Monday, December 10, 2012

Natal menos iluminado

Foto: Adriano Cerqueira
Uma das minhas preferidas tradições natalícias sempre foi passear pelas ruas do Porto em Dezembro para ver as luzes de Natal. Já muito antes de escolherem os Aliados como o local predilecto para erguer a maior Árvore de Natal da Europa, várias famílias aproveitavam os feriados e os fins-de-semana de Dezembro para passear pela Invicta e admirar as montras e as ruas enfeitadas com um caloroso espírito natalício.

Esta é uma tradição que mantenho ainda hoje. Contudo, desde o ano passado que denoto um menor investimento da Câmara Municipal na iluminação de Natal. Nos últimos dois dias passeei pelas ruas do Porto ao final da tarde, já com o céu escuro como breu, e as únicas luzes que vi acesas foram as da Árvore de Natal em frente à Câmara e algumas luzes pontuais numa ou outra rua. Embora quer os Clérigos, quer Cedofeita tivessem os enfeites montados, estes permaneceram apagados. De que vale ter luzes de Natal se não têm qualquer intenção de as ligar?

Eu compreendo que os tempos sejam de poupança e que as luzes de Natal não figurem no orçamento da Câmara como algo prioritário, contudo, é bem possível fazer algo belo e digno de personificar o espírito natalício com um baixo orçamento. Já vi uma tentativa de originalidade criativa ao colocarem nos Aliados baloiços com as palavras Porto, Natal, Amor, Sonho, Abraço, Festa, Paz, Magia e Família, onde casais, famílias e grupos de amigos se podem sentar e tirar uma foto com o edifício da Câmara como pano de fundo. Mas porquê ficarem-se apenas por aí? Não exijo que todos os anos se construa a maior Árvore de Natal da Europa nos Aliados, uma árvore como a actual árvore dourada serve, mas porquê manter as restantes ruas às escuras?

Ontem vi algumas fotografias do festival das luzes em Lyon. A fachada de alguns edifícios emblemáticos da cidade tinha-se transformado numa tela de luz para a imaginação de um qualquer artista. Um belo espectáculo que atraiu milhares de turistas à cidade apenas para o presenciar. As luzes de Natal eram em tempos um dos principais postais de visita da cidade do Porto. As pessoas não se deslocavam lá apenas por causa das montras ou das promoções. Famílias inteiras faziam uma verdadeira peregrinação apenas para ver as luzes.

Na semana passada fui a Aveiro e, ao passar pelo centro de Estarreja, vi uma praça iluminada e com uma Árvore de Natal melhor decorada que a de Ovar e até mesmo que a do Porto. Como pode um município tão pequeno quando comparado com a Invicta ter melhores decorações natalícias?

A Madeira foi muito criticada pelo dinheiro gasto no fogo-de-artifício na passagem de ano quando semanas antes se tinha descoberto um buraco de 6 mil milhões de euros no seu défice. Contudo, não reduziram um cêntimo sequer do seu investimento no espectáculo de Ano Novo. Sim, investimento. As Câmaras Municipais não podem olhar para as decorações, para os espectáculos e, já agora, para a cultura como gastos, mas sim como investimentos. Investimentos que atraem turismo e turismo que atrai comércio e compradores.

Não acabem com esta tradição. Não a deixem morrer. O Porto é mais belo no Natal que em qualquer outra altura do ano, não deixem as suas luzes se apagarem. Mantenham-nas acesas e relembrem a cada ano que passa com orgulho o quanto a Invicta contribui para manter acesa a chama do espírito natalício.

1 comment:

Fernando Pereira said...

Por acaso é uma tradição que também tenho, a de ir ao Porto à noite ver a iluminação, principalmente pela zona dos aliados e por Sta. Catarina.
E já o ano passado notei uma redução bastante no "impacto" que teve a iluminação, ou a falta dela...
São os cortes...