me para aprender que não devo brincar com o fogo. No início deste ano estive doente, tal forçou-me a mudar os meus hábitos de alimentação de uma forma quase radical. Além de deixar o leite e seus derivados, tive que cortar nas carnes vermelhas, fritos, bebidas gaseificadas, álcool, ovos, feijões, azeitonas, etc. Além destas restrições tive que me resignar a um autêntico cocktail de comprimidos que apenas deixei de tomar há algumas semanas. Aliado a isto subjuguei-me perante alguns conselhos de boa alimentação: beber muita água, comer sopa a todas as refeições, preferencialmente daquelas com pouca batata ou arroz, e comer pelo menos um kiwi ou uma laranja por dia. Como não gosto de laranjas, experimentei tangerinas durante uns tempos, mas cedo enjoei A solução encontrada foi então o exótico kiwi que apesar da sua acidez, é mais tolerável do que qualquer laranja.

De lá para cá tenho adequado a minha alimentação de forma aos poucos transitar para uma existência vegan, ou pelo menos próxima. Embora ainda não tenha deixado as carnes brancas, incluí algumas refeições vegetarianas no meu menu semanal e sempre que tal não é possível procuro trocar a carne pelo peixe. Ainda me sinto longe de completamente adoptar esse estilo de vida, mas como qualquer viagem começa com um pequeno passo, acredito estar num bom caminho para uma alimentação mais saudável, e para uma considerável melhoria da minha qualidade de vida.

Ao contrário do que pensava, não tenho saudades dos alimentos que deixei, já não os desejo, fazem agora apenas parte do passado. Sinto-me melhor do que alguma vez estive, sinto-me com mais energia, mais leve, mais livre. Sinto uma melhoria no meu rendimento físico e profissional. Sinto o meu mundo a ganhar um tom esverdeado, e um crescente sentimento de calma e claridade. Talvez um mero resquício das drogas que durante meses me controlaram, ou talvez seja esta a sensação de uma existência saudável.

O meu testemunho é igual ao de tantos outros e embora não deseje a ninguém as terríveis semanas de dor e agonia pelas quais passei, nem tão pouco, os meses de dormência narcótica que se seguiram, talvez não fizesse mal ao mundo passar por isto pelo menos uma vez na vida.

Quando o Universo nos dá um aviso o melhor que temos a fazer é ouvi-lo.