Thursday, May 31, 2012

A luta contra a página em branco

São três da tarde e ainda nada me ocorreu. Tive dois sonhos vívidos esta noite. Ambos partilhavam uma extrema complexidade de argumento e uma história com um fio condutor bem definido. Um deles podia mesmo dar uma boa sequela para o filme Jurassic Park, tivesse eu a paciência necessária para escrever ficção fanática. Já o primeiro continua a ocupar-me o pensamento enquanto faço um derradeiro esforço para relembrar todos os pormenores dessa estranha história. Bom, talvez esta seja demasiado obscura, demasiado pessoal, demasiado emocional, para eu alguma vez a partilhar com o mundo.

Não me apetece divagar sobre o caos organizado do meu subconsciente. Hoje reparei que a cadeira onde estava sentado estava com algumas peças descoladas. Tenho que avisar os meus pais para pensarem duas vezes antes de convidarem familiares obesos para jantar cá em casa. Isso, ou talvez esteja na hora de voltar a fazer exercício. Se bem que apesar de actualmente ter uma vida mais sedentária que aquela que tive no último ano, acabei por perder dois quilos nos últimos meses. E isto apesar de ter deixado de comer kiwis. Talvez o facto da cantina do meu emprego actual ser muito menos gordurosa que a do meu anterior, tenha sido importante para alcançar este feito, embora hoje em dia caminhe muito menos e faça uma viagem consideravelmente menos desgastante que aquela que o meu emprego anterior obrigava.
 
Acho engraçado como há pessoas que pensam que eu vivo no Porto. Serei o único com a consciência suficiente para poupar em trivialidades comodistas de forma a precaver a constante incerteza do futuro? Isso, ou sou o único que não tem outros meios de financiamento além do actual salário.
 
Também pensei em falar sobre o referendo irlandês e na inexistência de um referendo de igual intuito para estes lados, mas não me apetece. Nunca foi meu hábito usar este sítio para comentar a actualidade. Embora já o tenha feito em determinadas situações, este não é um tema que pelo menos hoje mereça ser alvo de uma excepção.
 
Fazer um comentário, ou uma crítica ao livro, Só o Sangue Cheira a Sangue da poetisa russa Anna Akhmatova, também seria uma opção, não fosse eu demasiado preguiçoso para esse tipo de coisas. Deixo isso para os pseudo-intelectuais que adoram comentar seja o que for, numa busca incessante por elogios por parte dos seus pares. Como o Paulo uma vez me disse, referindo-se ao facto de eu não ter mexido uma palha na execução do Rarely Interesting: “Nem sequer lá foste dizer ‘É pá, este livro é fixe!’” Não encaixei bem esta citação com o resto do meu argumento, mas também não tem importância.
 
Ainda pensei fazer um daqueles exercícios do género, isto é um título, isto é a primeira frase, e por aí adiante. Talvez faça um dia, mas hoje parece-me despropositado.
 
Amanhã é o Dia Mundial da Criança. Não tenho muito a dizer sobre isto. Uma vez a minha mãe ofereceu-me um helicóptero de brincar. Não levantava voo, apenas acendia umas luzinhas, comprou-o no Barreto. Foi uma surpresa engraçada, mas não lhe prestei muita atenção. Segundo o que ela me disse, houve um ano em que tive uma amigdalite e tive que ser internado neste dia. Não me lembro, duvido que seja verdade, mas provavelmente é. Não tenho memória de nada antes dos meus 4 anos e até aos 9 há uma neblina permanente. É difícil distinguir as memórias de imagens recriadas na minha mente, baseadas naquilo que me contaram ou em fotos de outros tempos.
 
Ontem encontrei o João Tiago, também conhecido por Acosta, no Continente. Falou-me da minha professora da primária, que ela tinha perguntado por ele. Vi-a há uns meses quando fui andar a pé até ao Furadouro com os meus pais. Está igual.
 
Há um ano não escrevi nada neste dia. Era uma terça-feira. Provavelmente limitei-me a ir trabalhar, voltei para casa e pouco ou nada fiz. Ainda andava às voltas com a tese. Nessa fase já devia estar a filmar a machinima que usei no meu projecto de vídeo interactivo. Já, como quem diz, ainda. Atrasei-me bastante, mais valia ter adiado a entrega e ter-me esforçado um pouco mais. Paciência.
 
Não me apetece falar de futebol. Nem das escolhas do Paulo Bento, embora ache que com a saída do Carlos Martins falta ali um número 10 para o meio campo, nem da derrota do Sporting CP na Taça, embora tenha sido injusta.
 
Pensei falar sobre como sinto que o meu inglês escrito está um pouco enferrujado. Enfim, abordarei esse tema num futuro próximo, mas não hoje.
 
Estou farto de reminiscências sobre o liceu. A sério.

Ainda não fui a Londres, nem a Paris. Talvez tente marcar para Dezembro, mas duvido que seja possível. Vai estar frio e com o desemprego eminente não vou ter coragem para gastar dinheiro nesse tipo de viagens.

Há outros assuntos sobre os quais me apetece falar. Mas já tenho tido tantas conversas profundas comigo próprio sobre esses temas que na altura de os pôr no papel dá-me preguiça para me repetir. Já para não dizer que quando finalmente paro para os escrever nunca soam tão bem como os argumentos que tinha na minha cabeça. Se calhar devia andar com o meu gravador sempre ligado. Assim tinha sempre registo de todas as ideias que tenho e das citações altamente que faço.

Devia haver uma palavra melhor para “awesome” em português que não “fixe” ou “altamente”.

Mudei recentemente de saldo no meu telemóvel. Também ando a ponderar arranjar um cartão da Vodafone, mas não sei se me compensa assim tanto ter um. É pena que o Dual SIM Android mais barato custe duzentos euros, caso contrário era capaz de investir num. Por falar nisso se calhar devia actualizar o meu sistema operativo, mas temo que isso faça com que eu perca os ROMs dos jogos de Pokémon que tenho instalados. Já gastei mais de cem horas naquilo para os perder de um dia para o outro com uma simples actualização.

Este ano está a ser difícil manter a minha promessa de escrever no mínimo um artigo por mês e trinta artigos por ano neste blogue. Ideias não me faltam mas a vontade necessária para desenvolver cada uma até que esta atinja os desejados três mil caracteres, é uma espécie em vias de extinção.

Este tipo de divagações ainda é aquilo que me safa na luta constante contra a página em branco.             

2 comments:

Fernando Pereira said...

Tavas inspirado hoje Z, tanta leitura!

Adriano Cerqueira said...

Nada como encontrar inspiração no facto de não estar inspirado :D