Tuesday, August 15, 2006

Matrículas Amarelas

Imagem DR
Agosto é o mês predilecto para o típico Português tirar uns dias de férias. Consequências disto são as praias atoladas, e os parques de estacionamento completamente cheios. O que por vezes obriga as pessoas ou a deixar o carro em casa ou a estacionar em sítios menos próprios, como vias sem saída, rotundas, ou até mesmo na própria areia.

Além destes comportamentos de mau condutor, ou de desesperado ignorante das normas da estrada, é fácil reparar nos vários carros com matrículas amarelas com caixas azuis que exibem as estrelas da União Europeia (UE), e as letras F, L, D, ou até mesmo em algumas matrículas brancas com um autocolante com as iniciais CH. Como já devem ter reparado, estas siglas fora do comum são sinónimo de estrangeiros, ou de estrangeirados.

A primeira ideia que vem à mente de uma pessoa é que estes carros pertencem a emigrantes, filhos que deixaram a sua terra, e que agora retornam por alguns dias para ocupar os parques de estacionamento. Porém, a grande questão que perturbou os Deuses ao longo dos milénios é esta: Por que são as suas matrículas amarelas?

A acompanhar, e a conduzir estes veículos, vêm pessoas que parecem saber falar Português mas que se trocam entre línguas tão variadas como o Francês, o Alemão, e o ocasional Inglês. Mas este filho prodigamente regressado, não traz o carro às costas. Em vez disso, opta por vir de avião e recorrer a uma agência de rent-a-car. Aí, as matrículas amarelas até se justificam, sendo facilmente reconhecidas como carros de aluguer pelo já habitual P por debaixo das estrelas da UE.

É possível então supor que, se por cá é costume alugar um carro e este ter uma matrícula amarela, os carros que os emigrantes usam para se deslocar são também eles alugados?

Nem todos estes carros são carros, muitos deles vêm em caravanas. Assim, não só poupam em alojamento, como irritam aquele comum veraneante que apenas queria estacionar naquele lugar mas que acaba por desistir, visto o seu carro não caber no pequeno espaço, que até seria maior se não estivessem ali as ditas caravanas – ditas ou malditas, fica ao critério do leitor.

Retornando ao tema principal, sim, é lógico alugar uma caravana para uma viagem superior a mil quilómetros. Fica mais barato que o alojamento, e não vale a pena comprar uma caravana se só a usamos uma vês por ano, ou uma vês de ano a ano, ou seja lá como for.

Salva a excepção de sermos postos fora de casa, e esta acabar por ser o nosso único refúgio, para quê sermos donos de uma caravana? Tal emergência é demasiado rara, e insuficiente para justificar tamanho investimento. Logo, nas caravanas até aceito a existência de matrículas amarelas, mas o que têm então os carros ligeiros a dizer em sua defesa?

Será que os emigrantes alugam carros de maior cilindrada, e mais vistosos, apenas para impressionar os familiares lá da terra? Estarão eles simplesmente a poupar a quilometragem dos seus carros pessoais? Ou será que não possuem carros particulares devido à "excelente" qualidade dos transportes públicos dos seus países de acolhimento?

A terceira é pouco provável, a primeira deve ser verdade em muitos casos, mas partindo da ideia tão Portuguesa, de que no poupar é que está o ganho, então vemos que os emigrantes até sabem cuidar das suas coisas. Isto, como tudo, levanta outra questão: Não vos ficaria mais barato virem de avião e alugarem um carro cá?

Para alimentar o mistério, e chatear os Deuses ao ponto de quererem mesmo fazer alguma coisa acerca disto, andam por aí alguns com matrículas brancas. Talvez um dia alguém seja capaz de desvendar este mistério. Até lá, fica por aqui um dos grandes enigmas esquecidos do nosso Verão.

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