Monday, February 25, 2013

“As silvas dão amoras”

Foto DR
Entre aspas pois embora gostasse que esta frase fosse minha, ela pertence a Sidónio Pardal, Arquitecto do Parque Urbano de Ovar. Foram estas as palavras escolhidas para finalizar o seu discurso de inauguração. Quatro simples palavras que simbolizam da melhor forma todo o processo que levou à construção deste parque.

Alvo de muitas críticas, sobrecarregado por constantes e incoerentes dúvidas e visto durante meses como um mero mito, foi preciso esperar pela conclusão da obra para que todos os Velhos do Restelo se resignassem a regressar às suas casas com o orgulho ferido por verem o seu mau-agoiro definhar sem qualquer fruto. Esta silva amaldiçoada pelos leigos ignorantes, fez nascer uma bela amora no coração da cidade de Ovar.

Uma obra que apenas peca por tardia. Há muito que esta cidade ansiava por um espaço verde. Um espaço de lazer, onde as famílias podem levar as suas crianças. Um espaço central, onde o cidadão comum pode fazer exercício. Um espaço natural e limpo, onde os malefícios da poluição podem ser esquecidos. Um espaço calmo, onde qualquer um pode passear ou sentar-se a ler um bom livro. Há muito que Ovar precisava de um lugar assim.

O Parque Urbano, embora já inaugurado, é ainda uma obra incompleta e inacabada. Inacabada pois, por mais que o Homem queira não pode acelerar certos processos naturais, como o crescimento das árvores ou o amadurecimento dessas ditas amoras. Incompleta pois ainda há muito a fazer. Está ainda em processo a reabilitação de dois moinhos e de um edifício próximo do antigo cinema. Serão locais de exploração lúdica, muito há semelhança do Parque Molinológico de Ul. Também está ainda prevista a construção de um parque infantil na zona poente do parque.

É fácil olhar hoje para esta obra e felicitar os seus intervenientes, mas pelo caminho foram mais as vozes de contestação do que as de apreço. O grande teste surgiu poucos dias antes da inauguração. O temporal que assolou o país em inícios de Janeiro não deixou o Rio Cáster incólume, forçando o seu caudal a transbordar as margens e a tomar como sua grande parte da zona ribeirinha do parque. O mau-agoiro e a contestação cresceram, novamente movimentados por falsas informações. O parque foi construído com um sistema de drenagem híbrido que protege as margens e que impede que o parque sofra danos de maior na eventualidade de ocorrer uma cheia. Um sistema simples que tem como base a vegetação plantada de forma estratégica para evitar a propagação das águas. O Parque sobreviveu a este temporal e provou que as suas fundações são sólidas o suficiente para sobreviverem ao teste do Tempo.

O Parque Urbano de Ovar veio dar uma nova vida a um espaço esquecido, repleto de vegetação selvagem e com pouca ou nenhuma utilidade. Viu renascer o Rio Cáster, muitas vezes negligenciado pela população. Deu uma nova cara a algumas fontes históricas que há vários anos permaneciam esquecidas. Interligou zonas da cidade que antes pareciam distantes e facilitou os acessos pedonais ao centro de Ovar.

Este local demonstrou não ser apenas uma necessidade, mas um direito da população ovarense. Um típico parque citadino ao estilo dos Parques Românticos, inspirado pelo Central Park de Nova Iorque e pelos jardins clássicos da Grécia Antiga. Uma obra do mesmo arquitecto do Parque da Cidade do Porto e do Parque Urbano de São João da Madeira, e em tudo, semelhante a eles. Um pulmão verde numa zona antes esquecida do coração da cidade de Ovar. Um espaço há muito desejado pela população. Um sonho tornado realidade.

1 comment:

Fernando Pereira said...

Sem dúvida que antes de ver a obra finalizada não dava grande importância ao parque mas agora utilizo-o diariamente, tanto para encurtar as distâncias como para atividade desportiva/lúdica. Tens toda razão Zé, Ovar já merecia!