Wednesday, January 25, 2012

Os Jovens Gostam de F*der?

Em 2005 escrevi uma crónica no meu antigo blogue com o título Os Jovens Não Gostam de F*der, nela falava sobre como era cada vez mais habitual os jovens banalizarem o sexo ao ponto de o tratarem como um mero alívio de desejos físicos, retirando o amor e qualquer sentimento da equação.

Limitar o acto sexual à simples concretização do prazer físico retira todo e qualquer valor ao gesto de entrega à pessoa em questão. Não há emoções, não há uma continuidade de desejo, não há um interesse pela descoberta da essência da outra pessoa, e de ambos como uma unidade. Há apenas um vazio, um orgasmo forçado, um sentimento de que ambos apenas foram usados à falta de melhor.

Sete anos passados desde a publicação desse artigo, embora a minha opinião se mantenha, não vou tão longe ao ponto de afirmar que os jovens não gostam de f*der, porque a verdade é que gostam e muito, contudo, a grande maioria não sabe fazer amor, se é que alguma vez o fez.

Nas inúmeras conversas que já tive com pessoas popularmente promíscuas, sem contar com os casos de ninfomaníacos diagnosticados, as respostas à pergunta sobre porque o fazem é sempre a mesma: “É diversão, ambos sabemos disso, não há problema”.

Curiosamente essas mesmas pessoas volta e meia afirmam que por mais “divertida” que essa vida seja, no fim do dia acabam por se sentir sós, por sentir a falta de algo mais, de poderem estar com alguém que não desapareça na manhã seguinte. Alguém que é apenas sua, alguém que sejam capazes de amar, alguém com quem o sexo não seja apenas um acto físico, mas sim a máxima ilustração do amor que sentem um pelo outro. 

Por mais tentador que o desejo seja, a sua própria definição martiriza-nos a um fim decepcionante. Apenas desejamos algo que não temos, depois de o conquistarmos já não precisamos de o desejar, o desejo morre e o prazer perde-se numa efémera desilusão. Já o amor é algo mais sólido, mais duradouro, uma ligação que vive além da simples paixão, algo pelo qual vale a pena lutar, e que, quando é verdadeiro, nos dá mais prazer que o mais selvagem dos desejos.

Por mais intenso que o sexo seja, o real momento de felicidade não acontece durante o orgasmo, mas sim depois, quando a seguramos nos nossos braços e ambos os nossos corações batem como um. Quando nos perdemos no olhar da outra pessoa e naquele momento sabemos que a amamos. Não há melhor sentimento que esse.

Não importa o número de parceiros ou a quantidade de sexo. É muito melhor o calor da pessoa que amas, quando ao fim de dez anos juntos continuam a sentir o mesmo que no primeiro dia, do que partilhar a tua cama com uma pessoa diferente todas as noites e sentires o frio do teu quarto na manhã seguinte.

Embora não compreenda como essas pessoas conseguem agir assim, aceito-as como elas são, acreditando que um dia possam ser capazes de concretizar a vontade, que por vezes demonstram, em encontrar algo pelo qual valha a pena lutar. Como alguém me disse há pouco tempo: “Não me faz diferença que outras pessoas o façam, mas eu não funciono assim”.

Friday, January 06, 2012

1979

Certas músicas contam uma história para cada um de nós. Uma história que vai muito além da sua letra ou da sua melodia. Associamos músicas a momentos, seja pelas memórias que nos trazem quando as ouvimos, seja por terem começado a tocar naquele preciso instante. Faixas aleatórias passam a ser inesquecíveis, tornando-se parte da nossa própria história, acompanhando-nos de perto para o resto das nossas vidas.

Verão de 2003, na altura tinha quinze anos e não estava com muito sono. Já passava da meia-noite quando, após ter desligado o PC, decidi ficar pela sala a ver televisão. Os meus pais já estavam a dormir portanto mantive o volume baixo. Vi um filme qualquer que terminou por volta das duas da manhã e comecei a fazer zapping pelo Discovery Channel e o Odisseia, parando por vezes no Sol Música quando não encontrava nada de jeito para ver.

As horas iam passando e pouca ou nenhuma vontade tinha de me deitar. Fui buscar a minha cassete do Em Busca do Vale Encantado e comecei a ver. Terminou pouco antes das cinco da manhã. O Canal Panda ainda não tinha dado início à edição do dia seguinte.

Por volta das seis da manhã já conseguia ver um simples vislumbre da aurora pela janela da sala. Nunca tinha visto o dia nascer, pelo menos não desta forma. Continuei a fazer zapping e parei na MTV, após alguns videoclips, começou a tocar a 1979 dos Smashing Pumpkins, nunca a tinha ouvido antes mas conseguiu captar a minha atenção no imediato. Não consegui apanhar o nome da música nas legendas por isso tentei decorar alguma parte da letra para poder procurá-la na manhã seguinte. Os esforços foram em vão. Quando a manhã enfim chegou já me tinha esquecido por completo da letra. Tinha apenas a melodia para me guiar.

Fiquei à janela a ver o sol nascer com a MTV ou o VH1 a tocarem no fundo. A minha mãe acordou por volta das sete da manhã para ir trabalhar. Quando me viu na sala a ver televisão perguntou-me porque tinha acordado tão cedo. Embora tivesse levado alto raspanete por ainda não ter ido para a cama, deixei-me ficar por ali. Não me lembro o que fiz durante o dia, apenas me lembro de ter perdido a consciência por volta das seis da tarde depois de me sentar no sofá por alguns segundos. Quando acordei eram quase sete, cheguei a estar perto de 36 horas acordado. Até hoje, não sei bem porque o fiz, talvez quisesse testar os meus limites, talvez estivesse apenas aborrecido.

Dessa noite o único episódio memorável acabou por ser o videoclip da 1979. Foram precisos cinco anos para encontrar a música, quando, por mero acaso, ouvi-a a tocar na rádio. Desta vez anotei algumas frases numa mensagem do meu velho telemóvel e encontrei-a com alguma facilidade após uma pesquisa pela letra no Google.

As memórias daquele nascer do sol vão para sempre ficar ligadas a esta música e ao videoclip que a acompanha. Momentos improváveis de pouco significado que permanecem assim guardados nos nossos pensamentos, apenas porque numa simples noite de Verão não me apeteceu ir dormir.

Saturday, December 31, 2011

Em 2011

Em 2011 sofri, voltei para casa, aceitei novos desafios, apaixonei-me, magoei-me, sarei feridas, resolvi o meu passado, li, estudei, criei, defendi a tese e tornei-me Mestre, fui a Roma, ao Vaticano, passei férias no Algarve, vi fósseis de dinossauros de perto, pisei nas suas pegadas, rezei, fui a Fátima, comi Venezas, Estrelas de Fátima, Palmiers de Ovos Moles com Chocolate, experimentei Marmite, joguei PS3, melhorei as minhas técnicas de fotografia, tive uma má aterragem de avião, quase morri, comi francesinhas, tornei-me um Mestre Pokémon, voltei a estudar Russo, saí com os meus amigos, conheci pessoas novas e outras que já conhecia, escrevi 30 artigos no meu blogue, dois contos e um poema, fiz promessas que não cumpri, outras que concretizei, abasteci o meu carro, vi-o avariar em plena auto-estrada, chamei o reboque e segui para casa, passei noites em relento, andei de bicicleta, corri, ouvi música no meu leitor de MP3, no meu leitor de CDs, no meu carro e na minha aparelhagem, vi televisão, vi séries, comentei em fóruns, em blogues e redes sociais, apanhei limões, rasguei algumas calças, comprei outras, troquei de óculos, comprei lentes novas, comprei uma mochila nova, fui trabalhar, saí mais cedo, saí a horas, saí mais tarde, cheguei mais cedo, cheguei a horas, cheguei atrasado, descobri o 9gag, não me esqueci da Memebase, fui a Oeiras, fui a Lisboa, almocei em Beja, visitei Sintra, comi queijadinhas, vi Within Temptation no Coliseu do Porto, vi Peter Hook na Casa da Música, fui a Guimarães, a Ul, estive duas horas na fila para ir ao S. Paio, apanhei chuva e vim-me embora, discuti, fiz small talk, vi o Sporting CP a perder, a empatar e a vencer, comi um Banana Split, joguei voleibol na praia, voltei a nadar no mar, visitei o Sea Life, deixei cair o meu telemóvel, andei de autocarro, de comboio, a pé, participei na Meia Maratona Cidade de Ovar, perdi 10 euros em Roma, discursei no anfiteatro de Ostia Antica, pisei a areia negra das suas praias, apanhei calor, tomei banho, cortei o cabelo, dancei, cantei, bebi, diverti-me, vi o Em Busca do Vale Encantado, não chorei, arrumei o meu quarto, organizei os meus livros, os meus CDs e os meus Vinis, fiz compras inúteis, outras úteis, outras desnecessárias mas que queria, ganhei, poupei, assustei-me, enganei-me no nome das pessoas, fiquei acordado até madrugada apenas a falar, comi alheiras, filetes de polvo, fui ao cinema, arrependi-me, procrastinei, fiz coisas à pressa, menti, confessei-me, aceitei quem eu era, arrisquei, empenhei-me, desiludi-me, acreditei, fiz um intra-rail, fiz planos, mudei de ideias, gritei, chateei-me, indignei-me, acalmei, ganhei confiança, sensatez e acreditei em mim.

Em 2011 cresci, em 2011 vivi.

Concluído

Procrastinar foi a palavra de ordem do último ano. Nem sempre provocada por simples preguiça, a verdade é que o eterno defeito de adiar, e deixar tudo para as últimas, acabou por deixar a sua marca nas etapas finais do desenvolvimento, e da defesa da minha tese de Mestrado.

Embora oficialmente tivesse iniciado a dissertação no dia 13 de Setembro de 2010, foi apenas em Janeiro deste ano que comecei a trabalhar mais a sério na sua execução. Durante os primeiros meses, o meu emprego em Coimbra e o stress das viagens constantes tornavam os meus fins-de-semana muito pouco produtivos, a acrescentar a isto, as lides domésticas e a preparação do jantar, elementos naturais da minha primeira experiência a viver fora de casa, tomavam conta das minhas noites tornando-me incapaz de mexer uma palha que fosse ao final do dia, quanto mais encontrar inspiração para ler ou para escrever.

Foi apenas quando troquei de emprego e voltei para casa, que pude ter tempo para me dedicar à tese. Ao contrário de Coimbra, em vez de um dia por semana, apenas tinha direito a uma tarde livre, com horas extra todos os dias para a compensar. Mas esta aparente diminuição do meu tempo livre acabou por ser vantajosa por um simples motivo: as viagens de comboio. Todos os dias gasto em média duas horas em transporte do trabalho para casa.

Decidi aproveitar esse tempo para ler artigos e delinear as minhas ideias para a tese. Durante o mês de Fevereiro não fiz outra coisa. Após a leitura dos artigos chegava a casa e seleccionava as passagens dignas de ser citadas, criando blocos de citações sob os diversos títulos das secções da minha tese, blocos esses que ao longo dos restantes meses tratei de preencher e repreencher através de ideias de ligação, para criar um texto coeso que resultou na minha revisão de literatura.

As sextas-feiras à tarde – foram estas as tardes livres que escolhi usar – eram passadas na faculdade, ora na FEUP, ora nas instalações da minha licenciatura, a ler artigos, a escrever, e a delinear o guião da curta-metragem interactiva que desenvolvi como projecto de tese. O resto do fim-de-semana era passado ora na FEUP, ora em casa, a fazer o mesmo, sendo que punha sempre de lado pelo menos uma tarde para passear com a minha namorada, também ela aluna do meu Mestrado e igualmente empenhada em desenvolver a sua tese. O mais difícil destes meses foi mesmo isso, conciliar a tese com a minha relação, com o meu grupo de amigos, e com a minha família.

Apenas consegui ter o guião terminado em meados de Abril. Não que ele fosse extremamente complexo, mas durante várias semanas sofri de um bloqueio criativo que me impediu de escrever fosse o que fosse além do jargão técnico da revisão da literatura.

Com o aproximar do final de Maio a minha tese já começava a ganhar forma, mas ainda faltava o projecto e o estudo, que temia estar condenado a ser pouco desenvolvido. Passei o final do mês de Maio, e o mês de Junho inteiro, em produção e pós-produção da curta-metragem em machinima, e no desenvolvimento da sua plataforma interactiva em MAX/MSP Jitter. Quando consegui ter uma primeira versão pronta, tirei alguns dias de férias e fui fazer os testes junto do público com um inquérito pouco desenvolvido.

Como o semestre já estava a terminar, embora tivesse gasto umas 12 horas na faculdade, apenas consegui encontrar 10 pessoas que se dispuseram a participar no meu estudo. O estudo era simples, consistindo de três etapas. Os participantes viam e interagiam com a plataforma, respondiam a um questionário e eram posteriormente entrevistados sobre a experiência. Com o pouco que consegui no tempo que me restava finalizei a tese e enviei-a para validação. Finalmente entreguei-a no dia 28 de Julho, quatro dias antes da data limite.

A partir daí restava apenas esperar. Esperei tanto que comecei a desesperar. A meio de Setembro fui passar férias no Algarve e levei o meu portátil para poder ver a minha conta de e-mail não fossem eles marcar a defesa em cima do joelho. Felizmente, acabaram por a marcar no dia 11 de Outubro. Apenas soube já dia um desse mês, mas ainda tive tempo de preparar a apresentação.

A defesa em si correu bem, consegui mostrar tudo o que queria dentro dos 20 minutos disponíveis e a própria arguição foi muito melhor que aquilo que estava à espera. O arguente já tinha trabalhado na área da minha dissertação e tinha um conhecimento muito vasto sobre transmedia e storytelling interactivo (não mencionei ali em cima mas foi este o tema da minha tese). Acabámos por ter uma boa conversa ao longo da arguição, embora o meu nervosismo se fizesse notar.

Terminada a arguição o Júri ficou a deliberar enquanto eu aguardava lá fora. Demoraram cerca de cinco minutos mas para mim pareceu-me uma eternidade. Quando finalmente me chamaram, o Presidente do Júri cumprimentou-me, deu-me os parabéns e disse que tinha tirado 16. Fiquei aliviado mas ao mesmo tempo um pouco desiludido. Queria ter tido 18, mas tenho consciência que as limitações do estudo efectuado acabaram por me prejudicar. Talvez o 17 fosse uma nota mais justa pelo empenho que tive no desenvolvimento do projecto, e pela sua qualidade final, mas visto que no final de contas mesmo que tivesse 17 a minha média de Mestrado manter-se-ia inalterada, embora o 16 não me tenha caído bem, aceito-a como um nota justa para a avaliação global que faço da minha tese, e deste ano de trabalho.

Fiquei com o bichinho de que podia ter feito um trabalho melhor e de que o quero fazer. Talvez um dia volte a pegar no meu projecto e o desenvolva para além do seu potencial corrente.

Terminado o meu Mestrado, no que respeita à dissertação apenas me queixo das inúmeras falhas burocráticas que todos sofremos ao longo deste ano. No início prometeram que teríamos vários seminários de apresentação do nosso desenvolvimento, algo que nunca chegou a acontecer. Também disseram que seria possível entregar em Setembro bastando para isso fazer um requerimento.

A meio do ano desmentiram-se e avisaram que se não entregássemos em Julho seríamos obrigados a pagar mais um ano de propinas. Iniciei um movimento de protesto contra estas contradições e, talvez por influência do elevado número de queixas, ou talvez por um descargo de consciência, voltaram atrás e acabaram por deixar entregar em Setembro todos aqueles que fizeram requerimento.

Apesar de ter entregue todos os documentos, incluindo a versão final da tese no dia 5 de Dezembro, apenas apareceu no meu perfil de estudante o estado de “Concluído” na passada quarta-feira, dia 28 de Dezembro. Até hoje ainda aguardo pela atribuição do meu certificado em papel. Dizem que dentro de uma semana já deve estar pronto, mas com estas burocracias é mesmo ver para crer.

Foi um longo caminho onde eu, e apenas eu, fui meu próprio inimigo. Ser-se trabalhador estudante não é para todos, e se pudesse ter essa escolha, preferia ter feito a tese apenas como estudante. Mas as nossas vidas têm que ter outras prioridades, e temos que aprender a ultrapassar os obstáculos pelos nossos próprios meios. Não me arrependo do trabalho que fiz e, embora sabendo que podia ter ido mais longe, fico contente por ter terminado esta etapa e por fazer uma pausa, por enquanto, no meu percurso académico.

Está na hora de descansar e de me encontrar a mim próprio. Caro eu do futuro, como digo no nome do meu projecto, Shall We Meet?

As Compras Inúteis de 2011

Curiosidade, desejos antigos, ou simples impulsos do momento, forçam-nos a comprar coisas que não precisamos. Embora estes casos sejam muito pontuais acabam por ficar na memória mesmo depois de nos livrarmos deles, nem que seja pelo dinheiro que foi desperdiçado de forma tão casual.

2011 não foi dos anos com maior número de desastres orçamentais, mas aqueles que aconteceram merecem algum destaque.


Frasco de Marmite
1.º Lugar) Marmite (Continente de Lagos - € 4,34)

Há já vários anos que tenho ouvido falar desta fantástica “compota” vitamínica muito popular nas terras de Sua Majestade. Famosa entre a comunidade vegetariana (e não só), marmite é feita através de extracto de levedura e muito rica em B12. A sabedoria popular diz que é daquelas coisas que não têm meio-termo, ou se adora ou se detesta.

Apesar dos diversos avisos a alertar que apenas as pessoas que comiam marmite desde uma tenra idade são capazes de verdadeiramente gostar disto, sempre tive curiosidade em provar.

Descobri que se vendia no Continente através da loja online, mas nunca a tinha visto à venda. Enquanto passava férias no Algarve, fui ao Continente de Lagos fazer algumas compras e no meio dos molhos de culinária lá estavam uns quantos frascos de marmite. Senti alguma relutância em trazê-la dado o preço elevado, mas como só se vive uma vês, quando seria a próxima oportunidade para comprar um frasco destes?

Guardei-o no apartamento durante alguns dias, ganhando coragem para descobrir se o investimento tinha valido a pena. A Internet dizia-me que a melhor forma de comer marmite era em tostas com queijo. Assim fiz. Foi de longe a pior experiência gastronómica da minha vida. Só de pensar no sabor daquilo dá-me vómitos. É tão enjoativo e sabe a cerveja morta. Experimentei novamente com queijo para ver se cortava o sabor, mas não, por incrível que pareça ainda soube pior.

Parece-me que faço parte da percentagem da população que odeia marmite. Paciência, terei sempre Nutella, Manteiga de Amendoim ou Geleia para barrar no pão ou nas tostas e sou feliz assim. Já agora deixo-vos com uma pequena dica culinária: Tostas com Atum e Geleia é muito bom, eu sei que a ideia vos repugna, mas acreditem é a das melhores combinações que alguma vez comi em tostas.

Letterman Jacket
2.º Lugar) Imitação de Letterman Jacket (€ 22,5)

Talvez por influência dos filmes de adolescentes norte-americanos sempre quis ter um Letterman Jacket. Por diversas vezes pesquisei online por um, mas sempre que encontrava o preço andava à volta de 200 dólares, demasiado caro para um simples casaco. Recentemente descobri que na Zara vendiam alguns modelos, mas eram vermelhos e o preço rondava os € 45 o que também considero caro visto que seria um casaco para usar apenas algumas vezes.

Um dia passeava por Ovar e vi na montra de um pronto-a-vestir que tinham desses casacos à venda por apenas € 22,5. Decidi aproveitar a oportunidade, contudo, a loja estava sempre fechada aos fins-de-semana e durante a semana fechava às 19h. Um dia saí mais cedo do trabalho e pedi à minha mãe para me encontrar lá na loja. Quando cheguei a senhora estava a fechar e apenas restava a minha mãe que lhe tinha pedido para esperar por mim. Cheguei, experimentei o casaco, ficava-me bem mas reparei que tinha algumas coisas escritas que não faziam sentido nenhum e que além disso ficavam horríveis. Por culpa de ver a senhora ali a adiar o fecho por minha causa acabei por o comprar, pensando que os dotes de costureira da minha mãe seriam suficientes para retirar esses escritos. Infelizmente quando cheguei a casa ela disse-me que não dava para tirar. Como os restantes artigos da loja eram, bom, maus, optei por não trocar.

Apenas o usei uma vês no sábado de Carnaval. Actualmente estou a tentar vendê-lo através de um site de leilões online para tentar recuperar o dinheiro. Não é que o casaco tenha algum defeito, simplesmente é demasiado piroso e não tem nada a ver comigo.

Enfim, devia ter tido mais coragem para chegar à beira da senhora e dizer: “Desculpe lá, mas afinal não o quero levar”. Uma frase tão simples que me teria poupado € 22,5 e que me daria mais algum espaço no meu armário.

Mochila Eastpak
3.º Lugar) Mochila Eastpak (Amazon.co.uk - £ 9,99)

Não comprava uma mochila nova desde 2001. Como a minha já estava bastante deteriorada e com o regresso das aulas de Russo decidi comprar uma mochila nova. Vi que as mochilas da Eastpak estavam em promoção no Amazon.co.uk e com o preço de 10 libras não foi difícil aproveitar a promoção. Sempre quis ter uma mochila da Eastpak, não por toda a gente ter uma, mas pelo seu design simples e prático. Duas semanas depois ela chegou a casa mas para meu descontentamento as alças estavam rígidas. É impossível usá-la sem que as alças fiquem espetadas para a frente em forma de triângulo. Já tentei andar em casa com ela para ver se as alças ganhavam a forma dos meus ombros e até tentei pôr alguns livros pesados para a moldar, mas sem efeito. Não me admira que estivesse tão barata, tem defeito!

Embora as compras online sejam muito úteis, sendo que até hoje tive muitas poucas razões de queixa, no que toca a roupa e acessórios o melhor é limitar-me a comprar nacional e em loja.

Vejo-me assim preso com uma mochila da Eastpak nova, sem uso, mas inútil pois não a posso usar sem parecer muito ridículo. Se a usar apenas num ombro não se nota, mas aí perde completamente o propósito para o qual a comprei.

Em 2012 vou tentar conter os meus impulsos consumistas e aprender a dizer não, por pior que isso pareça. Espero que daqui a um ano não sinta necessidade de repetir uma lista deste género, mas se o fizer, que esta seja mais curta ou pelo menos, menos dispendiosa.