Friday, July 13, 2012

Sob Resgate

Ontem à tarde apanhei um grande susto. Daqueles que te fazem beliscar na esperança que seja apenas um pesadelo. Enquanto navegava pela Web apareceu um pop-up que ocupou todo o meu ecrã e que me impedia de aceder fosse ao que fosse. Mesmo o gestor de tarefas estava fora do meu alcance. Esse pop-up alegava que o meu PC tinha sido bloqueado pela Polícia Judiciária Portuguese, não isto não é um erro, estava mesmo escrito Portuguese em vez de Portuguesa. Após o pânico inicial comecei a ler o pop-up com atenção. Além desse erro, os vários decretos-leis lá indicados estavam quase ilegíveis. Pareciam ter sido escritos por crianças de oito anos que tinham estado desatentas ao ditado da professora.

Como se isto não fosse suficiente, esse aviso exigia que eu pagasse nas próximas 72 horas a quantia de R € 100 (cem euros de reais?) através do Ukash. Apesar de isto claramente indicar que se tratava de um vírus, pelo sim, pelo não, liguei para a Cabovisão para confirmar que a minha internet não tinha sido bloqueada pela PJ. Depois deles me terem confirmado que este aviso não passava de um vírus, o meu passo seguinte foi encontrar uma forma de me livrar dele sem ter que formatar o PC.

Nas minhas pesquisas descobri que este vírus chama-se Metropolitan Police Ukash Virus e que surgiu pela primeira vez em Inglaterra no final do ano passado. Desenvolvido por um hacker Russo, este vírus é um formato específico de malware, conhecido como ransomware que, como o próprio nome indica, coloca os computadores sob resgate e impede os utilizadores de fazer seja o que for a menos que paguem a quantia explícita.

Inicialmente encontrei uma página que indicava que para me livrar deste malware tinha que substituir o ficheiro Explorer.exe infectado em Modo Segurança. Assim fiz, mas o vírus não desapareceu. Um dos pontos fracos deste vírus é que se torna inactivo se ligares o computador com a internet desligada. Se assim não o fizeres, o teu PC bloqueia imediatamente no arranque e aparece a mensagem de aviso. Felizmente isto aconteceu-me no meu portátil de 2006 que é tão lento a iniciar que me dava mais do que tempo suficiente para terminar o processo Explorer.exe antes que o vírus aparecesse.

Finalmente descobri a solução para me livrar deste vírus num fórum português sobre malware. Bastava instalar o Malwarebytes e correr o diagnóstico em Modo de Segurança e voilá, três infecções detectadas e eliminadas após duas horas e meia de análise extensiva ao sistema.

Para jogar pelo seguro fiz o mesmo com o meu portátil mais recente, inicialmente desinstalei o Mozilla Firefox e procedi à desinfecção do sistema. Foram encontradas 24 ameaças, nenhuma delas era o tal ficheiro de ransomware, mas mesmo assim, foi da forma que corrigi alguns problemas que tinham passado incólumes ao meu anti-vírus. Porque desinstalei o Mozilla Firefox, estarão alguns de vós a perguntar. Bom, este ransomware infiltra-se nos computadores através de pop-ups infectados e plugins com erros. No meu portátil de 2006, há já vários dias que o Flash Player estava constantemente a dar erro, presumi que tal se devia a um emulador que tinha instalado recentemente e que consumia bastante do processador do PC. O ransomware aproveitou-se desta fragilidade para se infiltrar no meu computador. No meu outro portátil já há dias que não conseguia ver vídeos do Youtube no Mozilla Firefox. Instalei novamente o Flash Player e a situação manteve-se igual. Como conseguia ver os vídeos no Chrome, presumi que fosse algum problema de compatibilidade e decidi esperar para que o Mozilla Firefox se actualizasse. Com medo que o ransomware pudesse já se ter aproveitado desta fragilidade do meu browser, optei por o desinstalar antes de fazer fosse o que fosse.

De certa forma sinto-me orgulhoso de mim próprio por ter sido capaz de resolver esta situação sozinho sem recorrer a qualquer ajuda externa. Há três anos atrás, numa altura em que era tão imprudente que nem sequer usava anti-vírus, fui vítima de um ataque massivo de cerca de 1200 vírus. O meu PC ficou bloqueado e tive que o levar a uma loja de informática para ser limpo e formatado. Na altura esta “brincadeira” custou-me quase 70 euros, por causa de ter ainda que comprar uma licença de anti-vírus.

Quando a licença terminou comecei a usar o anti-vírus gratuito Avast e até ontem não tinha tido nenhuma razão de queixa. Espero agora que o Malwarebytes em conjunto com o Avast sejam capazes de manter os meus portáteis seguros e livres de qualquer tipo de resgate ou spyware.

Da próxima vez que vos aparecer um aviso da Polícia Judiciária Portuguese a dizer que o vosso PC está bloqueado e que têm que pagar uma multa de R € 100 por causa de downloads ilegais e spam, não entrem em pânico, reiniciem em Modo Segurança e instalem o Malwarebytes. Problema resolvido de forma simples e sem qualquer custo.      

Wednesday, July 04, 2012

Grafeno: Potencial na Ponta de Um Lápis

Imagem: Folha de Grafeno
Supercondutores, supercapacitadores e nanotecnologia, são alguns exemplos das possíveis aplicações deste derivado da grafite. Descoberto por Hanns-Peter Boehm em 1962, o grafeno é uma folha plana de átomos de carbono densamente compactados. Considerado um dos materiais mais resistentes até hoje descobertos, este compósito de carbono permite a construção de nanoestruturas com um elevado valor de condutividade e de capacitação de energia.

Por outras palavras, o grafeno permite o desenvolvimento de processadores mais rápidos e compactos, e de baterias de longa duração com aplicações nas áreas da informática, electrónica, na distribuição e armazenamento de energia e no aumento da autonomia dos veículos eléctricos. A investigação desenvolvida no âmbito destras aplicações valeu em 2010 o Prémio Nobel da Física aos cientistas de origem russa Konstantin Novoselov e Andre Geim.

O mais curioso sobre este material é a sua simplicidade. Composto apenas por átomos de carbono, o principal elemento estruturante de toda a vida na Terra, pode ser desenvolvido a partir da grafite, um mineral comum usado em lápis, sim, lápis. Todos os lápis que alguma vez usaram ao longo da vossa vida eram feitos de grafite.

Este mineral constituído apenas por átomos de carbono é, na sua base molecular, muito similar aos diamantes, também estes compostos apenas por carbono. Considerados como as maiores moléculas existentes, os diamantes apenas diferem da grafite na sua ligação entre as várias camadas de carbono. De facto, a própria grafite pode ser transformada em diamantes. Para isso, basta submete-la a pressões e temperaturas elevadas, semelhantes àquelas pelas quais os diamantes passaram nos 3,3 mil milhões de anos que demoraram a ser criados. Sim, esse pedaço de “gelo” que têm no vosso anel de noivado é quase tão antigo como a própria vida – estima-se que os primeiros indícios de vida no nosso planeta remontam à 3,65 mil milhões de anos atrás.

Embora já tenham sido criados diamantes em laboratório através de grafite, não comecem a coleccionar os lápis que têm perdidos lá em casa, pois embora à primeira vista estes falsos diamantes não aparentem ser diferentes das suas cópias reais, têm um valor de mercado insignificante e não passam despercebidos ao mais comum dos ourives. 

Sendo o grafeno um dos principais materiais do futuro, as suas aplicações não se resumem apenas às áreas do processamento e da energia. O desenvolvimento de nanotecnologia com base em grafeno permite que este tenha aplicações em biotecnologia, saúde e ciências biomédicas. Está inclusive a ser desenvolvido no Instituto Superior Técnico (IST) de Lisboa um projecto que potencia o uso de nanotecnologia na distribuição de medicamentos pelo organismo e na detecção de células cancerígenas.

Todo um universo de novas descobertas e desenvolvimento tecnológico em potencial, resguardado ao longo dos séculos na ponta de um simples lápis.

Sunday, June 10, 2012

Análise aos meus “amigos” do facebook

O primeiro pensamento que vai passar pela cabeça de todos aqueles que lerem isto é: este tipo tem demasiado tempo livre. Neste caso, mais do que não ter nada que fazer, foi a vontade de procrastinar as minhas tarefas com algo que me entretivesse durante um bom bocado, que falou mais alto.

É raro conhecermos alguém que não tenha conta no facebook. De todas as pessoas com quem convivi ao longo dos últimos anos, apenas consigo nomear quatro que continuam a resistir a esta rede social. Algumas chegaram mesmo a cancelar as suas contas, voltando mais tarde a criá-las novamente.

Seja por motivos profissionais, ou apenas para manter um certo estatuto de acompanhamento continuado da actualidade social, mantemo-nos ligados ao facebook. Esta rede social passou de um dia para o outro a ser um espelho da nossa vida, um diário aberto ao mundo, um ponto de encontro para amigos e colegas e uma forma de reencontrar pessoas e de reatar laços há muito desenleados.

Decidi então analisar o meu facebook e descobrir quem são os meus “amigos” nesta rede social. Actualmente tenho 469 “amigos”. Para alguns, um número exagerado, para outros apenas uma fracção insignificante quando comparado com perfis que chegam aos cinco mil seguidores. Para mim é um número simpático que podia ser bem menor, fosse eu um dia lembrar-me de separar o trigo do joio.

Mas vamos lá aos números. Como podem ver pelo gráfico, dividi os meus seguidores pela forma ou pelo local onde os conheci. Os 31 perfis catalogados como “Organizações” referem-se a perfis de pessoas que não são pessoas, mas sim organizações, associações e empresas que ainda não aprenderam a criar páginas no facebook. Algumas são relativamente antigas, outras apenas adicionei por cortesia para com os seus membros. 

Gráfico: Análise Facebook Friends
A categoria “N/a” representando 17,7% (ou 83 perfis) dos meus seguidores, agrega todos aqueles que embora sejam meus “amigos” no facebook, nunca os conheci pessoalmente, nem tão pouco falei com eles. Oitenta e três pessoas que por um motivo ou outro me enviaram convite de amizade e eu aceitei, mas que não mais voltaram a interagir comigo.

A ocupar cerca de 7% dos meus seguidores, com 33 membros, a categoria “Internet” identifica as pessoas que conheci pela net, fosse através de fóruns, chats ou redes sociais e que posteriormente acabei mesmo por conhecer pessoalmente.

Local N.º %
Licenciatura 145 30,92
Experiência Profissional 70 14,93
Mestrado 33 7,04
Internet 33 7,04
Liceu 30 6,40
Amigos de Amigos 23 4,90
Formação 17 3,62
Família 2 0,43
Viagem 2 0,43
Organizações 31 6,61
N/a 83 17,70

As restantes categorias falam por si. Em destaque está a categoria “Licenciatura”, com 145 membros, a representar quase um terço do meu total de “amigos” no facebook. No lado oposto da tabela estão as categorias “Família” e “Viagem” – que representa as pessoas que conheci em viagem –, com dois membros cada. Não é que eu tenha uma família pequena, mas a maioria deles não se aventura muito pela Internet.  

Além destes 469, tenho mais 48 convites pendentes. A maioria são de pessoas que não conheço, sem amigos em comum, e de organizações que ainda não descobriram as facebook pages. Ouvi há meses um rumor de que o facebook ia terminar com os perfis que não fossem de pessoas reais. Mas pelos vistos, não passou de um rumor.

A título de curiosidade os meus “amigos” no facebook são compostos por 323 (68,87%) mulheres, 115 (24,52%) homens e 31 (6,61%) empresas e organizações.

Se retirar as empresas e as pessoas com quem nunca falei da equação, o meu facebook passaria a ter apenas 355 seguidores. Óbvio que destes todos apenas posso chamar verdadeiramente de amigos a uma pequena percentagem. Contudo, não deixa de ser engraçado ver a quantidade de pessoas que passaram pela minha vida, por mais breve que tenha sido o meu contacto com elas. Claro que ainda há inúmeras pessoas que por um motivo ou outro não pertencem aos meus “amigos” do facebook. Ora por não terem perfil nesta rede social, ora por terem escolhido não aceitar os meus pedidos ou por terem posto fim à nossa amizade facebookiana.

No fim de contas, como se costuma dizer em futebolês, só faz falta quem cá está. E isto das redes sociais não é mais do que uma brincadeira com a qual ocupamos o nosso tempo livre ou a quem recorremos quando nos apetece deixar para amanhã o que podíamos ter feito hoje.          

Thursday, May 31, 2012

A luta contra a página em branco

São três da tarde e ainda nada me ocorreu. Tive dois sonhos vívidos esta noite. Ambos partilhavam uma extrema complexidade de argumento e uma história com um fio condutor bem definido. Um deles podia mesmo dar uma boa sequela para o filme Jurassic Park, tivesse eu a paciência necessária para escrever ficção fanática. Já o primeiro continua a ocupar-me o pensamento enquanto faço um derradeiro esforço para relembrar todos os pormenores dessa estranha história. Bom, talvez esta seja demasiado obscura, demasiado pessoal, demasiado emocional, para eu alguma vez a partilhar com o mundo.

Não me apetece divagar sobre o caos organizado do meu subconsciente. Hoje reparei que a cadeira onde estava sentado estava com algumas peças descoladas. Tenho que avisar os meus pais para pensarem duas vezes antes de convidarem familiares obesos para jantar cá em casa. Isso, ou talvez esteja na hora de voltar a fazer exercício. Se bem que apesar de actualmente ter uma vida mais sedentária que aquela que tive no último ano, acabei por perder dois quilos nos últimos meses. E isto apesar de ter deixado de comer kiwis. Talvez o facto da cantina do meu emprego actual ser muito menos gordurosa que a do meu anterior, tenha sido importante para alcançar este feito, embora hoje em dia caminhe muito menos e faça uma viagem consideravelmente menos desgastante que aquela que o meu emprego anterior obrigava.
 
Acho engraçado como há pessoas que pensam que eu vivo no Porto. Serei o único com a consciência suficiente para poupar em trivialidades comodistas de forma a precaver a constante incerteza do futuro? Isso, ou sou o único que não tem outros meios de financiamento além do actual salário.
 
Também pensei em falar sobre o referendo irlandês e na inexistência de um referendo de igual intuito para estes lados, mas não me apetece. Nunca foi meu hábito usar este sítio para comentar a actualidade. Embora já o tenha feito em determinadas situações, este não é um tema que pelo menos hoje mereça ser alvo de uma excepção.
 
Fazer um comentário, ou uma crítica ao livro, Só o Sangue Cheira a Sangue da poetisa russa Anna Akhmatova, também seria uma opção, não fosse eu demasiado preguiçoso para esse tipo de coisas. Deixo isso para os pseudo-intelectuais que adoram comentar seja o que for, numa busca incessante por elogios por parte dos seus pares. Como o Paulo uma vez me disse, referindo-se ao facto de eu não ter mexido uma palha na execução do Rarely Interesting: “Nem sequer lá foste dizer ‘É pá, este livro é fixe!’” Não encaixei bem esta citação com o resto do meu argumento, mas também não tem importância.
 
Ainda pensei fazer um daqueles exercícios do género, isto é um título, isto é a primeira frase, e por aí adiante. Talvez faça um dia, mas hoje parece-me despropositado.
 
Amanhã é o Dia Mundial da Criança. Não tenho muito a dizer sobre isto. Uma vez a minha mãe ofereceu-me um helicóptero de brincar. Não levantava voo, apenas acendia umas luzinhas, comprou-o no Barreto. Foi uma surpresa engraçada, mas não lhe prestei muita atenção. Segundo o que ela me disse, houve um ano em que tive uma amigdalite e tive que ser internado neste dia. Não me lembro, duvido que seja verdade, mas provavelmente é. Não tenho memória de nada antes dos meus 4 anos e até aos 9 há uma neblina permanente. É difícil distinguir as memórias de imagens recriadas na minha mente, baseadas naquilo que me contaram ou em fotos de outros tempos.
 
Ontem encontrei o João Tiago, também conhecido por Acosta, no Continente. Falou-me da minha professora da primária, que ela tinha perguntado por ele. Vi-a há uns meses quando fui andar a pé até ao Furadouro com os meus pais. Está igual.
 
Há um ano não escrevi nada neste dia. Era uma terça-feira. Provavelmente limitei-me a ir trabalhar, voltei para casa e pouco ou nada fiz. Ainda andava às voltas com a tese. Nessa fase já devia estar a filmar a machinima que usei no meu projecto de vídeo interactivo. Já, como quem diz, ainda. Atrasei-me bastante, mais valia ter adiado a entrega e ter-me esforçado um pouco mais. Paciência.
 
Não me apetece falar de futebol. Nem das escolhas do Paulo Bento, embora ache que com a saída do Carlos Martins falta ali um número 10 para o meio campo, nem da derrota do Sporting CP na Taça, embora tenha sido injusta.
 
Pensei falar sobre como sinto que o meu inglês escrito está um pouco enferrujado. Enfim, abordarei esse tema num futuro próximo, mas não hoje.
 
Estou farto de reminiscências sobre o liceu. A sério.

Ainda não fui a Londres, nem a Paris. Talvez tente marcar para Dezembro, mas duvido que seja possível. Vai estar frio e com o desemprego eminente não vou ter coragem para gastar dinheiro nesse tipo de viagens.

Há outros assuntos sobre os quais me apetece falar. Mas já tenho tido tantas conversas profundas comigo próprio sobre esses temas que na altura de os pôr no papel dá-me preguiça para me repetir. Já para não dizer que quando finalmente paro para os escrever nunca soam tão bem como os argumentos que tinha na minha cabeça. Se calhar devia andar com o meu gravador sempre ligado. Assim tinha sempre registo de todas as ideias que tenho e das citações altamente que faço.

Devia haver uma palavra melhor para “awesome” em português que não “fixe” ou “altamente”.

Mudei recentemente de saldo no meu telemóvel. Também ando a ponderar arranjar um cartão da Vodafone, mas não sei se me compensa assim tanto ter um. É pena que o Dual SIM Android mais barato custe duzentos euros, caso contrário era capaz de investir num. Por falar nisso se calhar devia actualizar o meu sistema operativo, mas temo que isso faça com que eu perca os ROMs dos jogos de Pokémon que tenho instalados. Já gastei mais de cem horas naquilo para os perder de um dia para o outro com uma simples actualização.

Este ano está a ser difícil manter a minha promessa de escrever no mínimo um artigo por mês e trinta artigos por ano neste blogue. Ideias não me faltam mas a vontade necessária para desenvolver cada uma até que esta atinja os desejados três mil caracteres, é uma espécie em vias de extinção.

Este tipo de divagações ainda é aquilo que me safa na luta constante contra a página em branco.