Saturday, December 31, 2016

As Terras do Meu Verão

Foto: Etapa Vizela WRC Rally de Portugal 2016; Autor: Adriano Cerqueira
Portugal
  • Aveiro (Entrevistas 90 Segundos de Ciência, Visita, Compras&Utilidades)
  • Barra (Visita, Tripas)
  • Carcavelos (Almoço)
  • Cascais (Visita, Lumina)
  • Coimbra (Residência, Visita, Cinema, Compras&Utilidades)
  • Espinho (Compras&Utilidades)
  • Évora (Estadia)
  • Gaia (Compras&Utilidades)
  • Gondomar (Natal)
  • Guia (Compras&Utilidades)
  • Guimarães (Visita)
  • Lagos (Visita à Praia da Ponta da Piedade)
  • Lamego (Visita ao Castelo e ao Santuário da Nossa Senhora dos Remédios)
  • Lisboa (Residência)
  • Porto (Entrevistas 90 Segundos de Ciência , Visita, Cinema, Compras&Utilidades)
  • Quarteira (Estadia)
  • Régua (Visita)
  • Santa Maria da Feira (Visita, Compras&Utilidades)
  • Santo Amaro de Oeiras (Praia)
  • São Jacinto (Visita)
  • São João da Madeira (Compras&Utilidades)
  • Silves (Visita ao Castelo)
  • Sintra (Visita)
  • Torreira (Visita)
  • Valença (Visita)
  • Viana do Castelo (Visita)
  • Vilamoura (Almoço, Visita às Ruínas Romanas de Cerro de Vila)
  • Vila do Conde (Visita)
  • Vizela (WRC Rally de Portugal 2016)

Itália
  • Bergamo (Aeroporto)
  • Milão (Visita e Estadia)
  • Verona (Visita à Casa di Giulietta e à Arena de Verona)

Friday, December 23, 2016

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte X

366 dias, 99 podcasts, 90 Segundos de Ciência, Oitchentcha e Oitcho minutos, 39 episódios de Jojo’s Bizarre Adventure, 26 bilharacos, 13 sequelas do Em Busca do Vale Encantado, 13 cêntimos de pão, um golo do Éder e 0 pencas depois, sejam bem-vindos a mais um episódio do Regresso da Véspera da Véspera de Natal, o momento mais aguardado pelos fiéis leitores deste blogue que este ano viveram esfomeados por novas publicações, e por todos aqueles cujo ódio a pencas os une nesta santa data. 

Era uma noite como qualquer outra, Jesus, o Cristo, estendia-se nas suas palhas a comer uma laranja. Uma distante luz no horizonte aproximava-se por entre as marés da praia da Nazaré, enquanto o McNamara surfava umas ondas do tamanho de montanhas.

A luz distante não era uma estrela, mas sim uma Nau, daquelas que a Nelly Furtado navegou no Estádio da Luz, numa fatídica noite em Junho de 2004. 

Jesus, McNamara e a Menina do Gás desceram até à praia para dar as boas-vindas aos estranhos viajantes que ali chegavam. “O meu nome é Pedro Álvares Cabral e ando em busca da Terra desconhecida chamada Brasil”, disse um estranho senhor em collants com uma boina bem maior que o necessário para o tamanho da sua cabeça. Estranha pelo simples facto de ser noite e não estar Sol. 

“Comprei-a nos saldos da Primark mas só havia este tamanho”, disse Cabral antes de Jesus, o Cristo, ter oportunidade de lhe perguntar o propósito daquela boina. 

Vasco da Gama, Jesus, o Jorge, Son Goku, a toalha do Eusébio, o Rei Peyroteo, e o Éder saíram do barco e juntaram-se a Cabral. Jesus, o Cristo, cuspiu as pevides da laranja e atirou a casca para a praia. “Meu, ‘tás todo virado, isto não é a terra desconhecida chamada Brasil. Tens que virar tudo para trás, passar pelo Centro Cultural, depois a casa funerária, onde vou ressuscitar passado três dias, segues, segues, dás um desvio nas Selvagens para tirar umas selfies com umas Cagarras e continuas a seguir até encontrares um tipo a dizer que algo é subjectivo.”

Son Goku sugeriu pedir ao Sexta-Feira que por ali se encontrava também, para fazer uma sopa da pedra enquanto ele se tentava lembrar de usar a transmissão instantânea para os tele-transportar para a terra desconhecida chamada Brasil.

Oitchentcha e Oitcho minutos mais tarde, enquanto Jesus, o Jorge, tentava falar espanhol com a Menina do Gás, o Rei Peyroteo passou a bola ao Éder que começou a correr para longe da baliza, enquanto Jesus, o Cristo, Vasco da Gama, Cabral, Son Goku e a tolha do Eusébio olhavam incrédulos para mais um disparate.

“Chuta daí, caralho!” Gritou o McNamara enquanto surfava o canhão da Nazaré, e como tiro de bala, Éder chutou. O resto é História. 

Naquele momento, enquanto Jesus, o Cristo, Vasco da Gama e Cabral festejavam o título europeu, limpando as lágrimas e assoando os narizes na toalha de Eusébio, Son Goku apertou a luva branca do Éder e disse a todos para darem as mãos.

“Kame-ah...”, “Pára!”, gritou Peyroteo que se acercava do grupo para relembrar Goku que não era isso que ele tinha que fazer. Son Goku comeu a sopa da pedra que o Sexta-Feira preparou e pôs dois dedos na testa. 

Segundos mais tarde, Goku, Jesus, o Cristo, Vasco da Gama, Sexta-Feira, Cabral, e a Menina do Gás encontravam-se na terra desconhecida chamada Brasil. 

Uma criatura estranha por ali se deslocava a dizer às pessoas o quão velhas elas estavam em vez de as cumprimentar decentemente. Vasco da Gama aproximou-se dele e perguntou se esta era a terra desconhecida chamada Brasil.

A figura que se apresentava por entre as brumas, era o Mindo. Da sua boca surgiram apenas três palavras: “Vasco, ‘cê tá velho”.

Isso eram quatro palavras. Sim, mas depois perdes o suspense. Os leitores vão pensar que ele ia dizer “Isso é subjectivo”. Para isso, eles teriam que já ter lido as anteriores. Ambos sabemos que isso não acontece. Tu é que não aconteces!

Depois de Vasco ficar sem palavras, Mindo, enfim, acrescentou “Isso é subjectivo”.

Uma estranha música começou a envolvê-los, vinda de uma origem desconhecida. A Menina do Gás aproximou-se de Mindo, colocou a sua mão sobre o ombro dele e começou a cantar.

“A tua gramática é péssima, o teu português é tão mau e faz-me tão triste... Nunca fazes qualquer sentido porque nunca pensas no que dizes. Nunca usaste um dicionário, porque a tua gramática é péssima. Nunca pensas que é sério ao não usares um ponto final, reprovaste a português na primária, porque a tua gramática é péssima.”

“Esta tipa fez alto rip-off do Your Grammar Sucks”, pensou Jesus, o Jorge, aliviado por não ter sido ele o alvo desta música.

Cabral, Vasco da Gama, Jesus, o Cristo e Sexta-Feira despediram-se dos restantes e voaram com Son Goku de volta a Nazaré para apanhar a Nau e a Nelly Furtado.

Jesus, o Jorge, e a Menina do Gás foram passear pela terra desconhecida chamada Brasil, onde, até hoje, ainda não viram uma única penca.

Em honra do Sagrado Chinelo, que morreu pelos nossos pecados, dediquem oitchentcha e oitcho minutos para espalhar pelo Mundo as palavras de felicidade que só um dia como o 23 consegue transmitir. Pois hoje é a Véspera da Véspera de Natal. Dêem as mãos e cantem todos comigo:

Morram Pencas, morram! Pim!  

Sunday, November 27, 2016

Terapia facebookiana

Imagem DR
O sucesso na vida poderia ser definido como a expansão contínua da felicidade e a realização progressiva de metas dignas.
Deepak Chopra

Depressão é um termo que não gosto de usar de forma leve. Ao contrário do que tantos costumam partilhar dia sim, dia não, nas etéreas redes de informação, esta doença não é algo que se resolva com uma mudança de ares, com um passeio pela praia, com exercício, com um bom livro, com uma viagem, ou com saídas com amigos. É algo bem mais profundo que exige uma observação séria e o tratamento adequado por parte de um profissional.

Ficar em baixo pelas mudanças de estação, sentirmo-nos frustrados, aborrecidos ou tristes porque algo não correu como queríamos, porque alguém nos magoou, porque fomos enganados, ou porque cometemos a opção errada, não é o mesmo que sofrer de depressão. São apenas sentimentos comuns, pelos quais todos passamos e que podem ser facilmente resolvidos com alguma introspecção, honestidade e capacidade de comunicação e resolução de problemas com quem nos rodeia. E quando essas opções não são suficientes, então aí sim, devemos mudar de ares, viajar, fazer exercício, sair com os nossos amigos, ou distrairmo-nos com um livro, um filme, um concerto ou uma série.

Todas estas distracções não passam disso mesmo se não formos capazes de compreender o que nos levou a sentir assim. Se foi algo que fizemos, devemos assumir a culpa, se foi uma circunstância alheia e fora do nosso controlo, nada podemos fazer se não esperar que tudo se resolva. No fundo, se formos capazes de racionalizar tudo aquilo que nos acontece, o sofrimento não passa de um sentimento fugaz. Obviamente, não somos seres inteiramente racionais e, muitas vezes, usamos o intelecto e a nossa capacidade argumentativa como máscara para esconder sentimentos de culpa ou de desespero para com a nossa incapacidade de controlar os eventos que movem a nossa vida.

As redes sociais, além de servirem de veículo para a partilha de desinformação, são objectos de distracção enganadores. Há cerca de dois anos decidi deixar de usar o facebook. Entretanto regressei, contudo poucos foram os que notaram a minha ausência. Mantive o meu feed do twitter ligado ao meu perfil do facebook e, como gestor de redes sociais, estava diariamente ligado à rede durante o trabalho. Contudo, deixei de usar a minha timeline. Sempre que ligava o facebook entrava directamente na página da empresa que geria, e assim que saía do trabalho, não me voltava a ligar. Aos fins-de-semana usava o Messenger para combinar saídas com o meu grupo de amigos, mas não mais que isso. 

Assim fiz durante um ano. Voltei a usar o twitter com mais frequência. Durante quatro anos apenas o usava para partilhar notícias e ideias soltas. Perdi o contacto com todos os meus seguidores e, sempre que me lembrava de lá ir, sentia-me excluído das conversas. Comecei do zero e, ainda hoje, é a minha rede social de eleição. Uso o twitter para ver as notícias mais recentes, para comentar eventos com os meus seguidores e para partilhar em comunidade as coisas que mais me interessam. Continuo a partilhar notícias e ideias soltas, como sempre fiz, mas volta e meia também me deixo envolver em conversas sobre os mais diversos assuntos. Desde os jogos do Sporting CP, às eleições americanas, a coisas igualmente importantes como a mais recente colecção de minifiguras LEGO, ou o novo filme dos Power Rangers.

Quando enfim regressei ao facebook, estava na hora de fazer uma limpeza na minha timeline. A melhor opção que o facebook alguma vez criou foi a capacidade de deixar de seguir alguém sem termos que a desamigar e sem esta o saber. Comecei por deixar de seguir todas as pessoas cujas publicações tinham fortes possibilidades de me magoar, ou de me deixar mais em baixo. Pessoas negativas, falsas, com constantes argumentos e publicações destrutivas. Pseudo-intelectuais, e pessoas simplesmente chatas. Também deixei de seguir páginas e pessoas cuja partilha de momentos das suas vidas não me faziam sentir bem. Ora por estarem constantemente em baixo, ora por a sua felicidade em vez de contagiante, ser servida como um veneno muito tenebroso para uma alma frágil como a minha se sentia naquele momento.

Confesso que também deixei de seguir algumas pessoas por terem opções políticas diferentes das minhas, ou por serem adeptas de determinados clubes, não por preferir fechar-me numa bolha de opiniões iguais à minha, mas sim por esses exemplares não passarem de cegos incapazes de verem o outro lado da sua argumentação.

Desde então comecei a usar o facebook como nunca. Participo activamente em pelo menos quatro grupos, conheci pessoas, franchises, sites e eventos, muito interessantes e hoje consigo estar atento a promoções que de outra forma não teria conhecimento. Hoje, a minha timeline é uma amálgama de publicações sobre LEGO, Power Rangers, Jurassic Park, material de fotografia e vídeo, e mobília do IKEA, com a ocasional partilha das pessoas que mantive, ora por ter uma boa relação com elas, por serem pessoas que admiro, ou por serem elementos por quem nutro um sentimento neutro, mas cujas opiniões são sólidas e bem construídas, mesmo quando discordam da minha posição.

As redes sociais são uma faca de dois gumes. Podem enriquecer-nos, ou deitar-nos a baixo, e fazer-nos sentir insignificantes. É preciso termos um filtro muito forte para compreender que ninguém é tão feliz como as suas partilhas demonstram, e que ninguém tem uma vida perfeita. O teu amigo que está sempre a viajar, tem saudades de casa e passa mais noites a sentir-se só que a divertir-se. Aquele casal acabou de discutir antes de publicar aquela foto sorridente. Aquela francesinha tinha bom aspecto, mas o pão já estava em papa e o molho não era grande coisa.

Esta é uma visão um pouco cínica. Mas no fundo sabemos que embora haja quem seja sempre sincero naquilo que publica, muitos de nós tentamos passar uma imagem que não corresponde inteiramente à realidade. Eu próprio sou culpado disso, a minha foto de perfil já tem cinco anos, e as fotos que coloco no meu instagram são apenas as melhores seleccionadas de entre centenas. 

A verdade é que nada disto importa. Não devemos comparar a nossa vida com a de ninguém. Devemos seguir o nosso caminho, traçar os nossos próprios objectivos e apreciar as coisas de que verdadeiramente gostamos por mais bizarras, obscuras ou infantis que estas possam parecer. Devemos ser honestos connosco próprios, e devemos usar as redes sociais apenas como um veículo de distracção. O facebook é apenas uma ferramenta que é hoje parte do nosso dia-a-dia. Não é algo que nos define. Não é algo que merece deixar-nos em baixo.

És o dono da tua própria realidade. O resto não passa de mais uma obra de ficção fabricada por autores sem uma gota de imaginação. 

Sunday, October 02, 2016

Viver com Intolerância

Imagem DR
Passaram já seis anos desde que fui diagnosticado com intolerância à lactose. De um momento para o outro a punchline de uma qualquer sitcom passou a ser uma grande parte da minha vida. Um desbloqueador de conversas, uma peculiaridade, enfim, passei a ser aquele tipo que em todas as pizzarias tem que explicar ao empregado o porquê de ter pedido uma pizza sem queijo. Estou certo que algumas já devem ter vindo com algum cuspe como ingrediente surpresa. 

Estaria a mentir se dissesse que a transição para uma alimentação desprovida de leite e dos seus derivados foi fácil. Não foi. Longe disso. Desde que me conheço que os meus pequenos-almoços consistiam de leite com cereais. Após passar uma temporada no hospital a propósito de uma gastroenterite daquelas mesmo fortes quando tinha 14 anos, ainda tentei suster-me à base de bolachas e chá pela manhã, mas esse martírio não durou mais que dois meses. A verdade é que sempre tive dificuldade em comer algo mais sólido pela manhã. Sou a antítese do típico pequeno-almoço britânico, quanto mais líquido e menos consistente, melhor.

Com o passar dos anos comecei a conseguir experimentar coisas novas. Torradas acompanhadas por uma caneca de cevada, eram o substituto ideal para aquelas manhãs em que o leite ou os cereais já se tinham terminado, e ainda não tinha ido às compras. Foi essa a solução natural para corrigir a minha necessidade de cereais logo após o acordar. Pelo menos, durante algum tempo.

Como nunca gostei de manteiga, já barrava as torradas com margarina bem antes de saber sequer que a intolerância à lactose era mesmo algo real e não apenas um instrumento argumentativo que os escritores de comédia adoravam usar. Quando eventualmente me fartei de comer pão seco todas as manhãs, recorri ao leite de soja para fazer regressar os meus tão adorados cereais à minha dieta matinal. 

Esta solução não foi tão simples para as minhas restantes refeições. Desde pequeno que sempre comia um iogurte depois do almoço, uma sandes mista a meio da tarde, e a ocasional salsicha enrolada em queijo com batatas fritas e mostarda que fazia a meio da noite sempre que não conseguia dormir, o que era muito comum na minha adolescência e no início das minhas aventuras como jovem adulto.

Isto para não falar de todas as refeições deliciosas que contêm queijo, como Pizza, Lasanha, e uma grande parte da gastronomia italiana que sempre adorei. Mas o golpe mais duro foram mesmo os doces. Sempre disse que, se possível, vivia apenas de bolos, doces e outras sobremesas. Contudo, raro é aquele que não contém uma pequena dose de leite. Nunca apreciei leite-creme, mas aletria (esta ‘a’ no início da palavra vai sempre fazer-me confusão), cheesecakes, pão-de-ló, e qualquer outro bolo amanteigado passaram assim a entrar na lista de coisas que devo evitar.

Os mais entendidos neste assunto já devem ter percebido que a minha intolerância não é das mais graves. Tinha 21 anos quando após dois meses de dores intermitentes e agonizantes acabei por faltar a duas semanas de aulas, entre hospital, consultas e muitas horas passadas em casa a recuperar. Perdi sete quilos e ganhei uma gigantesca dose de medicamentos como acompanhamento para as minhas refeições dos meses que se seguiram. 

Enfim voltei a atingir a normalidade. Era Maio quando finalmente consegui sair de casa para correr com os meus amigos até ao Furadouro. Lembro-me bem dessa tarde. Foi a primeira vez em meses que me senti com energia para fazer algo mais exigente do que levantar-me da cama.

À custa deste episódio herdei um sistema digestivo bastante delicado. Além do leite há outros alimentos que raramente acompanham a minha dieta, como feijões, batatas, azeitonas, tremoços, bananas, amendoins e outros frutos secos, a grande maioria das bebidas gaseificadas, e qualquer prato excessivamente picante. Nenhum destes alimentos, além do leite, são proibitivos, mas desde então que moderei bastante a forma e a frequência com que os consumo.

O mesmo acontece com bolos, doces e outros produtos feitos com leite e seus derivados. Evito-os, mas uma fatia ou outra não me faz mal. É impressionante a quantidade de alimentos que consumimos com alguma porção de lactose, por mais ínfima que seja. Basicamente, para ter uma dieta verdadeiramente saudável, teria que cozinhar todas as minhas refeições, do mais elaborado jantar, à mais simples bolacha. E ninguém tem tempo para isso.

Não é que não goste de cozinhar, mas imaginem que sempre que vos apetece um palmiere ou um Pão de Deus o tivessem que cozinhar. Pois.

Por isso corro alguns riscos de vez em quando, compensando sempre com uma extra dose de fibra e água para amenizar as inevitáveis consequências de uma inapropriada refeição rica em lactose.

Volta e meia recordo-me de todos aqueles Ucal, Ovos Kinder, queijos da serra e fatias de bolos que recusei ao longo dos anos. Hoje arrependo-me de todas essas decisões, especialmente porque Ucal sem lactose é possivelmente a bebida mais enjoativa que alguma vez foi criada. Parem de tentar brincar com a ordem natural das coisas e deixem o leite ser leite. Ucal de soja com chocolate teria sido uma ideia tão melhor…

Felizmente a soja é um bom substituto para a maioria das ofertas que o leite proporciona. O leite de soja é melhor, mais leve, mais suave e o sabor conjuga bem com os cereais, especialmente com os de chocolate. Os iogurtes e os pudins de soja não são maus e, para quem não gosta de soja, existem outras alternativas como o leite de aveia, e o de arroz.

São produtos mais caros que o típico leite de vaca, mas são mais saudáveis e boas alternativas para quem quiser cortar o leite da sua dieta. 

Os últimos seis anos foram ricos em experiências e em constantes mudanças, aleatórias, inesperadas e previsíveis em todos os aspectos da minha vida. Aquela manhã em Março de 2010 quando acordei com dores indescritíveis e uma falsa ameaça de apendicite foi, possivelmente, apenas o início de uma longa aventura que ainda hoje se perpétua no tempo.

Sou intolerante à lactose. É algo que faz parte de mim. Mas não é algo que me define. 

Monday, September 05, 2016

Let's Talk About Nineties Fandoms

Pokémon Trading Card Game (Base Set)
Growing up there was a certain unspoken hierarchy to my toys that didn’t always follow the most recent trends in popular fandoms. Of all the franchises that I admired as a kid, three stood out among the rest: Power Rangers, Jurassic Park and Pokémon

Power Rangers was the very first toy line to catch my attention. Consisting mostly of Zords, action figures and a few weapons, they were my most valuable collectibles. Had it not been for a neglectful decade of teenage angst, topped by a highly disorganized move from our old house to my parent’s current one, most of them would be complete and in working order to this day. Sadly, it was not meant to be this way. 

Although most of the Zords are complete and in played, yet, excellent condition, some of the action figures are missing a few parts and a lot of the older Zords have sticker damage, and a thin layer of dust covering most of their crevices from years of poorly designed displays. Some of the electronics no longer work, either due to battery corrosion or to some other damage that they’ve sustained throughout the years. The worst case is my Power Dome set that is now only a display model, since the batteries I left inside it completely corroded its electronics. The cardboard display that came with the box is also ruined. 

Luckily a large part of my Power Rangers collectibles are still doing great. Especially the ones from Zeo and In Space. As for the other ones, it’s nothing that some thorough cleaning and attention can’t fix.

Even though my Power Rangers toys were always the main attraction of my collection, a new contestant soon made its way into their turf, Kenner’s very successful 1997 The Lost World, Jurassic Park toy line. Made up mostly of Dinosaurs, it also featured a few action figures and vehicles inspired by the movie. 

As a kid who dreamt about becoming a Paleontologist, it’s no surprise that I ended up going to great lengths to save every single part of my The Lost World collectibles, keeping them very close to me throughout the years. Some have a few layers of dust, not much different from the ones that plague my older Zords, but the electronics still work and all parts are accounted for. 

Over the last couple of years, after discovering that many toys from the original series never made it into stores in Portugal, I’ve managed to buy on eBay a few of the ones that caught my attention. My collection has since grown, in many ways thanks to Jurassic World’s premiere and both Lego and Hasbro’s new line of Dinosaur toy sets inspired by this franchise.

However, the nineties wouldn’t be complete without Pokémon, the franchise that toppled every other fandom, and the last one to transition from the 1990s to the early 2000s, and from my childhood into my adolescence. Although I did own a few figurines and the cutest ever Mew figure, Pokémon had me hooked over its Trading Card Game. 

Not only did I answer the call to catch them all, I also played in local tournaments, eager to earn badges and whichever prizes made it my way. As luck would have it, I had a tournament base right at the end of my street, just a few houses from my own. My main goal was to complete my card collection, but I also managed to build a strong and balanced deck that allowed me to advance comfortably through my local tournaments.

My love of Pokémon never really faded, but this fad was destined to last no more than a couple of years. Becoming a teenager meant that toys and Trading Card Games were no longer cool, and hanging on to them just stopped being worth all the social humiliation that came from such a childish fascination. How wrong was I, but alas, it’s hard to be yourself in a time before the advent of social media. Luckily, I did manage to complete the first ten sets of the Pokémon Trading Card Game, from the ominous Base Set to Neo Destiny. And in spite of all the social pressure for one to get rid of his toys, I merely had to hide them away from prying eyes, and keep them safe as these years of adolescent anxiety faded away from my path. 

My parents always supported my hobbies, especially when they didn’t need to worry about spending their own money on them. My mom did end up throwing away some of my old toys, but apart from a few Lego sets and some unrecognizable loose parts, she always took good care of them, even when it seemed I wasn’t interested in them any longer. 

These three franchises accompanied me throughout my childhood and are still a part of me to this day. These are my most valuable collectibles, and the ones that I am still willing to invest on, even as a young adult who doesn’t really have any real use for his toys other than the feeling of owning them.

There were other franchises that played smaller, yet significant roles in my childhood. The Land Before Time, Dragon Ball, Back to the Future and Ghostbusters, came in second, after the big three, and, on a lower level, movies like Space Jam, Independence Day and 1999’s Godzilla, also managed to sneak a toy or two into my collection. I was a true child of the nineties, and most of my fandoms are a product of the most popular trends of that decade. In a time before internet critics and easily unimpressed fans, all a movie needed to be popular was to look cool and to have an appealing set of merchandise and collectibles. I was truly lucky to live through such a plentiful decade. 

All these other franchises can’t compare to Power Rangers, Jurassic Park or Pokémon. The Land Before Time is my favorite movie series of all time, and even today I get excited about each new release. However, besides the VHS tapes and later one, its DVD releases, the only toys I own are the Pizza Hut collectible puppets. A set of six hand puppets that represent the gang of five little Dinosaurs and the evil Sharptooth that terrorized them throughout the original film.

Dragon Ball was the anime to watch if you were a kid in the nineties. I would always run home after school to catch the latest episode. As for toys, I only really owned two official ones, Krillin from DBZ and a Super Saiyan 3 Goku from the first anime movie that my aunt gave to me as a First Communion gift. I did manage to collect a Dragon Ball chess game from Planeta DeAgostini. It’s a very cool piece with heroes and villains facing off against each other in a chess board. 

My love of Back to the Future and Ghostbusters, coupled with my recently found passion for Lego sets, meant I couldn’t pass the opportunity of owning their respective Lego Ideas sets. I will, however, be passing on Ghostbuster’s Lego Firehouse since it’s just way too expensive, but I do own a few Funko Pop’s from Back to the Future.

The only other toy that I hold dear, and hope one day to find a way to display it, is a board game from the movie Space Jam, with all the main characters. Alike my DBZ chessboard it sets the heroes against the villains in a very well thought-out playset, with excellent artwork done on each of the figurines. 

Being a fan of so many great movies and TV shows, means that you need to make hard choices when you decide to invest in their respective merchandise. It’s truly a constant struggle between how much money you’re willing to spend and whichever fandom you love so dearly.

Growing up in the nineties, being a responsible child and having my parents support, helped me to keep a considerable part of my toy collection intact. However, one can never forget that the purpose of a toy is to be played with, and that there is no greater joy than to let a child play with his or her favorite toy. Toys allow them to travel to new worlds of pure imagination, where everything is possible, and where there is no limit but the inspiration of a young mind.

So let your toys tell their story. There’s a whole Universe of possibilities, just open your mind and press play.    

Sunday, September 04, 2016

The Lost World of Unforgettable Franchises

Kenner's Thrasher T-Rex (1997)
The Lost World, Jurassic Park was the very first film I ever saw in theatres, or at least, the earliest one I can remember. For years, this was my favorite movie, rivaling even the original Jurassic Park for top spot on my own personal list. However, it’s anything but a consensual topic between fans of the franchise. Swallowed by a loud voice of angry critics it’s easier to go along with the overall hate, than to defend this movie’s many positive points. But there is one thing about The Lost World that all fans can agree on: It gave us the best toy line that Jurassic Park’s franchise has ever had.

Kenner’s original The Lost World series was awarded the best toy line of 1997. And for many collectors like me, it’s one of the best toy lines of the past decades. The beautiful artwork of the Dinosaur molds, their color scheme, the range of vehicles and characters from the movie, the playability of the sets, and most of all, a very affordable price, made its sales go up through the roof over the next couple of years. So much so that an unscheduled second series ended up being produced, hitting the shelves only one year after this series original release.

As a little kid I used to dream about Dinosaurs. There was nothing I wanted more than to be a Paleontologist. I wanted to discover my very own Dinosaur, a brand new species that could finally bridge the gap between the evolution of Dinosaurs and Birds. But there was only so much that a child could get from books and documentaries, in truth, I need something that felt more real, and that’s where Jurassic Park came in.

In spite of all the scary scenes both in the original and in its sequel, Jurassic Park was the first movie to really show us how a Dinosaur could look like. Even if we skipped through all the scientific inaccuracies of the film, we’d still find plenty of material to aid us in our dreams. 

The minute I found out about The Lost World’s toy line, I put my Power Rangers aside and dedicated my time to collecting and playing with its toys. My parents were more than happy with this switch, since the price of a single Zord could pay for more than five or six Dinosaurs and Action Figures. 

To this day, this is one of my most complete toy collections and quite possibly, the one that I have cherished the most. Somehow, I’ve managed to never lose any part, no matter how small it may have been. In truth the only sets that are incomplete are two Dinosaurs that I wasn’t able to find back in 97, and ended up buying on eBay a few years back.

Sadly, growing up in Portugal, especially in the 90’s, meant that a lot of the toys that you know to exist today never made it into stores. My teenage toy neglectful years didn’t help either, so for years, I was convinced that my The Lost World collection was complete and that I had owned all of the Dinosaurs, vehicles and action figures ever released from that series. I soon realized how wrong I was, mostly due to Jurassic World’s premiere in 2015. 

As it happened with Power Rangers’ upcoming movie, Jurassic World’s premiere made me venture into online forums in search of any information about the movie and its official merchandise. Although this new line was somewhat disappointing, I soon made my picks of must have Dinosaurs and limited items from this movies’ original release. However, as I was reading through the new toys’ discussions, The Lost World’s series kept coming up, and some of the Dinosaurs and sets that they were mentioning were completely new and, almost, alien to me.

I soon found Jurassic Park’s toy database, and was overwhelmed with the cheer quantity of items that had been produced over the last couple of decades. First Kenner, and now Hasbro, were keen on keeping the franchise alive, in spite of a general detachment of the fans from this franchise, especially after Jurassic Park III flopped at the box office.

In truth, my collection is far from complete, and sadly, some of the cooler looking sets were never sold in Portugal. Some of them have even had its value skyrocket over the last couple of years, due to an increase in demand for this unforgettable toy line.

It pains me sometimes to see how low the original cost of some of these toys was, especially when compared with how much you need to spend today to own them. Living overseas also means that the shipping cost for most of these items will sometimes exceed how much they’re worth. And as an investment, it’s a collector’s series that is hardly going to have any sort of return on profit. 

As someone who doesn’t seek to resell any of his toys, just owning the ones that I love the most is worth more than any profit. Thankfully, as incomplete as my collection may be, I can honestly say that the sets that I really want, I already own. So, nine-year-old me is very happy playing with his Dinosaur toys, still blissfully ignorant of all the ones he’s missing out on. 

Jurassic World brought back the excitement of waiting for a new line of Dinosaur toys. I ended up investing what little money I had put aside for this release, on Jurassic World’s Lego sets and on some of its Dinosaurs. As a cautious buyer I waited for the best sales and discounts to get the ones that I want, and as of now, I am only missing the Allosaurus from the Bashers & Bitters set, and the Hybrid Raptor from the upcoming Hybrid series, which I believe won’t even see the light of day on this side of the pond. 

Being a collector with a very short budget means a lot of hours dedicated to searching for the best discounts, and the best opportunities on eBay. Sometimes, you only get a few dollars off the original price, but if you’re lucky you might get them for half price or even a bit cheaper than that. 

One of the most awkward moments was probably when I was on a weekend away with my girlfriend last year, and I read about a 50% discount from an online store on Lego sets. It was my chance to get the Indominus Rex Breakout set at half price and I had only a few hours to buy it. The worst part was, I was nowhere near my laptop and could only access a very user unfriendly site using my own cell phone’s data plan. I ended up waking up early that Saturday morning, and after a few failed attempts I finally managed to place my order. It was a lot of unnecessary anxiety for the start of a weekend that was supposed to only be about rest and relaxation. But that is the life of a serious collector. 

Between rushing through crowds of angry shoppers and waking up at 6 a.m. to bid on an eBay auction, it’s a somewhat stressful hobby to have, but a very rewarding one. Especially for that brief moment when you finally have it in your hands and you’re no longer that adult filled with responsibilities and surrounded by stressful environments. No, you’re that nine-year-old boy playing with his brand new Raptor on Christmas morning. And life just doesn’t get any better than that.

For in that single moment, nothing else matters, there is only bliss. 

Wednesday, August 31, 2016

The Eternal Struggle between Money and Merchandise

Mighty Morphin Power Rangers (1993)
Growing up in the nineties meant that I was one of the lucky few to witness the birth of some of the most popular franchises of the last couple of decades. Can you believe that it’s been twenty years since the release of the first Pokémon game? Mighty Morphin Power Rangers had its television debut twenty three years ago in 1993, the same year that saw Jurassic Park hit theaters in a roar that would change the concept of summer blockbusters for years to come.

As an only child I spent most of my time after school at home watching TV. Fantasizing over these brand new worlds that cartoons, TV shows and movies created in our collective imaginary. I used to dream about going into outer space, traveling through time, discovering new dinosaurs, and saving the planet from evildoers. Everything was possible, limited only by our own imagination. I soon became a fan of the stories that best captured the wonder of a curious child eager to learn, to jump head first into a world of adventure, to travel to the unknown.

Of the many franchises that painted the background of my childhood mind, and plagued my parents’ wallet, three stood out among the rest: Jurassic Park, Power Rangers and Pokémon. Jurassic Park showed me how a Dinosaur could look like in real life. This single film brought these beautiful creatures back to life after millions of years. They were no longer fossilized bones or pictures in a book, they were real, they were big and they were wonderful. But even though the original movie caught my imagination from the very start, the first ever franchise to crawl its way into my toy collection was Power Rangers. 

I have yet to find a nineties kid who didn’t want to be one of the chosen teenagers with attitude to protect Earth from Rita Repulsa and Lord Zedd’s attempts at World domination. Sure, the acting was really bad and the story was at times confusing, but those costumes and, especially, their Zords won me over in a heartbeat. I confess that it didn’t hurt that two of their original Zords happened to be Dinosaurs, and that the other three were based on prehistoric animals. 

Mighty Morphin Power Rangers was the show that had me out of bed on early Saturday mornings just to watch the next chapter in their ongoing struggle against evil. All my birthday and Christmas gifts were, for the next four years, Power Rangers Zords, Weapons and Action Figures. From Mighty Morphin to Zeo and In Space, my Power Rangers’ toy collection isn’t that extensive, but it’s still one of my favorite mementos from my childhood.

Being a collector is in my blood, so much so, that I have begun to realize I’m literally running out of room to store, let alone display, most of my toy collection. Like every other little kid, I was pretty much broke throughout my entire childhood. My parents never really grasped the concept of an allowance, so I was only given enough money to buy lunch and school supplies. I was always a responsible child, even when I didn’t really understand the true value of money, or how much a certain toy cost, I was never too keen on the idea of spending what little money I had on such a futile thing.

So, every toy I had, at least, the ones that I really cared about, were always kept safe and somewhere where I could easily reach them. Sadly, I didn’t care much about my Lego collection back then, so a lot of them ended up losing a few parts, or getting lost altogether. A decision I would later live to regret.

Even though I cherished most of my Power Rangers collection, the same could not be said about their boxes. Sure, I still own most of them, since it was the best way for a kid to store his Zords, but Christmas Eve anxiety or just the cheer willingness to play with your new toy meant that most of the boxes were torn open on the first day. After all, I was a little kid, and little kids play with toys. Although my Zords and my Power Rangers Action Figures are pretty much complete, they were played with. A lot. And I mean a lot. Two of them have suffered from battery corrosion after my teenage toy neglectful years, and don’t work anymore. The earlier ones have high sticker damage, and some have a lot of dust incrusted deep in their individual crevices do to years of neglect and from being displayed in inappropriate places.

When my parents and I finally moved to our new home, they bought a few display cases for me to show off my Power Rangers toys. They’ve been well kept since then, and they’re still there, waiting for my occasional visit. I cared for them the best that I could over the years, in part because I thought they could gain in value as I grew up, but mostly because they were so dear to me. The sad truth is, even though they did increase in value, most of them didn’t really increase that much, and if you adjust the original price for inflation, I’m going to bet they still cost about the same, especially since they’ve been played with and most of their boxes are either ruined or covered in impossible to get rid of dust. 

Because of the new movie, that’s about to premiere in early 2017, I decided to start putting aside some cash that’s naturally going to be invested in Power Rangers merchandise. I’ve decided to buy the action figures, their Lego sets and, of course, the Zords. I might invest in some other movie merchandise if I find it appealing and if there’s any money left from my tight budget. 

To my own personal misfortune, I started googling about Power Rangers movie merchandise and ended up discovering that over the last four years, a new Legacy line of original Power Rangers Zords, action figures and weapons has been sold, sold out, traded and brought back. It has yet to reach Portugal, if it ever will, but it’s a huge success overseas. Had I known about this sooner, and I might’ve saved up to buy it and renew my current collection, but sadly most of it is now out of stock and second hand price is just going up through the roof.

It’s hard being a collector, especially when most of the stuff you want is never sold in your own country, not to mention when your income doesn’t allow you to truly take this hobby into the next level. 

A few years back I finally found a stable income situation, and after trying to save as much as I could for a couple of months, I’d decided it was time to start spending some of my hard earned cash on myself. Looking back, I should’ve slowed down a little bit, but I don’t regret most of the things that I bought. Sadly, no Power Rangers item made the cut, since I was very happy with my current collection and I had no clue about the existence of the Legacy line.

As the years went by, I found myself wondering about why I felt the need to own these things. As a child I would open each action figure, each board game and each Lego set and I would play with them. Now, I only keep them either on display, or saved away in their unopened boxes. 

The truth is, investing in my toy collection only means buying more stuff that is going to be sitting on a shelf, gathering dust, after I played with it for about fifteen minutes. And when I eventually run out of room, those that I’ve actually opened will go back into their original boxes, destined to sit forever at the back of my closet or up in the attic. 

It’s a hard thing to realize, but the truth is I don’t really need any of these things. Still, the urge and the need to buy them is just too damn high. I’m not an impulsive buyer. I might leave something sitting in my checkout cart for months or even years, either waiting for the right price, or discount, or for that moment when I decide it’s the right time to buy it. However, the urge never truly goes away, and it’s very rare when I can convince myself to shake off the idea of owning a certain item, especially if its price is actually within reason. 

I hardly ever suffer from buyer’s remorse, but to be honest that is only because I’m really good at rationalizing the need to own everything that is able to fit nicely in my own personal collection. I may have outgrown most of my stuff, but I still cherish and keep it close to my heart. Regardless of their current or future value, I would never be able to part ways from them. The pain of losing them would be just too hard and I would eventually end up buying back every single one.

Being a collector is part of who I am. It’s in my blood. No matter how many years go by, no matter how cheesy and poorly acted the original show was, Power Rangers will always carry a special place in my heart. It’s due to this very same strong emotional tie to the show, and to the impact that it had on my childhood, that these mementos are so dear to me, even after all these years. 

I might be a young adult, but I’m still a child at heart. And part of me is still in that playground yelling, ‘it’s morphin time’, wishing I’d be one of the chosen few to save the Earth from evil aliens from outer space. 

Thursday, June 30, 2016

A Indiferença de Nada Surf

Nada Surf, You Know Who You Are
Only when we get to see the aerial view, will the patterns show. We'll know what to do.
Inside of Love, Nada Surf

Noites primaveris ao volante do meu velho Toyota a caminho do Furadouro. É nisso que penso sempre que ouço a Always Love dos Nada Surf. Cada música presente na nossa íntima playlist leva-nos para um local, um momento, uma emoção, um sentimento. Outras transportam-nos para actos rotineiros, simples ocasiões pontuais ou actos espontâneos. Mas todas guardam algum sentido particular que transcende a melodia e até mesmo a própria letra.

Nada Surf é uma daquelas bandas que marcam presença nas gavetas mais recônditas do nosso arquivo mental. Aquele nome que reconheces mas que não consegues identificar. Aquele momento ‘Eureka!’ que se acende no teu cérebro no preciso instante em que o primeiro acorde começa a tocar. 

Por mais Indie, alternativa, ou modesta que uma banda seja, acaba sempre por reunir uma série de fãs capazes de correr meio mundo para não perderem um único concerto. Aqueles que decoram os seus quartos com posters e t-shirts. Com todos os álbuns em CD e vinil nas suas prateleiras, e cada bilhete religiosamente guardado, ou até mesmo exposto como pessoais e intransponíveis Mona Lisas, reservadas para os olhos dos poucos sortudos que os desejem visitar.

Mas, para os restantes mortais, muitas dessas bandas acabam por cair no esquecimento. Remetidas a uma ou outra música presente nas playlists dos seus leitores de mp3, ou àquele álbum que compraste na tua adolescência, e que ainda hoje permanece no mesmo canto da tua estante a ganhar pó, ano após ano, sem nunca sair da sua caixa. 

Bandas de fundo que pontualmente aterram aleatoriamente no presente de um dia qualquer. Convences-te que provavelmente já terminaram e que não mais voltaram a tocar ao vivo, ou a lançar um novo single sequer. Talvez alguém se tenha lembrado de perguntar por uma reunião da banda para celebrar um ou outro momento histórico. Sugestão essa que os antigos membros acabaram por descartar por estarem demasiado ocupados com novos projectos, ou então, porque simplesmente já não se dão bem entre si.

Contudo, a história de Nada Surf não cai em nenhum destes lugares comuns. Há dias descobri que não só a banda ainda continua junta, como não pararam de lançar álbuns nos últimos dez anos.

Mas a maior surpresa ficou reservada para o fim. Os últimos dois álbuns são mesmo muito bons. ‘You Know Who You Are’, lançado em Março deste ano, é o oitavo disco de originais desta banda norte-americana. A celebrar o vigésimo aniversário do lançamento do seu primeiro álbum High/Low, no já longínquo Verão de 1996, os Nada Surf estão de regresso após quatro anos de ausência com uma das suas melhores obras musicais até ao momento. 

Nada Surf apresenta-se como uma banda mais madura, com letras profundas e uma melodia energeticamente positiva. É notável a grande evolução musical da banda nos catorze anos que separam este álbum de Let Go, o terceiro e mais popular disco deste grupo nova-iorquino.

You Know Who You Are’ segue na inspiração de ‘The Stars Are Indifferent to Astronomy’ (como adoro este título), e apresenta-se como um álbum que vale pelo seu todo. Cada faixa segue em crescendo apoiando-se no élan da anterior para concluir em beleza no epílogo de ‘Victory's Yours’, a música que remata este disco. Dois álbuns que funcionam quase como duas longas músicas em constante progressão, a lembrar os melhores momentos de bandas como Lifehouse e Angels & Airwaves

Nada Surf ganhou assim uma maior relevância na minha playlist pessoal. Não ao ponto de colar posters da banda no meu quarto, ou de forçar algum investimento considerável na aquisição dos seus álbuns. Mas, se algum dia tocarem numa cidade próxima de mim, quem sabe se não estarei na primeira fila para lhes agradecer por estas duas grandes obras, e excelentes fontes de inspiração.

As estrelas podem ser indiferentes à astronomia, já eu não sou indiferente a Nada Surf.

Friday, May 13, 2016

Privilégio

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Porque eu sou do tamanho do que vejo 
E não, do tamanho da minha altura...
Fernando Pessoa

O paradigma da relação empresa/trabalhador no mercado português encontra-se estagnado. Está fora-de-moda, bolorento, decadente e a apodrecer. Caiu em desuso há mais de quarenta anos, mas, contudo, ainda ninguém foi capaz de despertar os empregadores para a realidade das dinâmicas do mercado internacional. 

Num país que se orgulha de ser bastante conservador, ao mesmo tempo que tenta promover lá fora uma imagem de bastião das políticas de mercado livre globais, não deixa de ser estranha a forma como o capitalismo continua a ser visto internamente como um mero desígnio teórico. Apenas aplicável às relações entre chefias, e ao consumismo esforçado do proletariado comum.

Quantas vezes não ouvimos alguém falar no privilégio que é certas e determinadas pessoas terem a oportunidade de trabalharem para uma empresa em particular. Esta é uma ideia deturpada, retrógrada, gasta e ilusória. Privilégio é apenas uma palavra que fica bem numa carta de apresentação ou numa entrevista. Nada mais. Todo este conceito está virado do avesso. Não é um privilégio trabalhar para uma certa empresa, mas sim, o facto de essa empresa nos poder ter a nós como trabalhadores. 

Reconheço que para muitos o seu emprego de sonho passa pela oportunidade de trabalhar para uma entidade em específico, ou com uma pessoa em particular, seja ela um ídolo, ou apenas alguém que admiram e que sonham ter como par. Contudo, para a grande maioria, um emprego é apenas uma forma de fazer aquilo que gostamos em troca de uma remuneração adequada às nossas funções e ao nosso desempenho como trabalhadores. 

É fácil e tentador para um empregador ter uma classe verdadeiramente subordinada sob o seu controlo. Empregados que apenas marcam o ponto, fazem o que têm a fazer, com medo ou desinteresse em levantar uma questão que seja sobre as diversas situações que diariamente assolam a empresa que o emprega. 

A crise económica dos últimos anos podia ter sido vista como uma oportunidade para alterar este paradigma. Para criar um mercado de trabalho aberto e livre. Onde cada possível trabalhador entraria em competição entre várias empresas, cada uma há procura daquele com as melhores credenciais para suprir as suas necessidades, aliciando-os com salários e extras bem mais atraentes que os dos restantes competidores. 

Em vez disso, as empresas fecharam-se. Reduziram as despesas. Investiram na mediocridade, ameaçaram os seus trabalhadores com desemprego, e alimentaram a ideia de que é preferível ter um emprego cinzento, desgastante e opressivo, a nos aventurarmos pelas imprevisibilidades do mercado.

Essas empresas, aquelas que ainda não faliram, estão a perder o comboio da modernização para as suas congéneres estrangeiras, e para inovadoras startups que não recearam quebrar este paradigma há muito estabelecido como regra de péssimos costumes. A sua força laboral é fraca e doente. Apenas faz o mínimo possível, sem qualquer paixão pelo seu trabalho, pois assim ditaram as chefias através do seu constante ambiente de ameaças infundadas e de cortes salariais constantes. 

Parte da natureza humana grita por almejar a felicidade. Não fomos feitos para ser gado. Não fomos feitos para aceitar incólumes as constantes injustiças que mentalidades retrógradas insistem em impor à classe trabalhadora.

Pois no que a isto diz respeito, os empregadores que ainda assim pensam, estão condenados ao fracasso. Empresas como a Google, o facebook, a Apple e a Microsoft, cresceram e construíram os seus impérios, não à base da opressão, mas sim através da criação de oportunidades, de condições e de ambientes, aliciantes e capazes de atrair as melhores mentes das suas respectivas áreas. São vistas como empresas de sonho não pelos salários, ou pela sua visibilidade, mas sim pela forma como tratam os seus trabalhadores, pelos extras que lhes oferecem e pelo ambiente de abertura, liberdade e competição saudável dentro e fora da própria empresa. 

Mas isto não é algo apenas aplicável às grandes tecnológicas. Qualquer empresa pode-o fazer. Independentemente do seu tamanho. Está apenas à distância da imaginação e da capacidade de inovar de cada um dos seus empregadores.

Não é por nada que hoje vemos tanta gente a preferir emigrar, ou a investir nas suas próprias ideias, ao invés de se sujeitarem à banalidade de trabalharem para um energúmeno qualquer sem capacidade de compreender o quão diferente é o Mundo e o mercado actual. 

Durante meses perdemos horas a analisar as diversas transferências nos mais variados mercados desportivos. O mundo do trabalho real não devia ser diferente deste. Os melhores deviam sempre ser aliciados com novos contratos, e cada empresa devia ter o seu próprio departamento de scouting. É assim que funciona lá fora, mas, por cá, ainda tarda a chegar.

Os tempos de ficarmos ligados a uma só empresa durante vinte, trinte ou quarenta anos, há muito que já lá vão. Não nos devemos contentar apenas com aquilo que temos, mas sim, ter sempre a ambição de almejar a algo melhor. E se essas condições não existem internamente, não devemos ter medo de procurar outra empresa, outra cidade, ou outro país, capaz de nos dar aquilo que verdadeiramente merecemos. 

O verdadeiro privilégio é a empresa que reconhece e valoriza os trabalhadores que tem e que tudo faz para não os perder. Está na hora de mudar a retórica. O privilégio é todo vosso. Nós apenas estamos cá de passagem. Parem de nos tomar como garantidos, pois à mínima oportunidade estaremos sempre prontos para dar o salto e voar para novas e melhores paragens. 

Wednesday, April 20, 2016

Idiossincrasias

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Poucas coisas são mais irritantes que aquela palavra teimosamente presa na ponta da tua língua. Momentâneas obsessões que tomam conta do teu cérebro. Mordazes e incapacitantes obsessões. Persistentes obsessões. Enfurecedoras obsessões. Obsessões. Obsessões. Obsessões.

Uma importante parte dos meus constantes desafios e exercícios mentais passam pelo controlo do sentimento de obsessão. Aquela voz inquietante que não te deixa adormecer enquanto não te certificares se desligaste de facto o aquecedor. Que te incita a verificares o e-mail que acabaste de enviar para teres a certeza que não te esqueceste de nenhum anexo. Isto apesar de já o teres revisto umas dez vezes antes de carregares no botão de envio.

Em certos casos esta obsessão pode ser útil. É aquele pequeno gesto que te impede de enviar um projecto com erros, e que impele um certo toque perfeccionista em cada obra que produzes. Não fosse assim, e ‘ser um perfeccionista’ seria tudo menos a resposta mais comum à pergunta, ‘qual o teu maior defeito’. Contudo, há um motivo para que ser-se perfeccionista encaixe na categoria de defeitos e não na de virtudes. A perfeição consome uma grande quantidade de tempo. Tempo esse que é precioso. Tempo esse que é apertado. Tempo esse que não tem lugar para obsessões. Especialmente para aquelas que pouco ou nada têm de racional.

Há dias tinha uma palavra presa na ponta da minha língua. Tentei ignorá-la e descansar na hipótese de que eventualmente a iria recordar. Contudo, não há obsessão mais difícil de controlar que esta. Não há nada mais irritante que aquela palavra que não consegues dizer. Após alguns minutos a arranhar o meu cérebro, escavando o meu subconsciente em busca de algo que me pudesse ajudar a encontrá-la, apenas descobri as seguintes pistas: F podia ser a primeira letra da palavra; Quintessência; e uma possível sílaba com um som ‘L’. 

A minha mente funciona de forma misteriosa, abstracta e demasiado complexa, mesmo para a minha própria compreensão. A palavra que procurava era um termo usado maioritariamente pela classe política e cujo significado é ‘uma característica comportamental peculiar a um indivíduo ou grupo’. Nada tem a ver com quintessência, e as pistas silábicas estavam erradas.

Após uma longa e infrutífera pesquisa online, parei então o episódio da série que estava a ver e fui escavar por entre uma pilha de livros em busca de um velho dicionário da Porto Editora. É um daqueles volumes laranjas pesados que raramente vemos em uso hoje em dia. Encontrei a letra F e folheei na diagonal todas as páginas desta letra, em busca da palavra que tanto me atormentava.

Enfim, desisti e recorri ao último recurso que apenas uso em caso de emergências obsessivas: pedi ajuda nas redes socias. Após uma breve troca de comentários jocosos, acabei por encontrar alguém capaz de me ajudar: Idiossincrasia. Era esta a palavra que me tinha atormentado nas últimas horas.

Sim, compreendo a profunda ironia de ter uma obsessão, ou melhor, uma característica comportamental peculiar à minha pessoa, a ditar uma incessante busca pela palavra ‘idiossincrasia’.

Não consigo descrever o sentimento de alívio que senti quando finalmente a reencontrei. Talvez seja esse sentimento a verdadeira quintessência da minha obsessão. O meu desejo por essa sensação de tranquilidade e calma catártica força-me a obcecar pela mais ínfima coisa, de forma a satisfazer a minha dose diária de paz intelectual.

Talvez isto não passe mesmo de uma característica comportamental peculiar à minha pessoa. Apenas sei que, até hoje, raras são as vezes que as pistas do meu cérebro fazem sentido a alguém que não a mim próprio. E, neste caso, nem aí surtiram algum efeito.

São as nossas próprias idiossincrasias que ajudam a construir as peculiaridades da nossa personalidade. Algumas são benéficas, outras são irritantes. Algumas são estruturantes, outras necessitam de ser trabalhadas. 

Há dias falhei em controlar a minha obsessão. Já ontem. Ontem fui dormir sem me preocupar se tinha tirado ou não as pilhas da lanterna. Pequenos passos num longo caminho. Episódicos dias, cada um a seguir ao outro.

Tuesday, April 12, 2016

Liberdade de Debate e Contra-argumentação

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Show me one piece of evidence and I would change my mind immediately

Bill Nye

Há certas coisas que não compreendo. Na base de todos os debates e discussões existem sempre, pelo menos, duas visões opostas sobre um determinado tema. O segredo para uma boa contra-argumentação passa pela capacidade de calçarmos os sapatos do nosso opositor, de compreender a origem das suas opiniões, e de desconstruir eventuais erros de lógica, de pesquisa de conteúdo, e de buracos nos seus argumentos. Contudo, este processo torna-se impossível quando nos encontramos frente a um discurso ilógico, sem nexo e sem sentido.

A acção mais simples, quando nos deparamos com este género de situações, é simplesmente ignorar. Deixar um qualquer energúmeno a falar sozinho com as suas paredes é um mecanismo muito eficaz. A sua mensagem não é replicada, e as eventuais vozes de apoio mantêm-se silenciosas por falta da tão desejada publicidade, que assim é negada a esse sujeito.

Mas, hoje em dia, a ubiquidade da nossa presença online torna difícil que alguém, por mais ilógico e irracional que seja, se mantenha incógnito e ignorado. Na maioria das vezes são as próprias pessoas que se opõe às suas ideias e que as acham ofensivas, quem mais contribui para a divulgação das mesmas. Ao partilharmos visões profundamente deturpadas, estamos a dar-lhes a voz e o meio que estas tanto desejam para se propagar. 

No entanto, ao ignorarmos essa pessoa perdemos também a oportunidade de a educar e de partilhar uma visão do Mundo, diferente daquela que ele tenta propagar. O problema é que a natureza da nossa presença online, dita que o nosso tempo seja demasiado valioso e escasso para o gastarmos a contra-argumentar contra alguém que, na maioria das situações, vai continuar a bater o pé, incapaz de compreender as tuas intenções, ou até mesmo de perceber o porquê da tua vontade em debater esse tema. 

Encontramo-nos assim numa encruzilhada onde nenhuma das opções parece ser minimamente atraente. Entre ignorar e dar início a um debate, com o tempo descobrimos que ambas as opções são as correctas. O segredo está em saber escolher as nossas batalhas. Em perceber quando devemos defender aquilo em que acreditamos, ou que vemos como correcto, e quando devemos apenas seguir em frente com as tarefas do nosso dia-a-dia. Existe ainda uma terceira opção, direccionar o argumento para alguém com melhores capacidades de contra-argumentação, ou com maior conhecimento sobre o tema, e que esteja disponível para o desenvolver em teu lugar, naquele determinado momento.

É difícil para mim compreender como ainda hoje existem pessoas intolerantes, misóginas, racistas, homofóbicas, enfim, pessoas que dedicam a sua vida a tentar assegurar que os restantes não têm direito a serem iguais as si próprios de uma forma livre, sem serem constantemente sujeitos a qualquer tipo de julgamento ou de privação dos seus direitos mais básicos.

Existem diversas situações divergentes que, de um ponto de vista ideológico, tenho muita dificuldade em compreender, mas que, contudo, sou capaz de perceber o que poderia levar alguém a pensar dessa forma. 

Não compreendo porque certas pessoas não conseguem ver a Humanidade como uma sociedade heterogénea mas merecedora de igualdade no que diz respeito aos direitos mais básicos. Não compreendo como um jovem pode defender um ensino superior com propinas. Não compreendo como alguém possa não querer que o nosso sistema de saúde seja universal e gratuito. Não compreendo como existem pessoas que acham que nem todos temos o direito a uma habituação e ao livre acesso a alimentos e refeições. Compreendo muito menos aqueles que se opõem a uma sociedade baseada no mérito de cada um, independente do estrato social de origem, do género, da raça ou do credo.

Não compreendo quem prefere a ignorância à educação. A pobreza de espírito à riqueza de conhecimento. O ódio ao amor. A guerra à paz. A morte à vida. 

Estamos mais ligados do que nunca, mas nunca foi tão fácil isolarmo-nos do resto do Mundo. Um estudo recente demonstrou que as pessoas de pensamentos extremos, sejam elas mais liberais ou mais conservadoras, têm uma tendência para delinear nas suas redes sociais um único consumo de ideias que se enquadrem nas suas. Isto significa que alguém que seja muito conservador, tem uma maior tendência para consumir medias conservadores e para excluir todas as pessoas liberais que existem nas suas redes. Este efeito faz com que o extremismo aumente, tornando cada vez mais difícil para estas pessoas compreenderem a origem dos argumentos daqueles que lhes opõem.

Isto é algo que precisamos de combater o quanto antes. A ignorância e o ódio apenas alimentam mais ódio e ignorância. A situação actual, com atentados terroristas na Europa Central, Ásia e Médio Oriente, o número crescente de refugiados, e de conflitos que os provocam, foi toda catalisada pelo medo, pela ignorância, e pela intolerância. Pela incapacidade dos povos ocidentais de compreenderem o sofrimento que a guerra e a desigualdade social causa em cada país que atropelámos e deixámos ao abandono. 

O cidadão comum pouco pode fazer para mudar esta situação. Mas uma pequena parte da solução está na nossa capacidade de educar as vozes de medo e de discórdia que todos os dias vemos partilhadas nas redes sociais. 

Hoje, apenas temos tempo para ler um título. Poucos são aqueles que lêem o lead, muito menos aqueles que consomem toda a notícia, e ainda menos aqueles que vão pesquisar informação complementar para saberem mais sobre o que se está a passar, como chegou a acontecer, e porque está a acontecer. 

Há certas coisas que não compreendo. Pessoas, ideias e acções que nunca serei capaz de perceber o porquê da sua origem. Contudo, defendo a liberdade de cada um em expressar a sua opinião. E se querem provar-me errado, apresentem-me as provas e os factos, e aceitarei com bom grado a vossa argumentação. Se não forem capazes de o fazer, talvez esteja na hora de repensarem os vossos argumentos. 

Tens o direito de te expressar. Temos o direito de não te ouvir.