Monday, December 17, 2007

Joy Division, A queda e ascensão de um mito

Joy Division, Foto DR
2 de Maio de 1980, a última vez que Bernard Sumner, Peter Hook, Stephen Morris e Ian Curtis se juntaram em palco. Dezassete dias mais tarde, Ian Curtis punha termo à sua vida, e não mais alguém ouviria ao vivo aquele incontrolável talento de epilepsia musical.

18 de Maio de 1980, um dia antes da viagem para os E.U.A. que levaria os Joy Division dos bastidores da pacata cidade de Macclesfield, para a ribalta da música mundial, o seu vocalista desistiu da fama, do sonho, da família, e da vida.

Os Joy Division tornaram-se naqueles que podiam ter sido, mas nunca o foram. Com a morte de Ian, a pequena banda desmoronou-se, e as suas letras caíram no esquecimento. Apenas foi preciso um ano para que surgissem os New Order, tal como uma Fénix renascida das cinzas dos “desaparecidos” Joy Division.

Estes três rapazes limparam o pó às guitarras e lançaram-se à aventura, conquistando o coração de milhares de fãs em todo o mundo. Mas, o que eles não esperavam, era que o seu velho amigo os acompanhasse neste longo percurso.

Cada vez mais os fãs apregoavam pela Love will tear us apart, envolvidos numa Atmosphere de quem tinha perdido o Control. Vinte e sete anos volvidos desde esse último concerto, e a figura de Ian está mais em moda do que alguma vez esteve.

Os poucos álbuns da banda são reeditados e postos à venda com faixas extra de performances ao vivo. Anton Corbijn, fotógrafo Holandês de renome realiza Control, filme sobre a vida de Ian, baseado no livro da sua esposa, Deborah Curtis, Touching from a Distance (Carícias Distantes). Porquê Ian? Porquê agora, tão depois da tua morte? Por que és agora relembrado?

Com a morte de Ian, os Joy Division caíram no esquecimento, passando décadas numa falsa hibernação. De repente ressurgem, e atiram os New Order para a sua sombra. Porquê acordar este gigante adormecido? Porquê agora?

Que necessidade é esta de imortalizar algo que durante tanto tempo remetemos para a escuridão? Ian cantava,”tenho que encontrar o meu destino, antes que seja tarde”, talvez seja demasiado tarde para ele, mas eis que a sua banda o encontrou, vinte e sete anos mais tarde que o previsto.

Os Joy Division estão de volta, e estão na boca, e no ouvido, de toda a gente. Tiveste que morrer como mártir Ian? Terias tudo isto planeado? Como seria a tua vida se não a tivesses terminado? Valeu a pena?

Não sei as tuas respostas. Não sei se te devo agradecer por teres dado espaço para os New Order renascerem. Não sei que te dizer. Apenas sei que, seja lá porque o fizeste, jamais serás esquecido.

Sunday, November 18, 2007

Tantas vezes vai o cântaro à fonte

Cântaro, Imagem DR
Que um dia deixa lá ficar a asa. Sim, é assim que este provérbio termina. Apesar deste pedacinho de sabedoria popular ter a sua razão de ser, a verdade é que aparentemente tem caído no esquecimento, principalmente pelas vozes dos comentadores de futebol.

Comentadores que dizem "que um dia lá fica", que inventam outra terminação qualquer, ou que simplesmente o adaptam para o enquadrar com a situação que acabaram de presenciar. Pois a verdade é que o provérbio apenas se diz desta forma, e desta forma apenas.

Tinha eu os meus sete ou oito anos, andava ainda na primária a aprender provérbios e a levar reguadas por saber a tabuada – sim, eu levava reguadas por saber a tabuada, ou melhor, por saber demais – e já sabia que o cântaro, de tantas vezes que ia à fonte, acabava por perder a asa.

Tenho que admitir que durante muitos anos pensava que um cântaro era um pássaro, o que, se pensarem bem, até faz sentido. Vamos partir do pressuposto que não sabem o que é um cântaro, e que para além do provérbio nunca tinham ouvido esta palavra antes. Vejam agora os argumentos que transformam este recipiente de transporte de água, numa ave para aqueles que se deixam iludir pelo provérbio:

  • O cântaro deixou lá ficar a asa. O que tem asas? As aves. Posso admitir que é um pouco estranho o cântaro perder uma asa só por ir muitas vezes a uma fonte. Mas podia lá ficar preso, ser caçado por um gato, ou ser simplesmente maltratado por algum miúdo inconsciente cujos pais não lhe ensinaram a respeitar a natureza;
  • Cântaro, o próprio nome sugere que provém de "cantar". O que canta? As aves. Se canta, e se tem uma asa, só pode ser uma ave, até ao momento em que não o é.

Mas não fujamos do tema fulcral, a verdade é simples e é esta: Apenas existe uma forma correcta de recitar este provérbio e essa forma é,

Tantas vezes vai o cântaro à fonte, que um dia deixa lá ficar a asa.

Monday, October 01, 2007

Vinyl, someone still loves you!



Porque hoje é o Dia da Música, e porque não há melhor formato para a ouvir.

Tuesday, August 28, 2007

Virginie

Uma rapariga, uma guitarra, uma voz, e algumas músicas. Virginie não está ligada a uma editora e limita-se a escrever as suas músicas, e a promovê-las no Youtube, e na sua página pessoal. Um exemplo de como a actual revolução na web abriu a porta a mil e uma oportunidades. 

Deixo-vos com a My Angel.


Sunday, August 19, 2007

My Bicycle

Zero Bike, Imagem DR
A minha bicicleta não é como esta, bem, a cor é similar, mas de resto, é diferente. Por exemplo, tem a praticabilidade de se poder andar, já que esta aqui nada mais é do que uma mera obra de arte.

A minha bicicleta tem pedais, sempre os teve, mas o esquerdo há vários meses que se encontrava separado desta. Porque terei demorado tanto tempo a levá-la ao Paciência para arranjar? Podia dizer por falta de paciência, mas essa piada é demasiado fácil, se bem que o próprio Paciência esteve ausente, ou melhor, em renovações. Na verdade, durante todo esse período de ausência da sua loja habitual, esteve localizado noutra garagem, mas sou uma criatura de hábitos portanto não me dignei a procurá-la.

Há já algum tempo que o Paciência voltou e, contudo, mantive a minha bicicleta longe dos meus pensamentos. Essas duas rodas ficaram paradas e negligenciadas durante bastante tempo, mas lá fui ao Paciência, e lá se arranjou o pedal.

Agora a minha bicicleta tem dois pedais e já posso andar nela. A minha bicicleta que há anos espera por aquela viagem matinal ao Furadouro, continua à espera, no seu canto, canto esse que até ele mudou. Sim, a minha bicicleta já não está na garagem, mas sim lá atrás, naquela coisa cujo nome não me ocorre, se tal coisa tem nome, para além de coisa.

A minha bicicleta esperará mais um pouco, pelo menos, pelo pedal, já não precisa de esperar. Que sensação essa, de se ser uma bicicleta que não rola mais, apesar de bem poder rolar.

Essa não é a minha bicicleta, a minha bicicleta é a minha bicicleta, que ali se encontra, no seu canto do costume.