Tuesday, September 22, 2009

As Terras do Meu Verão

Foto: Pego do Inferno, Tavira; Autor: Adriano Cerqueira

  • Almeirim (Almoçar)
  • Aveiro (Viagem em Bicicleta, Compras & Utilidades)
  • Coimbra (Visita ao Convento de Santa Clara)
  • Fátima (Visita ao Santuário e à Basílica da Santíssima Trindade, Estrelinhas de Fátima)
  • Maceda (Viagem de Bicicleta)
  • Manta Rota (Férias)
  • Miramar (Relatório de Estágio)
  • Montegordo (Jantar, Festa da Nossa Senhora das Dores)
  • Oliveira de Azeméis (Visita ao Parque Molinológico do Ul)
  • Ourém (Almoçar, Visita ao Castelo)
  • Pego do Inferno (Visita ao lago e cascata do Pego do Inferno)
  • S. João da Madeira (Etapa da Volta a Portugal em Bicicleta)
  • Tavira (Visita à cidade, Pasteis do Algarve)
  • Tomar (Visita ao Convento de Cristo)
  • Torreira (Viagem de Bicicleta, Praia)
  • Vila de Eira (Almoçar)
  • Vila Real de Santo António (Visita à cidade)
  • Viseu (Etapa da Volta a Portugal em Bicicleta)
  • Vouzela (Lanchar)

Friday, September 18, 2009

Ciência de Dez Valores

Conhecidos os resultados de acesso ao ensino superior, a Universidade do Porto voltou a bater recordes ao conseguir uma taxa de colocação de 100% nas vagas para o ano lectivo 2009/10. Apesar destes dados, é de salientar que muitos dos cursos da Faculdade de Ciências, como Biologia, Geologia e Química, continuam a ter algumas das médias de entrada mais baixas, em alguns casos a rondar os 12 valores.

De há uns anos para cá, a tendência tem sido de uma contínua subida na procura por cursos de Ciência pura, contudo, há não muito tempo atrás não era raro alunos com média de secundário inferior a 10 conseguirem colocação simplesmente por os cursos referidos não terem preenchido as vagas. Estará esta tendência a demonstrar uma maior aposta dos portugueses na formação científica? Talvez, mas este assunto merece algumas reticências.

Os últimos anos de governo trouxeram um aumento na oferta de cursos profissionais de equivalência ao ensino secundário, contudo o antigo agrupamento Científico Natural, continua a ser o mais procurado pelos jovens que todos os anos ingressam no décimo ano de escolaridade. Como se explica então a falta de interesse por cursos de ciências? A questão parte de uma predisposição social.

A verdade é que a grande maioria dos alunos que optam pela vertente científica no secundário assim o fazem com vista a concorrerem a cursos da área da saúde. O tão afamado curso de Medicina é visto por muitos como a concretização máxima dos estudos de nível secundário, e o destino obrigatório para os melhores alunos. Um dogma português que todos os anos retira as melhores mentes académicas das áreas que mais precisam delas, como é o caso das Ciências puras.

A sobrevalorização da área da saúde no nosso país leva a que apenas aqueles com médias baixas, ou os poucos apaixonados que arriscam em seguir os seus sonhos, optem por cursos de Ciências. Este caso é paradigmático. Em países como os EUA, apenas os melhores alunos optam por seguir as Ciências teóricas, e as carreiras académicas da área da saúde acabam por ser atribuídas, em muitos casos, a alunos medianos que mais do que arranjar emprego, ou querer provar alguma coisa, procuram enveredar pelo nobre caminho de ajudar os outros.

A principal falácia dos defensores da aposta na saúde no ensino superior é a facilidade na obtenção de emprego. Ora todos os anos são formados cerca de mil médicos nas universidades portugueses, a estes juntam-se mais dois mil enfermeiros, num país com dez milhões de habitantes e com um défice de hospitais e centros de saúde, mais cedo ou mais tarde estaremos perante um mercado de saúde saturado sem capacidade para integrar as centenas de profissionais que todos os anos saem das nossas universidades.

Já nos cursos de ciências, tomando como exemplo a Geologia, todos os anos são formados entre 30 a 40 novos geólogos. Com um mercado que cada vez mais oferece emprego na área, não estará na altura de apostar nestes cursos?

Ingressar no ensino superior com o único propósito de arranjar emprego retira às universidades aquilo que elas defendem, isto é, a procura de conhecimento. Um curso superior não deve ser visto como um meio para atingir um fim, mas sim como uma plataforma de conhecimento que nos fornece as ferramentas necessárias para crescermos como pessoas e profissionais, e para entendermos melhor o mundo em que vivemos.

Ano após ano, vemos cientistas de países diferentes a receber o prémio Nobel da Química e da Física. Quando chegará a vez de Portugal? Volta e meia é digno de notícia um ou outro cientista nacional que recebeu um prémio de menor gabarito, muitas vezes por recurso à ajuda de universidades estrangeiras. Isto prova que temos qualidade, temos a base para criar os próximos vencedores de prémios Nobel, mas estamos a desperdiçá-los com falsas esperanças de trabalho fácil e de aprovação social.

É necessário investir na ciência nacional e motivar os jovens a escolherem outros caminhos. Os tempos de cursos de ciências com média de 10 valores que não chegam a preencher as vagas têm que acabar. Temos que tornar a Ciência numa área atractiva para as maiores mentes jovens que todos os anos vivem a dúvida entre seguir os seus sonhos ou optar pelo caminho mais socialmente aceitável. As peças estão na mesa. Cabe ao governo, e a cada um de nós, fazer o melhor para que o cenário do puzzle seja de um futuro de inovação e de reconhecimento científico a nível mundial.

Friday, August 07, 2009

Good Night, Sleep Tight, Young Lovers

Eureka Seven: Pocketful of Rainbows
Um novo mito nasce no universo de Eureka Seven. Eureka Seven: Pocketful of Rainbows é o primeiro filme baseado na série de mangas Psalms of Planets: Eureka Seven, que deu origem ao anime de cinquenta episódios com o mesmo nome. Da realização de Tomoki Kyoda, realizador da popular série Evangelion, Pocketful of Rainbows faz regressar Renton e Eureka, desta vez com uma nova mitologia e uma história alternativa ao argumento da série animada.

O cenário é de novo a Terra num futuro pós-apocalíptico, onde os humanos sobreviventes procuram eliminar de uma vez por todas os Image, espécie alienígena responsável pela remodelação da superfície do nosso planeta. A história tem início com a separação de Renton e Eureka, quando esta é raptada pelo exército quando apenas tinha oito anos. Renton, também ele uma criança, nada consegue fazer para o impedir. Anos mais tarde o nosso herói junta-se a um grupo rebelde para tentar salvar Eureka.

Os rebeldes liderados por Holland Novak e Talho Yuuki, fazem parte de um grupo de crianças sobreviventes de uma má experiência científica que os fez envelhecer mais depressa que o normal. Aqui o argumento segue a mitologia do conto infantil Peter Pan, com o grupo de rebeldes a lutar contra o exército para encontrarem um caminho para a Neverland.

A principal arma dos rebeldes é a sua nave, o Gekko-Go, que comporta dentro de si um conjunto de mechas, entra os quais Nirvash, pilotado por Renton, que aqui assume a forma de uma fada.

Aproveitando um súbito ataque dos Image, Renton consegue recuperar Eureka. Após os longos anos de separação, o jovem casal vê-se envolvido numa guerra tripartida onde ocupam a posição central como as crianças proféticas que vão guiar os rebeldes à Neverland. Renton e Eureka recusam-se a assumir o papel de Peter e Wendy e tentam procurar uma forma de viverem em paz e desfrutarem do amor que sentem um pelo outro.

Pocketful of Rainbows traz uma nova perspectiva sobre a relação entre Renton e Eureka e um novo olhar sobre os sonhos e vontades dos restantes personagens. Contudo, o filme peca por um excesso de flashbacks e por um argumento confuso que deixa de fora detalhes apenas acessíveis a fãs da série animada. Embora a nova abordagem sobre o casal protagonista possa aliciar os assíduos acompanhantes de Eureka Seven, a nova história e mitologia recaem sobre um realismo excessivo que força, por vezes, algumas personagens a agir de forma distinta da imagem que apresentaram na série original.

Embora esteja longe da perfeição cinematográfica, o filme vale pelo regresso das aventuras de Renton e Eureka. Eureka Seven: Pocketful of Rainbows, um filme que qualquer fã da série animada não pode deixar de ver.

Tuesday, August 04, 2009

Escreve o que não sentes

Sinto-me vazio. Vazio é a única palavra que se aproxima da total ausência de emoções que me vejo forçado a viver. Não me lembro da última vez que senti, nem sequer do sentimento, ou da situação que o criou.

Há vários anos que não consigo escrever. Valorizar a fantasia em detrimento da razão deixa-me dependente dos meus sonhos, das minhas emoções e da minha imaginação. Escrever por impulso sempre foi a minha filosofia, e tão belas baladas que daí saíram, mas hoje, sem sentimento, sem esperança e sem momentos, é impossível subjugar-me sob qualquer impulso, e assim permaneço sem vontade, numa perpétua estrada para um vácuo de esquecimento.

Mesmo agora que escrevo este texto, forço as palavras a saírem, paro a cada instante e pondero o que escrever a seguir. Nada é natural. Nada flui. Tudo continua num engarrafamento de ideias presas numa infinita hora de ponta.

É trágico viver num contínuo purgatório lírico, dominado por um triste e cinzento vazio de emoções. Não consigo fingir o que escrevo, pois embora consiga manter a falsidade escondida do resto do mundo, ver-me-ia forçado a sucumbir sob o peso da verdade que eternamente me iria perseguir. Fingir em ficção pode parecer paradoxal, mas o verdadeiro paradoxo esconde-se dentro da máscara de alguém que escreve o que não sente. Mesmo para mentir é preciso imaginar, e para imaginar é preciso sentir, caso contrário o virtualismo das ideias será exposto pela fraude que é, e nunca será capaz de convencer alguém da sua falsa realidade.

Não. Não posso escrever o que não sinto. Até voltar a sentir, se voltar a sentir, fecho a minha criatividade, que há muito não me pertence, e aguardo pelo seu regresso. Vejo-me forçado por um mundo que não me aceita, a deixar para amanhã a minha oportunidade de viver.

Fim.

Sunday, August 02, 2009