Sunday, December 23, 2012

O Regresso da Véspera da Véspera de Natal Parte VI


366 dias, 42 bilharacos, 29 apocalipses, 12 contas de somar, 4 lentes desreguladas, um Mindo e 0 pencas depois, está de regresso a véspera da véspera de Natal. Sim, depois de um longo ano de espera, o momento mais epicamente aguardado de todo o sempre está de regresso. E desta vez promete igualmente nada, como sempre o fez!

Vasco da Gama estava na corte de D. João II. Este sentava-se num trono feito de espadas fundidas, constantemente a queixar-se das picadelas que sofria no seu real rabiosque.

“Vasco, amanhã vais zarpar rumo à terra desconhecida chamada Brasil que tu irás descobrir”, disse. “Mas isso não era o outro gajo?”, perguntou Jesus, o Jorge, que passava por ali. “Ó pá, vai mas é cortar o cabelo”, responde Jesus, o Cristo, que trazia consigo a nova táctica para os lances de bola parada do Moreirense.

“Ei, ó Boss, amanhã não me dá lá muito jeito, tenho uma consulta às 15h e já está marcada há uns dois meses”, respondeu o Vasco.

“Bom, então zarparás no dia seguinte.”

“No dia seguinte também não posso, tenho que ir à Junta pagar o saneamento, é o último dia e tal.”

“Porque é que não vais amanhã depois da consulta?”

“Não dá porque a Junta fecha às 16h, e já sabe como é que é no Centro de Saúde, um gajo chega lá às 15h e se tiver despachado às 16h30 já vai com muita sorte.”

“Então, e não podes ir à Junta de manhã?”

“De manhã, de manhã… Também não dá. O Continente amanhã está a fazer desconto de 50% no bacalhau e convém ir cedo antes que esgote. Se não ainda acontece como no Primeiro de Maio e vou ter que andar lá à porrada com uma dona-de-casa para conseguir uma ou duas postas. Depois disso ainda tenho de ir almoçar a casa. Como sabe ainda não inventaram os carros e um gajo para andar de trás para a frente, ainda mais carregado com as compras, ainda são precisas algumas horitas para tratar disso tudo.”

A conversa é interrompida pelo Eusébio que aparece de súbito na corte. “Vasco, agarra a minha toalha!” O Vasco agarrou na toalha do Eusébio e gritou “Aventura”, os dois foram teletransportados dali para fora (o Word disse-me para ponderar o emprego de uma expressão alternativa, bitch please!).

Vasco, Eusébio, a toalha, Jesus, o Cristo, e o Afonso Henriques dão por si na terra desconhecida chamada Brasil. “Isso é subjectivo, cara!”, diz o Mindo que os viu a aparecer do nada e no entanto não ficou intrigado pelo que se acabou de passar.

“Agora é que me lixaste Eusébio, como é que vou chegar a tempo da minha consulta?”

“Se era no dentista podes pedir a esse tipo aí, pode ser que te ajude.”

“Isso é subjectivo”, respondeu o Mindo. O narrador aproxima-se do Mindo e pergunta-lhe: “Não sabes dizer mais nada?” “Isso é…” Antes que o Mindo pudesse responder o narrador espetou-lhe alto tabefe nas fuças para ver se ele acordava.

“Isto é assim pessoal, não sei o que fazer convosco. Esta história já tem uns anitos e acaba sempre por não fazer sentido nenhum”, respondeu o narrador.

O Afonso Henriques pega na sua espada de 5 metros e na sua armadura de lobo negro para ir processar umas certas pessoas que copiaram o seu estilo. “Vêem? Nada disto faz sentido!” 

“Isso é subjectivo”, respondeu o Mindo.

“E a minha consulta?”, gritou o Vasco.

“Vá, peguem todos na toalha”, pediu o Eusébio.

“Terra”, disse o Eusébio.

“Fogo”, disse Jesus, o Cristo.

“Vento”, disse o Afonso Henriques.

“Água”, disse o Mindo.

“Coração”, disse o Vasco.

“Pelos vossos poderes combinados, eu sou o Capitão Planeta”.

Vasco, Eusébio, Jesus, o Cristo, Afonso Henriques, o Capitão Planeta e a toalha são teletransportados de imediato. O Mindo fica por ali a comer umas pencas, desinteressado no que se acabou de passar.

De regresso à corte, Vasco conta a D. João II que já descobriu a terra desconhecida chamada Brasil. D. João II não parece muito convencido.

“Demoras mais tempo a encontrar a Junta que a terra desconhecida chamada Brasil?”, perguntou D. João, segundo de seu nome.

“Em Moçambique Kutama quer dizer emigrante”, disse o Eusébio.

“É o seguinte malta, eu depois de amanhã faço anos e como curto ser diferente do resto do pessoal, a festa começa já amanhã”, interrompeu Jesus. “Depois do Vasco voltar da consulta, vamos todos para minha casa partir vinho e beber pão. Vai ser brutal moço!”

Todos concordaram em aparecer lá por volta das 18h para preparar o jantar. Todos excepto o Capitão Planeta que depois de sugerir levar umas quantas pencas que o Mindo lhe deu, foi expulso da corte para ir salvar uns quantos Dodós antes destes se extinguirem outra vez.

E chegou assim ao fim mais uma aventura do quinteto fantástico. Lembrem-se, celebrem sempre o 23 como se fosse o último, nunca se sabe quando o Fim do Mundo se voltará a repetir. Além do mais, ainda vos aparece o Mindo em vossa casa com umas pencas para o cozido. E caso ele apareça, dêem as mãos e cantem numa só voz:

Morram pencas, morram! Pim!

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